Tarefa 6 – Curso REP! – Natiele Cavalcanti de Lima

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Natiele Cavalcanti de Lima

Função

Professor de Ensino Fundamental II e Médio

DRE / Unidade Educacional

Jaçanã / Tremembé

Escola

EMEF Professor Franklin Augusto de Moura Campos

Curso “Respeitar é Preciso! – a Educação em Direitos Humanos e a atuação das Comissões de Mediação de Conflitos”

Nome do aluno: Natiele Cavalcanti de Lima

 

PROPOSTA DE AÇÃO PARA PROMOVER A IGUALDADE E O RESPEITO À DIVERSIDADE NO UNIVERSO ESCOLAR

 

JUSTIFICATIVA

Partindo das reflexões instigadas pelo curso, e em especial das relativas à aula 4, sobre “Diversidade e Discriminação”, minha ideia visa uma proposta de ação para trabalhar com a questão do preconceito, uma vez que é comum observar atitudes discriminatórias por parte dos alunos, de várias maneiras. Embora algumas vezes presenciemos cenas de preconceito de raça ou gênero, por exemplo, em nossa unidade escolar é muito comum e frequente lidarmos com atitudes discriminatórias contra alunos de origem ou descendência boliviana.

Nas regiões em que vivo e leciono – localizadas na zona norte de São Paulo –, existe uma grande presença da comunidade boliviana e, consequentemente, o número de alunos pertencentes a esse grupo matriculados nas escolas é bastante significativo. Porém, infelizmente, também é perceptível o preconceito que paira no ar com relação a essas pessoas, tanto dentro como fora da escola.

Por mais que esse convívio já exista há bastante tempo nas escolas, e que com o passar dos anos a quantidade de alunos pertencentes a famílias imigrantes da Bolívia venha seguido um crescimento constante, ainda assim essas pessoas são vistas como “estranhos”, como “diferentes”, que “não são do meu país” e que “só estão aqui para usufruir dos serviços que deveriam ser nossos, mas que temos que dividir com eles”.

Essas frases e expressões mencionadas podem soar rudes para alguns, mas são comuns para muitas pessoas e, inclusive, fazem todo o sentido para elas. E o que vemos em nossos alunos nativos brasileiros é o reflexo desse discurso xenofóbico que muitas vezes é reproduzido pela sua família, amigos etc. Discurso esse, que por ser tão constantemente transmitido, acaba soando natural e verdadeiro para muitas pessoas, inclusive entre as próprias crianças e adolescentes.

 

OBJETIVOS

Tendo todo esse contexto de discriminação como pano de fundo, o objetivo desta proposta é um projeto envolvendo os vários núcleos da comunidade escolar, para que juntos possamos desenvolver um trabalho de propagação da diversidade, que possa auxiliar na mitigação de atitudes preconceituosas como as que são constantemente vistas.

A ideia não é focar na comunidade boliviana especificamente, pois acredito que isso acabaria expondo essas pessoas de uma maneira que talvez não seria tão positiva, podendo gerar um certo desconforto nelas, pois geralmente esses alunos e suas famílias são bastante resguardados e introspectivos. Além disso, acredito que um enfoque grande e exclusivo nessa questão, logo num primeiro momento, poderia, inclusive, intensificar atitudes preconceituosas por parte das pessoas que já carregam essa visão discriminatória de achar que a presença de imigrantes bolivianos no Brasil é excessiva e prejudicial.

Sendo assim, a ideia é abranger e promover a diversidade de um modo geral e amplo, para começar a tratar essas questões discriminatórias através de todas as suas vertentes, pois assim, estaremos incluindo nesse processo todas as minorias que acabam sendo vítimas de preconceitos e, certamente, a xenofobia e a questão dos imigrantes, refugiados etc., terão ali o seu espaço.

É necessário que as pessoas enxerguem a diversidade através da perspectiva de uma educação em direitos humanos, como algo natural, como uma condição de formação de qualquer grupo de pessoas, e que deveria ser vista como algo enriquecedor e não como algo negativo. Afinal, somos todos diferentes. E nossas diferenças nos tornam iguais. Ou pelo menos deveriam.

A escola, como um espaço de formação de valores, tem um papel fundamental na promoção da igualdade, pois nesse ambiente tão ricamente heterogêneo, o aluno deve aprender a conviver com o outro. Mas para que o diferente não seja visto como “estranho”, é necessário que o aluno conheça o outro. É necessário que nós, educadores, trabalhemos em conjunto para “divulgar”, “promover” o outro, ou seja, que busquemos inserir todos os tipos possíveis de diversidade no universo escolar, através de informações e de representatividade.

