Tarefa 6 – Curso REP! – PATRICIA CRISTINA SANTOS DA SILVA

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

PATRICIA CRISTINA SANTOS DA SILVA

Função

Professora

DRE / Unidade Educacional

Ipiranga

Escola

EMEI Santo Dias da Silva

Nome: Patrícia Cristina Santos da Silva

RF: 838788-5

 

Atividade Avaliativa – Respeitar é Preciso

 

Contextualizando “meu lugar”:

Considero que tive uma boa formação inicial. Formei-me em uma ótima universidade, professores excelentes, comprometidos com a formação dos alunos e que nos provocavam a refletir sobre o papel importante do professor na formação de crianças, nos ajudando a construir uma concepção de educação para a formação de sujeitos, contribuindo para a formação de uma sociedade.

Logo que me formei fui trabalhar em uma creche, com crianças de 0 a 3 anos de idade. Minha maior dificuldade desde o período do estágio era lidar com a quantidade de crianças na sala e com os conflitos que surgiam rotineiramente, repetidamente, a todo momento. Apenas no trilhar do meu percurso formativo, na construção de novos saberes, fui percebendo a importância da mediação dos conflitos, problematizando os fatos ocorridos e potencializando a ação ativa da criança nesses ocorridos. Atribuindo dessa forma um sentido a existência das regras e a médio e longo prazo, os conflitos ocorriam, mas as crianças adquiriam outra postura, mais dialógica e cooperativa.

Cada professor vai trilhando seu caminho e se formando na relação com o outro. Apesar da boa formação teórica que a universidade me ofertou, na prática, não me sentia preparada para lidar com o cotidiano da escola. Fui dialogando com os meus pares, aprendendo também com seus exemplos e práticas, percebendo que precisava olhar e ver as crianças num movimento de observação acolhedora e aprendendo a aprender com elas.

Fui construindo na prática, o meu modo de ser professora, dialogando também com as teorias, buscando formação continuada para me tornar uma educadora melhor para as crianças, que não fosse engolida pelo sistema e que resiste a repetição de práticas mecânicas. Sempre busquei/busco construir saberes com as crianças a partir das experiências que podemos vivenciar na educação infantil. Gosto de trabalhar com projetos que nascem das curiosidades e das perguntas das crianças, gosto de uma rotina viva e significativa. É um grande desafio.

Em relação aos conflitos, eles são comuns e estão muito presentes na educação infantil até pelas características da faixa etária.  Desde muito pequenas as crianças entram em conflito, seja na disputa por um brinquedo, seja na falta de interesse em realizar aquela atividade prevista na rotina, seja na elaboração e respeito às regras mesmo que construídas coletivamente pelo grupo. São nesses momentos de conflitos naturais, que muitos professores se desgastam e resolvem a situação de maneira objetiva e impositiva, “O amigo pegou o brinquedo primeiro, agora é a vez dele brincar” ou “você já brincou muito, agora é a vez do amigo”, aparentemente, problema resolvido! Há também educadores que elaboram regras intencionando minimizar esses conflitos, como por exemplo, erradicar “o dia do brinquedo” ou deixar de utilizar a brinquedoteca, assim, “não há conflitos”. Conforme apresenta o caderno Mediação de conflitos, Educação em Direitos Humanos:

 

A maior dificuldade talvez esteja em sair do automático, deixar de reagir à violência de um conflito com a violência da lição de moral e da punição e abrir espaço de escuta para que aquele que identificamos como agressor possa construir para si outro modo de estar no mundo, na escola. (2019, p.31)

 

Dessa forma, a maneira como lidamos com o conflito depende também da maneira como olhamos para ele. Precisamos sair do automático.

Por muito tempo estive no modo automático resolvendo os conflitos para as crianças sem problematizar o ocorrido. Como professora, ouso dizer que sou brincante, gosto de brincadeiras livres, com pouca interferência dos adultos, gosto de ser parte da brincadeira e não de regê-la. Desta forma, procuro ser observadora dos momentos de interação entre as crianças e sempre que ocorre algum conflito eu consigo mediar a partir dessa observação.

Em uma das lives em que surgiu a discussão sobre os conflitos na educação infantil, eu li alguns relatos no chat e gostaria de compartilhar dois deles:

 

“Na Ed. Infantil o conflito não é entre os alunos e sim gestão-funcionários/professores/famílias, professores/gestão, este muito difícil de mediar, porque não há sinceridade/clareza, tem falas nos corredores”

 

“Graças a Deus, no CEI não temos muitos conflitos com as crianças, os nossos são mais em relação aos pais”.

