Tarefa 6 – Curso REP! – Janaina Silva Gondin

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Janaina Silva Gondin

Função

Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

EMEI Professor Camillo Ashcar

Brinquedo de criança não tem gênero: como lidar com as questões de gênero nas brincadeiras da Educação Infantil

 

Justificativa

Todos os anos, em maior ou menor grau, surgem em nossa EMEI (escola municipal de educação infantil) questões relacionadas às brincadeiras e brinquedos no que tange às discussões de gênero. São várias as cenas e situações aos quais esse tema se apresenta, um exemplo disso é o episódio ocorrido no último encontro para tratar dos Indicadores da Qualidade da Educação Infantil Paulistana. No momento da assembleia, o pai de um aluno afirmou sentir-se incomodado pelo fato de a escola não “selecionar” os brinquedos utilizados pelas crianças. Comentou que seu filho disse em casa que brincara com panelinhas, o que o deixou bastante chateado com as professoras da criança. Outros pais e mães manifestaram-se sobre o tema, uns justificando a fala do pai e outros apoiando a escola. O episódio ajudou a jogar luz sobre essa questão, que é comumente trazida pelas próprias crianças no dia a dia das salas de Educação Infantil, ao afirmarem que determinado brinquedo ou brincadeira é “de menino” ou “de menina”. Diante dessas situações, esse projeto busca debater as relações de gênero que perpassam as brincadeiras infantis e compreender como essas podem ser territórios profícuos de discussão sobre os papeis sociais culturalmente atribuídos a homens e mulheres, desde a tenra idade.

 

Protagonistas da ação

Para que o projeto consiga trazer um debate amplo e propiciar revisões de posturas, concepções e falas, é necessário envolver todos da escola. Para isso, a comissão de mediação de conflitos e o conselho de escola organizarão atividades específicas, além das atividades pedagógicas diárias preparadas pelas professoras e professores da unidade, para abordar a intersecção de gênero nas brincadeiras infantis.

Intenciona-se que esse tema seja tratado também no PEA da UE, garantindo os momentos de formação de educadores e educadoras.

 

Finalidade

O brincar é parte intrínseca do cotidiano das crianças da Educação Infantil e está presente em todos os momentos da infância.

Conforme aponta o documento de Educação Infantil do Currículo da Cidade de São Paulo,

“questões relativas ao tema gênero trazem novos questionamentos para as UEs de Educação Infantil. Muitas são as abordagens sociais, culturais, políticas sobre esse tema. A igualdade social entre as pessoas de diferentes gêneros e a liberdade de expressão sobre os sentimentos e pensamentos são direitos que todos defendem na Educação Infantil. […] Assim, romper o silêncio sobre a normatividade daquilo que podem ou não podem fazer meninos e meninas é um modo de romper com preconceitos como aqueles que afirmam que meninos são mais barulhentos e meninas mais silenciosas, que as meninas preferem brincar paradas e meninos gostam de correr, etc. É preciso reconhecer que há muitos modos de ser menino e menina, e que essas regras não devem definir os modos como as pessoas se constituem”. (SÃO PAULO, 2019, p.51).

Considerando que há diversos modos de ser menino e menina e que é necessário combater os estereótipos existentes, espera-se que esse projeto possibilite debates sobre o porquê a nossa sociedade divide brinquedos e brincadeiras entre dois grandes grupos, o que somente meninos podem fazer e o que cabe às meninas. E, a partir daí, tanto as famílias, quanto os educadores e educadoras da escola, possam atuar de forma mais significativa e reflexiva na escolha dos brinquedos e durante os momentos de brincadeira das crianças.

Sabendo da complexidade do tema, as famílias farão parte de todas as discussões.

 

Objetivos

Para trazer discussões sobre a questão de gênero nos brinquedos e brincadeiras na Educação Infantil, esse projeto tem como objetivo geral: promover debates e ações que discutam os papeis sociais atribuídos a meninos/homens e meninas/mulheres durante as brincadeiras das crianças e repensem como esses podem dirimir os estereótipos de gênero na sociedade.

Para isso, são estabelecidos os seguintes objetivos específicos:

– Promover debates e ações que possibilitem aos adultos da escola e às crianças refletirem sobre os papeis de homens e mulheres na nossa sociedade;

– Promover encontros e debates com as famílias das crianças para tratar da importância do brincar livre.

 

Duração

Um semestre escolar, ou seja, cerca de 100 dias letivos.

 

Ações

Para atingir os objetivos propostos, serão realizadas as seguintes ações:

  • Leitura de livros infantis que questionem os papéis sociais atribuídos a determinado gênero;
  • Leitura de livros que apresentem mulheres cientistas, escritoras, artistas etc.;
  • Rodas de conversa sobre a utilização dos brinquedos e a organização de brincadeiras;
  • Empréstimo de livros (para os adultos) que questionem os papeis sociais de gênero;
  • Atividades em parceria com a equipe da cozinha que proporcionem momentos de reflexão e debate sobre o porquê da presença dominante de mulheres nesse ambiente;
  • Encontros com as famílias para discutir a importância do brincar na infância e debater os estereótipos de gênero que podem surgir nesses momentos (de acordo com as vivências das crianças);
  • Parceria com organizações sociais que debatam a questão de gênero nas escolas;
  • Apoio na formação de professoras e professores durante o horário coletivo.

 

Avaliação

A avaliação será formativa, ou seja, ocorrerá durante todo o processo, através dos apontamentos de educadoras e educadores. Além disso, haverá pelo menos dois encontros entre a comissão de mediação de conflitos e o conselho de classe, com o objetivo de realizar uma avaliação parcial para rever e repensar as práticas e uma avaliação final para estabelecer o que foi positivo e o que precisa ser melhorado para o período seguinte. Propõe-se, também, a elaboração de questionários a serem encaminhados às famílias perguntando sobre o que gostaram e o que não gostaram em relação ao projeto.

 

Referência

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da cidade: Educação Infantil. São Paulo: SME / COPED, 2019.