10 de fevereiro de 2026
Conflitos fazem parte da vida coletiva. Na escola, eles aparecem nas relações entre estudantes, no trabalho docente, nos desencontros entre famílias e equipes escolares. O que muda é como esses conflitos são encarados. Quando tratados apenas como problemas a serem contidos, tendem a se repetir. Mas, quando são observados em suas causas mais profundas, tornam-se oportunidades de aprendizagem da convivência, da justiça e do respeito.
Por isso, a mediação de conflitos vem sendo fortalecida na Rede Municipal de Educação de São Paulo como uma estratégia pedagógica de promoção da convivência democrática que favorece a aprendizagem, articulada à educação em direitos humanos, promovida pelas ações formativas do projeto Respeitar é Preciso! há mais de uma década. Essa mudança de percepção aparece em pesquisas realizadas com docentes, gestores, equipes de apoio, estudantes e suas famílias.
O papel das Comissões de Mediação de Conflitos
As Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) já fazem parte de todas as Unidades Educacionais da Rede Municipal de São Paulo desde 2016 e, em 2026, passam a ser constituídas também em cada unidade da rede indireta.
Formadas por professores, gestores, equipes de apoio, estudantes e seus familiares, elas funcionam como espaços coletivos de diálogo, responsáveis por organizar, acompanhar e fortalecer práticas de mediação no cotidiano escolar.
Formação que chegou a toda a Rede



Nos últimos anos, o Instituto Vladimir Herzog, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, desenvolveu uma formação em educação em direitos humanos voltada a integrantes das CMCs, como parte do projeto Respeitar é Preciso!.
Em 2024 e 2025, a ação voltou-se para Assistentes de Direção das unidades educacionais, que passaram a ser membros natos das comissões em cada unidade. Assim, todos/as os/as 1.534 ADs da rede direta puderam participar dos ciclos formativos do Respeitar é Preciso!.
Os efeitos são significativos: 89% de gestores que responderam a uma pesquisa de impacto afirmam atuar de forma mais objetiva nas CMCs após a formação, e 99,6% entre quem respondeu à pesquisa dizem ter hoje mais subsídios para exercer esse papel.
No levantamento realizado com participantes de formações do projeto, educadores/as compartilham aprendizados e mudanças a partir da educação em direitos humanos. Mais de 80% afirmam que ela ajuda a reduzir as situações de violência na escola, e 74% concordam que a EDH melhora o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes.
“Mudou a maneira de nos colocarmos como ouvintes e de dialogar no espaço da escola, para enfrentarmos com objetivos os nossos desafios”, contou um educador
“As nossas atuações mediando os conflitos são mais objetivas, ou seja, atuamos de acordo com os conhecimentos passados pelo ‘Respeitar!’ e temos resultados muito positivos”, contou um integrante da CMC
“A partir do compartilhamento dos planos de ação no encontro, pudemos nos inspirar para utilizar estratégias que deram certo em outra unidade”, contou uma Assistente de Direção
Conflitos como expressões de desigualdades

Na perspectiva da educação em direitos humanos, os conflitos não são vistos como desvios individuais, mas como expressões de desigualdades, discriminações, silenciamentos e disputas que atravessam a sociedade e se manifestam na escola. Mediar conflitos, portanto, é parte de um processo educativo contínuo que envolve reconhecer direitos, lidar com as diferenças e construir relações mais justas.
“A gente começou a perceber e agir sobre lacunas na participação escolar: quem pode falar, quem pode registrar, quem também faz parte da convivência…”, contou uma Coordenadora Pedagógica participante de pesquisa sobre as CMCs
Reconhecimento dos potenciais da mediação de conflitos
Entre 2024 e 2025, o projeto Respeitar é Preciso! realizou uma pesquisa investigativa para compreender os avanços, desafios e subsidiar o aprimoramento da política das Comissões de Mediação de Conflitos na Rede.
Segundo o estudo, os conflitos são diversos, muitas vezes atrelados a problemas de comunicação, e também refletem questões estruturais da nossa sociedade, como racismo e machismo.
Mais de 50% de estudantes e 40% de educadores/as que conhecem as CMCs reconhecem as contribuições das comissões para a melhoria da aprendizagem, convivência e gestão democrática nas escolas. Dizem ainda que as comissões contribuem muito para a melhoria de situações onde as pessoas se escutam, se respeitam e aprendem mais.
Aprimoramento da política
Ao longo dos anos, a política de mediação de conflitos vem se aprimorando na Rede Municipal. A participação nas CMCs passou a contar para evolução funcional, e as formações do Respeitar é Preciso! passaram a integrar o horário de trabalho.
A Instrução Normativa nº 13/2024, que prevê pontuação para quem atua nas comissões, foi citada por muitos entrevistados na pesquisa sobre CMCs como um fator que estimulou novas adesões, ainda que existam desafios para ampliar o engajamento. Ao mesmo tempo, experiências bem-sucedidas mostram que, quando a CMC planeja suas ações, analisa dados e envolve a comunidade, o impacto é muito maior.
“A gente começou a colocar as reuniões como prioridade. Mesmo quando chove canivete lá fora, a gente para tudo e faz”, contou um Assistente de Direção sobre a importância de um calendário fixo para fortalecer a comissão
Os dados, as falas e as experiências mostram que as CMCs podem se tornar um motor de transformação da cultura escolar. Em um cotidiano marcado por diferenças, tensões e desigualdades, aprender a mediar conflitos é também aprender a conviver e construir uma escola mais justa, onde uma aprendizagem integral é garantida.
Se você compõe a comunidade escolar da Rede Municipal de SP: Participe da Comissão de Mediação de Conflitos da sua unidade!
O início de cada ano letivo na Rede Municipal de Ensino de São Paulo é marcado por um importante processo de participação democrática: a constituição das Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) em todas as Unidades Educacionais. A formação das comissões deve ser concluída em até 30 dias a partir do início do ano letivo, por meio do Conselho de Escola, com o objetivo de apoiar uma cultura de respeito mútuo durante todo o ano escolar.
Quem compõe as CMCs?
- Estudantes
- Responsáveis e familiares
- Educadores/as do quadro de apoio
- Professoras e professores
- Equipe gestora
Saiba mais e acesse outros materiais sobre mediação de conflitos