Tarefa 6 – Curso REP! – Tiemi Okimura Kerr

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Tiemi Okimura Kerr

Função

Professora de ensino fundamental II e médio

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

Anexa ao Educandário Dom Duarte

Boa noite equipe Respeitar é preciso!

Envio em anexo meu projeto e fico a disposição caso seja necessário correções.

Agradeço muito a oportunidade de participar desse curso, mudou vários conceitos que eu tinha e sinto que estou mais preparada para os desafios frente à nossa diversidade.

Atenciosamente

Tiemi Okimura Kerr

PS: Achei que poderia anexar um arquivo em word ou pdf, então, quando colei o trabalho aqui, as citações diretas desconfiguraram.

 

 

Projeto Respeitar é preciso!

Racismo, aqui não! Valorizando a cultura africana

Tiemi Okimura Kerr

 

Justificativa

Sou professora da educação básica desde 2006 na rede estadual, sempre estudando aspectos específicos da Educação Física, minha área de formação. Em 2014 matriculei meu filho na EMEF Desembargador Amorim Lima e em 2017 exonerei no Estado para ingressar nessa escola como professora.

Nela, aprendi muito sobre práticas democráticas com as rodas de conversa, assembleias, grupos de responsabilidade e tutoria. E a fala do Prof. José Sérgio Fonseca de Carvalho sobre a escola pública como espaço democrático, onde as portas estão abertas a todos nunca fez tanto sentido, assim como o que apontou a Profa. Crisley quando resgata a etimologia de demos + cratos como poder do povo, que pressupõe pluralidade, negociação, liberdade, participação e o direito do dissenso entre os diferentes sujeitos.

Nesse sentido, percebo que eu não estava preparada para os constantes conflitos decorrentes de diferentes opiniões, já que a maior parte da minha vida escolar e profissional foi pautada no autoritarismo e no sufocamento do conflito com a opressão, como bem lembrado pela professora Ana Catão.

Outro aspecto que elucidou muito minhas percepções foi a citação dos elementos importantes para se consolidar as práticas democráticas no contexto escolar, pois essa escola não apresenta todos esses requisitos em sua prática cotidiana. Por exemplo, há uma grande participação da comunidade escolar nos processos decisórios com mecanismos consolidados como frequentes assembleias de pais ou de alunos. Entretanto, não há transparência dos processos administrativos, o que sempre me pareceu muito incoerente e agora consigo ter um entendimento mais claro de um incomodo anteriormente não identificado.

Essas incompreensões culminaram em um entendimento de que os desafios foram além de minhas potencialidades e me removi para outra escola em 2020. Então, o que conheço da EMEF Anexa ao Educandário Dom Duarte se referem ao pouco mais de dois meses de trabalho presencial em que iniciei um projeto de apropriação dos espaços da escola em parceria com duas professoras que são módulos (tenho apenas uma turma de 9º ano atribuída), organizei uma comissão de comunicação e grêmio estudantil, me predispus a orientar um TCA sobre maconha com um famoso grupo de “alunos problemas”, além de ser integrante do conselho de escola e comissão de mediação de conflitos. Eram tantas as possibilidades de temas a serem aprofundados nesse projeto, mas optei por algo que ainda almejo colocar em prática.

Nesses tempos de aulas remotas, percebi que a cultura africana e o racismo não são abordados de forma interdisciplinar, mesmo com os recentes acontecimentos nos EUA e Brasil e que foram amplamente divulgados pela mídia. Notei, também, que as datas comemorativas são abordadas de forma muito pontual, inclusive o dia da Consciência Negra. Parafraseando o exemplo do material didático (Diversidade e Discriminação), não como um “é-vento” que sopra ou como uma micareta que passa pela escola de tempos em tempos.

No material sobre diversidade e discriminação há dados do censo de 2010 apontando que a composição da população brasileira é composta  majoritariamente por afrodescendentes, mas ainda os discrimina, inclusive nos espaços escolares. Acrescenta que,

Em um país cujas relações sociais se sustentam num racismo estrutural, que define posições sociais, representações e narrativas que produzem o apagamento histórico da resistência negra e do passado escravagista, que naturaliza desigualdades raciais e busca abrandar os efeitos do preconceito e da discriminação de negros e negras por meio do discurso da miscigenação e do mito da democracia racial, certamente a escola, como parte dessa sociedade, não estaria blindada das tensões raciais e dos mecanismos de exclusão que insistem em se reproduzir. (p 19)

Portanto, este projeto se propõe a abordar o tema racismo e valorização da cultura africana em uma perspectiva interdisciplinar com o aprofundamento de estudos sobre essa temática para que o dia seja comemorado com mais significado pela comunidade escolar.

