Tarefa 6 – Curso REP! – leticia grisolio dias

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

leticia grisolio dias

Função

diretor de escola

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

prof milton ferreira de albuquerque

Ações que permitam a Educação em Direitos Humanos e a Democracia
Letícia Grisólio Dias
O trabalho em Educação em Direitos Humanos e a promoção de uma gestão escolar democrática estão atrelados. Na EMEF Prof Milton Ferreira de Albuquerque, em que atuo como Diretora de Escola desde 2019, temos buscado um trabalho participativo de todos os segmentos que compõem a comunidade escolar de modo a construir uma educação de qualidade e emancipatória.
Para isso, é importante sempre buscar com a equipe formas de se trabalhar temáticas que promovam o debate, a reflexão e a desconstrução de conceitos que tragam discriminação ou rupturas. Na escola, encontramos diferentes colegiados que podem nos auxiliar na elaboração de ações assertivas e que tem trazido contribuições de estudos e práticas que promovem a modificação de atitudes. Instituímos o Grêmio Estudantil, antes mesmo que ele tivesse o caráter obrigatório nas EMEFs, em que os estudantes tem estudado e promovido ações que fortalecem a participação e protagonismo juvenil.
Além do Grêmio, os colegiados APM e Conselho de Escola estão sendo, cada dia mais fortalecidos com a oferta de reuniões em horários alternativos para que permitam a participação das famílias, segmento este, muitas vezes com baixa participação por termos, na escola, um horário de trabalho que não dialoga com as rotinas familiares. Para tal, na EMEF Milton, temos ofertado reuniões com as famílias às 7:00 da manhã e às 18:30 para apresentar os assuntos que serão levados paras as reuniões de Conselho e APM e, com a participação dos membros dos colegiados, as ideias e opiniões de um maior número de familiares são levadas para a reunião deliberativa.
As reuniões do grupo de Mediação de Conflitos também são momentos de reflexão e ação para pensarmos em estratégias de se evitar conflitos dolorosos na escola. Sabemos que conflitos são inerentes ao convívio social e que sempre estarão presentes e precisam, em muitas situações, de mediação para sua resolução. Mas também sabemos que existem conflitos que causam dor, são confrontos que, na EMEF tentamos evitar oferecendo, com ações pautadas pelo grupo da mediação, atividades pedagógicas em formato de projetos de sensibilização e construção de novas formas de se relacionar com as diferenças.
As reuniões mensais com estes grupos permitem que pensemos em estratégias de prevenção de situações que resultem em sofrimento. mas nem tudo poderá ser evitado. Por isso, as reuniões também possuem caráter de estudo de casos e propostas de intervenção com estudantes, profissionais da escola e família.
Existem situações ainda que precisam ser encaminhadas para um grupo ainda maior. Deste modo, encontramos nos horários de estudo coletivo, as JEIFs, momentos em que podemos também pensar em projetos que nos permitam atuar de forma a promover ações que resultem em atitudes de respeito e valorização de todos indivíduos e suas diferenças.
Durante este momento de pandemia, encontramos, em meio ao isolamento, formas de nos conectarmos e estudar assuntos que, em momentos de situação presencial não conseguíamos. Temos aproveitado os momentos de planejamento coletivo para estudar e refletir sobre a Educação antirracista e oferecer, mesmo que de forma virtual aos estudantes e professores, textos, músicas, manifestações artísticas que permitam o rompimento de paradigmas e preconceitos. Este estudo está sendo estruturado pelas professoras de História, Arte, em parceria com a coordenação pedagógica e será também oferecido presencialmente quando retornarmos. Neste momento, a discussão também permeia os horários de formação coletiva e tem como propósito discutir práticas pedagógicas antirracistas. Mesmo sem perceber, muitas vezes, trazemos em nossas falas situações de racismo estrutural que precisam ser refletidas e corrigidas.
É claro que antes de discutirmos uma temática tão importante como esta, precisaremos oferecer outras ações que permitam o retorno seguro e acolhimento das angústias geradas por este período de isolamento social. Teremos muito o que fazer para retomar a ideia de convívio social respeitoso e seguro que nos foi tirada em nome da proteção a saúde e nossas vidas. Para isso, é importante pensarmos em estratégias de acolhimento que permitam a fala, a escuta, o diálogo, a ação. Uma das ações já em andamento é a mostra Quarentart Milton em que a comunidade escolar poderá apresentar as manifestações artísticas produzidas durante a pandemia. A ideia de sensibilização pela arte tem sido objeto de estudo e intervenção positiva para a discussão das diferenças humanas e a valorização de todas as vidas. Realizaremos uma mostra virtual e presencial que permita a comunidade escolar uma imersão em sentimentos e discussão sobre as emoções vividas durante o período de isolamento e que traduzem também as condições humanas de cada um que tem se expressado através da arte.
Na EMEF Milton, temos muitos estudantes em situação de vulnerabilidade social. Esta característica, infelizmente, não é isolada em nossa comunidade e os problemas sociais e econômicos se agravaram com esta pandemia. Deste modo, faz-se necessário pensar em um retorno que minimize sofrimentos. Sofrimentos estes que podem ser de ordem pedagógica e emocional. Será preciso, de forma coletiva, mapear as realidades que nos serão apresentadas: quais são as crianças e a adolescentes que precisarão de apoio psicológico? quais serão os grupos escolares que necessitarão de uma atenção maior para recuperação das aprendizagens? que famílias foram mais prejudicadas economicamente e emocionalmente com a pandemia?
Estas questões nos são muito caras pois nortearão o trabalho que precisaremos realizar. Não podemos falar em gestão democrática, participativa e educação em Direitos Humanos sem olharmos para a comunidade escolar que temos. E também não podemos apenas pensar em olhar para as questões estudantis. Serão muitos profissionais da escola necessitados deste olhar carinhoso. Mais uma vez a Comissão de Mediação de Conflitos terá papel importante para ajudar neste mapeamento e a estruturação de planejamento. Após este mapeamento, será importante agregar todos os segmentos que puderem ajudar no fortalecimento das relações para que possamos pensar nas estratégias pedagógicas e afetivas que nortearão nosso fazer na escola.
A escola, certamente, irá mudar. A s relações humanas já mudaram com tudo o que temos passado. Nosso trabalho agora será resgatar os vínculos já construídos e elencar prioridades de ação que valorizem a vida e a educação pós pandemia. E este desafio só terá êxito se nos mantivermos com ações coletivas.
Deste modo, o que esperamos no retorno é: promover uma educação acolhedora, que compreenda e permita que as diferenças sejam respeitadas e as dificuldades sejam trabalhadas. Para isso, buscaremos com a comunidade escolar estratégias de intervenção que visem a equidade e garantia de direitos. O trabalho será longo pois o retorno precisa ser escalonado e com oferta de segurança à vida de todos. Ainda não podemos pensar em uma ação avaliativa pois as ações acima apresentadas são, na verdade processos em espiral. Ao passo que agimos, avaliamos e nos corrigimos.