Tarefa 6 – Curso REP! – Suzana Milani

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

Suzana Milani

Função

Prof. Ensino Fund II e Médio / Prof. História

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

EMEF Roberto Patrício

REP! – TAREFA – PROPOSTA DE AÇÃO

SUZANA MILANI – RF: 843.994.0-2

Justificativa – Essa proposta de ação foi elaborada pensando em alguns pontos centrais trazidos pelo REP como respeito mútuo, escuta ativa, diálogo, diversidade e, mais amplamente, nos benefícios que a aplicação de uma Educação em Direitos Humanos dentro da escola deve trazer para o convívio respeitoso entre todos ali e para além muros. Essa escolha se deu pelo entendimento de que a sociedade pandêmica enfrenta um desafio histórico não apenas por conta da própria doença e a mortalidade imposta a todos nós, mas principalmente, em termos sociais, no agravamento das consequências deste modo de mundo alicerçado em valores neoliberais ferozes. Estamos num esforço de consciência coletiva com o compromisso de atingir a superação das desigualdades. A educação pós-pandemia deverá promover a mudança de cultura necessária para derrubar um senso comum tão distorcido acerca dos que são os Direitos Humanos e implementar a ética como postura política; cada um de nós devemos estar atentos na luta contra todas as situações em que esses direitos universais estejam sendo ameaçados. A partir dessa ética em DH e desses princípios balizadores devemos todos ser capazes tomar decisões e assumir as responsabilidades decorrentes disso. O texto de Maria Victoria Benevides e a palestra de Deisy Ventura foram os maiores pilares deste projeto.

Finalidade – A finalidade deste projeto é trabalhar a Educação em Direitos Humanos numa ação que envolva toda a comunidade escolar, estando a CMC e o Grêmio envolvidos na organização desta ação. Para tal, focaremos em alguns pontos específicos que foram abordados no REP. Priorizaremos o tema dos Direitos Humanos em sua concepção mais ampla para então partirmos para uma experimentação prática de uma mediação embasados nos mesmos valores dos DH, a saber principalmente respeito mútuo e escuta. No dia-a-dia escolar muitas vezes nos deparamos com conflitos cujo principal motivo deflagrador é a falta de escuta, a discriminação e o não reconhecimento do outro como sujeito de direito. Pela noção de que a comunidade escolar é ampla, com seus múltiplos atores, subjetividades e realidades e que aprendemos através convívio entre todos, esta ação não busca exatamente eliminar ou solucionar conflitos, mas sim abrir espaço para pensarmos, dialogarmos e praticarmos EDH. Tampouco visa ser uma ação isolada mas sim uma experimentação para a prática cotidiana em DH.

Objetivos – Espera-se que esta ação possa ampliar a visão e a prática de todos os agentes da comunidade escolar numa escola baseada nos DH e fortalecer os espaços coletivos através da participação coletiva. Os alunos serão protagonistas do processo, trazendo suas questões para o debate de forma direta ou anônima. Assim trabalhamos com responsabilidade, diálogo, respeito mútuo, cooperação, encorajado o aluno a posicionar-se.

Duração – A ação está prevista para durar três semanas (uma semana para cada parte) nos termos descritos nessa proposta como medida inicial de experimentação, podendo ser ampliada num segundo momento. Importante mencionar que este projeto apenas se aplica presencialmente no pós-pandemia quando for absolutamente seguro o retorno presencial e a vida de todos esteja assegurada.

Avaliação – Os resultados serão verificados pela equipe docente por meio do acompanhamento contínuo de todas as etapas da ação. É esperado que os alunos estejam envolvidos e participativos.

Estrutura – Esta ação será dividida em três momentos: 1) Contexto necessário: entendendo os DH e a EDH; 2) Trabalho de campo: escutando ativamente; 3) Vivência: mediando conflitos e exercendo a ética em DH.

1) Contexto necessário: entendendo os DH e a EDH.

Esta ação parte de uma concepção de Educação em Direitos Humanos e não sobre Direitos Humanos; ainda sim é preciso debater conceitos chave como democracia, justiça, diálogo e discriminação numa discussão necessária para quebrar estereótipos, visões deturpadas e barreiras sobre os DH, para que então possamos todos aplica-los na nossa prática diária exercendo a verdadeira Educação em Direitos Humanos que deve extrapolar os muros da escola e permear a vida de todos. É necessário que saibamos, como educadores, nos posicionar com clareza para descontruir ideias que muitas vezes fazem com que as pessoas tenham visão errada sobre o que é DH e a quem eles atendem. É imprescindível reconhecer nossa estrutura histórico social de um país construído nos alicerces do escravismo, do autoritarismo, da exploração do povo e dos privilégios da elite, desde sempre. Entender que os princípios éticos se aplicam a todos e em todas as situações é um pilar fundamental dessa ação. Essa vivencia pretende consolidar mentalidades e práticas através de aulas em forma de círculo e de preferência fora da sala de aula para que possamos abrir espaço para uma vivência ampla e participativa. Alguns desses clichês como “Direitos Humanos são para defender bandidos” ou “Chega de vitimização”, ou ainda “Posso falar o que eu quiser, tenho liberdade de expressão” devem ser postos em cheque para que possamos desconstruir o discurso de ódio e abrir caminho para o entendimento de conceitos como respeito, escuta e diálogo.

