Tarefa 6 – Curso REP! – Vanderson Cristiano de Sousa

Data

24 de julho de 2020

Cursista

Vanderson Cristiano de Sousa

Função

Professor Fundamental II/Ciências

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

EMEF Brasil Japão

Curso: Respeirar é Preciso

Cursista: Vanderson Cristiano de Sousa

[email protected]

Cpf: 31271272865

Projeto: Alunos da EJA  multiplicadores dos debates sobre Direitos Humanos e fortalecimento da Comissão da Mediação de Conflitos

Texto Teórico:

É muito importante que as Comissões de Mediações de Conflitos sejam implantadas nas escolas e permeadas pela questão da mediação, do respeito, do protagonismo dos alunos, ou seja, que seja democrática. A escola apresenta violências e conflitos peculiares. E a mediação precisa ser baseada no diálogo, com perguntas reflexivas, perguntas que visam que todos se conheçam. A partir de trechos de vídeos divulgados no Curso Respeitar é Preciso, como “Juízo”, pretendemos debater com os alunos da EJA sobre o tipo de diálogo que acontece na sociedade e na escola: as perguntas são inquisitórias? Ao debatermos e apresentarmos esse tema, abordaremos temas da justiça restaurativa e da comunicação não-violenta com os alunos.

Queremos apresentar os conflitos como espaços para diálogos, para a criatividade e oportunidades. Com isso passamos a enxergamos mais do enxergávamos antes, passamos a compreender melhor os outros, as relações existentes em nossos espaços. Por isso, a escola também deve apostar na potencialidade dos sujeitos, das crianças, para encontrar os próprios caminhos para conduzirem ações para a construção de uma convivência respeitosa.

Sobre as questões democráticas, e como elas se relacionam no ambiente escolar, é importante debater que o exercício da democracia vai muito além de assembleias. É preciso haver diálogo, discussões, e até mesmo conflitos. Exige o respeito às diferenças e às diversidades. Interessante também outros pontos. Primeiro ponto, a escola não é uma reprodução do mundo, como querem nos fazer crer. Pois a escola tem toda uma dinâmica própria, tanto das relações assimétricas, quanto das discussões que podem acontecer nesse espaço para o que mundo seja questionado. A escola precisa trabalhar com a perspectiva freiriana: educação como transformadora da realidade social.  A democracia não nos traz certezas, pelo contrário, estamos permanentemente disputando as pautas e narrativas. Por fim, é importante propor debates que vão além da dicotomia atribuída ao cidadão: um sujeito de direitos e deveres. Como esses direitos e deveres são construídos, dialogados, distribuídos?

 

Justificativa:

Os educandos da EJA acabam muitas vezes não vivenciando passeios externos (exploração do território e equipamentos públicos locais) e eventos culturais, que acontecem na escola, tais como feiras culturais. Não têm Educação Física, e muitas disciplinas cortam práticas mais diferenciadas de ensino (salas de vídeo, rodas de debate, atividades práticas/experimentos). Os motivos alegados pelo  sistema, da hiperestrutura ao próprio chão do escola, é o pouco tempo, o currículo “exprimido” por causa da redução do período letivo, além do fato da maioria dos alunos trabalharem ao longo do dia e chegarem cansados. Nesse bojo de poucas ações além do conteúdo, são poucos os projetos e discussões relacionadas com a Educação em Direitos Humanos, participações em Grêmios Escolares, debates políticos e a falta de resolução de conflitos (não há espaço para mediações). O próprio Caderno EDH para todas as Idades, do presente curso, não faz menção aos jovens e adultos dessa modalidade de ensino. Em contrapartida, com os alunos do Ensino Fundamental, onde há a proposta de criação de grêmios e assembleias estudantis, há um senso comum que essas atividades por si só bastariam para a escolar ser democrática.

 

Objetivos:

Realizar um resgaste histórico com os adultos da EJA sobre como era o processo da educação familiar, como os conflitos eram resolvidos e como são resolvidos em seus territórios de origem, famílias, locais de trabalho. E sobre como eles percebem a presença, ausência e mediação de conflitos.

Resgatar a percepção que os alunos da EJA tem sobre os debates dos Direitos Humanos.

Fortalecer a Comissão de Mediação de Conflitos da escola.

Propor debates e mostras culturais sobre esse tema organizados pelos alunos da EJA para toda a comunidade escolar.

