Tarefa 6 – Curso REP! – Thaís Thomaz Bovo

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Thaís Thomaz Bovo

Função

Professora de Ensino Fundamental II e Médio - Arte

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

Emef Padre Gregório Westrupp

Thaís Thomaz Bovo – [email protected]

PROJETO “ENCONTRO COM AS DIFERENÇAS”

Cursista: Thaís Thomaz Bovo

INTRODUÇÃO

Segundo o dicionário, a palavra respeito pode ter uma série de significados, dentre os quais: Ato ou efeito de respeitar (se); tratamento com profunda reverência ou consideração; consideração demonstrada por uma pessoa ou por alguma coisa; deferência considerável; aquilo que determina o acontecimento de algo ou a existência de algum fato; sentimento caracterizado pelo medo.

Partindo dessas várias possibilidades para uma única palavra, pode-se dizer que respeito não significa concordar sempre com aquilo que foi dito, mas significa não discriminar ou ofender as pessoas por conta de seus modos de viver, de suas escolhas ou opiniões. A fim de que haja uma melhor compreensão sobre esse assunto, bem como de temas relacionados à cidadania e aos direitos e deveres de todos, desde a mais tenra infância, faz-se necessário que haja uma proposta que abarque todas essas possibilidades desde a Educação Infantil.

JUSTIFICATIVA

É extremamente importante que as crianças comecem a compreender temas relacionados ao respeito ao próximo, além de seus direitos e deveres, reconhecendo-se como protagonistas de suas ações e cidadãs desde muito pequenas para que, a partir disso, possam perceber o que deve ser feito para que se construa uma sociedade mais justa e democrática.

O espaço da escola tem uma função fundamental quando se trata de questões relacionadas à convivência, ao respeito às diferenças e ao lidar com o outro. Ao analisar, por exemplo, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, tem-se que essa seria o primeiro espaço de educação coletiva fora do contexto familiar, no âmbito da sociedade democrática e, por isso, é importante também que o elo entre as famílias e a comunidade escolar se mantenham firmes, com o propósito de que esses atores acompanhem e colaborem com o desenvolvimento das crianças em todo processo de aprendizagem.

Diante do que foi exposto, faz-se necessário o desenvolvimento de uma proposta que alie todas essas questões supracitadas, visando à compreensão acerca dos direitos e deveres de todos enquanto cidadãos.

OBJETIVO GERAL

O objetivo é oferecer às crianças da Educação Infantil uma compreensão mais ampla sobre o termo respeito, além do entendimento sobre os direitos e deveres que cada uma tem. Para tal, se faz necessário o estudo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e de algumas partes da Constituição Federal (1988), que seria apresentada numa versão infantil, em quadrinhos, com ênfase para o Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, em seu Capítulo I, “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”, abordando as Liberdades Constitucionais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Estudar e analisar a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948);
  • Aprender sobre a Constituição Federal (1988), a partir de uma versão em quadrinhos destinada ao público infantil, com ênfase ao Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, em seu Capítulo I: “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos” – Liberdades Constitucionais;
  • Possibilitar que as crianças e suas famílias construam suas identidades pessoais e se valorizem como cidadãs;
  • Estimular que haja a apreciação e o respeito à diversidade;
  • Garantir que todos se percebam como protagonistas, sujeitos históricos e de direitos, capazes de transformar a sociedade;
  • Reconhecer e propagar valores como: amor, igualdade, dignidade, fraternidade, ética, cidadania, solidariedade, criticidade e respeito.

RESULTADOS ESPERADOS

Tendo em vista os objetivos supracitados, espera-se que, a partir da apresentação dos temas indicados, tanto para as crianças quanto para as suas famílias, todos possam acompanhar o desenvolvimento do projeto.

Diante da profundidade da discussão, que abarcará uma conceituação acerca da palavra respeito, além dos estudos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e de algumas partes da Constituição Federal (1988), faz-se necessário que a presente proposta tenha a duração mínima de seis meses, podendo ser prorrogada por um período igual, ou seja, chegando a doze meses.

Tudo se dará a partir da leitura e compreensão sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal, em sua versão em quadrinhos. Em seguida, desenvolver-se-ão rodas de conversas ou ciclos de palestras voltadas ao público infantil, que poderão ser sugeridas pela professora ou pelas crianças, partindo também de assuntos que surjam diariamente e que estejam em consonância com o projeto.

Além disso, haverá também uma formação destinada às famílias, que serão convidadas a participarem de encontros mensais, sendo que estes abordarão os mesmos assuntos, mas terão uma linguagem e um viés mais apropriado ao público adulto.

As atividades serão realizadas no âmbito escolar e, caso haja a possibilidade, poderão ocorrer também em outros ambientes, a fim de que haja um bom desenvolvimento de todas as atividades elencadas:

  • Aprofundamento acerca da palavra “respeito”;
  • Compreensão histórica e estudos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal;
  • Leitura de textos, histórias, poesias, músicas, documentos, histórias infantis, filmes, obras de arte, histórias em quadrinhos, todos relacionados aos temas norteadores;
  • Produções de desenhos relacionados aos temas ou histórias propostas para que, a partir deles seja criado uma grande exposição de todas as obras;
  • Músicas, produções de coreografias e outras atividades manuais/corporais;
  • Visitas a locais alinhados aos temas – Memorial da Resistência, Museu Afro, Pinacoteca, Museu de Arte de São Paulo, Museu Lasar Segall, entre outros;
  • Entrevistas com pais, mães, famílias, comunidade em geral, palestras, reuniões, fotos e vídeos (registros);
  • Discussão dos assuntos nas rodas de conversa diária;
  • Músicas, teatro de bonecos/sombras/fantoches, teatro e contos partindo dos temas norteadores.

