Tarefa 6 – Curso REP! – Alana Micaela Fornazza Castro

Data

4 de agosto de 2020

Cursista

Alana Micaela Fornazza Castro

Função

Assistente de Direção

DRE / Unidade Educacional

São Miguel Paulista

Escola

Emef Juscelino K. De Oliveira

http://Relato No ano letivo de 2019 a Unidade Escolar recebeu uma aluna que se declarava Transexual. Tão logo sua chegada à escola a direção desta realizou o acolhimento da educanda, explicando que o Projeto Político Pedagógico desta era voltado à defesa dos direitos dos alunos serem livres para ser o que são e que estávamos desenvolvendo um trabalho de empoderamento das minorias, bem como buscando a valorização de suas representatividades. A direção, ao conversar com a aluna, a questionou sobre qual banheiro ela se sentia melhor para utilizar, uma vez que os banheiros da unidade escolar são separados por gênero. Naquele momento a aluna não se sentia confortável para utilizar o banheiro das meninas, pois não sabia como seria a aceitação dos demais alunos e funcionários. O diretor deixou claro que a aluna poderia utilizar o banheiro ao qual ela se reconhecesse e se sentisse melhor em utilizar. Ao longo do ano letivo a aluna foi se sentindo mais pertencente ao grupo e, sendo assim, mais a vontade para utilizar o banheiro feminino. Neste momento a direção foi questionada por um grupo de alunos e, posteriormente por vários pais e responsáveis pelos alunos sobre o motivo de um “menino” estar utilizando o banheiro das meninas. A partir deste momento, para preservar a identidade da aluna e seus direitos fundamentais, a direção da escola passou a travar diálogos com os órgãos da Diretoria Regional de Ensino, como o Núcleo de Apoio e Acompanhamento Pedagógico (NAAPA) que deu todo o suporte legal e pedagógico para que a direção iniciasse uma conversa com o grupo de professores e funcionários da escola, bem como os alunos e a comunidade escolar. É importante destacar que a aluna, assim como sua família, foram acolhidas pela escola que demostrou todo seu apoio e empenho para preservar os direitos da educanda e garantir que ela tivesse a liberdade e segurança de ser o que ela é. A gestão escolar iniciou uma série de conversas com os alunos e comunidade, preservando a identidade da aluna, sobre os direitos legais que esta teria de utilizar o banheiro de acordo com o gênero que ela se identificasse, assim como apresentar a proposta pedagógica da escola que luta pela inclusão e valorização de todas as minorias. Essas conversas foram realizadas com os pais e membros da comunidade que procuraram a escola e com os alunos, foram estabelecidos uma série de diálogos e ações educativas focas na diversidade de gênero. A escola, já neste momento, contava com um coletivo chamado “Empoderamento das Alunas Negras”, coletivo este que a aluna passou a fazer parte, sendo uma das instâncias de debate com os alunos sobre a diversidade de gênero. Ao final do Ano Letivo de 2019 o coletivo apresentou seus trabalhos em uma reunião setorial da Diretoria Regional de Ensino onde esta aluna teve um grande destaque, sendo a oradora do evento. Hoje já no Ensino Médio, em uma escola de outra rede de ensino, a educanda encabeça diversos projetos escolares de valorização da mulher negra e do aluno trans. Esta foi uma das experiências mais marcantes que passamos na Unidade Escolar, pois mostrou como nosso papel de educador tem um peso importante na construção e valorização das identidades dos educandos.