Tarefa 6 – Curso REP! – Willian Rodrigues Moreira

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Willian Rodrigues Moreira

Função

Ensino fundamental 2 e médio

DRE / Unidade Educacional

Penha

Escola

CEU EMEF Professor Antonio Carlos Rocha

Proposta de aplicação de prática em EDH na escola municipal CEU EMEF Professor Antonio Carlos Rocha.

Projeto- “ Projeto Milumbe”.

  • ”Milumbe” é um termo africano usado para se referir a uma novidade.

 

Introdução:

             Tenho percebido que passamos por uma fase educacional no qual, apenas o ensino conteudista não tem sido suficiente para formação de nossos jovens no que refere-se a ampla cidadania e ao respeito a setores minoritários que historicamente foram desprovidos de seus direitos humanos fundamentais e básicos. Atuando há sete anos na escola municipal CEU EMEF Professor Antonio Carlos Rocha (localizada próxima de uma área de ocupação na Penha, zona leste de São Paulo), tenho sentido necessidade ampliar a educação em direitos humanos para buscar transmitir a toda comunidade escolar ferramentas teóricas e práticas para que sejam agentes transformadores das mudanças sociais não apenas na escola como em seus arredores.

Diariamente lido com os mais complexos desrespeitos aos direitos humanos, como: o direito à moradia, violência contra as mulheres, racismo, violência doméstica, abandono de incapaz, tráfico, desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, trabalho infantil, ou seja, todas e quaisquer tipos de violência que impedem o desenvolvimento integral do ser humano.

Dessa forma acredito que esse curso tenha me dado a oportunidade de desenvolver ferramentas pedagógicas na prática cotidiana dos que estão ao meu redor, aplicando com mais ênfase e bagagem o conteúdo da minha disciplina de História, as diretrizes dos Direitos Humanos, desenvolvendo para além dela possibilidades de temas, projetos, práticas interdisciplinares que forneçam a escola a efetivação do tema proposto para além das formalidades burocráticas ou mero discurso.

 

Justificativa:

            A ideia do projeto “Projeto Milumbe” tem como objetivo tornar a escola mais atuante nas questões relacionadas aos direitos humanos. Fora da escola os alunos e a comunidade escolar como um todo, encontram os mais diversos desrespeitos a esses direitos fundamentais, como por exemplo, a falta de espaços de lazer, cultura, problemas de moradias, violência doméstica, falta de serviços públicos essenciais mais atuantes, como o de assistência social e dificuldades de participação na vida política do bairro devido ao excesso de trabalho dos pais e ao pouco interesse que há em relação ao serviço municipal e estadual de tornarem a comunidade mais atuante no que refere-se a cidadania com um todo.

Todas essas ausências de direitos acabam criando um ambiente escolar em que a violência passa a ser norma e não exceção, seja ela verbal ou física entre os nossos discentes e com a relação que os mesmos têm com os adultos atuantes no processo educativo (merendeiras, trabalhadores da limpeza, porteiros, inspetores, equipe técnica, docentes e gestores), o que acaba dificultando muito nossa ação e criando condições conflitantes por toda escola. Nos últimos 8 anos estamos atuando mais nessas questões, pois percebemos que ao colocar os direitos humanos como ponto de partida de todas as ações da escola, a comunidade escolar tem respondido de uma maneira mais democrática e atuante, o que tem dado ótimos resultados.

Dessa forma, o projeto que desejo fomentar tendo como base o curso “Respeitar é preciso” da fundação Vladimir Herzog, tem como objetivo ampliar os espaços de diálogos, do ouvir, exercício fundamental para qualquer prática que vise a educação em direitos humanos e da ação que viria em projetos na escola buscando envolver toda comunidade escolar. Pensando no momento pós pandemia, esse projeto começaria tendo os seguintes pontos: paz/corpo, clareza/mente, compaixão, coragem/coração. As escolhas desses temas se dão tendo como elemento disparador vídeos de curto tempo feito pelo Rapper Emicida, em que ele propõem reflexões muito profundas sobre nossa existência diante de nós mesmos e do outro, usando um linguajar que facilmente atinge os alunos (fundamental 2), como forma de criarmos um ambiente aberto, compreensivo e que os alunos se sintam seguros e a vontade de fazer suas devidas reflexões e sejam atores e propagadores junto com toda comunidade escolar de uma educação mais voltada para os aspectos humanísticos.

 

Objetivos:

Desenvolver os conceitos de direitos humanos nos aspectos interdisciplinares tendo o enfoque principal atingir a comunidade escolar a partir dos discentes por dois eixos: o cuidado consigo mesmo e com o outro. Como estudamos no curso, os direitos humanos são práticas coletivas e não ações isoladas de indivíduos. Dessa forma, os vídeos escolhidos como disparadores criado pelo o rapper Emicida, podem trazer aos alunos reflexões sobre alimentação e cuidado com o corpo, no qual os alunos terão contato no vídeo com reflexões que trazem nutricionistas, profissionais da gastronomia, empreendedores de alimentos saudáveis, todos com práticas voltadas para comunidades carentes. Reflexões sobre “clareza e mente” em que iremos abordar a questão da importância da saúde mental de uma maneira bem acessível. O tema “compaixão” em que será abordado a temática da valorização da cultura de paz e por fim, o tema “coragem e coração”, que busca despertar nos alunos a importância de usar o que há de melhor em si para transformar sua realidade e de seus iguais desconstruindo a ideia de ver o outro como inimigo ou “competidor”.

