Tarefa 6 – Curso REP! – Eder Marques Loiola

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Eder Marques Loiola

Função

Prof. Ens. Fund. II e Médio

DRE / Unidade Educacional

Guaianases

Escola

Emef Prof. João de Lima Paiva

Proposta de Formação em Educação em Direitos Humanos

 

Cursista: Eder Marques Loiola RF. 791.501.2

Professor de ensino fundamental II e Médio – História

EMEF Profº João de Lima Paiva – DRE Guaianases

 

Mapeamento e interpretação dos conflitos na escola

 

  1. Justificativa

 

Alain, pseudônimo do escritor e professor secundário Emile Chartier, refere-se em uma de suas “Reflexões sobre a educação” à subcultura do “povo criança” desenvolvida nas instituições escolar. Com essa expressão, pretendia enfatizar que as ações dos estudantes nesse espaço constituem respostas e intervenções numa sociabilidade complexa, não redutível ao mero somatório de atitudes individuais. Desse ponto de vista, muitas das ações tipificadas como casos de “indisciplina” não podem ser descritas como intervenções de indivíduos que eventualmente apresentam desvios ou lacunas morais e psicológicas.

Inspirado por esse comentário, bem como pela abordagem institucional característica da educação em direitos humanos proposta no curso, minha ideia é propor um programa de formação que favoreça a mudança de percepção dos conflitos eventualmente existentes na escola na chave psicológica e moralista, de acordo com a qual os eventuais ruídos da sociabilidade desenvolvida na instituição são atribuídos a ações pessoais que demandam intervenções morais e psicologizantes. Trata-se, assim, de convidar os participantes da comunidade escolar a interpretar o conflito de acordo com a abordagem proposta no curso, segundo a qual o estudante é visto como um sujeito de direito e participante de uma instituição pública voltada para efetivação do direito humano à educação. Nessas condições, suponho que é possível reavaliar os casos de “indisciplina” em sua dimensão institucional, bem como reconhecer nela configurações que apontam para respostas dos estudantes a eventuais ações desrespeitosas e discriminatórias praticadas por colegas ou agentes públicos.

Embora minha escola não seja caracterizada por episódios de violência e desrespeito entre estudantes ou mesmo entre professores e estudantes, persistem ainda falas que apontam para encaminhamentos psicologizantes ou moralistas de casos de indisciplina. Essa abordagem, a meu ver, longe de tratar produtivamente o conflito, pode mesmo acirrá-lo e sugerir uma imagem equivocada do papel do professor e da instituição escolar, contrária ao que se espera de um trabalho comprometido com os princípios dos direitos humanos.

 

Envolvidos:

Comissão de Mediação de Conflitos

Grupos da Jeif (formação em serviço na unidade)

Comunidade escolar em geral (momentos de consulta)

 

Finalidade

Promover a reinterpretação do que é considerado “indisciplina” e do papel institucional dos professores na promoção dos direitos humanos no ambiente escolar

 

Objetivos:

– Mapear, identificar e reconhecer casos considerados como exemplares de “indisciplina” na unidade;

– Refletir e lançar hipóteses que compreendam os casos à luz das relações sociais próprias da instituição;

– Discernir casos que envolvam desrespeito e discriminação entre estudantes ou entre estudantes e agentes públicos daqueles que emergem devido a interações próprias do ambiente escolar ou a situações didáticas específicas;

– Pensar e formular ações ou projetos de intervenção voltados ao tratamento dos casos de desrespeito e discriminação

 

Duração:

Ano letivo de 2021 (horários de JEIF e reuniões pedagógicas e eventuais reuniões do conselho e da Comissão de mediação)

 

 

Ações:

– Estudos dos cadernos do “Respeitar é preciso”, de modo a orientar o olhar para a compreensão do conflito como oportunidade de identificação e encaminhamento produtivo dos problemas de sociabilidade na escola;

 

– Formulação de materiais e planejamento de atividades para possível identificação do que é considerado indisciplina entre professores e estudantes: questionários, reuniões e assembleias em classe, conversa entre professores no período de formação mediada pela comissão de mediação, consulta ao conselho de escola, etc.

 

– Levantamento de bibliografia e filmografia pertinente para a discussão da indisciplina de uma perspectiva institucional e atenta ao respeito aos direitos humanos (os materiais indicados no curso, por exemplo); Discussão de conceitos pertinentes;

 

– Levantamento de dados segundo os instrumentos previamente elaborados;

 

– Classificação e discussão dos dados no espaço de formação; Apresentação de resultados parciais nas reuniões pedagógicas da unidade;

 

– Elaboração de propostas de intervenção e eventual elaboração de projetos para tratar casos identificados de agressão aos direitos humanos na escola;

 

– Avaliação final do projeto e exibição de seus resultados na avaliação institucional geral da unidade ao fim do ano;

 

Avaliação

Além de eventuais indicadores discutidos pela comunidade escolar (conforme indicado acima), o grupo de formação poderia se debruçar sobre os casos de indisciplina e avaliar, regularmente, seu comportamento, as respostas dos professores, as dificuldades enfrentadas, as resistências, etc. A Comissão de mediação de conflito poderia ter um papel relevante na documentação e registro dos encaminhamentos ao longo do ano.