Tarefa 6 – Curso REP! – claudia maciel da silva

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

claudia maciel da silva

Função

Professor educação infantil e ensino fundamental

DRE / Unidade Educacional

Pirituba / Jaraguá

Escola

Emei Rodolfo Trevisan

CLÁUDIA MACIEL DA SILVA

CURSO RESPEITAR É PRECISO – PROJETO DE AÇÃO

 

 

CONSELHO MIRIM

 

Atuo em uma Emei na zona oeste de São Paulo. É uma unidade pequena e com pouquíssima mudança em seu grupo de educadores. Apesar dessas características serem positivas para ações de participação da comunidade escolar nas decisões, ela não ocorre. As decisões são tomadas pela gestão da escola e grupo de docentes. Demais funcionários, famílias e crianças têm pouco espaço de escuta.

Nos últimos anos temos discutido com maior afinco como ampliar a participação das famílias na escola. Contudo, os espaços de participação que se quer das famílias não são em relação às decisões e sim de presença em reuniões e festas.

Os colegiados da escola contam com pouquíssima participação de todos os segmentos escolares, nem mesmo os docentes demonstram interesse em participar e as reuniões são burocráticas, apenas para assinar as atas, que aliás já chegam prontas na reunião. Com a APM da escola ocorre da mesma maneira, toda documentação é elaborada pelo presidente, tesoureiro e diretora da unidade e é levado às reuniões para apreciação e assinatura. As decisões sobre os gastos das verbas não ocorrem nessas reuniões, e sim no dia a dia da escola, as vezes com a participação dos docentes. Essas práticas, que não favorecem uma efetiva participação, já são costume da unidade e bastante difícil de modificar, porque os envolvidos consideram que da forma como ocorre está correta. E não fazem isso de maneira desonesta ou por rejeitar a participação, apenas acreditam que como ocorre, já é a melhor maneira.

No ano passado discutimos muito como aproximar as famílias da escola, e fizemos algumas ações nesse sentido: buscamos, mesmo que a distância, perguntar mais às famílias sobre eventos da escola; convidá-los a visitar mais a escola para apreciarem trabalhos das crianças; divulgar nas redes sociais trabalhos desenvolvidos pelas crianças; ampliar o acesso das famílias à escola na entrada e saída das crianças; remodelar as reuniões de pais para que ficassem mais acolhedoras, dentre outras. Sentimos um resultado positivo com essa aproximação, mas que este ano foi interrompida devido à paralisação das aulas.

Contudo, um outro viés dessa participação que queremos cultivar na nossa unidade é a participação das crianças na tomada de decisões da escola.  Pensamos essa participação em vários aspectos: no contorno dos projetos didáticos; organização dos espaços; aquisição de materiais, eventos, dentre outros. Mas para que essa maior participação das crianças se efetive em todos os espaços e tempos da escola, é necessário que todos os educadores acreditem e invistam nessa proposta. E como uma maneira de chamar a atenção para esse potencial infantil e concentrar os esforços de todos para essa maior escuta das crianças é que faço a sugestão da criação de um Conselho Mirim.

Esse conselho não está sendo aqui entendido como a única forma de escuta das crianças e nem a principal delas. Na verdade, entendo como uma oportunidade de dar visibilidade a esse potencial das crianças em olharem para a escola e contribuírem para a melhoria desse espaço e relações ali estabelecidas.

A criação de um Conselho Mirim abriria espaço para a formação dos educadores da unidade sobre a participação infantil, ampliando a escuta para além do  Mirim,  se consolidando como prática cotidiana.

Queremos que na escola as crianças sejam vistas como indivíduos completos, que tem o direito de serem respeitados e ouvidos. O que comumente ocorre é que os adultos, na melhor das intenções, tomam todas as decisões sem as crianças, acreditando que essas são as melhores. Contudo, todas as vezes que tivemos o prazer de escutar as crianças, tivemos ótimas surpresas, pois conseguimos ideias, sugestões e soluções de muita qualidade.

Uma linda experiência que tivemos na nossa unidade foi consultar as crianças sobre a festa junina na escola. Ouvimos que elas não queriam uma festa junina e sim uma festa à fantasia. Pois, assim foi feita e a festa foi um grande sucesso para todos, e até hoje lembramos com muito carinho.

O Conselho Mirim seria representativo, com eleição em cada turma dos seus representantes. Contudo, o objetivo não é que apenas os representantes tenham a experiência de participar das decisões, e sim, que eles se constituam em um canal de comunicação com as crianças. Na verdade, queremos que todas as crianças exercitem em suas turmas a reflexão, a conversa, a tomada de decisões e que após essas discussões, o representante traga suas sínteses para a reunião do Conselho Mirim.

Entendo o Conselho Mirim como um exercício de reflexão e diálogo entre as crianças e entre crianças e adultos, além de uma oportunidade de abrir um amplo diálogo na comunidade escolar acerca da participação das crianças.

Os resultados esperados com essa ação é que façamos uma escuta mais atenta das crianças, tornando-se hábito consultá-las antes de tomar decisões entre os adultos. Além disso, que as crianças exercitem o diálogo e a escuta respeitosa.

A duração é de pelo menos um ano letivo. Caso a experiencia seja avaliada como positiva, pode se tornar permanente.

A avaliação ocorrerá observando se as crianças estão exercitando o diálogo e a escuta. Em relação aos educadores, observar se estão ampliando os espaços de escuta e consulta das crianças nas diversas ações do cotidiano.