Dessa forma, acredito que podemos alcançar além dos alunos toda a comunidade escolar no que refere-se a educação aos direitos humanos em um momento tão sensível que será o pós covid-19, pois os mesmos como sujeitos ativos e autônomos serão motivados a realizar um evento em um dia de aula convidando toda a comunidade escolar para conversar sobre os resultados do projeto e transmitir novos valores aos que assim se mostrarem abertos cumprindo com o objetivo do projeto de conscientização que uma boa educação não vem só de uma educação extremamente conteudista e punitivista, uma boa educação parte das nossas próprias atitudes com nós mesmos e com o outro.

 

Organização:

 

A organização se daria usando a estrutura do projeto de oficinas pedagógicas já existentes na escola. Essa acontece durante o horário de aulas, uma vez por semana e os alunos escolhem no começo de cada semestre quais atividades querem fazer e para além disso, buscam os professores que possuem mais identificação e afetividade (isso também é um ponto observado pelo grupo de educadores, que além das atividades que possam escolher – cinema, música, artesanato, dança, entre outros-, o fator identificação e afeto também é um critério levado em conta por parte dos alunos, o que facilita ainda mais a execução do projeto em questão aproveitando a estrutura já existente e parte da cultura escolar da EMEF).

O projeto inicial teria o prazo de cinco semanas (levando em consideração uma semana por tema e a duração de duas aulas que as oficinas possuem, além de uma apresentação para toda comunidade escolar) e posteriormente poderia acontecer minimamente uma vez por bimestre com temas escolhidos pelos alunos. Dessa forma, na sua continuidade esperamos que toda comunidade escolar esteja mais envolvida e buscaremos juntos com a mesma por meio de consultas e pesquisas caminhos para isso acontecer.

 

 

 

Organizações da Unidade escolar que participarão:

Nesse projeto contarei com apoio de todo corpo docente e discente, funcionários de as áreas da escola, pessoas da comunidade em que os alunos vivem, o Grêmio Escolar e a participação das famílias por meio de convites e se possível mesa de recepção para atendermos os mesmos no dia da apresentação dos resultados dos alunos buscando criar vínculos de respeito e de que são bem-vindos a escola.

 

Duração:

                O projeto inicial de EDH nomeado de “Milumbe” com enfoque no pós-pandemia tem como tempo de duração cinco semanas. A cada semana nas duas aulas que seriam as oficinas de projetos da escola, trabalharíamos os temas selecionados com duração de duas aulas e na quinta semana planejaríamos um dia de atividade para abrirmos a escola para que os alunos possam apresentar suas reflexões e dividir com toda comunidade escolar que possa estar presente, organizando espaços e roteiros para envolver o máximo de pessoas possível e dentro dos novas diretrizes de cuidados em relação a pandemia que possivelmente dentro dos prazos que temos hoje ainda não terá sido cessada.

Ações:

As ações seriam organizadas:

* Organização do projeto envolvendo gestores, professores, funcionários de todas as áreas da escola, grêmio estudantil, familiares, na semana que anteceder o retorno dos alunos e como se darão as aplicações diante dos protocolos de segurança da Covid-19 que ainda estão sendo pensados.

– Preparo de questões que sintetizam os vídeos a serem trabalhados construído com o coletivo já citado.

– Recepção dos alunos e acolhimento. Todos os discentes divididos em suas turmas com o objetivo de dar espaço para que a sala organizada em círculo e respeitando o distanciamento possam expressar sua angustias e esperanças após a pandemia.

— Início dos vídeos que serão os disparadores dos debates nos 4 encontros.

– Na última aula separar um tempo para a produção das reflexões dos alunos com os debates que podem ser um texto, um poema, um desenho ou outras tarefas que os discentes estejam à vontade e que estejam dentro dos novos protocolos.

– Organização e estratégias para o dia que a escola será aberta para a comunidade como um todo, ampliando os debates, ideias e atividades realizadas pelos alunos.

Avaliação

A avaliação se dará por depoimentos feitos por toda comunidade escolar dos pontos positivos, do que pode ser melhorado e quais temas podem ser desenvolvidos na continuidade do projeto, se assim a comunidade escolar achar interessante e acrescentar em nosso Projeto Político Pedagógico como parte das práticas que envolvem a Educação em Direitos Humanos.

Nota de agradecimento:

                Gostaria de agradecer a equipe do “Respeitar é preciso” pelo projeto que me trouxe um grande alento nesse período confuso e triste que estamos passando com o atual governo federal e com a covid-19. Vocês fazem um trabalho extraordinário e fundamental para uma nova educação e para o que eu acredito como professor: uma educação que para além do conteúdo ensine nossos discentes o respeito ao público, ao espírito de comunidade, as ideias includentes e que semeiam o desejo de no futuro termos seres humanos em nosso país mais conscientes, humanizados, que respeitem a coletividade mais do que a si mesmo e democráticos, tudo que nossa educação pública e privada pelos mais diversos fatores não tem alcançado em larga escala, mas não tem desistido, isso é o mais importantes, estimular educadores para que não desistam. Sejamos a resistência de um futuro melhor a esse país. Parabéns a todos, penso e escrevo isso de coração, vocês me deram uma nova motivação como educador, ainda que eventualmente eu tenha que organizar melhor minhas práticas.

Vídeos que serão usados:

https://www.youtube.com/watch?v=Vw6G3o-KQe0&t=2s

https://www.youtube.com/watch?v=3xjR4BCBnMI

https://www.youtube.com/watch?v=4IRCC30DIdM

https://www.youtube.com/watch?v=y3Bd8wbO61o