Tarefa 6 – Curso REP! – Maisa de Oliveira Carvalho

Data

3 de agosto de 2020

Cursista

Maisa de Oliveira Carvalho

Função

Prof de Ed infantil e ensino fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

EMEI vereador Alex Freua Netto

Trabalho para o curso de mediação de conflitos

Violência na escola, reflexo da comunidade

Maísa de Oliveira Carvalho

Nossa escola está inserida em uma comunidade grande, constituída por vários tipos de famílias, algumas em situação de vulnerabilidade social, causando assim, reflexos em nossa unidade escolar.

A EMEI Vereador Alex Freua Netto é situada na Vila Brasilândia é composta por 560 estudantes de 4 a 5 anos, tendo dois períodos de 6 horas de atendimento às crianças e com três turnos de professoras, infelizmente a equipe docente e o quadro de apoio estão em defasagem, totalizando apenas 40 funcionários.

Refletindo sobre alguns dos fatores que culminam na violência dentro das escolas, pode-se destacar o ambiente onde as unidades de ensino estão situadas, que muitas vezes tornam as crianças vulneráveis tanto a sofrerem violências, como a reproduzi-la dentro da escola.

O próprio ambiente familiar pode ser citado como forma de violência expressa pois a negligência e o abandono das crianças por parte de seus familiares, em não proporcionarem condições necessárias para o seu desenvolvimento, como higiene, alimentação, roupa etc., faz com que as crianças se sintam cada vez mais rejeitadas, podendo nutrir um sentimento de revolta exteriorizados de forma agressiva dentro das escolas.

Muitos pais acabam delegando para a escola uma responsabilidade que era sua, atribuindo à instituição de ensino todo papel de educar seus filhos, o que acaba sendo um erro, pois a família é a base da educação, como é salientado no Estatuto da Criança e do Adolescente no art 4º:

“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”

Chantagens emocionais, humilhações e xingamentos, ainda fazem parte, do ambiente familiar de muitas crianças em todo país, essas agressões contribuem para o crescimento dos transtornos psicológicos ente as crianças, que apresentam maior agressividade, apatia e introversão.

Em nossa EMEI mediamos alguns conflitos, como:

  • Crianças que apresentam comportamento violento em sala de aula, o que reflete as agressões sofridas em casa;
  • Crianças que mordem os demais, por falta de limite;
  • Crianças que apresentam comportamentos sexuais durante as brincadeiras;
  • Crianças que convivem e relatam fatos relacionados ao uso de drogas;
  • Agressão entre familiares dentro da escola.

Como trabalhamos com crianças de 4 a 5 anos, mediamos os conflitos através da escuta e do diálogo durante os conflitos e quando necessário, convocamos seus familiares para conversamos e propormos ações de forma conjunta e se necessário, fazemos encaminhamentos para a equipe multidisciplinar da UBS (Unidade Básica de Saúde) parceira da unidade escolar.

Na educação infantil as crianças estão construindo sua identidade e aprendendo a conviver em grupo, mediar conflitos nessa faixa etária, é algo que se faz diariamente. Os conflitos são possibilidades de aprendizagem, pois as crianças aprenderem sobre si, sobre o outro e sobre o coletivo, porque é necessário que possam trocar ideias, ouvir e entender os pontos de vista umas das outras e principalmente, respeitá-los, entender o que causou o conflito, dar espaço para que todos opinem, relembrar as regras coletivas entre as crianças e ajudá-las a mantê-las. Os adultos devem proteger as crianças e ensiná-las a se responsabilizarem pelas ações que tomam e suas consequências.

Como já fazíamos antes da pandemia, ao voltarmos às aulas presenciais retomaremos as assembleias com as crianças, para acolhermos e discutirmos como foi esse momento de isolamento social em que ficaram longe da escola, e as ações que podem ser feitas a partir desses relatos. O que está atrelado ao Currículo da Cidade de São Paulo- Educação Infantil, mais especificamente a matriz de saber Responsabilidade e Participação.

“Saber: Reconhecer e exercer direitos e deveres, tomar decisões éticas e responsáveis para consigo, o outro e o planeta, desenvolvendo o protagonismo, a brincadeira e o direito de fazer escolhas, expressando seus interesses, hipóteses, preferências, etc.; Para: Agir de forma solidária, engajada e sustentável, respeitar e promover os direitos humanos e ambientais, participar da vida cidadã e perceber- se como agente de transformação.” (pág.42)

Devido à pandemia e consequentemente isolamento social, estamos dialogando com as famílias em situação de vulnerabilidade, dando orientações e encaminhando para as instituições parceiras e responsáveis pela assistência social. Ao retornarmos às aulas presencias, organizaremos encontros e reuniões para dialogarmos, acolhermos e decidirmos quais as possíveis ações que podem ser articuladas com os demais setores para assim, complementar o apoio a essas crianças e famílias, assegurando os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, estabelecidos na Lei 13.431/2017, que normatiza mecanismos para prevenir a violência contra menores, assim como estabelece medidas de proteção e procedimentos para tomada de depoimentos, como destacado no trecho abaixo.

“Art. 2º A criança e o adolescente gozam dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhes asseguradas a proteção integral e as oportunidades e facilidades para viver sem violência e preservar sua saúde física e mental e seu desenvolvimento moral, intelectual e social, e gozam de direitos específicos à sua condição de vítima ou testemunha.”

Por fim, nossa Comissão de Mediação de Conflitos visa de forma intersetorial, adotar ações articuladas para o atendimento integral às crianças e famílias da comunidade do entorno da EMEI, visando assegurar a proteção, acolhimento e acompanhamento das medidas adotadas.