Tarefa 6 – Curso REP! – Paula Aparecida Dias de Araujo

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Paula Aparecida Dias de Araujo

Função

PEiF/ Coordenadora Pedagógica

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

CeMei Márcia Kumbrevicius de Moura

Nome: Paula Aparecida Dias de Araujo

RF: 808.318.4

e-mail: [email protected]

TAREFA DE CONCLUSÃO DO CURSO DE DIREITOS HUMANOS

 

O Decreto Municipal nº 59.283, de 16 de março de 2020 que declarou situação de emergência no Município de São Paulo e definiu outras medidas para o enfrentamento da pandemia decorrente da COVID 19 determinou em seu artigo 16º que a Secretaria Municipal de Educação promovesse a interrupção gradual das aulas na rede pública de ensino […] (inciso IV) e adotasse medidas visando à operacionalização de ensino à distância (inciso VI).

De repente as escolas ficaram vazias, não se escutava mais os sons dos bebês e crianças, as brincadeiras, descobertas, desenvolvimento e afagos foram substituídas por angústias, anseios e incertezas.

Um silêncio perturbador tomou conta dos corredores.

Institui-se as aulas remotas e sem despedidas e preparo, as professoras desapareceram da vida dos bebês e crianças.

Em menos de um mês as professoras precisaram se familiarizar com as tecnologias e ambiente virtual.

Nossa escola não tinha redes sociais ou outras plataformas de comunicação, diante dessa necessidade criamos uma página no Facebook, divulgamos com um cartaz no portão e com contatos por telefone.

Após 4 meses de suspensão das aulas presenciais ainda possuímos pouquíssimas acessos e interações das famílias, essa questão aflige a todos os professores.

Entendemos que a falta de acessos pode ser devida há vários pontos, o principal seria a questão do acesso às tecnologias, aparelhos eletrônicos disponíveis para acesso internet de qualidade, como também entendimento da importância da educação na primeira infância.

Estou como Coordenadora Pedagógica da CEMEI Marcia Kumbrevicius de Moura, e sou professora da casa desde 2019. Nossa unidade está localizada no extremo sul do município de São Paulo, em um território de alta vulnerabilidade social, atendemos quase 320 bebês e crianças de 01 a 05 anos e 11 meses.

Vivenciamos uma situação singular, ninguém imaginaria que estivéssemos passando por isso, não tivemos tempo hábil de conhecer as novas famílias, estabelecermos um vínculo efetivo.

Durante os horários formativos com o grupo de professores, por diversas vezes discutimos sobre esse assunto, como nossos bebês e crianças estão, estarão precisando de alguma coisa, encontram se em segurança, o que estão sentindo diante de tudo isso.

Entendemos que essa falta de vínculo afetivo com essas famílias, dificultam o relacionamento nesse período de distanciamento social, o sentimento de pertença com o espaço escolar ainda não desenvolvido por muitas famílias, também dificulta essas relações.

A aula 03 sobre mapeamento, me inquietou de uma maneira significativa, e não consegui pensar em outra atividade que não fosse ligado a esse tema.

Tenho ciência da complexidade de trabalhar a questão do mapeamento no sentido macro, mas também entendo que o trabalho é importante principalmente no período de pandemia onde se faz necessário cumprirmos o papel social da escola em seu território.

O tema me provocou mais questionamentos além dos que já trazia comigo desde o início da pandemia.

Partindo de todos esses anseios, como ponto de partida, iniciei uma conversa com o grupo de servidores docentes e administrativos da escola sobre a necessidade de elaborarmos, um questionário para tentar buscar mesmo que por amostragem, como as famílias estão se relacionando com o distanciamento social e após algumas discussões chegamos a algumas questões.

o que as famílias pensam em relação ao a possibilidade do retorno das aulas presenciais sem a confirmação de uma vacina para que covid 19.

Quais expectativas, medos e anseios que os pais possuem com essa possível volta às aulas,  eles têm conseguido acompanhar as propostas de atividades que a escola tem postado nos canais de comunicação. Como a criança está se sentindo diante de tudo isso, qual é a maior dificuldade para lidar com o momento: É uma  dificuldade financeira, com diminuição de renda, dificuldade emocional de lidar com o isolamento,  de convivência familiar, se a estrutura da casa dificulta o confinamento, tiveram casos de Covid na família.

A finalidade desses dados, primeiramente é proporcionar a escuta dessa família que está em distanciamento, como ela está se sentindo em relação as voltas as aulas, ela precisa dessa escola como única rede de apoio. Assegurando assim os direitos humanos de dessa família como sujeitos de direito. Direito a fala e a escuta.

Enviaremos esse formulário via Google Forms, divulgaremos o link nos canais de comunicação, contaremos com a colaboração do Transporte escolar, para essa divulgação, como também contaremos com instrumentais impressos para garantir que as famílias que venham até a escola, possam também preencher.

Essa coleta de dados será feita até o final de agosto, com o resultado iremos saber quais as dificuldades as famílias estão enfrentando nesse tempo de isolamento social, ao estudarmos essas respostas poderemos preparar o acolhimento dessa criança, seja quando acontecer esse retorno das aulas presenciais.

A avaliação será contínua, acontecerá durante todo o processo e ao final de acordo com os dados levantados, realizaremos ações de ajuda a essa família, seja uma ajuda com alimentação,  uma conversa com especialistas para tratar com as famílias sobre os problemas emocionais causados pela pandemia, auxílio a serviços de assistência social.