Tarefa 6 – Curso REP! – Thais Breviglieri da Silva

Data

21 de julho de 2020

Cursista

Thais Breviglieri da Silva

Função

Professora

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

Emei antonio callado

PLANO DE AÇÃO DA COMISSÃO DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS PENSANDO NUM POSSÍVEL RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS: ACOLHIMENTO E RESPEITO

 

Estamos passando por um período jamais vivenciado, pelo menos por nossa geração, uma pandemia causada por um vírus, ainda não conhecido completamente pela ciência, sem vacina e com necessidade de isolamento social.

Pensando num retorno às aulas presenciais, num momento em que a propagação e os índices da doença ainda não estão controlados, causa tanto aos funcionários, professores e famílias um temor e gera inúmeros conflitos e dúvidas: sair do isolamento aumentará os casos? Como evitaremos a aglomeração dentro da escola, um espaço onde isso ocorre naturalmente? Quais protocolos devem ser seguidos? Como retomar os conteúdos e as interações mantendo um distanciamento? Como organizar os tempos e espaços seguindo as orientações? E quem faz parte do grupo de risco, voltará ou não? E as famílias que não quiserem que seus filhos voltem, serão acolhidas e respeitadas? Como acolher? Como atender emocionalmente num momento em que todos estão perdendo em algum aspecto?

Analisando essas questões entre outras que surgem no dia a dia, a Comissão da escola que atuo vem se debruçando sobre o assunto e nesse trabalho vou citar as propostas já elaboradas ou etapas que serão desenvolvidas no retorno afim de atender essa última questão que é acolher emocionalmente a todos os envolvidos.

Logo no início da quarentena a direção nos trouxe a ideia de questionarmos as famílias sobre como estava sendo esse momento de isolamento para cada um, elaboramos um questionário e enviamos via WhatsApp, que é o meio de comunicação que se tornou mais eficiente para nossa comunidade. Nesse questionário relatavam se estavam bem, se alguém da família havia adoecido do covid-19, se passavam por alguma necessidade, como estava a criança, se acessavam as atividades, se tinham os recursos para esse acesso. A partir das respostas que obtivemos pudemos notar as dificuldades que alguns especificamente estavam passando, perda de emprego, falta de alimentos, o estresse do isolamento, não acesso a internet e, portanto, não acesso as atividades. Dentro do que foi possível, ajudamos em alguns casos. Quanto as crianças o relato era a saudade/falta dos colegas, de ir para escola e dos professores. Inclusive foi solicitado dias depois pela CMC da DRE que fizéssemos essa escuta das famílias, mas como já tínhamos feito usamos os dados para elaborar o Relatório de Escuta. Tivemos também a devolutiva por parte da DRE com os resultados de várias escolas e notamos a semelhança nos fatos relatados.

O que mais poderia ser feito pra ajudar numa proposta para esse retorno?

Estamos ainda elaborando essa proposta, mas já posso citar o que temos tentado fazer para amenizar as angústias de todos.

Os professores e funcionários também foram ouvidos em suas angústias, medos e dúvidas e todos chegaram as mesmas questões citadas no segundo parágrafo. Pensando em tranquilizá-los, a nossa Coordenadora sugeriu que tivéssemos uma formação com uma psicóloga, professora da rede, que nos falou sobre essas fragilidades, perdas e como lidar com o isolamento. Foi uma conversa que surtiu efeito, acalmando o grupo. Já estamos pensando em outras formações como essa.

A escuta inicial será fundamental para acolher a todos, e para conseguirmos dar continuidade nas ações pedagógicas.

Algumas das ações que queremos propor para ajudar antes desse retorno são:

– Trazer essas palestras com especialistas para as famílias, afim de fortalecê-los também. Haverá orientação as famílias quanto aos protocolos que seguiremos, mas acreditamos ser necessário essa ajuda emocional.

– Saber o que as famílias pensam sobre esse retorno, qual a opinião delas. Essas falas podem nos ajudar muito pensando em propostas para o acolhimento.

Algumas ações após o retorno:

– Acolhimento dessas crianças, mantendo os protocolos necessários, mas de maneira que se sintam sujeitos respeitados, que sejam ouvidas também, falem sobre todo o período em que estiveram isoladas, sobre o que passaram e o que desejam nesse retorno. Devem se sentir como parte novamente dessa comunidade. Falar sobre isso pode ser um grande alívio pra muitas delas.

– Propiciar essas conversas com quem também não retornará.

– Se nessas conversas notarmos que o impacto dessa situação foi mais extremo teremos que indicar um atendimento específico.

Acreditamos que nesse momento temos que fortalecer nossos vínculos, estreitar as relações, refazer a adaptação que se iniciou em fevereiro, respeitar a dor de cada um, o modo de cada um encarar essa nova situação que nos aconteceu. É hora de mostrar empatia e escutar, de tentar acolher cada um na sua especificidade. Esse acolhimento sendo efetivo, trazendo o resultado esperado, que é um retorno tranquilo, seguro e com as pessoas confiantes, será útil nessa retomada.

Todas essas ações ainda estão em andamento/planejamento pela CMC da unidade juntamente com a equipe, mas acreditamos que essa possa ser a nossa contribuição numa situação tão atípica.

 

Thais Breviglieri da Silva ( RF 7951141/1)

21/Julho/2020