Para tal, pretendo  que haja protagonismo de todas as organizações da escola como a Comissão de Mediação de Conflitos proporcionando rodas de conversa, Conselho de escola  e APM para nos apoiar na mobilização para a participação de toda comunidade escolar, Comissão de Comunicação e Gremio Estudantil para fazer a divulgação dos materiais produzidos. Almejo pela participação dos funcionários (ATE, equipe de cozinha e limpeza) durante as atividades propostas, como por exemplo, a fala compartilhada de Sr. Cido, segurança da escola a mais de 30 anos.

 

Finalidades e objetivos

Este projeto está inserido na proposta de educação em direitos humanos a partir de uma reflexão sobre o racismo e  valorização da cultura africana.

Aproveitando o que está apontado na parte 2 da aula 6, destaco duas posturas importantes para consolidar práticas democráticas no contexto escolar:

– A disponibilidade para questionar práticas tradicionais estabelecidas, visando a mudanças mais eficazes e mais éticas para os fins pretendidos.

Dessa forma, pretende-se questionar as práticas racistas presentes em nosso cotidiano, desde a utilização de termos corriqueiros até violências cometidas contra parte dessa população no decorrer da história. Em contrapartida, objetiva-se a valorização da cultura africana em sua diversidade de aspectos.

– A formação gradual e constante de sujeitos políticos, capazes de julgamento crítico, de identificação dos problemas, dos diferentes interesses e demandas, assim como de colaboração em trabalho coletivo.

Nesse aspecto, o objetivo é sensibilizar a comunidade escolar sobre ações pessoais e coletivas pautadas no racismo estrutural e mostrar práticas e alternativas de coletivos que tem se posicionado politicamente diante dessas questões.

Como apontado por Benevides (2000), é necessária uma mudança que possa modificar significativamente o que está mais enraizado nas mentalidades

“marcadas por preconceitos, por discriminação, pela não aceitação dos direitos de todos, pela não aceitação da diferença. Trata-se, portanto, de uma mudança cultural especialmente importante no Brasil, pois implica a derrocada de valores e costumes arraigados entre nós, decorrentes de vários fatores historicamente definidos: nosso longo período de escravidão, que significou exatamente a violação de todos os princípios de respeito à dignidade da pessoa humana, a começar pelo direito à vida. (…) Foi uma grande revolução no pensamento e na história da humanidade chegar à reflexão conclusiva de que todos os seres humanos detêm a mesma dignidade. É evidente que nos regimes que praticam a escravidão, ou qualquer tipo de discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos e étnicos não vigora tal compreensão da dignidade universal, pois neles a dignidade é entendida como um atributo de apenas alguns, aqueles que pertençam a um determinado grupo.

Finalmente, resgato do livro sobre Mediação de conflitos (p. 12-13) os princípios metodológicos comuns tanto à Mediação quanto à EDH que orientam as ações no cotidiano escolar e que devem nortear todo o projeto:

– Escutar qualitativamente (para além de ouvir uma informação, abrir espaço de escuta para o outro, situar um sujeito de fala com uma história, cultura, afetos e repertório próprios e singulares; perguntar para entender melhor e não para culpar).

– Dar um passo para trás (duvidar do seu próprio entendimento, suspender o julgamento para ampliar a compreensão do que está acontecendo).

– Criar um espaço/tempo para sair do turbilhão e para refletir.

– Pensar e atuar sempre na lógica do reconhecimento e do respeito mútuo (versus julgar ou salvar).

– Trabalhar com a autonomia dos sujeitos (versus coagir, opinar, conduzir).

– Fazer circular a palavra, provocar mobilidade das forças, atuar nas relações de poder.

– Respeitar um fluxo de conversa por meio do acolhimento e da pactuação, passando pela explicitação e pela ampliação das narrativas, a criação de opções e se desdobrando em ações.

– Atuar ético-politicamente e atuar coletivamente (promovendo corresponsabilização e desindividualização das questões).

– Trabalhar junto em direção a um objetivo.

– Ter como foco uma mudança de padrão de relação.

– Enfocar os pequenos ganhos, criando solo para concretizar mudanças.

– Fazer e cumprir acordos (versus usar chantagem ou ameaça).

