Tarefa 6 – Curso REP! – Luciano Felipe da Silva Oliveira

Data

24 de julho de 2020

Cursista

Luciano Felipe da Silva Oliveira

Função

Professor de Ensino Fundamental II e Médio

DRE / Unidade Educacional

Jaçanã / Tremembé

Escola

EMEF Hipólito José da Costa

Luciano Felipe da Silva Oliveira – [email protected]

  1. Justificativa

 

A importância deste projeto está em envolver toda a comunidade escolar da EMEF Hipólito José da Costa no projeto Respeitar é Preciso!

O respeito é intrínseco às relações sociais, e deve ser trabalhado não apenas quando ocorre uma situação que viole valores importantes. Neste projeto, será feita uma proposta para aplicar os conhecimentos adquiridos no curso promovido pelo Instituto Wladimir Herzog no cotidiano da unidade escolar mencionada.

Como professor em exercício e em constante formação, um projeto que trabalhe o conceito de respeito de forma abrangente, confirma a responsabilidade de todos os envolvidos no processo educacional, pois podemos contribuir na formação de cidadãos conscientes dos problemas que nos cercam. É fundamental a compreensão de que, para entendermos a nossa realidade, é preciso problematizar temas relevantes, especialmente aqueles que tratem de aspectos importantes para a vida em sociedade.

Para montar este projeto, foi realizado um amplo levantamento bibliográfico de materiais produzidos pelo Instituto Wladimir Herzog, responsável pelo curso Respeitar é Preciso! Além disso, também apresenta fundamentações para elaboração do projeto com a utilização do cinema como ferramenta pedagógica.

 

  1. Objetivos

 

O objetivo é propor uma forma clara e concreta de como implantar o projeto na EMEF Hipólito José da Costa, com discussões que reflitam sobre assuntos fundamentais, como a educação em direitos humanos, o respeito mútuo, práticas democráticas na escola, diversidade e discriminação.

A proposta é explorar o conteúdo do curso, utilizando o cinema como ferramenta pedagógica, como forma de sensibilização para o início das discussões.

Diante das inovações tecnológicas apresentadas nos dias atuais, são inseridas novas possibilidades de estratégias para serem utilizadas em sala de aula nas atividades pedagógicas ou diversos formatos de reuniões.  As novas gerações têm aprendido desde cedo a operar diversas mídias, com extrema habilidade, e a aplicar isso em benefício da educação torna-se um desafio diário para os professores. Nessa conjuntura, o cinema mostra-se como uma ferramenta educacional com ótimo potencial, que pode prender a atenção dos participantes, problematizar diversos assuntos, e adentrar o ambiente escolar, oferecendo ao mediador da conversa diferentes propostas.

A relação entre cinema e educação deve considerar a socialização na formação cultural e educacional do cidadão. As leituras realizadas auxiliam os alunos a obterem informações, para que assim, possam construir novos pensamentos, que refletirão em novos comportamentos. Esse processo educacional faz parte da socialização. O cinema, da mesma forma que a educação, é uma ferramenta para a socialização, por isso contribui para o desenvolvimento humano. (PIOVESAN; BARBOSA; COSTA, 2010, p. 5).

O projeto propõe que o assunto faça parte das formações dos professores (JEIF) já em 2020, pois está em consonância com o tema “A cultura da paz”, escolhido para o Projeto Especial de Ação (PEA) de 2019. Sugere ainda que o tema “Respeito” como uma possibilidade de formação para todo o ano de 2021, o que permitiria a atuação de todos da comunidade escolar.

Há ainda a possibilidade, a partir de ampla discussão institucional, que passe também pelo Conselho de escola, de implantar no ano de 2021, turmas do Projeto Mais Educação São Paulo, de acordo com a portaria nº 5.930, de 14 de outubro de 2013, o que favoreceria a inserção do assunto em nossa EMEF, de forma a evidenciar a importância de sempre trabalhar o assunto, e inserir isso na vida de todos os participantes da vida escolar.

