Tarefa 6 – Curso REP! – VANESSA BSRBATO RODRIGUES

Data

4 de agosto de 2020

Cursista

VANESSA BSRBATO RODRIGUES

Função

Diretor de Escola

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

EMEI Adevaldo de Moraes

Educação em Direitos Humanos: uma proposta de formação na perspectiva Freireana

Justificativa

                Trabalho em uma EMEI localizada na periferia de São Paulo, em Sapopemba. A nossa região é marcada pela ausência de políticas públicas que assegurem, na prática, direitos imprescindíveis para a garantia da dignidade dos cidadãos que fazem parte daquela comunidade, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a precarização dos serviços de saúde, com a inexistência de espaços adequados destinados ao lazer, além de outras questões.

Como uma diretora que se compreende como formadora, e não como um mera burocrata da máquina pública, defendo que a escola tem um papel fundamental na transformação da realidade e entendo que podemos potencializar mudanças a partir das formações desenvolvidas no espaço educacional, de maneira que todos (crianças, famílias, educadores docentes e não docentes) participem desse processo e se reconheçam como agentes transformadores da sociedade.

A formação que será esboçada adiante parte de princípios da pedagogia de Paulo Freire e, em um primeiro momento, será desenvolvida com as famílias de nossas crianças, além dos membros da Comissão de Mediação de Conflitos, APM, Conselho de Escola e os agentes comunitários, considerando as necessidades e especificidades apresentadas pelos sujeitos envolvidos.

Nesse plano de formação os temas não serão detalhados, uma vez que, as temáticas estudadas no decorrer do processo formativo são escolhidas e construídas pelo grupo envolvido, e não definidas previamente pelos formadores.

Protagonistas do processo formativo

                Serão protagonistas: as famílias das crianças e também os membros da Comissão de Mediação de Conflitos, do Conselho de Escola, da Associação de Pais e Mestres, equipe gestora da unidade escolar e agentes comunitários.

Finalidade e intencionalidade da proposta

                O propósito da formação é identificar, junto com os sujeitos envolvidos no processo, contradições/problemáticas vividas no cotidiano da comunidade, que possam ser discutidas, refletidas, estudadas, aprofundadas e desveladas em nossos encontros, de maneira que todos se reconheçam como agentes transformadores da realidade.

Nossa intencionalidade é trabalhar o conhecimento a partir de uma concepção crítico- emancipatória, oferendo elementos para que a comunidade se articule e fortaleça sua luta pela efetivação de políticas públicas que assegurem os direitos que, hoje, lhes são negados, superando, desse modo, as contradições vividas, que podem ser, por exemplo, discriminação, precarização dos serviços públicos de saúde, falta de saneamento básico adequado, além de outras identificadas pelo grupo.

Objetivos/Resultados esperados

                Com a proposta de formação aqui explicitada, objetivamos reconhecer e elucidar, à luz de pesquisas e de referenciais teóricos, problemáticas vividas pelos sujeitos de nossa comunidade escolar, que ferem a dignidade humana. Além disso, esperamos que a formação realizada possa contribuir para a emancipação desses sujeitos e oferecer elementos para que eles possam desenvolver ações que desencadeiem a transformação da realidade vivenciada.

Duração

                A princípio, trabalhamos com a possibilidade de que esse trabalho formativo se desenvolva por um semestre, podendo ser prorrogado de acordo com a participação e o envolvimento dos sujeitos na formação.

Ações

                Para o desenvolvimento da sequência de formação proposta, vamos considerar três momentos importantes: leitura da realidade, aprofundamento teórico e plano de ação.

1) Leitura da realidade:

                Esse momento é fundamental para ampliarmos a nossa compreensão a respeito do contexto vivido pelos sujeitos participantes da formação. Faremos um mapeamento com o propósito de identificarmos e compreendermos esse lugar, as pessoas que nele vivem e as especificidades trazidas por elas. Utilizaremos como estratégias para a coleta dos dados: questionários e entrevistas com os familiares das crianças de nossa escola e educadores. A fim de que tenhamos vários olhares para o contexto apresentado, esse processo inicial não será realizado somente por mim, diretora da escola. Outros sujeitos também serão envolvidos na coleta dos dados: educadores docentes e não docentes, além de profissionais que atuam na comunidade, como os agentes comunitários.

Após a coleta dos dados e a elaboração de uma síntese deles, realizaremos um encontro com os sujeitos envolvidos (famílias e membros da CMC, do CE, da APM, agentes comunitários e equipe gestora), cujo propósito será dialogarmos sobre as situações que inquietam a comunidade e que nos foram reveladas no mapeamento realizado. Esse diálogo também é fundamental para levantarmos falas significativas, que denunciam tensões e contradições sociais vividas pelo grupo e que, portanto, deverão ser refletidas nos próximos encontros.

2) Aprofundamento teórico:

Depois de ampla análise e discussão das falas levantadas, o grupo selecionará uma fala significativa, que contribuirá para o planejamento e aprofundamento dos temas pertinentes à elucidação da realidade percebida.

Considerando a diversidade do grupo, acredito ser importante trabalhar as temáticas com várias linguagens: charges, textos literários, curtas-metragens/fragmentos de filmes, pinturas, dentre outras. Além disso, é fundamental trazermos para o diálogo sujeitos diferentes, como: educadores que atuam na escola, educadores populares, agentes comunitários, líderes de movimentos sociais e profissionais de áreas diversas. Quanto aos registros desse percurso formativo, também defendo que ocorram em narrativas, em fotografias, em desenhos, em colagens, além de outras maneiras. A propósito disso, é importantes mantermos um olhar atento a essa questão, a fim de evitarmos que os sujeitos com pouca ou nenhuma escolaridade se sintam excluídos das discussões e do próprio processo formativo, perdendo o interesse em participar.

3) Elaboração coletiva de um plano de ação:

                Na perspectiva da pedagogia freireana, dois movimentos são indissociáveis, além de inerentes a uma práxis transformadora: ação e reflexão. Portanto, após a identificação das contradições vividas pelo grupo no cotidiano e a elucidação dessas situações, que ocorre à luz do conhecimento trabalhado, pensaremos coletivamente em um plano de ação que contribua para a transformação da realidade vivida, com encaminhamentos que não ocorram somente dentro da escola, mas extrapolem os seus muros e envolvem todos os sujeitos desse grupo.

Avaliação

                A avaliação será realizada a cada encontro, no olhar atento aos movimentos feitos pelo grupo, ao envolvimento dos sujeitos nas discussões, à elaboração coletiva do plano de ação e no comprometimento com os encaminhamentos práticos necessários para a transformação da realidade vivida, desvelada no processo formativo.

 

Referências bibliográficas

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 59. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

______; Adriano Nogueira. Que fazer – teoria e prática em educação popular. Petrópolis: Vozes, 1999.

RODRIGUES, Vanessa Barbato. Formação dos profissionais da limpeza na perspectiva freireana: a (in)visibilidade dos educadores não docentes. 2017. 113 f. Dissertação (Mestrado em Educação: Formação de Formadores) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017.

SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). Cadernos de Formação: Educação Popular e Direitos Humanos. São Paulo, 2015.