Apesar do projeto prever uma duração de 3 meses de estudo e preparação de materiais a serem compartilhados no dia da Consciência Negra, como continuidade, espera-se que o projeto seja o disparador de reflexões para uma mudança de atitudes na comunidade escolar em relação à temática especifica deste projeto, mas, principalmente, nas formas de se conduzir e discutir sobre as diferenças, conflitos e temáticas relativas à Educação em Diretos Humanos.

 

Sugestões de atividades

As ações deverão seguir as premissas da Educação em Direitos Humanos apontadas por Benevides (2000): a educação continuada, a educação para a mudança e a educação compreensiva, no sentido de ser compartilhada e de atingir tanto a razão quanto a emoção. Como apontado pela autora:

A Educação em Direitos Humanos é essencialmente a formação de uma cultura de respeito à dignidade humana através da promoção e da vivência dos valores da liberdade, da justiça, da igualdade, da solidariedade, da cooperação, da tolerância e da paz. Portanto, a formação desta cultura significa criar, influenciar, compartilhar e consolidar mentalidades, costumes, atitudes, hábitos e comportamentos que decorrem, todos, daqueles valores essenciais citados – os quais devem se transformar em práticas.

Como primeira ação, proporemos um mapeamento dos conceitos, preconceitos e percepções sobre a temática, além de reconhecimento de equipamentos e pessoas no território.

Mapeamento

Questionário usando a ferramenta formulário em que deve-se apontar termos que consideram racistas (criado-mudo, dia de branco, mulata entre outros), reconhecimento da própria etnia, identificação de ações racistas na escola e na sociedade, exemplificar personalidades negras, indicar elementos da cultura africana (literatura, dança, música etc.). Verificar na comunidade equipamentos sociais ou pessoas de referência sobre a cultura africana.

A partir dos resultados, serão elencadas prioridades a serem trabalhadas nas próximas etapas do projeto.

– Análise da etnia

Averiguaremos a porcentagem das etnias presentes na comunidade escolar, gestão, funcionários, professores, alunos. Investigaremos se representa os dados da população nacional e possível pesquisa sobre os diferentes países dos quais as pessoas que foram escravizadas vieram, mostrando a diversidade de culturas presentes no continente africano.

– Pedagogia Griô

Verificaremos se há referências no território a respeito dos equipamentos culturais e pessoas que possam nos contar sobre a cultura africana.  Em conversa prévia com o segurança da escola, o Sr. Cido relatou detalhes sobre as mudanças ocorridas nos últimos 30 anos na comunidade e espaço onde a escola está inserida, Educandário Dom Duarte. A proposta é valorizar saberes orais em uma educação feita de vínculos e ancestralidade como proposta na pedagogia griô (uma das formas presentes na preservação da história na África). Nesta mesma perspectiva, pretendo convidar o Mestre Alcides, do Ponto de Cultura da EMEF Des. Amorim Lima, para nos contar sobre a história de resistência dos negros através da Capoeira.

 

 – Percepção sobre práticas racistas

Pretendo realizar uma atividade de sensibilização sobre ações racistas através de discussões a partir de vídeos sobre a temática (experimento boneca branca e negra https://www.youtube.com/watch?v=KLg1KS8jNxA, imagem do negro por profissionais de RH https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/campanha-que-chama-atencao-para-racismo-institucional-viraliza-na-internet-80517/).

Aprofundar as formas em que o racismo se encontra presente estudando a origem de determinados termos e refletir sobre situações que podem ter atitudes racistas.

Refletir sobre o medo enquanto precursora de preconceito e discriminação, tanto de quem discrimina como daquele que é discriminado. Como apontado,

Ao longo dos séculos e em toda parte, a opressão exercida por determinados grupos nacionais, étnicos, religiosos ou políticos sobre outros, vistos como inferiores ou inimigos, representa, ao mesmo tempo, causa e consequência de genocídios, extermínios, “limpezas étnicas”, guerras, situações de domínio, com a consequente e inevitável violação dos Direitos Humanos. (…) Superar essa situação é um desafio permanente e fundamental para a comunhão dos povos e para promover o respeito devido a todos pela condição humana, o que é universalmente reconhecido. (p. 13)

Perguntas norteadoras como: Conhece alguém que já teve medo de uma pessoa por ser negra? Ou alguém que medo de ser abordada pela polícia pelo fato de ser negra? E apresentar exemplos de casos de racismo que geraram injustiças em filmes (A espera de um milagre) e mesmo na vida real (cantor preso injustamente na Luisiana https://www.youtube.com/watch?v=ShgOH1u78XA ).

