Tarefa 6 – Curso EDH – Viviane Maria Cruz

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Viviane Maria Cruz

Função

Prof de Ed Infe Ensino Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

EMEI Jardim Myrna

Viviane Maria Cruz – [email protected]

Curso EDH – Desafios do Contexto Atual

Cursista: Viviane Maria Cruz

 

A identidade da criança negra sob a perspectiva positiva

 

A sequência de atividades que serão propostas a seguir, surgiu de uma série de fatos, acredito que surgiu na minha infância, eu sou negra e só na vida adulta e como professora parei para me dar conta ou deixei de negar as implicações e as marcas as quais fui me deparando ao longo da vida, ser negra no nosso país, não é uma tarefa fácil, no mundo de uma forma geral, mas dentre tantas facetas que foram sendo propositalmente construídas e planejadas, o racismo no Brasil é inconcebível de uma vez que o povo brasileiro tem a sua formação indígena, negros e portugueses.  Bom esse é um tema, no qual não tenho pretensão de me aprofundar, que por sinal foi libertador aprender sobre os modos de subjetivação e marcadores sociais de diferença.

Esse ano completo cinco anos atuando na Educação Infantil e de um tempo para cá, alguns fatores recorrentes começaram a chamar minha atenção nessas crianças tão pequenas, a “indisciplina” e a pouca ou praticamente nula participação nas rodas de conversas e curiosamente, as crianças com tais comportamentos eram negras ou oriundas de condições econômicas bem precárias, levando em consideração que sempre lecionei no extremo da zona sul, bairros afastados como Vargem Grande, Jardim Três Corações, Vila Natal e por fim, Jardim Sete de Setembro, ou seja, as condições socioeconômicas desse grupo é muito semelhante, no entanto, infelizmente existem famílias que vivem situações ainda mais precárias que as demais. Dentre esses dois fatores, notei que era muito comum as crianças negras não expressarem com espontaneidade suas percepções ou hipóteses sobre diversos temas que muitas vezes se dava no momento da história, aquele momento mágico da história em que somos desafiados a pensar como solucionar o conflito e as crianças por si só são muito espontâneas, no entanto, para esse grupo em especial, tive que começar a usar outras estratégias para garantir o direito de expressarem, e sentirem seguros para fazer suas colocações como as demais crianças.

Por fim, a aula intitulada Raça e Relações étnico-raciais: branquitudes e algumas questões étnico-raciais e outras pesquisas foram essencial para me basear, o quão é importante que a criança na sua primeira infância tenha a sua identidade racial construída de forma positiva, especialmente a criança negra, pois o racismo e a depreciação de ser negro em nosso pais se dá de forma silenciosa e é culturalmente desde de muito cedo que propaga-se a ideia que existe uma raça superior, assim como os privilégios que são reservados as mesmas. A partir desse curso, percebi que minha hipótese tem algum fundamento, ou seja, as crianças percebem as diferenças físicas, principalmente a cor da pele e o tipo de cabelo.  E que se eu não trazer essa temática para a minha aula, onde ela irá aprender sobre o assunto? Aprenderá pela mídia e redes sociais? Seus responsáveis têm suporte o suficiente para tratar a complexidade do assunto? Concluo que a construção da identidade de forma positiva da criança negra se dê em toda a Comunidade Escolar, mas ela precisa e deve iniciar, aliás, se faz urgente! No entanto, enquanto não conquistamos essa construção numa esfera maior, os primeiros passos se darão no grupo menor, na expectativa que se amplie e qualifique-se cada vez mais.

  • As atividades propostas serão desenvolvidas com crianças da Educação Infantil, que têm entre quatro e cinco anos e fazem parte da EMEI Jd. Myrna, na cidade de São Paulo.

 

  • Desejo que a partir da minha prática educativa, a criança perceba-se tal como ela é criança, com suas características físicas, com uma auto imagem positiva, empoderada, dotada de direitos e deveres. Da mesma forma que anseio que a temática ganhe um espaço no momento de estudo com o grupo de professores da unidade;

 

  • Objetivos:
  • Proporcionar que as crianças se reconheçam de forma positiva quanto a sua etnia e suas características físicas;
  • Construir um ambiente seguro e positivo para o aprendizado;
  • Apresentar referências da sociedade positivas quanto a etnia;
  • Dar voz e potencializar a autoestima das crianças negras;
  • Identificar e reconhecer as diferenças físicas como algo positivo;
  • Possibilitar que as crianças se reconheçam como pessoas dotadas de direitos e deveres;
  • Impedir a propagação e perpetuação do racismo;

 

  • A sequência didática se dará ao longo do ano, pois o tema é complexo e rico para se dar por encerrado. Vale ressaltar, que algumas dessas possibilidades já estão sendo propostas para as crianças nas sugestões de atividades, postadas na rede social, nesse período de afastamento social.

 

  • Sequência:
  • Vivência em grupo: Vamos observar os nossos colegas?

A turma será organizada em duplas para esse momento, em que deverão tatear o corpo do colega, olhar atentamente. Para esse momento vamos fazer uso do espelho. Depois faremos o momento de socialização. Penso em algumas perguntas mote para conduzir esse bate papo (O que você percebeu? Como foi tocar no corpo do seu colega?

  • Explanação sobre a Constituição do Povo Brasileiro (adaptação para linguagem infantil)

Uso de alguns recursos visuais (imagens, acessórios, mapa, globo terrestre, sucata e etc.)

  • Brincadeiras de origem indígena e africana (Arranca Mandioca; Amarelinha Africana; Iapo, Peteca, e outras…)

 

  • Momento da história serão várias ao longo do ano:

Meus contos africanos; A Criação do mundo e outras lendas da Amazônia; As Tranças de Bintou, de Sylviane A. Diouf; Que Cor É A Minha Cor?, de Martha Rodrigues Col. Griot;

O Menino Marrom, de Ziraldo Alves Pinto;

A Bonequinha Preta, de Alaide Lisboa de Oliveira;

Chico Juba, de Gustavo Gaivota;

Minha Princesa Africana, de Marcio Vassalo; O tupi que você fala; UBUNTU; e entre outras…)

 

  • Confecção de brinquedos:

(Peteca, Amarelinha, Boneca Abayomi)

  • Momento de Beleza

(Participação de alguma mãe em especial, para auxiliar em penteados que valorizem o cabelo afro, e bate papo sobre o uso de acessórios e suas representações na cultura afro – terere, tranças nagô…)

  • Vídeos:

“As Aventuras dos Sete Anões – português de Portugal;

Kiriku e a Feiticeira;

 

  • Apresentação de Inventores (as) negros;

A avalição desse projeto se dará através de anotações quanto ao interesse da turma nas atividades propostas, a escuta atenta, assim como a devolutiva por parte das famílias, percepção sobre a autoconfiança e protagonismo em especial das crianças negras na turma.