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6° Encontro na DRE São Mateus 2018

21 de novembro de 2018

6° Encontro

Data: 30/10/2018
Formadora: Crislei de Oliveira Custódio
Pauta:
– Acolhida
– Sensibilização
– Cochicho: “Do diálogo em tempos de barbárie”
– Discussão sobre estudo de caso
– Levantamento de propostas de ações
– Encerramento

 

A formadora começou o encontro com a exibição de um vídeo da ONU Mulheres que, de maneira sucinta, explica o que são os direitos humanos:

Após a exibição, a formadora retomou alguns princípios que norteiam e sustentam a proposta de educação em direitos humanos, a saber: a noção de sujeito de direitos, da dignidade humana, do respeito mútuo e do diálogo. Passou-se à discussão sobre a possibilidade e a necessidade de se conceber uma cultura do diálogo em oposição à barbárie. Foram debatidas as seguintes questões:

  • Como é possível dialogar em tempos de intolerância?
  • Por que ainda escolhemos o diálogo como melhor forma de nos relacionar com o outro?
  • Qual o nosso papel na construção de uma cultura do diálogo?

Houve muitas contribuições entre os educadores presentes, que deram exemplos sobre a dificuldade cotidiana em dialogar e em compreender o outro como um sujeito de direitos.

Após esse período de escuta, a formadora encaminhou para a discussão dois casos que havia separado para o estudo coletivo. Em grupos com até cinco componentes, solicitou que metade da sala discutisse o caso 1 – mãe na porta da escola, e metade discutisse o caso 2 – brincadeira, brinquedo e gênero na educação infantil.

Caso 1: Mãe na porta da escola
Mariana é mãe de Aline, aluna do CEI, que tem 2 anos e meio. Como vive com o pai de sua filha, uma situação bastante conflituosa, evita que ele pegue a menina ao final do dia, esforçando-se por buscá-la todos os dias, chegando antes da hora da saída. Na última quarta feira, porém, atrasou-se e, como não havia nenhuma orientação que impedisse a saída de Aline com o pai, ele a retirou da escola sem nenhum tipo de problema. Ao chegar à escola e saber que sua filha já havia ido embora com o pai, pôs-se a gritar no portão, ofendendo o porteiro e todos os adultos que lá estavam, chutou a lata de lixo e, por fim, retirou-se.
No dia seguinte, a diretora da escola procurou por ela e agendou um encontro para conversar e pactuar uma nova relação entre esta família e a escola, evitando assim que esta situação se repita.

Caso 2: Brincadeira, brinquedo e gênero na educação infantil
Ana Paula é professora da educação infantil e, como atividade permanente do seu planejamento pedagógico, reserva sempre em na rotina um momento destinado à brincadeira simbólica. Nesses momentos, a professora costuma organizar cantinhos temáticos com brinquedos e objetos que remetam aos diferentes papeis sociais que, na atividade lúdica, as crianças imitam e representam. Cantinho com panelinhas, fogão, geladeira e demais utensílios de cozinha; cantinho com ferramentas de brinquedo, como martelinho, chave de fenda, serrote etc.; cantinho com bonecas, mamadeiras, fraldinhas, banheiras; cantinho com utensílios de brinquedo que remetem ao trabalho do médico, dentro outros. Além disso, em algumas ocasiões, ela também disponibiliza um cantinho com fantasias diversas (princesas, super-heróis e outros).
Na última quinta, o pai de Enzo foi busca-lo mais cedo na escola, pois o garoto tinha uma consulta no dentista agendada. Ao chegar na sala, viu seu filho junto a um grupo de meninas brincando com bonecas. Enfurecido, o homem esbravejou com a professora, dizendo que seu filho “era homem” e a que Ana Paula não tinha o direito de ensinar ideologia de gênero para crianças de 5 anos de idade.

Os grupos tiveram que analisar os casos a partir dos seguintes observáveis:

Quem?
● Identifique os atores (protagonistas e coadjuvantes)
● O que sabemos sobre esse(s) protagonista?
● Houve situação de desrespeito? A quem?

O que aconteceu?
● Qual a história vivida por todos os participantes? (o que, como, onde, quando, quem)
● Qual o conflito presente? Como podemos caracterizá-lo?
● O conflito em que questão desvela algum tipo de relação de poder? Qual?

Foram 35 minutos de discussão em grupo. Ao compartilharem a síntese do que pensaram conjuntamente, os demais participantes já começaram a opinar e a intervir. Desse modo fizeram análise coletiva dos seguintes pontos:

● em que medida há sinal de respeito e desrespeito na situação?
● discernir explícito e implícito, no que se refere a desrespeito.
● que dilemas éticos a situação coloca?
● em que medida a atenção dada à situação e às pessoas envolvidas revelou ação de cuidado / acolhimento?
● como permear escuta e ações dos princípios de dignidade, igualdade, respeito?
● que ações pedagógicas são possíveis?
● estratégias coletivas na UE foram adotadas? São possíveis?

Foi um momento muito rico: os participantes relataram várias estratégias e experiências vivenciadas em suas escolas. Também foi um momento de eclosão de divergências consideráveis na abordagem das situações propostas, principalmente no que se refere ao acolhimento e tratamento das famílias na escola.

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