Tarefa 6 – Curso REP! – Veroneide Pereira da Silva

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Veroneide Pereira da Silva

Função

Professor ensino fundamental ii

DRE / Unidade Educacional

Guaianases

Escola

EMEF Luiz Roberto Mega

Curo: Respeitar é Preciso

Aluno: Veroneide Pereira da Silva

Tarefa Final: O USO DA RODA DE CONVERSA COMO PRÁTICA EDUCATIVA INTERDISCIPLINAR NO ENSINO FUNDAMENTAL II

 

 

 

A pandemia do novo corona vírus tem mobilizado todas as escolas públicas e privadas em todo o território. Devido a suspensão das aulas, elaborar um plano de ação, visando dar continuidade as atividades escolares, que seriam desenvolvidas em 2020 é fundamental.

É preciso passar segurança aos pais, alunos, professores, sobre o trabalho a ser realizado. A gestão também ocupa um papel fundamental nesse sentido passando informações confiáveis e objetivas.

Pensando na defasagem de aprendizagem dos alunos no retorno as aulas presenciais será preciso rever o planejamento feito no início do ano letivo, repensando quais pontos podem ser cancelados e adiados.

Devido ao fato de muitos alunos não terem acesso as aulas on line, tais alunos voltarão com uma defasagem de aprendizagem em relação aos que tiveram acesso.

Portanto um planejamento deve ser pensado visando englobar a todos os alunos, para que nenhum deles sinta-se excluído ou pior do que o outro. Esse planejamento elaborado pela equipe de professores deverá incluir alguns itens:

  • Área de conhecimento envolvida;
  • Componente curricular;
  • Competências e habilidades a serem desenvolvidas;
  • Recursos materiais;
  • Avaliação de aprendizado.

Sendo assim será que as escolas realmente tem condições de recuperar esse trabalho? O artigo 227º da Constituição de 1988 esclarece “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito á vida, à saúde, a alimentação, à educação, ao lazer, á profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, á liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de coloca-las a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Sendo assim desenvolvi um pré-projeto de pesquisa que seria desenvolvido no decorrer do ano de 2020, “O USO DA RODA DE CONVERSA COMO PRÁTICA EDUCATIVA INTERDISCIPLINAR NO ENSINO FUNDAMENTAL II”, esse projeto teria como objetivo fazer encontro semanais somente com alunas (visando o empoderamento feminino), no entanto para uma recuperação das aprendizagens proposta pela Secretária de Educação, desenvolveria esse projeto incluindo todos os alunos, onde os mesmo seriam os protagonistas, eles nos diriam suas maiores dificuldade s de aprendizagem, suas vivências, durantes esses encontros no contra turno. O planejamento poderia então ser desenvolvido com base nas dificuldades de cada aluno, sabendo-se que muitos tem mais afinidade em uma disciplina, ou em outra.

Sendo assim, segue o pré-projeto que seria desenvolvido na escola em 2020.

Projeto de Pesquisa e Planejamento de Atividades

Aluno: Veroneide Pereira da Silva Data início curso: 18/10/2018
Orientador:Geovana Zamboni Pezotto Data depósito: 20/09/2019
Curso: MBA Gestão Escolar Modalidade: Distância Turma: 181

 

 

O USO DA RODA DE CONVERSA COMO PRÁTICA EDUCATIVA INTERDISCIPLINAR NO ENSINO FUNDAMENTAL II

 

 

 

  1. INTRODUÇÃO

 

A comunicação pode ser basicamente descrita, como uma transmissão de informações, que possibilita a recepção de uma mensagem como resposta. O homem possui a necessidade de se comunicar ou expressar-se desde os primórdios.  Ao longo de sua trajetória, as linguagens rudimentares como gestos, expressões e sons foram evoluindo a um modo mais eficiente.

A comunicação pode fazer com que diversas pessoas adotem uma postura mais crítica e exigente, ao se tratar do que deveria ser a comunicação em sua socidade. Levando em consideração que este processo  pode possibilitar o gozo de infinitas possibilidades, por sermos detentores deste dom (BORDENAVE, 2017).

Segundo Freire (1983), “todos nós também aprendemos uns com os outros em comunhão com o mundo, ou seja, educamo-nos mutuamente quando temos a oportunidade de olhar o mundo, levando em conta a percepção do outro”.

A comunicação está totalmente atrelada ao aprendizado, e ela inicia logo nos anos iniciais do convívio escolar. A educação infantil inclui a roda de conversa em sua rotina, como metodologia de ensino/aprendizagem. O precursor do uso da roda de conversa como pratica educativa foi Celèstin Freinet, um famoso professor primário; para Ferreira (2003), Freinet garante que esta prática é um instrumento que visa livre expressão na dinâmica educativa.

Neste contexto, surge Paulo Freire com um projeto de alfabetização de adultos em meados de 1950 no Nordeste do Brasil, com intuito de transformação, por ter contato direto com trabalhadores rurais analfabetos. “Para ele as experiências da vivência de mundo, não podiam ser ignoradas no processo de ensino-aprendizagem” (BRANDÃO, 2005).

