Tarefa 6 – Curso REP! – Tânia Maria Coelho Marote Piquera

Data

30 de julho de 2020

Cursista

Tânia Maria Coelho Marote Piquera

Função

Professor Ensino Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

EMEF MINISTRO CALÓGERAS

PROPOSTA DE AÇÃO – EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS – “RESPEITAR É PRECISO’

EMEF MINISTRO CALÓGERAS

Este plano de ação para Educação em Direitos Humanos parte da observação da constância em se retirar alunos das salas de aula na unidade de ensino em que trabalho, devido, principalmente, à indisciplina e desrespeito mútuo, levando a um grande número dos mesmos nos corredores e junto às salas de coordenação/direção, aguardando atendimento para resolução dos conflitos e tomada de medidas, que geralmente significam advertências e suspensões. Colocar o aluno fora da sala contribui para a exclusão, afeta os direitos de aprendizagem e adia a resolução do problema. Daí a importância do mapeamento, do olhar atento para de identificar a origem do problema, buscar entendê-lo e pensar coletivamente nas possíveis soluções.

No momento de volta as aulas pós recesso devido a pandemia, em que a acolhida aos alunos deve prevalecer, podemos aproveitar para resgatar os princípios de respeito, diálogo, compreensão e dignidade humana, em que o direito à voz e a escuta de todos fossem garantidas.

Para que seja colocado em prática esse projeto, é necessário que se consiga junto a direção, a definição de um espaço dentro da escola e um horário pré determinado para reuniões e discussões colaborativas entre professores, gestores, funcionários da escola, comunidade e alunos, tendo como representações, por exemplo, o Conselho de Escola, Grêmio Estudantil, Comissão de Mediações de Conflitos, assembleias e APM, ancoradas a uma Gestão Democrática, a fim de viabilizar a solução de tal problema para, de forma clara, criar e consolidar mecanismos eficientes de participação nos deveres e direitos de todas as partes, construindo e reconstruindo uma rede de interação que considere todos como “sujeitos de direito”.

Este é um projeto que requer tempo para ser implementado, pois algumas representações ainda devem ser formadas, como o Grêmio Estudantil, instância participativa em que os alunos possam experimentar os passos da democracia, experimentando o respeito e o reconhecimento, compartilhando das decisões e expondo seu território. Pretende-se que as primeiras iniciativas possam ser tomadas após 15 ou 20 dias depois do retorno às aulas presenciais, aliás, uma retomada das ações que já vinham sendo preparadas antes que tivéssemos que deixar de lado as aulas presenciais devido à pandemia de Coronavírus.

Há que se investir na informação e formação dos grupos constituídos, trazendo materiais a serem conhecidos e discutidos acerca do respeito dos Direitos Humanos, ao PPP da escola, Portarias e normas.

Podemos, também, aplicar a técnica de Tempestade de Ideias, em que um mediador propõe a construção de uma Árvore de problemas e uma Árvore de soluções por grupos representativos destas comissões, podendo-se chegar a um levantamento de sugestões de ações para superar, minimizar ou até mesmo eliminar o problema citado. Para cada questão apresentada pelos grupos, deve ser proposta uma solução, que serão discutidas e avaliadas mediante o respeito às divergências e aos tempos de fala e escuta previamente definidos, sem julgamentos. Como resultado, se obterão as regras e combinados a serem seguidos e conhecidos na escola.

Em casos específicos, pode-se adotar o círculo restaurativo, cuja mediação é baseada na relação de igualdade, que reconhece a pessoa como legítima, onde os presentes não se colocam na posição de alguém que sabe do que o outro precisa, sem que se haja invasões ou sugestões. Através das perguntas reflexivas do mediador, os sujeitos vão encontrando seus próprios caminhos.

Como objetivos, podemos esperar:

– Ampliar o olhar dos profissionais da educação sobre a dificuldade apresentada;

– Construir conjuntamente práticas pedagógicas que aprofundem seus conhecimentos em educação para Direitos Humanos.

– Abrir canais de comunicação para os alunos, de modo a eliminar a invisibilidade, possibilitar sentimento de pertencimento e ter direito a voz e escuta qualificada. “Respeitar para ser respeitado”;

– Sustentar, na escola, uma rede de interações entre pessoas que considerem todos como sujeitos de direito;

– Implementar na práxis político pedagógica uma educação que promova a cultura de respeito e a luta por direitos, vivência e não discriminação;

– Promover a participação da comunidade escolar na construção coletiva de processos relacionados a gestão pedagógica de forma compartilhada em todas as dimensões.

O projeto deverá ter início no momento de volta as aulas e se estenderá conforme seu desenvolvimento, sendo avaliado a cada etapa e se necessário revisto e replanejado. Ao ser constatada sua eficácia quanto a mudança comportamental e atitudinal por ambas as partes, sua efetivação será garantida e adotada como prática constante.

Afinal, como bem dito em uma das lives do nosso curso,“dialogar é essencial para que obtenhamos mudanças significativas. Implica em dar vez e voz para se manifestar, refletir sobre o cotidiano e tomar decisões”.

Tânia Maria C.M. Piquera