Tarefa 6 – Curso REP! – Natani Heloisa Belentani

Data

31 de julho de 2020

Cursista

Natani Heloisa Belentani

Função

Assistente de Diretor

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

EMEI PROF MANOEL DE ALVARENGA FREIRE JR

Natani Heloisa Belentani

Professora de Educação Infantil – EMEI Manoel de Alvarenga Freire Junior

 

 PROJETO: “ABRAÇANDO AS DIFERENÇAS”

Rodas de leitura e de conversa favorecendo o encontro com a diversidade e o acolhimento na Educação Infantil

 

 INTRODUÇÃO

Geralmente este é um Projeto que realizo na EMEI em que trabalho e que visa valorizar cada indivíduo a sua maneira. Porém, este ano nos deparamos com uma demanda jamais pensada e que está atingindo drasticamente a todos mas, diretamente ou muito mais nossas crianças e famílias tão desprovidas de cuidados e em vulnerabilidade altíssima.

É a educação em direitos humanos que permite a afirmação de direitos e que prepara cidadãos e cidadãs conscientes de seu papel social na luta contra as desigualdades e injustiças. Abordar as questões relacionadas a este processo de conscientização e à construção do saber é o principal objetivo, é o que possibilita sensibilizar e conscientizar as pessoas para a importância do respeito ao ser humano.

Dessa forma, incluí no projeto inicial um momento de acolhimento, socialização e escuta às crianças e famílias que retornarão à Escola carregando lutos, desempregos, fome, depressões e tantas outras sequelas tão difíceis de curar…

 

 JUSTIFICATIVA

A escola é para todos, incluindo suas diferenças, porém, em nosso trabalho no dia a dia vemos que um dos desafios está na família, em entender que o aluno é da família mesmo estando na escola e que o professor é um profissional da educação e não um cuidador somente. Pensando na educação de valores, é necessário que a vontade de mudança venha da própria pessoa, a criança é um sujeito de direitos, portanto precisamos dar oportunidades à criança desde cedo dentro da escola e infelizmente algumas famílias ainda carregam muito preconceito e acabam transmitindo esse pensamento para as crianças, questões como beleza (estereótipos), cor (negro e branco), brincadeiras (de meninos e de meninas) e religião ainda encontram muitos obstáculos dentro da escola pela própria família.

Acredito que além da família, outro desafio esteja na consciência e motivação do próprio professor que muitas vezes incentiva o preconceito ou então não faz questão de tratar do assunto e com isso perde a oportunidade de dar voz e direito a todas as crianças.

Durante minha experiência docente, pude notar, que independente da faixa etária, existem atitudes pré-determinadas pelas crianças quando se referem aos gêneros, baseando-se em cores (rosa e azul) ou brinquedos (bonecas e carros), para indicar o que é para menino e o que é para menina. Outra prática bem evidente neste universo infantil, entre a faixa etária de 3 a 5 anos, são os apelidos, que são dados apoiados em alguma característica física do colega, como gordo ou magro, alto ou baixo, etc. Tais atitudes geram conflitos que, por vezes, permeiam todo o ano, trazendo constrangimentos e aborrecimentos entre as crianças.

 

FINALIDADE

A escola abriga muita diversidade e torna-se responsável por contribuir, influenciar e formar cidadãos que valorizem as diferenças, respeitem culturas, leis, normas e conheçam seus direitos e deveres.

Desta forma, com a intenção de favorecer o respeito, o encontro e o contato com a diversidade e com a escuta, elaborei esse projeto e priorizei em minha prática a leitura de narrativas e de poemas que abordassem a temática da “diversidade”, rodas de conversas, vídeos com histórias diversas e fotos de crianças de diferentes características, compondo assim o Projeto: Abraçando as diferenças.

 

ENVOLVIDOS

Todos os funcionários, docentes, gestão, famílias e crianças são protagonistas desse processo de conhecimento, democracia, contribuição e valorização. Porém, o projeto será trabalhado somente com os docentes que manifestarem interesse em trabalha-lo.

