Tarefa 6 – Curso REP! – Paula Tatiane Ferreira de Souza

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Paula Tatiane Ferreira de Souza

Função

Professora de educação infantil

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

Cei jardim das vertentes

Cursista: Paula Tatiane Ferreira de Souza

RF 8369593

 

Projeto “A vida não me assusta”

Justificativa:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”

Nelson Mandela Livro “Long Walk to Freedom”, 1995.

 

Atualmente, estamos lidando com muitas questões que nos chamam a refletir sobre o mundo e as relações que o compõem, tendo destaque para as diferenças raciais. Situações de grande violência contra a população negra, nos levaram a discutir abertamente o racismo e pesquisar afundo sobre sua origem, suas consequências na sociedade e na vida do indivíduo enquanto vítima, assim como investigar as engrenagens que movem a reprodução de ações discriminatórias.

É na estrutura de funcionamento da sociedade que encontramos o enraizamento do racismo, com a perpetuação de falas racistas, a normalização de papéis específicos para brancos e negros, a invisibilidade dos negros nas mídias, desvalorização da cultura afrodescendente, entre outros.

Nesse contexto nos questionamos sobre o papel da educação, considerando que a escola normalmente é o primeiro espaço de socialização das crianças, e que é na infância que vivenciamos situações que deixarão marcas eternas em cada ser, podendo fortalecê-los ou fragilizá-los. O documento Currículo da Cidade – Educação Infantil (p. 46), declara sobre o papel da escola que ela “…pode operar em direção ao aprofundamento da discriminação, mantendo desvantagens e perpetuando preconceitos, ou impedir atitudes racistas, propondo estudos, discussões e práticas relativas a essa temática.”

Somado a este espaço político que a escola tem, também nos debruçamos sobre a concepção de criança que defendemos considerando-a, desde seu nascimento, um indivíduo ativo, capaz de manifestar seus interesses e desejos, produtor e reprodutor da cultura que o cerca.

Desta forma, pensar o que lhe é ofertado no ambiente educativo é fazer o exercício sensível de analisar profundamente a prática pedagógica e suas consequências na formação destes sujeitos.

Com esta preocupação, encontramos no Currículo da Cidade o direcionamento para a abordagem na Educação Infantil:

 

“Um modo muito efetivo de enfrentar esse desafio na Educação Infantil é ofertar às crianças representações gráficas, literárias, científicas e artísticas que contemplem essa diversidade, para que encontrem nos textos lidos personagens que protagonizem diferentes histórias. Dessa forma, bebês e crianças se reconhecem em suas identidades e podem compreender a diversidade étnica e racial do mundo como uma grandeza de experiências e possibilidades. A escola é espaço de formação e de construção das identidades sociais dos bebês e das crianças, que se compromete com a transformação social.” (p.46)

 

Diante esses elementos, o grupo optou por apresentar às famílias e crianças o livro da poesia “A vida não me assusta” da autora Maya Angelou, ilustrada por Jean-Michel Basquiat, ambos artistas estadunidenses negros com histórias de superação de adversidades na infância e juventude e que alcançaram visibilidade através de suas artes.

O livro trata de enfrentamento dos medos, retratados por lindas imagens. Após desfrutar desta leitura, convidaremos as crianças a desenharem o que não as assusta ou que ainda assusta um pouquinho mas elas enfrentam.

Ao apresentar este material e seus artistas, buscamos romper o currículo “colonizador” onde só a visão europeia, adulto centrada tem valor. Damos vozes às crianças, seres criativos, e ainda com o advento da companhia de seus familiares como intermediários entre a escola e a criança, semeamos o gérmen da visibilidade a outras culturas.

 

Objetivos: Esta publicação tem o objetivo de representar o povo negro por meio da sua literatura, poesia e arte. Pretendemos que as crianças na Educação Infantil, bem como suas famílias, sintam-se representadas para a construção de uma identidade positiva, humanizada, valorizada e feliz.

É urgente, nós como sociedade, darmos visibilidade a esse povo, a essas crianças para que se vejam representadas em sua riquíssima cultura, fortalecidas em sua autoestima para combater preconceitos relativos ao pertencimento étnico-racial.

As nossas iniciativas são pautadas em uma educação antirracista, que estimule o respeito a todas as formas de vida, incluindo a integridade de cada ser humano e enfatizadas em valores como a liberdade, a igualdade de direitos de todas as pessoas e entre homens e mulheres, assim como a solidariedade com indivíduos de grupos sociais vulneráveis.

O projeto será desenvolvido em parceria com o conselho e Apm do Cei Jardim das Vertentes e será avaliado pelo resultado obtido de envolvimento com as crianças do agrupamento Mini-grupo II.

Será necessário apenas um dia com 6 horas para sua inicialização e conclusão.