Por que para tantos alunos a presença de um aluno de origem boliviana, angolana ou haitiana causa estranheza, enquanto, por exemplo, a chegada de um aluno estrangeiro de alguma nacionalidade norte-americana ou europeia causa admiração? Por que muitos alunos enxergam os países da América do Sul como países “sem graça”, olhando para eles e seus povos com um certo desdém, enquanto olham para outros países como sonho de consumo e sinônimo de um lugar superior? Por que tantos alunos admiram a beleza caucasiana, a pele branca, o cabelo liso, os olhos claros como aquela superior e almejada? Com certeza essas questões, embora também sejam pautadas em outros diversos aspectos, carregam em si um ponto crucial, que é a representatividade ou a falta de.

Infelizmente, os padrões da mídia nos levam a formar esse tipo de opinião. Mas nós, enquanto educadores, temos a responsabilidade de tentar reverter isso ou de, ao menos, mitigar esse cenário discriminatório, através de ações que promovam e exaltem o outro, o diferente. E ao divulgarmos o conhecimento sobre determinado grupo e darmos a ele representatividade em nosso cotidiano, estamos contribuindo para que nossos alunos se familiarizem com esse “diferente”, promovendo o respeito mútuo e a igualdade, do ponto de vista de que todos somos cidadãos iguais, com os mesmos direitos. Sendo assim, nenhuma nacionalidade, cor, característica física, credo, costume, opção sexual ou qualquer outro aspecto que diferencie uma pessoa de outra, faz de alguém maior do que o outro no seu direito de ser humano e ser respeitado por isso.

Portanto, através dessa perspectiva, o intuito deste projeto é propor ações/atividades diversas que promovam a igualdade e o respeito à diversidade, de maneira que todos os atores da comunidade escolar possam participar e que, ao fim, essa percepção comum do “diferente” seja reconsiderada, perdendo o seu teor negativo, e que leva a atitudes discriminatórias, e passando a ser encarada como algo positivo e extremamente enriquecedor.

 

ORGANIZAÇÕES DA UNIDADE ESCOLAR ENVOLVIDAS

Para que essa proposta se desenvolva, será necessária a colaboração de todos os núcleos da comunidade escolar, a fim de que todos estejam alinhados em prol de um mesmo projeto: a promoção da igualdade e o respeito à diversidade.

O projeto pode ser encabeçado, “liderado”, por uma determinada organização, como a Comissão de Mediação de Conflitos, por exemplo. No entanto, é preciso estar claro que todos os núcleos da comunidade escolar são essenciais, e por isso é fundamental a colaboração de outras organizações da U.E. como o Conselho de Escola, a Associação de Pais e Mestres e o Grêmio Estudantil, para que as ações propostas possam ser desenvolvidas de maneira satisfatória, desde seus planejamentos às suas concretizações, passando por questões de aprovação, orçamento, divulgação etc.

 

DURAÇÃO

A proposta em questão visa trabalhar assuntos ligados à diversidade ao longo de todo o ano letivo, com a ideia de que o tema esteja sempre presente e relacionado a todos os eventos/ações que ocorrerem durante aquele ano.

 

AÇÕES A SEREM PROMOVIDAS 

A ideia seria que ao longo de todo o ano letivo várias ações fossem acontecendo, inclusive de maneira simultânea, de modo que a escola toda fosse trabalhando questões do tema ao longo do percurso, de maneira que essas ações tenham relação entre si, em prol desse tema maior, que é a promoção da igualdade e o respeito à diversidade.

Partindo dessa perspectiva, seguem algumas ideias de ações que poderiam ser desenvolvidas ao longo do projeto:

– Inserção do tema nas diversas disciplinas escolares, fazendo as relações de conteúdos que forem pertinentes à cada área, complementando com trabalhos/projetos interdisciplinares.

– Realização de palestras de especialistas acerca de assuntos que permeiam o tema principal, como respeito, cidadania, direitos humanos, entre outros.

– Apresentações/oficinas realizadas por pessoas ou organizações, pertencentes à comunidade escolar ou convidadas, que levem a acrescentar conhecimentos acerca de determinados grupos, culturas etc.

Lives realizadas pelo grêmio estudantil, através de suas redes sociais (como já costuma acontecer na escola), convidando especialistas em assuntos que possam se relacionar ao tema para conversas e reflexões.

– Intervenções artísticas como mostras, apresentações e saraus que promovam o tema e possam levar a comunidade escolar como um todo a refletir sobre as questões da diversidade.

– Organização de uma festa temática que possa abranger e promover a diversidade, como uma festa das nações, por exemplo, ou com qualquer outro tema que possa trazer e unir aspectos de diferentes culturas ou grupos em uma mesma ocasião.

– Organização de uma mostra cultural centrada no tema, para reunir e divulgar todos os trabalhos realizados ao longo do projeto.

 

AVALIAÇÃO

A avaliação do projeto será feita de maneira contínua, ao longo do ano, através da observação dos resultados que forem sendo alcançados pelas ações, bem como da participação e envolvimento de todo os atores da comunidade escolar.

Espera-se que ao fim desse projeto, as pessoas tenham desenvolvido um olhar de igualdade e naturalidade com relação às diferenças, de maneira que a diversidade seja realmente encarada através do ponto de vista positivo e enriquecedor que carrega em si.