Tarefa 6 – Curso REP! – Ariane Cruz Fernandes

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

Ariane Cruz Fernandes

Função

Assistente de Diretor de Escola

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

EMEI Dulce Hauck

Sou Professora de Educação Infantil e Fundamental I desde 2015 quando iniciei exercício na Prefeitura de São Paulo, em fevereiro desse ano assumi o cargo de Assistente de Diretor de Escola em uma EMEI, em março por causa da pandemia as aulas presenciais foram suspensas, muitos funcionários foram afastados por estarem no grupo de risco e desde então tivemos que nos reinventar para dar continuidade ao trabalho de maneira significativa. Não tive muito tempo para vivenciar a rotina “normal” da escola nessa nova função, por isso, considero que ainda estou me adaptando a essa nova rotina e tentando dar conta das demandas, conforme elas vão surgindo.
Diante da proposta do curso de elaborar uma ação para envolver toda a comunidade escolar, imaginando como poderia ser a volta às aulas, me vi impotente e essa sensação de impotência se misturou com a angústia e ansiedade que esse período de pandemia nos traz, e apesar de ser um assunto que estamos refletindo e discutindo constantemente, e até mesmo já estamos elaborando ações práticas para uma “possível” volta às aulas, confesso que não consigo imaginar um retorno seguro sem vacina contra o covid 19, um retorno que respeite as questões da Educação em Direitos Humanos, como observado na aula 1, sendo essa na sua essência a “formação de uma cultura de respeito à dignidade humana através da promoção e da vivência dos valores de liberdade, da justiça, da igualdade, da solidariedade, da cooperação, da tolerância e da paz” e se confirmando na aula 5, quando o texto “O que a quarentena nos rouba?” cita com sensibilidade Clarice Lispector “Saudade é um pouco como fome, só passa quando se come a presença”, como trabalhar essa presença na educação infantil, onde a interação é fundamental?
Durante a aula 2 que trata do respeito mútuo, trazendo reflexões sobre os cuidados para abrir espaços de diálogo, fazendo desses espaços um momento de efetivas trocas de conhecimento, reflexões, percepções e sentimentos, promovendo nesses, discussões e decisões coletivas, lembrei-me de uma ação muito marcante e significativa realizada em 2016, no meu primeiro ano na educação infantil, com uma turma de Infantil II.
A minha adaptação como professora de educação infantil foi muito difícil, pois na minha concepção as crianças não me ouviam e logo não me obedeciam, muitas vezes me queixava que a turma era muito “agitada”. Durante essa adaptação comecei a inserir música na nossa rotina, primeiramente nos momentos de relaxamento, a fim de “acalmá-los”. Comecei a perceber que as crianças estavam gostando desses momentos. Logo a música se tornou fundamental em vários outros momentos da nossa rotina. Porém a turma sentiu necessidade de ter um rádio na sala, pois o rádio que nos foi disponibilizado no início do ano estava quebrado, sendo assim, quando precisávamos, tínhamos que pedir emprestado de outras salas.
Um determinado dia, não conseguimos encontrar um rádio disponível na escola, as crianças ficaram bastante frustradas e apresentaram questionamentos como: “Por que só a nossa sala não tem rádio?”, “Não vamos fazer a atividade porque não tem rádio?”, “Por que você não compra um rádio?”, frente a esses questionamentos, organizamos uma roda para conversar sobre o assunto. Nessa roda de conversa, decidimos de uma forma muito espontânea fazer um “protesto”, já que muitas crianças relataram ter visto essas manifestações na televisão. Durante a conversa, tratamos de assuntos como democracia, cidadania, direitos e deveres, para então reivindicar o direito da turma. A princípio fizemos um levantamento das atividades em que o rádio era indispensável, e a partir dos argumentos levantados, elaboramos uma carta coletiva solicitando um rádio para a direção da escola, depois disso realizamos uma “manifestação” e entregamos as solicitações para a equipe gestora.
A solicitação da turma foi atendida no começo do segundo semestre, a equipe gestora fez a entrega oficial do rádio para a turma que reagiu com muito entusiasmo e contentamento. Organizamos uma roda de conversa e falamos sobre os cuidados com o aparelho adquirido e as crianças muito felizes se comprometeram a cuidar “como se fosse um bebê”.
Elaboramos coletivamente uma carta de agradecimento para a equipe gestora, as crianças entregaram e finalizamos com a gravação de uma “entrevista” onde as crianças contaram como foi o processo de aquisição do novo rádio.
Relaciono essa ação com o curso e especificamente com a aula 2 “Respeito Mútuo” que nos convida a refletir acerca da soberania do respeito mútuo como vetor de todas as ações dentro da escola e que “falar sobre conflitos, divergências, proposições e soluções requer a construção de um espaço de confiança, onde todos precisam se sentir a vontade para falar sincera e abertamente para tanto é fundamental tomar certos cuidados, como: acolher, propor combinados, distribuir a fala, observar a dinâmica do grupo, fazer uma escuta qualificada e até ritualizar”.
Acredito que nessa ação contemplamos a escuta e o diálogo, visto que não é possível respeitar alguém sem reconhecê-lo como sujeito de direito.
A equipe gestora foi muito parceira nessa ação e pude refletir sobre como essa parceria foi importante também, na aula 6 “Práticas Democráticas na Escola”, pois a partir da escuta e do diálogo com a gestão, conseguimos a participação real e o poder decisório das crianças que se sentiram extremamente valorizadas, pois a prática democrática está totalmente relacionada com os direitos humanos.
Bom, como me convidaram a refletir, se eu fizesse novamente uma ação parecida ou se o tempo voltasse e eu pudesse colocar em prática o que aprendi no curso, com certeza usaria o caderno “Democracia na Escola” como base para as reflexões e envolveria nessa ação todos os funcionários da escola, família/comunidade, aproveitaria as reuniões pedagógicas, reuniões de pais, Conselho de Escola e APM para conversar sobre o assunto a fim de criar um “conselho mirim” e assembleias na escola onde todos, crianças e comunidade escolar pudessem refletir coletivamente sobre as questões da vida escolar.

Obs: Tentei anexar os vídeos e fotos, porém, não consegui.