Que os alunos da EJA possam ser multiplicadores e possam realizar debates e seminários com os alunos do Fundamental II.

 

 Finalidade: Ampliar propostas de debates sobre temas relacionados aos Direitos Humanos, preconceitos. Fortalecer comissões de Mediação de Conflitos na Escola.

 

Quais organizações da EU estarão envolvidos como protagonistas: São os alunos da EJA (multiplicadores); mediadores e facilitadores: Grêmio Estudantil e representantes de salas de aulas; alunos do Ensino Fundamental II; funcionários da escola (equipe da limpeza, merenda, segurança, secretaria, quadro de apoio)

 

Duração: O projeto acontecerá ao longo do semestre letivo. Os encontros/discussões acontecerão quinzenalmente. Ao final do semestre, se finalizará o ciclo das discussões

 

Propostas de Ações:

  1. Com o Público EJA, professores e funcionários do período noturno (merendeiras, segurança, equipe de limpeza):
  • Utilizar trechos de vídeos e propostas encenações teatrais (simulações)
  • Encontros quinzenais
  • Produção de materiais (folders, cordéis, vídeos) e construção de debates para os alunos da EJA compartilharem com os alunos do Fundamental II

 

1º Encontro:/Tema:  Conflitos: como resolver? Mediação de Conflitos

Como eles medeiam os conflitos em suas famílias? Como eles foram educados? Eles educam da mesma forma?

Realizar um mapeamento sobre as vivências escolares e positivas e negativas dos alunos ; realização de roda de conversas e debates

 

2º Encontro:/Tema:  Preconceitos, Diversidade e Mediação de Conflitos

 

Apresentar frases de senso comum, fazer resgate de como mediar conflitos e trazer a tona propostas atuais combater debater machismo, racismo, homofobia:

Frases:

  1. “Em briga de homem e mulher, não se mete a colher” X Disk Violência contra a Mulher
  2. “Só uma chinelada, não machuca ninguém”  x Projetos de Lei que combatem a violência infantil
  3. “Chorar é coisa de menina” X  Discussões e projetos para a criminalização da homofobia.

Ao final desse 2º encontro propor para trocas, levar sugestões, convidar os alunos para participarem da Comissão da Mediação de Conflitos da Escola.

 

3º  e 4º Encontros:/Tema:  Direitos Humanos

 

Fazer um resgaste histórico sobre como eles compreendiam os Direitos Humanos, e sobre como hoje eles percebem os Direitos Humanos hoje.  Propor seminários para que os alunos da EJA apresentem um resgate histórico sobre as discussões sobre Direitos Humanos no Brasil para os alunos do Fundamental II.

 

5º Encontro/Tema:  Cidadania, Direitos e Deveres. Democracia

 

Apresentar  o curta: “O dia que o Dorival encarou o guarda” (Diretor: Celso Furtado). Problematizar sobre o papel do cidadão, indo além do sujeito de direitos e deveres. Realizar as seguintes discussões, sempre trazendo à tona experiências e vivências de seus territórios, comunidades, ambientes de trabalho e, principalmente, ambiente escolar:

 

  1. Como surgem os deveres? As leis?
  2. Os alunos da EJA concordam com as regras propostas (construídas) da escola, com o estatuto da escola?
  3. Todos os deveres são dialogados? Quem legisla?
  4. Direitos: quem define, como são distribuídos, todos são acessíveis?

 

6º Encontro/Tema:  Democracia na sociedade e na escola

 

Discutir sobre a democracia, enfocando e mapeando com os alunos como eles percebem a escuta, o ouvir e olhar na escola.

 

7º Encontro e 8º Encontro: Mostra Cultural, Sarau sobre os temas desenvolvicos.

 

No 4º mês de aula, fim do semestre letivo, realizar uma feira cultural em dois dias, onde os alunos apresentarão seminários, proporão debates, poesias, saraus com os Alunos do Fundamental II.

Conforme o caderno EDH – Para – Todas Idades, são várias as propostas que podemos indicar e encorajar os alunos: averiguar ONGs da comunidade, região; propor atividades culturais, tais como: saraus, cinema, arte nas ruas; realizar mostras e eventos temáticos

 

Resultados esperados: Pretendemos fortalecer a Comissão de Mediação de Conflitos da Escola, empoderar os alunos da EJA com essas temáticas para que eles possam transformar a realidade local, da escola à sua comunidade.