 

OBJETIVOS

  • Utilizar a linguagem oral para expressar desejos, pensamentos e sentimentos nas diversas situações de interações cotidianas
  • Utilizar momentos de escuta e acolhida às demandas trazidas pelas crianças com relação às diferentes formas de passagem pelo período de “pandemia” e “ausência da escola”
  • Utilizar a literatura infantil para de despertar desde os primeiros anos de vida o gosto pelos livros
  • Conhecer a cultura de gênero, raça e sexualidade respeitando suas características
  • Reconhecer diferentes textos e narrativas literárias que abordem a diversidade, por intermédio das leituras e manuseio de livros
  • Proporcionar situações de valorização da diversidade e desenvolver a auto-estima

 

 MATERIAIS, MÉTODOS E DURAÇÃO

As práticas educativas precisam atuar na promoção dos direitos humanos no dia-a-dia, é preciso haver um compromisso com os direitos humanos e o desenvolvimento de uma prática pedagógica democrática. O foco do projeto, portanto, valoriza o que é construído e não simplesmente transmitido.

O período de desenvolvimento do projeto é diário e permeia todo o ano letivo.

Durante esse período, as professoras realizarão com as crianças Roda de Leitura com o livro diverso, exemplos: Orelhas de mariposa (menina com orelhas de abano), As tranças de Bintou (menina que queria ter um cabelo diferente do dela), Meninos de verdade (coisas de meninos e meninas), Poesia “príncipe negro” (possibilidade de príncipes negros), Orelha de limão (ovelha com uma orelha de cor diferente); Roda de Intercâmbio: expandindo o assunto abordado no livro e abrindo espaço para opiniões e comentários relacionados à leitura; Roda de Conversa: voltada para sanar conflitos ocorrentes, comentar situações que presenciarem ou sentirem-se ofendidas, falar e ouvir sobre as escolhas de todos no momento das brincadeiras; Roda de Manuseio: favorecendo o contato direto com os livros lidos pelas professoras. Momentos de observação de fotos de crianças e pessoas com diferentes características e descendências para proporcionar às crianças a oportunidade de selecionar a foto que mais se identifica; Apreciação de vídeos que abordem o tema, exemplo: clipe “Coloridos” e o desenho “Kiriku e a Feiticeira”; Cantinhos Diversificados: disponibilização de diferentes brinquedos que representem situações e personagens do cotidiano, de diferentes gêneros e culturas, respeitando assim, a preferência de todos e discutindo sobre as características de cada um; Momentos de Escuta e Conversa sobre a nova escola e a nova forma de se conviver dentro e fora dela.

 

RESULTADOS

Espera-se que o projeto seja produtivo e acolhedor e que por meio das conversas e brincadeiras com as crianças possamos nota-las mais dispostas, felizes, tolerantes, criativas e conscientes com relação às diferenças tanto vivenciadas pelo período da pandemia e da ausência da escola quanto pelas diversidades comuns a cada ser humano. O envolvimento dos pais no desenvolvimento deste projeto é muito importante, pois, a criança vê em casa a mesma postura que é adotada na escola.

 

AVALIAÇÃO

Percebe-se que a leitura com intencionalidade para as diversidades permite e proporciona mudanças no brincar, agir e pensar de uma criança. Espero, dessa maneira, mobilizar e influenciar outras professoras para aderirem ao projeto e falarem mais sobre direitos humanos.

O professor deve sempre buscar novas formas de agir e proporcionar novos desafios às crianças, solucionar conflitos e angústias, levar os pequenos a refletir e a respeitar o diferente e as escolhas dos demais indivíduos.

Não se tem certeza de que a criança vá agir com este projeto como desejaríamos, mas, com os conhecimentos adquiridos e repassados, a atenção, o cuidado e o acolhimento, aumentamos as chances de que ela se torne cidadã ciente e consciente de seus direitos e deveres respeitando o próximo e a si mesma.