Tarefa 6 – Curso REP! – JULIANA ARAUJO KLEIN FREIRE

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

JULIANA ARAUJO KLEIN FREIRE

Função

Assistente de Diretor de Escola

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

Emef Prof. Ayrton Oliveira Sampaio

PRETO SIM? E DAI?

 UMA EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS

Diante da repercussão sobre a morte de Miguel Santana da Silva, após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Recife, e do debate em torno do racismo no Brasil e no mundo, professores e militantes negros afirmam que o problema é estrutural. Entretanto, dizem que pode ser combatido através de diálogos, questionamentos e fortalecimento da autoestima de pessoas negras em relação à cor da pele.” Por Pedro Lins, TV Globo – 05/06/2020 09h45 .

Diante de notícias como essa, presentes em nosso dia-a-dia um trabalho de escuta que valorize o diálogo e a discussão sobre o respeito e as diferenças e valorização do negro se faz necessário, principalmente no ambiente escolar que é em espaço de formação, um ambiente de aprendizados com grande potencial transformador nas relações sociais, afetividade e de ideias. Numa perspectiva de resgatar a importância do povo e da cultura africana, assim como o impacto que tiveram no desenvolvimento da identidade da cultura brasileira.

Em conversas no momento de formação com os professores, foi citado a importância de se trabalhar as relações étnico racial e o combate ao preconceito e racismo, porém quando retornamos com a discussão ao grupo para refletirmos quais seriam as ações da escola, como eram as situações vividas pelos nossos estudantes e demais funcionários, houve um silenciamento dos mesmos, poucos se posicionaram e isso me levou a acreditar que é necessário instigar, incomodar e não silenciar.

A educação para as relações étnico-raciais não deve ser trabalhada apenas em projetos ou em datas comemorativas como acontece muitas vezes nas escolas, que fazem grandes eventos em Novembro sobre a Consciência Negra, e nem tão pouco apenas pela obrigatoriedade que a lei traz incluindo no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura AfroBrasileira e Indígena, mas sim ser tratada em todo decorrer do ano letivo, pois é preciso que se recupere o orgulho de ser negro numa pedagogia da autoestima. Deve ser uma prática intencional pois, não existe políticas inclusivas se não houver a intencionalidade de que as ações aconteçam.

O projeto terá início com formação, escuta e discussão com os professores e demais funcionários da Unidade Escola, perpassando por todos os segmentos, equipe técnica, administrativa, cozinha e limpeza.

Conforme nos apropriamos da temática e de como conduzir uma escuta ativa e qualificada, levando os estudantes a refletirem sobre o respeito, direitos e valores, as escola passará a contar também com ações desenvolvidas com e para os estudantes.

É importante ressaltar que todos os envolvidos no processo poderão se expressar, concordar e discordar das ideias levando em consideração que a discriminação é inaceitável dentro e fora da escola.

Iniciando o trabalho

Vários momentos de formação acontecerão simultaneamente:

  • Utilizaremos os momentos de JEIF (formação com os professores);
  • Reuniões Pedagógicas;
  • Momentos agendados previamente para debater o tema com a equipe técnica, administrativa, cozinha e limpeza, de acordo com as possibilidades da Unidade Escolar desde que não haja prejuízo ao trabalho;
  • Reunião com os membros da Comissão de Medicação de Conflito, CRECE, Conselho de Escola e APM;
  • Conversa com o Grêmio Estudantil e estudantes dos Projetos do Contraturno (essa será uma ação posterior);
  • Ações com os estudantes em sala de aula (essa será uma ação posterior).

Nos espaços de formação o foco inicialmente é refletir sobre como é apresentado nos documentos institucionais como Projeto Politico Pedagógico, o Regimento Escolar e o Projeto Especial de Ação, as questões referentes à Educação para as Relações Étnico-Raciais e o Respeito à Diversidade, favorecerecendo o diálogo, o respeito mútuo, o multiculturalismo e as consciências pela dignidade humana. Proporcionando a toda comunidade escolar momentos de vivências da cultura brasileira e se necessário, fazer as adequações nestes documentos para se garantir uma educação para a diversidade e respeito ao próximo.

A leitura de alguns documentos será de grande importância para a apropriação e aprofundamento do tema, enriquecendo as reflexões. Como diria Francisco Imbernón “Atualização científica, didática e psicopedagógica para adotar um conceito que consiste em descobrir, organizar, fundamentar e construir teoria. Nessa perspectiva, os professores e professoras devem passar da posição histórica de executores para autores do saber”.