 

  1. Metodologia

 

O curso trabalhou o seu conteúdo em 6 módulos:  Direitos Humanos e Educação em Direitos Humanos; Respeito Mútuo; Mapeamento; Diversidade e Discriminação; Mediação de Conflitos; e Práticas Democráticas na escola.

Para implantação do Projeto, serão utilizados os mesmos módulos do curso, pois todos os assuntos são relevantes e essenciais para inserir suas ideias com completude. Cada módulo representará uma etapa, com propostas reais em cada uma delas, devendo haver continuidade nos assuntos e avaliações de resultados de maneira constante.

Como mencionado no item 2, o projeto prevê uma imbricação com o cinema. Através da contextualização da arte fílmica, dentro do processo de aprendizagem, a pedagogia estabelece uma prática social. Além de ser uma ferramenta que estimula a sensibilidade, o cinema também constrói uma linguagem cultural que se aprofunda nas relações humanas em muitos campos sociais. (NETO, 2005, p. 1).

A seguir, estão contemplados os assuntos presentes no Projeto, com sugestões de trabalho para serem desenvolvidos. Estão citados também possíveis títulos de filmes/documentários, que servirão como propulsores para as discussões:

 

Direitos Humanos e Educação em Direitos Humanos.

No espaço de formação, os professores podem fazer reflexões acerca do tema e sugerir ações efetivas para que exista de fato uma Educação em Direitos Humanos, e não apenas a Educação de Direitos Humanos. Fica explanado sugestões para início do trabalho:

  1. proposta para sequência didática – Toda a comunidade escolar já ouviu em algum momento frases que deturpam a função dos Direitos Humanos. Nesse momento, durante as aulas, os professores devem pedir para que os alunos citem o que conhecem sobre o assunto. Este é um ponto de partida interessante para desvincular uma ideia errônea do tema, e ressaltar a importância dos Direitos Humanos, aprofundando-se em assuntos interdisciplinares, que fazem parte da formação dos nossos educandos e que devem sempre ser lembrados, para que os erros não se repitam.
  2. Pesquisa sobre violação de direitos humanos – É necessária a plena compreensão de que temos diversos casos no mundo, em várias esferas, de violação a diretos básicos, que ferem a dignidade humana, o que talvez muitos que participarem da atividade já tenham visto. No entanto, a realização de uma roda de conversa pode mostrar que essa violação pode acontecer a qualquer um de nós, e como nos sentiríamos se acontecesse conosco? Desta forma, trabalharemos também a empatia.

 

Respeito Mútuo

 

Para falar sobre Respeito Mútuo é sugerido, independente de quem esteja participando das reuniões, problematizar o tema, de forma inseri-lo dentro da realidade da comunidade escolar. Problematizar cria possibilidades para ações que façam crianças, jovens e adultos a pensar o mundo, desenvolvendo atitudes no seu dia-a-dia.

É proposto evidenciar situações em que cada participante respeitou ou desrespeitou alguém. Em seguida, situações em que se sentiu respeitado ou desrespeitado.

Ainda sobre Respeito Mútuo, no contexto da escola, durante as escutas, é comum ocorrer situações que acabem por não ouvir de fato todos os envolvidos. Dialogar está associado ao respeito, por isso é necessário realizar atividades que contemplem a importância de saber ouvir. Existem diversas dinâmicas de grupo, que possibilitam uma visão sobre o assunto. Assim, pretende-se não apenas garantir a qualidade da escuta, mas trabalhar para manter isso em todas as relações da comunidade escolar. Quando o processo de ouvir é respeitado, todos os seres humanos se sentem acolhidos.

 

Mapeamento

 

Nessa etapa, pretende-se encontrar pontos favoráveis e desfavoráveis que acontecem no dia-a-dia da escola, para que exista um bom convívio. Para isso, fica proposto que inicialmente seja discutido os espaços físicos pelo Conselho da Escola, pensando possíveis melhorias.

Em discussões com o grupo de professores, é imprescindível discutir as relações existentes no bairro Jardim Fontalis, onde a escola está situada, e isso passa por conversar também com os alunos, e entender suas vivências. Mapear é também conhecer todos os agentes de nossa comunidade escolar.

