Tarefa 6 – Curso REP! – Rafael Silva Santana

Data

14 de julho de 2020

Cursista

Rafael Silva Santana

Função

Profº Ensino Fund. II

DRE / Unidade Educacional

Itaquera

Escola

EMEF PROFª CLOTILDE ROSA

Proposta de ação para mediação de conflitos

 

É no espaço escolar ambiente pulsante que diferentes histórias se entrecruzam e proporcionam multiplicidades de novos saberes formando novas narrativas e perspectivas acerca da vida.  Justamente por isso, o conflito, inerente a condição humana, se manifesta de diversas formas nas relações entre todos os que atuam nesse local, sendo necessário ações que ajudem estudantes e profissionais da educação a lidarem com ele de forma construtiva, oportuna e criativa. Construtiva, pois é na dinâmica dos relacionamentos que nos constituímos seres humanos; oportuna, por transformar algo visto em geral como negativo em oportunidade de diálogo e relacionamento saudável; e criativa, é com essa postura que conseguiremos trazer a tona estratégias para lidarmos com os conflitos.

Durante minha atuação como docente nas unidades de ensino do Município de São Paulo, notei diversas situações envolvendo conflitos de várias naturezas entre todos que atuam no ambiente educacional. Percebi que as conversas sobre os conflitos eram sempre fragmentadas pelo tempo da hora/aula nos corredores da unidade escolar ou no pouco tempo que antecede nossa formação (JEIF), mas nunca eram tema de diálogo, reflexão e possíveis encaminhamentos para tornar nossas relações pautadas pelo respeito.

Nesse sentido, e com base na Portaria n° 2.974/2016 que trata da implantação e implementação da Comissão da Mediação de Conflitos nas Unidades da Rede Municipal de Ensino, faço a seguinte proposta:

A criação de espaços onde o diálogo na perspectiva dos Direitos Humanos seja possível, para assim, potencializar a ação dos profissionais da educação na mediação de conflitos e a estabelecer uma Cultura de Paz no ambiente educacional. Nesse momento faz se necessário uma melhor definição do que compreendo por conflitos e Cultura de Paz. Conflitos, possuem natureza diversa e se expressam na dinâmica dos relacionamentos humanos que estão em oposição e quando não dialogados trazem a tona a violências nas suas mais variadas formas. A Cultura de Paz possibilita enfrentar os conflitos de forma não violenta tendo como base os Direitos Humanos em uma perspectiva de que é possível existir paz existindo o conflito, ou seja, essa cultura não almeja a eliminação dos conflitos mas possibilita o diálogo, a reflexão e a ação.

O principal objetivo nesse primeiro momento é criar um local seguro para que todos os envolvidos nos processos educacionais da unidade sejam acolhidos de forma respeitosa, possam falar abertamente sem julgamentos, sejam estimulados à reflexão e possam compartilhar experiências. Para tanto, será utilizado como referência para construção desse espaço os cadernos do Respeitar é Preciso – Instituto Vladimir Herzog – e o livro, Processos Circulares de Construção de Paz – Kay Pranis; eles serão objeto de leitura e reflexão preliminares para a equipe de Mediação de Conflitos a fim de agirem como facilitadores durante as reuniões. Conforme PRANIS, 2010:

 

“Os Círculos de Construção de Paz reúnem a antiga sabedoria comunitária e o valor contemporâneo do respeito pelos dons, necessidades e diferenças individuais num processo que:

  • Respeita a presença e a dignidade de cada participante;
  • Valoriza as contribuições de todos os participantes;
  • Salienta a conexão entre todas as coisas;
  • Oferece apoio para a expressão emocional e espiritual;
  • Dá voz igual para todos”. (p.18-19)

Alguns desafios: o tempo escolar fragmentado e a quantidade de pessoas (profissionais da educação e estudantes). Diante dessa situação, os espaços democráticos constituídos na unidade escolar podem ser facilitadores, como, por exemplo, Associação de Pais e Mestres (APM), Grêmio Estudantil, Conselhos Escolares, Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), Reuniões de Pais, entre outras. Todas possuem periodicidade e, em sua formação, constituem parte significativa dos envolvidos nos processos educacionais, possibilitando assim, que o maior número de pessoas tomem contato com a Cultura de Paz e possam integrar essa prática em sua ação profissional. Talvez, possa parecer nesse primeiro momento que os estudantes estão em menor representação, já que o Grêmio Estudantil é apenas uma parcela do total, todavia, uma das intenções deste projeto é potencializar a ação dos profissionais da educação para lidar com os conflitos a partir da Cultura de Paz tendo como base os Direitos Humanos e, ao incorporar essa cultura, torná-la viva em suas relações cotidianas com os estudantes.

Nesse sentido, não existe uma previsão para que o projeto termine, porém, tanto ele quanto a estratégia da Cultura de Paz, poderão ser alvo de diálogo e se mostrando ineficaz para o que se pretende poderá ser cancelado a qualquer momento. A avaliação de sua pertinência e eficácia será feita ao final das reuniões por meio da livre expressão da fala à pergunta: “Como está sendo para você participar dessas reuniões?” Com base nas respostas os facilitadores da equipe de Mediação de Conflitos poderão situar-se melhor diante das necessidades apresentadas pelo grupo ou perceber que o momento pode não ser propício para essa estratégia, sendo necessário utilizar outras que melhor se adequem a situação encontrada. Nunca é por demais dizer que parto da premissa da proposta, ou seja, nada deve ser imposto mas sempre um convite, aliás o diálogo é assim: um convite à escuta ativa do que me é diferente.

“Diálogos podem ser considerados uma matéria-prima da tarefa educativa.” (Caderno: Respeito na Escola -Respeitar é Preciso, Instituto Vladimir Herzog – p.99)

Atenciosamente,

Rafael Silva Santana