DESENVOLVIMENTO

O projeto será realizado durante seis a doze meses, abordando as questões levantadas pelos discentes e também propostas pelos docentes, após o aprofundamento acerca da palavra “respeito”. Em seguida, cada grupo se debruçará no estudo da Declaração Universal de Direitos Humanos e da Constituição Federal.

Serão realizadas as rodas de conversas ou os ciclos de debates, que poderão versar sobre temas variados, tais como o respeito à diversidade, a família, a verdade, a religião, a cultura, os amigos, expectativas para o futuro, sempre relacionando cada assunto a um eixo temático próprio da Educação Infantil.

Por se tratar de um público de crianças, o norte para tais debates serão as histórias e contos infantis. A partir de leituras variadas, serão realizadas as apresentações dos temas que estejam em consonância com a proposta, tais como a arte e a cultura afro-brasileira e africana, além da indígena, a ética, a moral, uma breve introdução à Filosofia para crianças, o respeito, os direitos das crianças, gêneros, etnias, deficiências, o respeito aos idosos, o valor das boas ações, entre tantos outros assuntos que serão apresentadas nessas obras, com ênfase para autores tradicionais e contemporâneos.

Além disso, serão realizadas também visitas e entrevistas com os familiares e a comunidade escolar, visando a um verdadeiro encontro com as diferenças, possibilitando que as crianças possam percorrer e analisar o bairro em que habitam com mais atenção, de modo a perceberem que cada um vive de um modo distinto, tendo costumes e preocupações diversas, reconhecendo, ao caminhar, cada pequena diferença e valorizando-a. Essa proposta também poderá ocorrer com as famílias presentes.

A partir dessas ações, ocorrerá a apresentação, ao final do projeto, do livro, produzido de maneira coletiva, no qual estarão registradas várias ações positivas pelas quais as crianças passaram no transcorrer do ano. Poderá haver, além de um texto formalmente escrito, desenhos, poesias, músicas, fotografias, ou seja, um verdadeiro livro de registros de todo o processo percorrido durante o projeto.

Além disso, o projeto terá como encerramento um grande encontro, no qual haverá, fora o lançamento do livro coletivo, a exposição de todas as obras artísticas e das apresentações teatrais, de dança e musicais desenvolvidas por todos ao longo do processo, inclusive pelos responsáveis e pela comunidade escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS E RESULTADOS PREVISTOS

O respeito, os direitos e os deveres dos cidadãos e a diversidade cultural devem estar presentes na formação de cada indivíduo, pois ao abranger o conhecimento acerca desses temas, a educação se amplia e enriquece, principalmente quando realidades muito díspares são apresentadas, tanto às crianças quanto aos adultos.

Esse modo de olhar para a educação está voltado ao que se pode chamar de cidadania global ou, como Padilha (2004) aponta, pertence aos elementos do currículo intertranscultural, ou seja, aquele que é pleno, livre de preconceitos, inclusivo, emancipador e humanizador, inserido no âmbito de uma escola mais curiosa, prazerosa e aprendente, que reconhece e valoriza as diferenças, sendo essa a grande a chave.

Gadotti (1992), ao ressaltar a importância dessa pluralidade e diversidade, diz que a escola que adere essa perspectiva busca abrir os horizontes de seus estudantes para a compreensão de outras culturas, de outras linguagens e modos de pensar, aproximando-se uns dos outros e procurando construir uma sociedade pluralista.

Desse modo, é possível dizer que a presença desses elementos traz também inovações no âmbito das práticas pedagógicas, haja vista que a presença da diferença, ou do outro, se apresenta como uma grande oportunidade de transformar o espaço escolar num ambiente heterogêneo e democrático. Assim sendo, as práticas pedagógicas passam a ser repensadas e modificadas, uma vez que o próprio ambiente escolar se torna absolutamente absorvente, refletindo as mudanças e quebras de paradigmas, tornando-se, portanto, mais acolhedor, justo e pautado pelo respeito.

Os resultados previstos a partir das propostas elencadas neste projeto são uma ampla compreensão acerca dos temas abordados, por parte das famílias e da comunidade, sem contar o aprendizado das crianças no sentido de que se deve, sim, respeitar os outros e compreender sobre seus direitos e deveres por meio de textos fundamentais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal, também conhecida como Constituição Cidadã. Desse modo, será possível que grandes transformações sociais e políticas ocorram.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAGÃO, Malu. Direito Constitucional em Quadrinhos: Liberdades Constitucionais. Fortaleza: Equipe AMX2 Artes e Narrativas. 2019.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nos 1/1992 a 68/2011, pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e pelas Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/1994. – 35. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2012.

CURY, Carlos Roberto Jamil. A Educação Básica como Direito. Cadernos de Pesquisa, v. 38, n. 134, p. 293-303, maio/ago. 2008.

GADOTTI, M. Diversidade Cultural e Educação para Todos. Juiz de Fora: Graal.1992.

LASSALLE, Ferdinand. Que é uma constituição? 2. ed. São Paulo: Kairós, 1985.

ONU. (1948). Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris. Disponível em: <http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/>. Acesso em 28 de julho de 2020.

PADILHA, Paulo Roberto. Currículo intertranscultural: por uma escola curiosa, prazerosa e aprendente. 2003. Tese (Doutorado em Educação) — Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/handle/123456789/59>. Acesso em 28 de julho de 2020.

SAVIANI, Dermeval. A Educação na Constituição Federal de 1988: avanços no texto e sua neutralização no contexto dos 25 anos de vigência. RBPAE – v. 29, n.2, p. 207-221, mai/ago. 2013.

_________________. Vicissitudes e Perspectivas do Direito à Educação. Educação e Sociedade, Campinas, v. 34, n. 124, p. 743-760, jul.-set. 2013.