“Família Abayomi” e “Jongo” – como a EMEI Nelson Mandela trabalha relações étnico-raciais

“Era um vez um príncipe que veio de uma terra distante”… A história de Azizi Abayomi, um boneco-príncipe que habita a EMEI Nelson Mandela, brinca com a imaginação de alunas e alunos que frequentam a escola. No Brasil, mais precisamente no prédio amplo, arejado e acolhedor da escola municipal no Limão, bairro da zona norte de São Paulo, o boneco Azizi conheceu e se apaixonou pela boneca Sofia, com quem casou e teve dois filhos: Dayó e Henrique. 

Pelo projeto didático com a “Família Abayomi”, a escola ganhou em 2012 o 6º prêmio “Educar para a Igualdade”- Categoria Escola, promovido pelo CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).

A narrativa da união de Azizi e Sofia carrega sentimento de pertencimento – a história de vida desses bonecos em tamanho real são ponto de partida para o trabalho das relações étnico-raciais na escola, que aborda temas como racismo, ancestralidade e preconceito, como explica a coordenadora pedagógica Marina Basques:

 

De 2012 para cá, a EMEI Nelson Mandela fortaleceu seu Projeto Político-Pedagógico mirando valores civilizatórios das culturas africanas e afrobrasileiras – como o comunitarismo, a coletividade, a ludicidade e a circularidade – no intuito de honrar princípios que fizeram parte da vida do ex-presidente da África do sul e ativista que dá nome à escola. 

Trabalhar esses temas na primeira infância é sempre desafiador. Nessa jornada, a proposta da escola é ir além de seus muros e envolver famílias e comunidade, além de estudantes, na construção desse conhecimento. Foi assim com o projeto do Jongo, conduzido pela professora Carolina Hamburguer. O percurso que levou a turma a pesquisar sobre o Jongo começou por causa da vida de Clementina de Jesus, como explica Carolina:

A proposta de trabalhar o Jongo também estimulou a prática investigativa por parte das crianças, que participaram ativamente da pesquisa acerca do tema. Além disso, houve envolvimento de outra professora no projeto, a Cris. 

Para Carolina, o trabalho do Jongo foi a oportunidade de resgatar como foi a vinda de africanos e africanas para o Brasil, ressignificando partes essenciais da nossa própria História.

Um dos resultados do trabalho de pesquisa sobre o Jongo na EMEI Nelson Mandela foi, além de vivências musicais com dança e instrumentos entre estudantes, a apresentação de uma roda de Jongo realizada por alunas e alunos na calçada da escola – evento que tocou familiares e quem passava na rua.

“Família Abayomi” e “Jongo” – como a EMEI Nelson Mandela trabalha relações étnico-raciais é uma postagem da Campanha Novembro Negro. Para ver outros conteúdos, clique aqui

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