Tarefa 6 – Curso REP! – Carolina Ferreira Pereira da Fonseca

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Carolina Ferreira Pereira da Fonseca

Função

Professor Ensino fundamental II e médio- português

DRE / Unidade Educacional

Jaçanã / Tremembé

Escola

Emef Lourenço Filho

Educação em Direitos Humanos 

Introdução

A disciplina Direitos e Humanos e Questões Étnico-Raciais foi pensada no final do ano de 2019, pelos educadores da Emef Lourenço Filho, localizada na Diretoria de Ensino Jaçanã/Tremembé, na qual estou como professora há um ano e meio, para ser incorporada esse ano na grade das disciplinas do Territórios do Saber. Nossa escola aderiu ao Programa São Paulo Integral, criado em 2016 pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), que tem como um dos principais objetivos a expansão de tempos, espaços e oportunidades educativas, reconhecendo as diversas dimensões do ser humano e as especificidades que fazem parte do processo de desenvolvimento de crianças e adolescentes. Os 9ºs anos foram um dos anos que entraram nesse programa, aumentando o número de tempo na unidade escolar e, também, o número de disciplinas. Portanto, foi pensando nesse público-alvo, principalmente, que essa disciplina, que justificamos no componente “Ética, Convivência e Protagonismos”, das possibilidades de expansão curricular do documento, foi criada.

Seguimos as orientações do documento, nos pautamos no Currículo da Cidade, e fizemos o planejamento desta disciplina, comigo de professora titular. Eu já fazia parte do grupo de professores-orientadores do Grêmio Estudantil da escola, e, por trabalhar muito com questões de protagonismo juvenil, direitos humanos, ações solidárias, mediação de conflitos, quis muito entrar nesse novo desafio.

No entanto, a pandemia chegou no 2º mês do ano letivo deste ano e estamos tentando nos organizar pelas plataformas virtuais, o que dificulta muitas ações, até pelo número reduzido de acessos que temos de alunos que participam dos encontros e realizam as atividades sugeridas.

Justificativa

Após essa introdução, minha proposta de trabalho é continuar com essa disciplina o ano que vêm, mas, com mais subsídios após esse curso, como, por exemplo, com a atuação de um Grêmio Estudantil mais ativo e com algumas novas propostas para abarcar toda a comunidade escolar. O intuito já era trabalhar com conteúdos e dinâmicas que promovessem uma formação de uma cultura de respeito à dignidade da pessoa humana, que considera Direitos Humanos, como vimos, como fundamentais a todos os seres humanos, sem quaisquer distinções de sexo, nacionalidade, etnia, cor da pele, faixa etária, classe social, profissão, condição de saúde física e mental, opinião política, religião, nível de instrução e julgamento moral.

Essa proposta vem de uma necessidade de abarcar esses temas com todos os estudantes e funcionários da escola. A princípio, pensamos que os 9ºs anos, último ano do ensino fundamental II, estavam mais maduros e, ao mesmo tempo, poderiam fazer ações dentro e fora da unidade, com uma melhor formação sobre ética, cultura e sociedade, ao redor da unidade escolar. Porém, após esse curso, aprendemos que educar em direitos humanos têm caráter permanente, é uma ação continuada para todos, a partir mais das ações do que dos discursos e que todos são educados e educam. Nesse sentido, o projeto têm que ser reelaborado a fim de atender a todos.

Durante essa formação, usei das referências de textos e vídeos do curso para passar para os estudantes (os poucos que acessam) e para os professores e coordenadores. As devolutivas foram muito positivas, pois a maioria disse que aprendeu, alguns disseram que iam tentar colocar em prática alguns conceitos, como respeito, reconhecimento, empatia. Mas, observei que muitos não quiseram ler e/ou escutar esse novo olhar que estava propondo com esse material. E é aí que está o ponto: não chegaremos em todas as pessoas da mesma forma e, como também aprendemos nesse curso, “tudo bem”, faz parte das relações e das relações democráticas mais precisamente. Na aula sobre “Diversidade e Discriminação” vimos que educar para a igualdade é educar para que todos possam viver com seus valores, suas crenças e opiniões, sem serem discriminados. Nesse caminho, o importante é criarmos a disposição para que os encontros entre todos aconteçam, para que as pessoas possam se conhecer e, assim, se respeitarem e se valorizarem.

Para atender a comunidade escolar inteira, então, precisaremos trabalhar com conceitos de democracia, respeito mútuo, diversidade e discriminação, mediação de conflitos, com o Grêmio Estudantil, nos horários coletivos de formação de professores, nas reuniões de pais, nos Conselhos de Escola e de Classe.