A roda de conversa é uma metodologia em que as pessoas apresentam informações, que mesmo contraditórias, instiga o outro a falar, permitindo se posicionar e ouvir o posicionamento do outro. Existe um pensar compartilhado, bem como uma significação de acontecimento. Para Méllo et al. (2007), a roda de conversa prioriza discussões de uma temática em um processo dialógico.

Como citado anteriormente, a roda de conversa é comumente empregada na rotina da educação infantil. Mas podemos nos indagar: por qual motivo a deixamos de se fazer importante quando ingressamos no ensino fundamental II? A roda de conversa possui uma qualidade ímpar de permitir a interdisciplinaridade entre os profissionais da educação, por meio de uma metodologia leve e democrática. Os temas abordados não são fixos, os alunos como protagonistas sugerem os temas, e assim o saber interdisciplinar surge em uma conjuntura de evolução intelectual e dialógica.

A interdisciplinaridade, segundo o precursor Japiassu (1976), é uma colaboração entre as disciplinas curriculares, o conhecimento não ocorre de forma isolada, ou seja, as interações originam reciprocidades nos intercâmbios, resultando enriquecimentos pedagógicos no final do processo interativo de cada disciplina.

Em colaboração, Fazenda (2011), afirma que “o exercício da interdisciplinaridade deve implicar simultaneamente em uma transformação profunda da pedagogia, um novo tipo de formação de professores e um novo jeito de ensinar. Passa-se de uma relação pedagógica baseada na transmissão do saber de uma disciplina ou matéria, que se estabelece segundo um modelo hierárquico linear, a uma relação pedagógica dialógica na qual a posição de um é a posição de todos, ou seja, o professor passa a ser o atuante, crítico, e animador por excelência”.

O ensino interdisciplinar prepara os jovens para situações reais, visto que os conceitos estudados pelas áreas extrapolam os limites de uma disciplina, incitando os alunos a serem capazes de identificar, analisar e posicionar-se criticamente perante situações de suas realidades, pois experiências de trabalhos interdisciplinares os tornam aptos, a aplicar a interdisciplinaridade em suas possibilidades, problemas e limitações (SANTOMÉ, 1998).

Desta forma, sugere-se que se atrelarmos a roda de conversa em um contexto interdisciplinar, obteremos uma consequência positiva no aprendizado dos alunos. Ao inseri-los em um contexto de sujeito protagonista, de autonomia, permitiremos que eles se sintam parte do processo de aprendizagem, ou seja, possibilita os mesmos a interagirem e sugerirem o que é de interesse aprender. O aluno passa a ser o centro do processo de ensino aprendizagem, e o professor garante uma função de mediador.

Isso pode ser sedimentado também com o auxílio de uma Proposta Pedagógica, a qual evidencia o grande valor do aluno como sujeito protagonista, ao submetê-lo “a participação de situações de intercâmbio oral, que requeiram ouvir com atenção; intervir sem sair do assunto; formular e responder a perguntas; justificar respostas, explicar e compreender explicações; manifestar e acolher opiniões” (SILVA, 2011).

Vincular o uso de rodas de conversas como uma prática educativa no ensino fundamental II, pode permitir a apropriação do “saber fazendo”, ou seja, ele constrói suas interpretações por meio de interações que possui com sua realidade. A participação e a interação são incentivadas pelas vias da comunicação. Saímos do tradicionalismo mecânico, e damos a liberdade de um aprender prazeroso, de acordo as temáticas de vivência diária.

 

  1. OBJETIVO

 

O estudo tem como objetivo aplicar a prática educativa “roda de conversa em um contexto interdisciplinar” em um grupo de alunas do ensino fundamental II na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profº. Luiz Roberto Mega.

 

2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

  • Conhecer uma parcela da realidade das alunas via aplicação de questionários, com perguntas relacionadas ao seu convívio social, familiar e visão global.
  • Solicitar que cada aluna escolha três temas que poderão ser abordados no decorrer dos 8 meses de execução das rodas de conversa. Levando em consideração que poderão surgir temas repetidos, mantém-se uma margem que garanta temas para as 32 semanas de pesquisa.
  • Analisar as repostas dos questionários e as três opções temáticas de cada aluna, visando identificar se os temas escolhidos vinculam-se ao contexto de sua realidade.
  • Analisar os temas escolhidos pelas alunas, quantificando-os, se acaso houver repetições, e neste caso, verificar se o tema mais solicitado apresenta inferência de alguma informação a ser levada em consideração na análise desta pesquisa.
  • Os temas com maior número de repetição serão os primeiros a serem discutidos nas rodas de conversa.
  • Aplicar as rodas de conversa duas vezes por semana, totalizando três horas de trabalho. Primeiro dia de cada semana: roda de conversa; segundo dia da semana: roda de conversa com sugestões de formas de intervenção sobre o tema discutido, elaboradas pelos próprios alunos.
  • Convidar professores da Unidade Escolar que são especialistas em cada tema para participar da roda de conversa garantindo a interdisciplinaridade, no intuito de permitir o maior aproveitamento, ou seja, ensino/aprendizagem.
  • Se houver produção de trabalhos, os mesmo serão expostos na escola ao final da presente pesquisa.