Inicialmente faremos a leitura dos seguintes documentos:

  • Lei de Diretrizes e Bases Nacionais para a Educação – Lei 9394/96;
  • Lei 10.639/03: alterou a LDB 9394/96, tornando obrigatória a inserção do ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana no currículo;
  • Lei 11.645/08: inclui a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Indígena no currículo;
  • Livros da Série Educação em Direitos Humanos do Respeitar é Preciso: Sujeitos de Direito, EDH para todas as Idades, Respeito e Humilhação e Diversidade e Discriminação;
  • Superando o Racismo na escola, Kabengele Munanga, organizador.
  • Livro: “Para uma Educação Antirracista!” – Dicas da EMEI Jardim Ideal (PMSP);
  • Vídeo – “Branquitude e o Significado de Ser Branco no Brasil – Luciana Alves;
  • Orientações Curriculares: expectativas de aprendizagem para a educação étnico-racial na educação infantil, ensino fundamental e médio– São Paulo : SME / DOT, 2008;
  • Pequeno manual antirracista – Djamila Ribeiro – Companhia das Letras.
  • Outras leituras, vídeos e obras poderão ser sugeridos pelo grupo para compor nossas formações.

As formações continuadas fora do horário de trabalho poderão ser compartilhadas com os grupos, assim como as experiências já trabalhadas.

Uma das práticas cotidianas a serem adotadas pela escola é a conscientização e impedimento de práticas discriminatórias na escola tais como: piadas, apelidos, brincadeiras, zombarias ofensivas por ser negro. Conscientização de que estas ações trazem desgosto, tristeza ou agressividade frente à discriminação, mágoa pela rejeição, baixa autoconfiança, baixa autoestima, vergonha de ser negro, não sentindo-se pertencente ao grupo, refletindo até mesmo no rendimento escolar e evasão.

Deste modo é papel da escola reforçar positivamente o sentimento de negritude, de sentir-se bem como negro. De conscientizar o valor de todos como ser humano de identificação com os semelhantes raciais e ressaltar a consciência das potencialidades do negro através do conteúdo sobre a história do povo africano.

Ao tratar da História da África e da presença negra do Brasil, deve-se fazer abordagens positivas, claro que não deixando de mostrar todo sofrimento dos negros, mas principalmente salientando as várias lutas de resistências empreendidas por eles e sua valorização.  Ensinar História da África aos alunos é uma das maneiras de romper com a estrutura eurocêntrica que até hoje caracterizou a formação escolar brasileira. Mattos, 2003, p. 135. Por isso é importante que apesar de não termos recebido essa formação em nossas graduações, de como ensinar a história dos afro-brasileiros e africanos, nos formemos cotidianamente para desmistificar o que a grande maioria dos livros didáticos de História utilizada nestes níveis de ensino nos conta, não reservando para a África um espaço adequado, fazendo com que os alunos construam apenas estereótipos sobre a África e suas populações.

O projeto ocorrerá durante o ano letivo e as ações na escola devem ter os seguintes objetivos:

  • Valorizar a cultura negra e seus afrodescendentes e afro-brasileiros, na escola e na sociedade, acabando com a ideia que o negro é um ser inferior que a classe dominante de maneira irresponsável e criminosa divulgou através dos tempos;
  • Redescobrir a cultura negra, embranquecida pelo tempo;
  • Desmistificar o preconceito relativo aos costumes religiosos provindos da cultura africana;
  • Trazer a tona discussões provocantes, por meio das rodas de conversa, para um posicionamento mais crítico frente à realidade social em que vivemos através de escuta qualificada;
  • Importa-se em respeitar as diferenças;
  • Reforçar a ideia de criar condições diferenciadas àqueles que tem necessidades diferentes;
  • Refletir em todas as ações sobre os direitos humanos;
  • Refletir sobre a implementação das políticas educacionais ao longo da história e as consequências dessa formação na construção do currículo;
  • Refletir sobre o mito da democracia racial;
  • Revisar o currículo, práticas pedagógicas e relações entre os sujeitos envolvidos;
  • Problematizar as representações eurocêntricas por meio do reconhecimento e valorização das matrizes identitárias brasileiras;
  • Analisar criticamente os materiais didáticos;
  • Analisar sistematicamente dados disponibilizados e notícias em relação a temática ao que se refere a realidade local.

A partir dessas considerações e após ampla discussão com os professore, atividades pontuais com os estudantes serão propostas e apresentadas para todos da unidade escolar.

Além das leituras e vídeos já indicados, das reflexões a cerca da História e Cultura Afro-brasileira e Africana realizadas com os alunos listo abaixo mais algumas atividades.

