7° Encontro na DRE Capela do Socorro 2018
1 de dezembro de 2018
5° Encontro na DRE Campo Limpo 2018
1 de dezembro de 2018

4° Encontro na DRE Campo Limpo 2018

4° Encontro

Data: 30/07/2018
Formadora: Gunga Castro
Pauta:
– Acolhida. Apresentação da pauta (diversidade e discriminação + mapeamento)
– Retomada dos Encontros Anteriores
– Cochicho – discriminação
– Socialização e relatos sobre situações de discriminação na escola
– Discussão sobre as situações relatadas
– Atividade em grupos: estudo de caso – questão de gênero
– Socialização
– Vídeo Deyse Ventura
– Finalização da discussão
– Introdução ao mapeamento
– Atividade em grupos: situação de desrespeito
– Socialização

A formadora começou relembrando o último encontro e o baixo número de presentes, justificando assim, a retomada do tema Diversidade e Discriminação. Depois do cochicho para aquecer a conversa e, já na socialização, quase todos tinham o que falar. Foram muitos os relatos que suscitaram comentários e renderam boas discussões. Um deles se referiu a uma situação de preconceito religioso na Educação Infantil; outro abordou a falta de estrutura física da escola para receber alunos cadeirantes e pequenos; e ainda houve relatos sobre preconceito racial e de origem geográfica.

A formadora deixou que todos falassem para só depois se colocar e tecer alguns comentários, destacando a necessidade da escuta e do respeito entre as diferentes opiniões e o quanto estas situações são importantes, comentando o papel do educador diante da questão da naturalização da discriminação.

Muitas falas citaram as famílias. Eu considero esta sempre a parte mais delicada da conversa, por conta do cuidado que temos que tomar para não criticar ou desmerecer as intervenções que relatam ter feito diante destas situações. Tenho acreditado que, para abordar esta situação e tentar disparar uma reflexão que se afasta da ideia de culpabilizar os pais, uma forma eficiente é retomar nossas vidas de alunos. Assim, é mais produtivo conversar sobre as situações de discriminação que enfrentamos como alunos, abordando a escola como um todo, a ideia de escola, ao invés de comentar cada caso, cada escola.

Após esta discussão, que não poderia ser interrompida, o grupo passou a analisar o caso que a formadora preparou para este encontro:

“E agora?

Cecília é aluna do 9° ano e, desde os anos de Educação infantil vive em constante desconforto em relação à forma como muitos dos alunos se dirigem e se relacionam com ela. No início, eram as brincadeiras na hora do recreio: não tinha vontade de juntar-se ao grupo de meninas, para o qual era sempre dirigida pelos adultos, uma vez que não se interessava elas brincadeiras com bonecas, amarelinhas, etc… era muito difícil também ter ¨permissão¨ dos meninos para se aproximar, ou compartilhar os jogos de futebol. Com o tempo, as situações de isolamento foram se tornando cada vez mais frequentes. Foi só nos anos finais do Ensino Fundamental, que ela, depois de um longo processo de autoconhecimento, optou por mudar seu nome, transformar gradativamente seu corpo, e assumir uma nova identidade. Passou a atender pelo nome de Célio, o que ainda não deixa de suscitar comentários e questionamentos, tanto por parte dos adultos, quanto por alguns colegas. Na última semana, reivindicou para a direção da escola o direito de usar banheiro masculino, o que vem sendo visto com muita resistência pela equipe de gestão e parte do corpo docente, além das reclamações por parte dos colegas. Como lidar com esta situação?”

Foi pedido que discutissem em grupos e depois socializassem o que foi levantado. A questão foi muito bem recebida, e todos mostraram necessidade de falar sobre isso. Foram muitas soluções apontadas, que passavam pelo uso do banheiro de deficientes pelos alunos trans até a mudança radical. Outra questão abordada nesta discussão foi a formação de filas para tudo, sempre separadas por “meninos aqui, meninas ali”. A discussão rendeu muita conversa, e até algumas mudanças de posição, com a mediação da formadora diante das opiniões divergentes. Ao final, a formadora posicionou-se, ressaltando o fato de que o mais importante não era solucionar a situação, mas fazer dela uma oportunidade de discutir estas questões e fazer com a escola as tome para ela, compartilhando a responsabilidade entre todos.

Deixando claro que não estava “encerrando a discussão”, mas sim que gostaria que esta tivesse início na escola, a formadora apresentou um trecho da palestra dada por Deisy Ventura durante o Curso do Respeitar em 2017 (dos 03’50” aos 09’15”), onde ela fala sobre o chamado “mi mi mi”:

Na última hora de encontro foi abordado o Mapeamento (págs. 65 a 91 do material impresso Respeito na Escola: Orientações Gerais) e seu contexto no Respeitar.

Todos se organizaram em grupo novamente para levantar uma situação específica de desrespeito para depois, na socialização, conversar sobre o que mapear, como mapear e falar um pouco sobre os campos de mapeamento.

Um grupo falou sobre a alimentação dos CEIs, e foi fácil para todos compreender o tópico como caso de desrespeito evidente com as crianças (todas eram obrigadas a tomar sopa todos os dias). Outros grupos também compartilharam outras situações, mas a fala foi mais orientada sobre todos os desdobramentos possíveis deste caso específico, tendo como foco a prática do mapeamento.

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*Acesse a apresentação de slides da formadora.

*As avaliações que os educadores fizeram do encontro podem ser acessadas aqui.

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