 

– Rodas de conversa

A partir da aula e material sobre Mediação de Conflitos, foi libertador entender que a nossa função não será sempre a de resolução dos problemas, mas entender a existência do conflito, reconhecer que podemos ser diferentes e favorecer o diálogo para que convivam com respeito mútuo. Assim, os princípios que orientam a ação do mediador são: autonomia, protagonismo, corresponsabilidade, não violência, respeito à igualdade e à diferença, cidadania ativa.

No livro sobre Educação em Direitos Humanos é apresentado um exemplo de crianças que percebem e reveem atitudes inadequadas para poder modificá-las através da compreensão das situações, considerar a existência de outro que pode pensar de forma diferente, possibilitando reflexão e vivencia de respeito e tolerância no ambiente escolar para que possa ser transferida para outras situações. Como descrito,

Os estudantes cada vez mais conquistam a possibilidade de explicitar o que sentem e o que pensam a respeito do que acontece e do que é dito para eles. Portanto, o diálogo é uma importante situação que todos podem e devem vivenciar frequentemente.

Assim, o ambiente escolar deve garantir a todos a certeza de que podem ser ouvidos e respeitados como seres pensantes, diferentes, ativos e sujeitos de direito. (p. 43-44)

Finalmente, como apontado no material, a diversidade não pode ser tomada como empecilho ou defeito, mas como parte da condição humana, pois é na complementaridade dos diferentes que nos fazemos humanos. Já na discriminação, a violência é algo que vai além da agressão física, incluindo ofensas, desprezo e  desvalorização que são formas de opressão psicológica, emocional, moral e afetiva.

A fim de modificar essa cultura, penso que conhecer uma perspectiva diferente do que é tradicionalmente contado nos livros didáticos seja uma importante estratégia para a valorização da cultura africana como parte de nossa própria história. Nesse sentido, a educação decolonial se faz necessária, mostrando a narrativa dos povos que foram escravizados e cerceado de seus direitos.

Como apontado neste material,

Para além das circunstâncias mais corriqueiras do dia a dia, muitas vezes a discriminação pode estar presente até mesmo no currículo, na forma como determinada questão é tratada nos livros didáticos. Por exemplo: em ilustrações estereotipadas que apresentam a pessoa negra em situações de inferioridade, sempre em papéis subalternos ou desvalorizados, quando não em situações ligadas à contravenção e à criminalidade. Dificilmente encontramos uma ilustração em que o negro se encontra em posição igual ou superior à do branco. Cargos de poder e prestígio, exemplos de sucesso profissional, modelos de famílias são, na maioria das vezes, representados por pessoas de pele clara. De outro lado, encontramos também casos nos quais a população negra cumpre um papel de vítima, convocando os alunos para uma atitude “tolerante” e para o sentimento de pena. Outro exemplo é a abordagem da história da população negra apenas pelo aspecto da escravidão, como se não houvesse personalidades, escritores, políticos e intelectuais negros de profunda relevância para o país ou, ainda, como se, nos mais de trezentos anos de escravidão de povos de origem africana no Brasil, tivesse havido apenas relações de subserviência, sem resistência, consciência e luta política. (p. 20)

Para as rodas de conversas, podemos trazer referenciais estéticos de vários coletivos que tem nos apresentado músicas, roupas, padrões de beleza, literatura, danças entre tantos elementos culturais que possam nos enriquecer com essa diversidade que por tantos anos tentou se padronizar a padrões eurocêntricos.

No livro sobre Diversidade e Discriminação, é apontado que há vários programas de combate ao preconceito e de valorização da cultura afro-brasileira, mas as manifestações de preconceito e discriminação racial persistem dentro da escola, reflexo da forma como a população negra é vista e tratada.

Se a escola cumpre o papel de espaço de formação e construção de valores, é na ação educativa do dia a dia escolar que surgem as melhores oportunidades de trabalhar questões relacionadas ao preconceito e à discriminação. Contudo, para lidar com elas, é preciso que se reconheça a sua existência. É preciso ter em mente que nossas relações cotidianas são permeadas de práticas e concepções racistas e que o primeiro passo para o seu combate é o exercício do estranhamento, da desnaturalização do olhar. Não é natural que se tenha menos expectativa de aprendizagem em relação aos alunos negros. Não é natural julgar que um adolescente negro é, por natureza, mais inclinado para os esportes ou para as atividades manuais do que para as ciências ou para o trabalho intelectual, por exemplo. Não é natural que painéis, cartazes e demais materiais didáticos da escola não tenham em si representados a diversidade racial. Não é natural julgar que o cabelo afro de uma criança. (p.19)

Vamos trazer à tona tais preconceitos que muitos de nós desconhecemos para poder ter um posicionamento mais adequado e uma atitude ativa diante dessas manifestações.