Todos os integrantes da escola devem estar envolvidos nessa etapa. Os múltiplos olhares contribuem para encontrar os pontos a desenvolver e o que está dando certo.

Para pensar Regras de Convívio social, de forma democrática, é importante a participação do Grêmio Estudantil, que proponha pesquisas entre todos os agentes da escola, com mobilização para perguntam que exponham as boas práticas pretendidas.

Nessa etapa, também deve ser realizado o mapeamento físico e o mapa do som. Uma possibilidade é fazer um concurso envolvendo os alunos com a atuação do que é a escola atualmente e sugestões de melhoria.

 

Diversidade e Discriminação

 

Para tratar diversidade e discriminação, é proposto que inicialmente sejam realizadas palestras para apresentação do tema, envolvendo toda a comunidade escolar. Se necessário, realizar vários encontros, em horários distintos para que todos possam participar.

Durante todo o ano, será importante considerar a realização de rodas de conversa  que abordem que a diversidade existe o tempo todo, em todos os ambientes, promovendo assim reflexão para gerar igualdade, para viver o direito à diferença, preservando a dignidade humana. Um amplo debate sobre valores como amizade, amor e piedade. Sem abordar essa questão extingue-se o direito de viver isso na escola.

Outra importante prática para considerar a diferença que está se viabilizando em nossa Unidade escolar é o curso “Português para imigrantes”.

 

Mediação de Conflitos

 

O conceito de “mediação de conflitos” é bastante abrangente e há necessidade de aprofundamento de toda comunidade escolar.  Está presente na Portaria SME n. 2.974/2016, e cita claramente que:

Art. 3.º – Nas Unidades Educacionais, os conflitos escolares serão tratados de forma interdependente e complementar, considerando a cultura da mediação de conflitos e as ações desenvolvidas pela CMC.

Parágrafo único: A cultura da mediação de conflitos deverá constituir-se em tema de amplo debate nas Unidades Educacionais, vinculado ao seu Projeto Político-Pedagógico, ao currículo e às ações de formação, visando à construção de práticas mais justas em ambiente escolar e baseadas no diálogo, na prevenção e na gestão de conflitos.

A comissão deve atuar de forma preventiva, e a proposta de implantar todas as etapas em nossa unidade escolar é justamente porque a cultura do respeito deve fazer parte da rotina de forma integral. Sendo assim, os outros temas já abordados no projeto contribuirão para efetivas ações que pensem na cultura do Respeito como algo a ser vivido constantemente na escola.

 

Práticas Democráticas na Escola

 

Promover rodas de conversa para pensar a consolidação da democracia no Brasil.

Em nossa Unidade, temos o Grêmio estudantil, que atua com total protagonismo dos alunos., e conforme o próprio Estatuto define em seu art. 1º:

(…) é o órgão máximo de representação dos estudantes da EMEF Hipólito José da Costa, localizado na cidade de São Paulo, Rusa Augusto Rodrigues, 272 Jd. Fontalis e fundado em 2011, com sede neste Estabelecimento de Ensino.

Inicialmente, o Grêmio iniciou suas atividades com os representantes de turma, que organizaram a 1ª eleição. Anualmente, são escolhidos novos membros, e ano após ano, o Grêmio torna-se mais autônomo, participando do Conselho de Escola, e compreendendo que podem se envolver nas decisões da EMEF.

Pretende-se explorar a ação do Grêmio para participação em todas as ações que envolvem o projeto, bem como sua avaliação, em conjunto com o Conselho de Escola.

 

Os filmes da lista foram pensados para os alunos atendidos na escola (Fundamental I e II), de acordo com a classificação indicativa de cada ano.