2) Trabalho de campo: escutando ativamente.

Neste momento será proposto aos alunos que conversem com vários membros da comunidade escolar (gestores, professores, equipe de apoio, pais, outros alunos) sobre situações de discriminação que já passaram, presenciaram ou mesmo praticaram. Esse trabalho de campo deverá ser baseado, no primeiro momento, apenas na oralidade e no exercício de escuta ativa. Através do compartilhamento da experiência do outro o aluno ouvinte deverá colher a situação narrada com começo, meio e fim e também relacionar os sentimentos expostos pelo narrador e reconhecer a situação de desrespeito / preconceito tentando entender o que teria motivado tal desdobramento. Aqui cabe apenas a escuta ativa, sem interferir na narrativa. Após isso o aluno ouvinte deverá reproduzir ao narrador cada um desses pontos colocados e obter sua confirmação sobre a veracidade da reprodução de sua própria fala. Ou seja, aqui cabe um exercício de escuta ativa de ambas as partes. Então passaremos para a parte escrita, quando o aluno deverá preencher uma planilha onde constará na primeira parte: a situação de preconceito narrada, os personagens (autores e vítimas), os sentimentos expostos, o desdobramento; o narrador deverá ler e verificar se esta parte está de acordo com o que ele narrou. Em seguida o aluno deverá sozinho preencher a segunda parte da planilha onde colocará suas impressões pessoais sobre a situação narrada, devendo constar o que ele acha que motivou aquela situação e qual medida ele acha que deveria ser tomada para que situações assim não acontecessem ou pudessem ser resolvidas. Cada aluno ouvinte deve entrevistar três pessoas.

Quando damos voz ao outro legitimamos sua fala, sentimentos, percepções. Quando respeitamos o universo do outro, o reconhecemos como sujeito de direito e de fala a partir do lugar individual e social que ele ocupa (marcadores sociais). Ou seja, a escuta ativa deve validar a fala / experiência do outro e reconhece-la dentro dos âmbitos pessoais, sociais. Aqui serão trabalhados os conceitos de diversidade, discriminação e desigualdade. A diversidade em si é algo que nos constitui; já a discriminação é quando a diversidade é vista como algo hierarquizado; e a desigualdade é quando se institucionaliza na pratica essa discriminação. A discriminação produz privilégios e exclusões enquanto a igualdade é o direito a diferença.

3) Vivência: mediando conflitos e exercendo a ética em DH.

Nessa etapa novamente toda a comunidade estará convidada a participar dos círculos. Aqui será montada uma espécie de debate dessas situações de discriminação que foram colhidas anteriormente onde os alunos que colheram depoimentos vão fazer uma roda interna e todos os demais farão uma roda externa. Todas as planilhas respondidas não constarão nem o nome do aluno ouvinte e nem a do narrador. Esses papeis serão dobrados e colocados dentro de uma caixa, de forma anônima. Então um aluno irá sortear um papel e reproduzir a fala que foi colhida no exercício de escuta anterior (a primeira parte da planilha), mesmo que ele não concorde com aquela narrativa e queira rebater alguns pontos, ele deve seguir fiel ao que foi colocado pela pessoa entrevistada e pelo colega. Um professor mediador deverá fazer apontamentos daquela situação, buscando desdobrar as visões, pensamentos e impressões dentro de daquilo que foi posto. Então o aluno que está com o papel lerá a segunda parte da planilha (com os apontamentos pessoais do aluno entrevistador) e será feita uma rodada de comentários entre todos os presentes apontando pontos chave como onde está a raiz da discriminação e como podemos combater essas práticas.

O objetivo não é fazer uma mediação penal, inquisição ou punição colocando nenhuma pessoa em si como razão de um problema, mas sim entender a configuração por traz daquela questão e daquele lugar de fala e partir para a postura de identificar uma ação mediadora eficaz para aquela problemática. Ao final podemos ter um momento de confraternização coletiva para fecharmos a ação.

Mediar conflitos é possibilitar um diálogo balizado pelo princípio ético de DH visando não exatamente eliminá-los mas promover uma abordagem mesmo que nem sempre fácil ou desejada de uma questão problemática sem o uso da violência (física ou verbal). É colocar na cena a diferença entre as pessoas entendendo que a diferença é algo positivo e que é a partir dos conflitos que nos constituímos enquanto sujeitos de valores. Quando trazemos uma questão conflituosa para o campo coletivo não estamos buscando a conciliação, mas sim o respeito e a convivência. Escutar e dar espaço para que cada um possa reconstruir suas próprias verdades com base nas verdades dos outros e seguir os princípios dos DH é caminhar no sentido de uma sociedade mais ética dentro e fora dos muros da escola.