 

  1. MATERIAL E MÉTODOS

 

O estudo será realizado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profº. Luiz Roberto Mega no período de contraturno das 12:00h às 13:30h, duas vezes por semana, durante 8 meses, totalizando 96 horas de roda de conversa.

Será aplicado um questionário com perguntas abertas e fechadas a respeito de sua vivencia social, familiar e visão referente a temas globais, com o objetivo de conhecer o público que será o objeto de pesquisa. Os dados obtidos através destes questionários serão tabulados e apresentados nos resultados finais deste estudo.

Será solicitado, que cada aluna, escolha de forma individual e secreta (depósito em urna) para garantir privacidade, três temas que as mesmas gostariam de discutir em nossas rodas de conversa. A posteriori, os temas serão quantificados se houver repetição. Os temas com maior número de repetição serão os primeiros a serem executados nas rodas de conversa. Casos de repetições serão levados em consideração na análise desta pesquisa, e vinculados se for possível à realidade destas alunas.

As rodas de conversa semanais serão divididas em dois momentos, sendo o primeiro com a presença de um professor especialista convidado, que auxiliará a mediação das discussões sobre o tema referido, visando à interdisciplinaridade no ensino; e em um segundo momento semanal, as alunas trarão para a roda de conversa sugestões de intervenções a respeito do tema discutido.

Poderão ser realizadas produções a respeito das temáticas. Os materiais para elaboração destas produções “se houver”, serão solicitados à coordenação da escola previamente.

 

  1. RESULTADOS ESPERADOS

 

Com base no que foi descrito, espera-se que:

  • o uso da metodologia de roda de conversa como prática educativa no ensino fundamental II, enriqueça o aprendizado das alunas de forma interdisciplinar.
  • todos professores da unidade escolar em questão, possam contribuir para com o processo dialógico e democrático proposto por esta prática e vivenciem uma metodologia de ensino, a qual poderá ser empregada durante as aulas de todos.
  • a escola compreenda os benefícios de se trabalhar de forma interdisciplinar, a partir da comprovação dos resultados deste trabalho; “o uso da prática educativa via roda de conversa”.
  • o protagonismo e a autonomia das alunas sejam estimulados e evidenciados, para que as mesmas, compreendam que possuem formas diferenciadas de aprender; que o método tradicional não é a única maneira de se obter conhecimento, e que os alunos podem ser ativos e protagonistas de seu próprio aprendizado.
  • os alunos compreendam que a comunicação é uma via de mão dupla, que ao compartilhar idéias e pensamentos podemos evoluir não apenas intelectualmente, mas como ser humano que sente e transforma o meio/mundo em que vive.
  • aprendam a respeitar as diferenças e garantir que o saber não é mecânico, o conhecimento é algo que transcende as práticas estáticas atuais.

 

  1. ATIVIDADES PROGRAMADAS E CRONOGRAMA

 

ATIVIDADES PLANEJADAS Meses
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Projeto de pesquisa X                  
Início da pesquisa X                  
Coleta de dados das alunas via questionário X                  
Prática educativa “roda de conversa” X X X X X X X X    
Uso de interdisciplinaridade na prática X X X X X X X X    
Registro de análises X X X X X X X X    
Análise dos dados               X X  
Revisão bibliográfica X X X X X X X X X  
Elaboração da monografia             X X X  
Entrega da monografia                   X
Entrega da apresentação da defesa                   X

 

 

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BORDENAVE, Juan Díaz e PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de ensino – aprendizagem. 11. Ed. Rio de Janeiro, Editora Vozes Ltda, 1977.

 

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Paulo Freire, educar para transformar: fotobiografia / Projeto Memória “Paulo Freire – educar para transformar”. São Paulo: Mercado Cultural, 2005.

 

FAZENDA, I. C. A. Interdisciplinaridade: Um projeto em parceria. 5 ed. São Paulo, SP: Loyola, 2002. (1991). V. 13 Coleção Educar.

 

FERREIRA, Gláucia de Melo (Org.). Palavra de professor (a): tateios e reflexões na prática Freinet. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2003.

 

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

 

JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

 

MÉLLO, R. P. et al. Construcionismo, práticas discursivas e possibilidades de pesquisa. Psicologia e Sociedade, v.19, n.3, p. 26-32, 2007.

 

SANTOMÉ, J. T. Globalização e Interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed, 1998.

 

SILVA, M. H. F. M. A formação e o papel do aluno em sala de aula na atualidade. (UEL). Londrina/PR.