Organizações da U.E. envolvidas

Como dito anteriormente, para atendermos a todos, precisaremos nos formar e ser formadores e, aproveitar os espaços de trocas, de fala e escuta, para colocar esses conceitos em prática.

Minha sugestão inicial é colocar esse projeto em Educar em Direitos Humanos nos planejamentos coletivos de início de ano. O plano é trabalhar bimestralmente com temas que dizem respeito aos conceitos citados. Iniciar com a premissa de Direitos Humanos como aspectos soberanos de uma sociedade e, portanto, da nossa escola.

O Grêmio Estudantil será a organização de maior protagonismo, pois eles que serão a ponte entre os outros segmentos. O grêmio já atua no desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de cidadania. Os participantes, são estudantes do 6º ao 9º ano, e, semanalmente, terão esse tempo do projeto para pensar na promoção dessas atividades para toda a comunidade escolar. Contribuirão com ideias e ações para termos uma melhor convivência e aprendizagens significativas para todos os estudantes. Faremos oficinas e debates para nos atermos às necessidades da unidade escolar. Os estudantes serão os protagonistas das ações que serão tomadas, e, portanto, aprenderem a ser sujeitos ativos da sociedade em que vivem.

Eles já participam dos Conselhos de Escola e de Classe, e, também, da reunião de pais, nesse projeto, eles levarão o que foi debatido com ações para serem realizadas na escola e no seu arredor. Já na jeif, eu seria a professora-representante para também repassar as ações propostas e textos para serem estudados.

Finalidade

As intenções do projetos são: promover o protagonismo dos alunos; incentivar o enriquecimento curricular; desenvolver a melhoria do convívio social; potencializar o uso de todos os recursos e espaços disponíveis ampliando os ambientes de aprendizagem; exercitar técnicas de trabalho em grupo fazendo uso das normas éticas, de respeito ao outro e da convivência grupal; promover situações que desenvolva o gosto, sentimento de pertencimento e de afetividade pelo espaço escolar e de sua comunidade; sensibilizar os alunos para a necessidade de melhorarem o relacionamento com os professores e com os colegas de sala de aula e de grupo; fortalecer a autoestima do aluno, proporcionando a formação de um cidadão participativo e envolvido com as mudanças socioculturais e tecnológicas da sociedade; instaurar a cultura da mediação e do respeito; promover que todos trabalhem na construção de um espaço democrático, pensando numa sociedade mais justa.

Objetivos e Ações

Com esse trabalho, pretendo, junto com a comunidade escolar, promover atividades esportivas, sem a valorização da competição, mas da participação e interação; pensar em ações cidadãs educativas, que possam reproduzir para a comunidade escolar, como campanhas de vacinação e cestas básicas, doação de roupas, uso dos lixos recicláveis, cuidado com os espaços públicos; promover o protagonismo e autoestima, com atividades que os façam tomar decisões e, portanto, serem responsáveis por elas; trabalhar em assembleias; fazer debates sobre questões de disciplina, convívio escolar e conflitos; ajudar na escolha de palestras para os pais e estudantes; elaborar oficinas sobre cidadania, participação democrática, respeito às diferenças; valorizar o trabalho em equipe; valorizar a escola e os estudos, e refletir sobre esse ambiente como meio de transformação pessoal e social; conscientizar as crianças sobre seu papel na sociedade; possibilitar um olhar em que todos são aprendizes, que o respeito implica, necessariamente, o diálogo e a escuta.

Duração

É um projeto para fazer ao longo de um ano, como uma disciplina para os 9ºs anos, com uma reunião semanal com o Grêmio Estudantil, e com os horários coletivos de formação de professores, a princípio. Porém, o ideal é que essa cultura do respeito e do educar em direitos humanos se mantenha, que seja tão significativa para todos que ela possa ser continuada, mesmo sem ter um professor responsável, que faça parte do Projeto Político Pedagógico da Escola.

Avaliação

A avaliação será observada na qualidade das relações entre os sujeitos dessa comunidade escolar, na observação das reuniões, se haverá escuta e oportunidade de fala para todos, se os pais e funcionários ficarem satisfeitos com o desenvolvimento das atividades da escola, se aprendermos a trabalhar com os conflitos, em vez de querer saná-los a todo custo.

Poderá, também, ter um questionário no final dos dois semestres para que todos da comunidade escolar possam participar, colocando suas avaliações e sugestões de ações para o projeto Educar em Direitos Humanos.