  • Monascrespas – usando como referência a obra Mona Lisa  de Leonardo da Vinci, esta atividade tem como objetivo valorizar o cabelo crespo/cacheado para celebrar a identidade negra. Nesta atividade os estudantes se posicionam na frente de uma tela pintada como o fundo da obra e são fotografados com os cabelos soltos ou com um penteado que lhe agrade, valorizando a textura, cor, formato e tamanho do seu cabelo;
  • Leituraço / leitura simultânea – este projeto busca estimular a leitura de autores e histórias da cultura africana e afro-brasileira e difundir a produção literária de maneira prazerosa e significativa para os educando, na construção de uma sociedade mais justa e igualitária nas relações culturais e na união de forças para a valorização da diversidade. Entre eles o livro Omo-Oba: histórias de princesasde Kiusam de Oliveira (2009)  que é um livro que privilegia o recontar de mitos africanos com princesas que são divindades iorubanas, orixás, cujas histórias de seus poderes são recontadas como se fosse no tempo da infância delas. Com a leitura deste livro pode-se discutir sobre a intolerância e o preconceito acerca das religiões de matriz africana;
  • Confecção e exposição de máscaras africanas e suas finalidades, utilizando a arte como um recurso para expressar a sensibilidade e conhecer um pouco mais a nossa história;
  • Utilizar os recursos midiáticos como forma de interações sociais virtuais com o compromisso de valorizar a cultura afrodescendente, bem como o respeito ao negro e a pessoa humana;
  • Apreciação das músicas: Canto de Oxum de Maria Bethânia e É d’Oxum de Dudu Nobre dentre outras, com a proposta de realizar uma pesquisa sobre o vocabulário afro, fazendo relação com as palavras da língua africana incorporadas a língua portuguesa. Utilizar a lenda sobre Oxum, ressaltando as suas características, relação com a natureza e sua identidade. Abordar a religião africana, que muitas vezes é vista de forma preconceituosa justamente pela falta de informação;
  • Atividades cultuais – apresentação de danças, teatro, declamação de poemas, etc., valorizando as características, potencialidades e cultura africana e afrodescendente;
  • Estimular os estudantes do Ciclo Autoral que devem apresentar o TCA – Trabalhos Colaborativos de Autoria ao final do 9º ano, a investigação e elaboração de projetos de intervenção social envolvendo a temática;
  • Trabalhos e abordagens da temática na perspectiva indígena também poderão ser realizados;
  • Oficina de Mancala Awele – Mancala é uma designação genérica dada pelos antropólogos a um grupo muito numeroso de jogos cultivados na África, que guardam entre si diversas semelhanças. Estes jogos se subdividem em três tipos. Desses três, estudiosos já identificaram mais de 200 diferentes “famílias”. Não se trata de jogos de sorte, mas sim de raciocínio, os quais exigem atenção e concentração.
  • Outras atividades poderão ser propostas para atender o objetivo.

Avaliação

A avaliação será continua ao longo de todo o ano letivo. A equipe escolar em todos os seguimentos, terá como enfoque a participação dos estudante nas diferentes atividades proposta, seus comportamentos nas atividades diárias e a observação do comportamento dos estudantes diante do respeito às diferenças com ênfase nas questões valorização do negro.

Bibliografia

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.  Brasilia: MEC, 2006.

Diversidade e discriminação : caderno temático. São Paulo, julho de 2019 | 3.ª edição/ (Projeto RESPEITAR É PRECISO!)

MUNANGA, Kabengele (Org.). Superando o Racismo na Escola. Brasília: Ministério da Educação.Secretaria de Ensino Fundamental. 2000.

OLIVEIRA, Kiusam de. Omo-Oba – Historias de Princesas.Editora Mazza. 2011

Orientações Curriculares: expectativas de aprendizagem para a educação étnico-racial na educação infantil, ensino fundamental e médio– São Paulo : SME / DOT, 2008;

PEREIRA, Amilcar Araujo (org.) Ensino de História e Culturas Afro-brasileiras e e indígenas. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.

Respeito e humilhação : caderno temático. São Paulo, julho de 2019 | 3.ª edição (Projeto RESPEITAR É PRECISO!)

Sujeitos de direito: caderno temático. São Paulo, julho de 2019 | 3.ª edição.  (Projeto RESPEITAR É PRECISO!)

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2020/06/05/racismo-e-extremamente-violento-e-esta-no-nosso-dia-a-dia-diz-doutor-em-educacao.ghtml – acesso 06/06/2020