Tarefa 6 – Curso REP! – Janaina Lubarino Ferreira

Data

2 de agosto de 2020

Cursista

Janaina Lubarino Ferreira

Função

Diretora de escola

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

Emei Maria Lúcia Petit

 

O conflito como oportunidade de troca e crescimento

O trabalho presencial em nossa escola é marcado por diversas situações de conflitos entre o grupo de professores, que sempre resultam em desentendimentos que demandam a intervenção da gestão para amenizar as brigas. Quando cheguei como diretora nessa escola em janeiro , fui avisada de que essa característica permanece por muitos anos, pois alguns profissionais da escola não conseguem conviver em harmonia. Presenciei algumas situações de extremo desrespeito entre os adultos e procurei o curso de Mediação justamente para buscar uma luz acerca dessa situação. Logo veio a pandemia e com ela  os sentimentos aflorados trouxe ataques e ofensas verbais inclusive no trabalho remoto. Percebi então que precisaria traçar estratégias para fazer desse momento uma oportunidade de aprendizado e mudança.

A princípio o trio gestor se reuniu para desenhar uma forma de levar o grupo de professores da escola a identificarem e perceberem as situações que causam tanto mal estar e desânimo na equipe. A ideia é estender esse exercício posteriormente para as crianças, em forma de assembleias. Para isso acontecer, precisamos primeiro estabelecer uma convivência de respeito entre os profissionais da unidade.

Nosso maior objetivo com essa proposta é que o grupo perceba na diversidade de ideias e opiniões oportunidades de aprender e se livrar de verdades absolutas, entendendo que o outro pode ensinar com suas experiências e vivências, mas para isso, precisamos estar dispostos a escutar e enxergar os colegas.

Com as ações que descrevo a seguir, pretendemos proporcionar situações de reflexão, diálogo e escuta para que ao retornarmos o trabalho presencial o grupo de professores consiga se unir para pensar em estratégias de acolhimento aos alunos, entendendo que juntos somos mais fortes e conseguimos melhorar nossa prática e o ambiente de trabalho. Esse trabalho de reflexão sobre as nossas atitudes deverá ser contínuo, pois os conflitos são inerentes da relação humana, mas podem ser vistos como oportunidades de troca e aproximação.

Iniciamos o plano de ações com uma pergunta para os professores : qual a escola dos seus sonhos? Essa pergunta surgiu a partir da leitura coletiva de um livro que trazia práticas na educação infantil. Durante a leitura, muitas vezes surgiam comentários como “ essa escola narrada é um sonho”. Quisemos então saber o que se entende por uma escola dos sonhos na visão daqueles professores. Entendemos esse exercício como um mapeamento, pois poderiam escrever sobre espaço físico, relações, práticas. Como já imaginávamos, muitos afirmaram que a escola dos sonhos seria aquela em que pudéssemos viver em harmonia. Oras, será algo tão distante naquele ambiente?

Aproveitamos os cadernos do Respeitar é preciso para levar alguns textos para o grupo. Destaco o material sobre o diálogo. Percebemos então que estávamos falhando enquanto gestão, pois não preparávamos o ambiente para abrir o diálogo. Passamos a criar um ritual para esses momentos e estabelecer combinados e intervenções pontuais. Já começamos a enxergar algumas mudanças.

Dentro desse clima dos materiais do curso, estamos buscando textos, vídeos e até mesmo músicas que nos levem a refletir e construir um entendimento coletivo sobre o conceito de empatia. Essa atividade gerou discussões muito proveitosas e respeitosas. Isso já nos trouxe alegria até o presente momento.

Nosso próximo passo será a proposta de que cada um pense em uma situação em que foi desrespeitado e uma situação em que desrespeitou. Ainda não sabemos se esperaremos o retorno para fazer esse exercício presencialmente, estamos aguardando para tomar essa decisão. A ideia é levar cada um a se colocar no lugar do outro e vivenciar o que entendemos como empatia. Não gosto que me façam isso, mas será que também já não fiz em algum momento?

Assim como disse, acredito que essas ações serão contínuas com momentos permanentes que possibilitem o diálogo, a reflexão e principalmente a escuta. Torcemos para que logo a gente possa retomar e que esses momentos sejam olho no olho.

A medida em que enxergarmos que as pessoas estão conseguindo trabalhar em grupo e que os desentendimentos sejam trocados por conflitos saudáveis, caminharemos para quem sabe nos aproximarmos da “escola dos sonhos”.