 

Esses exemplos podem demonstrar que há uma lacuna no entendimento sobre as experiências e as interações entre/das crianças na educação infantil e podem evidenciar a falta de reflexão sobre esses conflitos como sendo parte do desenvolvimento das crianças, que as constituem enquanto seres humanos e que são oportunidades de aprendizagem.  Outra hipótese é a de que, aja a necessidade de problematizar sobre a importância de se construir um ambiente de qualidade em que as relações estabelecidas entre as crianças e os adultos implicam numa relação respeitosa que se materializa na qualidade do ambiente em que há predominância de cooperação na formação das crianças. Esses elementos que apresento como hipóteses, justificam a elaboração dessa proposta.

Em 2011 prestei um concurso público que trazia a autora Telma Vinha na bibliografia, com o texto “O Educador e a Moralidade Infantil” – 1997, o texto apesar de ter um viés pautado na psicologia desenvolvimentista, me levou a refletir sobre a minha prática. Passei a pesquisar mais sobre o conflito como oportunidade de aprendizagem. Conheci muitos projetos interessantes ao longo de 10 anos de docência na educação infantil, construí alguns saberes que penso ter contribuído para a melhoria da minha prática. Passei a trabalhar com as rodas de conversas de maneira mais intencional, acolhendo as falas das crianças, problematizando situações do nosso cotidiano, dialogando com as crianças a nossa rotina e as nossas regras que são construídas coletivamente e revisitadas sempre que surge uma oportunidade de trazer sentido a existência delas. Também busco investir tempo para conversar com as crianças sempre que ocorre um conflito, sem resolvê-lo um ofertar um discurso moral, aprendi a mediar a situação e lançando para a criança o desafio de pensar sobre o ocorrido, porque ocorreu, como podemos resolvê-lo. Ao longo do ano, vou percebendo a importância desse trabalho e observando a maneira como as crianças se tornam mais responsáveis e seguras para atuarem nas diferentes situações.

Na escola em que trabalho, nunca houve um trabalho efetivo de mediação de conflitos. Cada professor atua individualmente com as crianças na sua sala de referência. Entrar para a comissão de mediação de conflitos é uma oportunidade para construir um ambiente de diálogo e uma cultura de valorização as práticas de mediação de conflitos promovendo reflexões sobre a concepção de direitos humanos desde a educação infantil.

Como nunca houve efetivamente um projeto de trabalho, o curso possibilitou que eu construísse saberes para esse desafio como integrante da comissão.

 

Proposta de trabalho: Mediação de conflitos

 

– Iniciar o trabalho, convidando o grupo para participarem e comporem uma equipe de mediação de conflitos.

– Realizar um mapeamento nas salas de referência e na escola de maneira geral, buscando identificar situações que precisamos propor ações mais intencionais.

– Propor a elaboração coletiva de um projeto que buscando discutir e promover reflexões sobre os Direitos Humanos, discutindo conceitos, princípios e valores coletivos

– Projeto conselho mirim, buscando trazer as crianças para o diálogo, objetivando construir um ambiente cooperativo.

Obs: Penso que muitas outras ações podem acontecer a partir desse “start”, é necessário iniciar um trabalho com a mediação de conflitos.

 

A demanda inicial é a de construção de uma cultura de acolhimento aos conflitos como oportunidades para o diálogo. Um grande desafio é demonstrar a importância da mediação de conflitos para a formação cidadã desde a infância. Desta forma, a participação no conselho e na APM é fundamental para ampliar o espaço de diálogo. Com o início do trabalho, intenciono instaurar uma cultura de diálogo e reflexão acerca das relações humanas e sobre a concepção de direitos humanos no âmbito da escola e a longo prazo, impactando nas práticas individuais de cada educador.

Quanto ao tempo, inicialmente o primeiro ano será crucial para a construção da identidade da comissão e a partir desse reconhecimento , o trabalho deve ter continuidade sem previsão de finalização. Para tanto, podemos trabalhar com questionários com os educadores e no dialogo com os grupos de crianças, nas reuniões de conselho e pais, para avaliarmos o trabalho da comissão de mediação de conflitos, compreendendo que o foco do trabalho não é a resolução do conflito.

O conselho mirim também será importante na avaliação do nosso trabalho e na proposição de novas ações. Sou grata aos educadores e educadoras do curso Respeitar é preciso, por provocar reflexões primordiais acerca desse trabalho, fundamentando e qualificando o trabalho da mediação de conflitos nas escolas para a formação de uma sociedade mais justa.