Alguns dos títulos que podem ser utilizados são:

  • Bilu e João (BRA-2005), 15 min, direção de Kátia Lund, classificação indicativa: livre;
  • Como estrelas na Terra(IND-2007), 165 min, direção de Aamir Khan e Amole Gupte, classificação indicativa: livre;
  • Esse viver ninguém me tira (BRA-2014), 75 min, direção de Caco Ciocler, classificação indicativa: livre;
  • Estrelas além do tempo (EUA-2016), 127 min, direção de Theodore Melfi, classificação indicativa: livre;
  • Fim do recreio (BRA-2012), 17 min, direção de Vinícius Mazzon e Nélio Spréa, classificação indicativa: livre;
  • Meu Amigo Nietzsche (BRA-2012), 15 min, direção de Fáuston da Silva, classificação indicativa: livre;
  • O outro par (EGI-2014), 6 min,direção de Sara Rozik, classificação indicativa: livre;
  • Trabalhadores invisíveis (BRA-1993), 8 min, Centro Josué de Castro/Centro de Cultura Luz Freire, classificação indicativa: livre.
  • A menina que roubava livros (ALE/EUA-2013), 131 min, direção de Brian Percival, classificação indicativa: 10 anos;
  • Colegas (BRA-2012), 94 min, direção de Marcelo Galvão, classificação indicativa: 10 anos;
  • Extraordinário (EUA-2017), 113 min, direção de Stephen Chbosky, classificação indicativa: 10 anos;
  • Ilha das Flores (BRA-1989), 13 min, direção de Jorge Furtado, classificação indicativa: 10 anos;
  • Mandela, a luta pela liberdade (RSA/ITA/UK/LUX/ALE/FRA-2007), 140 min, direção de Bille August, classificação indicativa: 10 anos;
  • O ano em que meus pais saíram de férias (BRA- 2006), 104 min, direção de Cao Hamburguer, classificação indicativa: 10 anos;
  • A sociedade literária e a torta de casca de batata (FRA/UK-2018), 124 min, direção de Mike Newell, classificação indicativa: 12 anos;
  • Branco sai – Preto fica (BRA-2015), 93 min, direção de Adirley Queirós, classificação indicativa: 12 anos.
  • Carnaval dos deuses (BRA-2010), 9 min, direção de Tata Amaral, classificação indicativa: 12 anos;
  • Central do Brasil (BRA/FRA-1998), 113 min, direção de Walter Salles, classificação indicativa: 12 anos;
  • Eu não quero voltar sozinho (BRA-2010), 17 min, direção de Daniel Ribeiro, classificação indicativa: 12 anos;
  • Histórias cruzadas (EUA/IND/UAE-2011), 146 min, direção de Tate Taylor, classificação indicativa: 12 anos;
  • Nise: o coração da loucura (BRA-2016), 109 min, direção de Roberto Berliner, classificação indicativa: 12 anos;
  • O menino do pijama listrado (EUA/UK-2008), 94 min, direção de Mark Herman, classificação indicativa: 12 anos;
  • Silêncio das inocentes (BRA-2010), 52 min, direção de IqueGazzola, classificação indicativa: 12 anos;
  • 12 anos de escravidão (EUA/UK-2013), direção de Steve McQueen, classificação indicativa: 14 anos;
  • Selma: Uma luta pela igualdade (EUA-2014), 128 min, direção de Ava DuVernay, classificação indicativa: 14 anos.

 

Bibliografia

 

Instituto Vladimir Herzog. Democracia na Escola. 3. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. Diversidade e discriminação  3. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. EDH para Todas as Idades. 3. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. Mediação de Conflitos. 1. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. Respeito na Escola. 3. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. Respeito e Humilhação. 3. ed. São Paulo, 2019.

Instituto Vladimir Herzog. Sujeitos de Direito. 3. ed. São Paulo, 2019.

NETO, Américo Galvão. A arte fílmica e sua pedagogia. Revista Eletrônica do Grupo PET – Ciências Humanas, Estética e Artes da Universidade Federal de São João Del-Rei, São João Del-Rei, 2005. Disponível em: <https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/existenciaearte/Edicoes/1_Edicao/A%20ARTE%20FILMICA%20E%20SUA%20PEDAGOGIA.pdf>.  Acesso em: 02/07/2020.

PIOVESAN, Angélica; BARBOSA, Lívia; COSTA, Sara. Cinema e educação. Anais do 1º Simpósio de Educação e Comunicação. Disponível em: <http://geces.com.br/simposio/anais/wpcontent/uploads/2014/04/CINEMA_E_EDUCACAO.pdf >. Acesso em: 02/07/2020.