Tarefa 6 – Curso REP! – Fernanda Meirelles Salotti

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Fernanda Meirelles Salotti

Função

Assistente de direção

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

EMEF Heraldo Barbuy

Proposta de Ação: Entendimento e valorização do conflito através do exercício de escuta mútua

 

INTRODUÇÃO

 

Essa proposta de ação volta-se para toda a comunidade escolar, englobando pais e responsáveis, alunos, professores, gestores e equipes de apoio, da limpeza e da cozinha. Ela se baseia no exercício de escuta mútua exposto no caderno, escrito por Ana Lúcia Catão, “Mediação de Conflitos”, da Coleção “Educação em Direitos Humanos”.

Antes de passar para o exercício propriamente dito, também deve ser explicado e discutido o conceito de conflito, que parece algo a ser evitado e extremamente negativo, mas na verdade é inerente ao exercício democrático e imprescindível para se alcançar o respeito e a compreensão do outro.

Essa ação será realizada na escola, considerando o seu território e todas as suas particularidades, atingindo assim toda a comunidade escolar e não apenas professores e alunos.

 

JUSTIFICATIVA

 

O conflito faz parte do cotidiano escolar e da convivência diária dos alunos com seus pais e outras diversas pessoas. Na maioria das vezes, ele não é bem visto, é evitado e tem uma conotação negativa. Porém, não há aprendizado nem crescimento sem o conflito e a escola deve trabalhar com essa questão mostrando que ela é natural e se deve lidar com ela ao invés de evitá-la. Uma maneira eficiente de encarar o conflito é através da valorização da escuta, pois muitas vezes ele é tempestuoso porque as partes envolvidas não aceitam a fala do outro, não escutam.

O exercício da escuta é um grande desafio, principalmente quando os envolvidos têm posicionamentos contrários ou muito distintos. Constantemente na escola surgem situações em que pessoas discordam e não aceitam o ponto de vista alheio. Por isso é fundamental treinar ações de escuta mútua e atenta.

 

ORGANIZAÇÕES ENVOLVIDAS

 

Para a execução dessa proposta, as principais organizações envolvidas são a Comissão de Mediação de Conflitos e o Grêmio Estudantil.

 

FINALIDADE

 

A intenção desse projeto é fazer com que toda a comunidade escolar tenha uma visão diferente sobre o conflito, que todos os envolvidos conscientizem-se da sua importância no cotidiano de uma escola que se propõe democrática, pois a democracia pressupõe o dissenso, o conflito e a aceitação da diversidade. O diálogo é a base para enfrentar essas questões e o desenvolvimento de uma escuta atenta é o caminho para entender o que é uma relação baseada no respeito.

 

RESULTADOS ESPERADOS

 

Essa proposta prevê resultados efetivos, durante as aulas, os intervalos e até nos espaços fora da escola, na casa dos estudantes e responsáveis e nos ambientes que circundam a unidade escolar, uma vez que a intenção é uma mudança profunda de atitude de todos em relação a quaisquer problemas que surjam no dia-a-dia. A ideia é que todos possam realmente compreender que o conflito não tem de ser evitado, mas ele não deve ter um caráter violento e desrespeitoso, pelo contrário, o objetivo é modificar o olhar sobre essa questão, demonstrando que, através do diálogo e da escuta, pode-se alcançar o entendimento sobre o que é respeitar o outro.

O projeto será desenvolvido durante um período, porém o que se pretende é uma retomada de todo esse processo sempre que for necessário, diante de temas complexos ou dificuldades da comunidade.

 

DURAÇÃO

 

Para a execução de todo o projeto, com envolvimento de toda a comunidade escolar, serão necessários de seis a oito meses. Entretanto, conforme já mencionado, a ideia é sempre retomar essas ações a fim de ampliar a importância do diálogo e da escuta em todos os âmbitos da escola e do território em que ela se insere.