 

– Círculo temático

Outra proposta sugerida no livro sobre mediação é experimentar o formato círculo para abordar temas polêmicos (cotas nas universidades, descaso da patroa, morte por policiais). Pode-se trazer reportagens sobre variadas expressões de racismo tão escancaradas nos últimos tempos, com o advento da internet e disseminação de informações. Segundo o material,

O costume é abordar esses temas por meio do debate, mas este será um exercício de escuta mútua sem debate, promovendo a escuta das diferenças, permitindo uma reflexão profunda sobre o tema e até mesmo mobilizando posicionamentos. O interessante é escolher um tema bem controverso e estimular o exercício de conversar sobre o tema sem debater, sem chegar a uma conclusão, apenas escutando um pouco como cada um se relaciona com ele. É importante fazer alguns combinados, como: suspender o julgamento, cada um falar por si (na primeira pessoa do singular), não responder às falas uns dos outros (sair do lugar de defesa das próprias opiniões ou de marcar posição, de concordar ou discordar de fulano ou beltrano). Haverá um bastão que vai circular de mão em mão (quem estiver com ele tem a fala, os demais escutam), e cada um terá 3 minutos para falar a cada rodada de pergunta (o tempo precisa ser muito bem marcado para que essa conversa não se estenda demais). Respeitando o momento de cada um, ninguém é obrigado a falar. É possível passar o bastão sem falar. No fim da rodada, o bastão roda de novo para alguém que não tenha falado ou que sente necessidade de falar de novo ou dizer algo. Além disso, o sigilo é fundamental (o que foi dito nesse espaço não pode virar fofoca de corredor, só sai do círculo o que se aprendeu com a conversa, não o que cada um disse). (p. 82)

Como apontado por Benevides (2000),

Foi uma grande revolução no pensamento e na história da humanidade chegar à reflexão conclusiva de que todos os seres humanos detêm a mesma dignidade. É evidente que nos regimes que praticam a escravidão, ou qualquer tipo de discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos e étnicos não vigora tal compreensão da dignidade universal, pois neles a dignidade é entendida como um atributo de apenas alguns, aqueles que pertençam a um determinado grupo.

Torna-se necessário entender educação para a cidadania como formação do cidadão participativo e solidário, consciente de seus deveres e direitos – e, então, associá-la à educação em direitos humanos.

 

– Trabalho interdisciplinar                                         

                Finalmente, um trabalho interdisciplinar mostrando as várias possibilidades em se abordar a temática se faz importante para superar a fragmentação no ensino da escola. No material são exemplificadas algumas possibilidades que tentarei especificar para o tema deste projeto.

– Geografia: direito à terra, à cidade, às formas de vida tradicionais de povos quilombolas

– Historia:  formas de exploração e de suas injustiças contempla assuntos como a escravidão dos negros. Por exemplo: Será mesmo que um dia uma princesa decidiu abolir a escravidão no Brasil? Teria sido simples assim ou foi uma luta de muitos anos e muitos mártires? Negros foram torturados, sofreram violências físicas e morais, mas isso está nos materiais didáticos?

– Ciências: genética, pigmentação da pele, cientistas negros

– Português- literatura africana e autores negros (Machado de Assis, Carolina de Jesus entre tantos)

– Matemática: dados estatísticos sobre violência, população, acesso a ensino superior

– EF- racismo nos esportes, atletas negros

– Filosofia: questões estéticas dos padrões africanos

– Sociologia: violência contra negros

– Artes: artistas negros (pintura, fotografia, dança, musica, slam)

 

Avaliação

Penso que os resultados de um projeto sobre Educação em Direitos Humanos não possam ser observados a curto prazo, mas podemos ter indícios de que o trabalho está no caminho certo a partir do protagonismo dos estudantes, demonstração de escuta e respeito a fala do outro. Podemos, também, usar procedimentos mais tradicionais como auto-avaliação, avaliação do processo e produto final.

 

 

Referencias

BENEVIDES, Maria Victoria (2000). Educação em DH: de que se trata? Disponível em http://www.hottopos.com/convenit6/victoria.htm Acesso em 20 de julho de 2020.

 

Instituto Vladimir Herzog . Coleção Cadernos do Respeitar. Disponível em http://respeitarepreciso.org.br/cadernos-respeitar/ São Paulo, 2019. Acesso em 20 de julho.