 

AÇÕES

 

Primeiramente, a Comissão de Mediação de Conflitos e o Grêmio Estudantil organizarão um cronograma de reuniões para explicar a toda a comunidade escolar o que é um conflito e quais são os objetivos do exercício da escuta mútua. Deve ser feita uma reunião com cada setor: pais/responsáveis; alunos; professores; gestores; e equipes de apoio; limpeza; e cozinha. Nessas reuniões, serão solicitados voluntários para o supracitado exercício. A ideia é que depois esses voluntários multipliquem para seus pares como foi a experiência, a qual pode ser compartilhada em outras reuniões. Se não houver voluntários, os membros do Grêmio e da Comissão de Mediação de Conflitos podem fazer entre si esses exercícios e depois multiplicar para a comunidade.

Essa é uma proposta de difícil aceitação em um primeiro momento, porque se expor e se propor a escutar é um grande desafio. Num primeiro momento, o exercício pode ser feito entre pessoas dos mesmos setores (aluno-aluno; professor-professor) e depois da avaliação do êxito (ou não) da ação, devem-se envolver sujeitos de diferentes áreas (aluno-professor; gestor-pai de aluno).

Essas ações são bastante trabalhosas, principalmente em relação aos pais e alunos, mas os membros da Comissão de Mediação de Conflitos podem dividir-se para fazer os variados encontros com esses grupos numerosos e o Grêmio pode fazer as reuniões com os alunos.

Depois de feitas as reuniões com as devidas explicações, marcam-se os exercícios propriamente ditos. Nas reuniões, os exercícios são explicados, compostos por três pessoas: duas que vão falar e se escutar mutuamente e uma terceira que vai observar e emitir seu feedback sobre a ação efetuada. Os sujeitos que vão dialogar devem sentar-se de frente um para o outro e a sequência deve ficar bem explicada: quem vai falar primeiro e quem vai escutar e vice-versa. O observador (a terceira pessoa) deve ser um membro da Comissão de Mediação de Conflitos ou do Grêmio Estudantil.

Nas reuniões também são definidos os temas a serem conversados nos exercícios, sobre o cotidiano da escola: disciplina em sala de aula, bullying, violência, intolerância, discriminação, desrespeito para com a equipe da limpeza, entre outros a serem sugeridos.

No exercício, os envolvidos vão contar uma situação de conflito (em relação aos temas já estabelecidos na reunião) a qual não teve um desfecho satisfatório (do ponto de vista de quem está contando). Enquanto um indivíduo fala, o outro não pode emitir quaisquer opiniões ou julgamentos, a intenção é que haja uma escuta a mais atenta possível. Quando a pessoa que estiver falando terminar, se o outro estiver com dúvidas, é o momento de perguntar e de se informar sobre a “história” contada. Nesse momento, o ouvinte relata o que entendeu e confirma com o falante se compreendeu corretamente. Este confirma que aquele compreendeu ou não e aí retoma alguns pontos para ficar tudo claro. Depois se invertem os papéis e se segue o mesmo roteiro.

O observador (a terceira pessoa) pode ficar também com a tarefa de cronometrar o relato, fornecendo, por exemplo, para cada falante, 10 minutos, para que todos tenham o mesmo tempo para falar e para ouvir e mais 10 minutos para a troca ao final da escuta. Ao término dos relatos, o observador reserva 10 minutos para o seu feedback, que pode ser feito por meio de questionamentos como: “O que vocês sentiram quando estavam falando?”; “O que sentiram quando estavam escutando?”; “Como foi escutar sem poder opinar?”. Por fim, podem ser reservados mais 10 minutos para análises do observador sobre o exercício em geral, destacando-se os pontos positivos de um diálogo produtivo.

 

AVALIAÇÃO

 

Ao fim de todos os exercícios, feitos depois de todas as reuniões com os diversos setores da escola, a Comissão de Mediação de Conflitos e o Grêmio Estudantil devem reunir-se para debaterem sobre as ações efetuadas e seus desdobramentos, avaliando uma continuidade (fazer o exercício com pessoas de diferentes áreas da escola) ou uma reorganização da ação, diante de como a comunidade reagirá à proposta. O propósito é difundir o diálogo como expressão máxima de uma condução democrática, porém toda ação nesse sentido é incerta e imprevisível. O importante é sempre buscar a promoção da comunicação e do respeito e o compromisso com o bem comum de todos na escola. Sendo assim, mesmo havendo retoques na forma de abordagem, o essencial é ressaltar a relevância do conflito e o exercício de escuta como uma oportunidade de crescimento pessoal e entendimento do respeito à diversidade.