Tarefa 6 – Curso EDH – Vilma Lopes de Souza

Data

3 de agosto de 2020

Cursista

Vilma Lopes de Souza

Função

Professr de Ed.Inf. e Ens.Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

São Miguel Paulista

Escola

EMEI Prof.APPARECIDO DOMINUES

EDH – DESAFIOS DO CONTEXTO ATUAL

Participante: Vilma Lopes de Souza RF: 684.643.2

e-mail: [email protected]

 

Titulo: Projeto Cabelo Bom é o que?

 

Justificativa

Este projeto surgiu da necessidade em trazer para dentro da escola de educação infantil a questão dos tipos de cabelos em conseqüência de uma mãe ter nos relatado que sua filha tinha chegado a casa chorando dizendo que as coleguinhas estavam dizendo que seu cabelo era feio. Com esta informação da mãe,passei a observar as crianças enquanto brincavam,e sim,entre um brinquedo e uma brincadeira,pudemos constatar  falas de algumas crianças com a menina sobre seu cabelo.Após estas observações,compartilhei com meu companheiro de sala sobre as ocorrências presenciadas,e no entendimento que é na fase infantil onde muitos valores são assimilados e internalizados,nesta fase também inicia-se o processo de formação de identidade do indivíduo,assim,ao presenciarmos tais atitudes dentro da escola,faz-se urgente uma intervenção,uma vez que a escola é uma espaço propicio as interações,a socialização com diferentes sujeitos,agregando conhecimento e  aprendizagem .Desta maneira,elaboramos o Projeto Cabelo Bom é o que?Justificando suas ações que estarão pautadas no combate ao racismo, seja ela implícita nas brincadeiras, gestos, movimentos ou explicitas através de linguagens ou comportamentos das crianças, não legitimar falas preconceituosas que algumas vezes surgem das crianças embutidas em imagens que classificam esta fase como ingênua e inocente. Faço questão de trazer uma citação da Professora e pesquisadora Eliane Cavalheiro em seu livro precioso Do silêncio do lar ao Silêncio Escolar, racismo, preconceito e discriminação na educação infantil-(2010) “As crianças em idade pré-escolar já interiorizam idéias preconceituosas que incluem a cor da pele como elemento definidor de qualidades pessoais (pag.66), ou seja, para Cavalheiro as crianças já na primeira infância, trazem consigo valores adquiridos no âmbito familiar que são carregados de discriminação e preconceito, cabendo assim, a Escola, enquanto espaço formador, trazer e proporcionar vivencia e aprendizagens significativas de perceber e respeitar o outro em sua diversidade étnica, social e cultural, valorizar sua historia e ancestralidade. Assim surgiu este Projeto, Cabelo bom é o que? que nos proporcionou muitas descobertas, compartilhamento de idéias, envolvimento de muitos parceiros da escola e convite para ser apresentado na Jornada Pedagógica da DRE MP. Nossa intenção é dar continuidade, desta vez envolvendo as famílias, a comunidade do entorno, as Escolas e um Centro de Convivência próximo da nossa escola, para que esse assunto se expanda,torne-se tema de debates, de reflexões e de profundo orgulho em ter um cabelo como bem desejar e por fim contribuir para a alto estima de tantas crianças, jovens e por que não dizer adultos, que em algum momento sentiu dor ou sofrimento por não corresponder a expectativas pré-concebidas.

 

Finalidade

A finalidade deste projeto é proporcionar reflexões sobre os tipos de cabelos, combatendo atitudes preconceituosas e racistas que resultem em dor ou sofrimento de crianças, colaborar e valorizar a diversidade étnica e assim contribuir para a alto estima das mesmas.

 

Objetivos

Os objetivos deste Projeto são: Combater comportamentos ou falas preconceituosas ou racistas na Educação Infantil, proporcionar aprendizagens significativas a valorização da diversidade étnica e cultural e promover o respeito ao outro.

 

As Etapas /Seqüencias

  • Identificação do problema,
  • Elaboração do projeto
  • Seleção de materiais,
  • Compartilhando com os pares,
  • Envolvendo as crianças,
  • As ações,
  • As parcerias,
  • As oficinas,
  • A reunião de pais.
  • A turma.

 

 

 

 

Resultados Esperados

Nossa expectativa esteve centrada em observar nas crianças falas e comportamentos diferentes daqueles anteriores e ao final das atividades, oficinas e ações pudessem revelar novos entendimentos e atitudes sobre tipos de cabelos, cor, pele, etnia.

 

Novas possibilidades

0 cabelo é um dos alvos preferidos daqueles que corroboram para a não valorização da existência da ancestralidade africana do povo brasileiro. (Profª Luciana Alves -aula 2) E esta  negação ,traduzida muitas e muitas vezes em profundo desrespeito ao ser humano,causando dor e sofrimento,repetidas  falas como essa em que culminou este Projeto e tantas outras possibilidades,inclusive de auto-estema e empoderamento,através de ações,reuniões,conversas e diálogos que certamente trarão novos olhares,novas posturas desde a Educação Infantil. Quando apresentamos este Projeto na Jornada Pedagógica a pelo menos 400 educadores da DRE de São Miguel Paulista, presenciamos relatos destes mesmos educadores que remeteram suas experiências seja na infância, mas, sobretudo na escola, que haviam sofrido discriminação com seu cabelo, ou mesmo não aceitarem a característica de seu tipo de cabelo. Assim,as possibilidades para a continuidade do Projeto são promissoras,pois estende-se  além da esfera da Educação Infantil,obviamente que nesta ,se faz necessária e urgente ,porém ir as formações de professores,nas reuniões de pais e comunidade de maneira mais profunda,abrangendo o atual cenário mundial.

 

Duração

Este Projeto tinha a duração inicial de ocorrer em três meses, mas durou seis meses, afinal era fim de ano e precisávamos encerrar nossas atividades, assim nossa pretensão é retorná-lo para compor as atividades de todo o ano letivo.

 

Avaliação

Observamos ao longo das seqüência, que as falas sobre cabelo ruim, haviam desaparecido, e a mesma mãe que nos relatou o problema, ao final do ano nos revelou que agora a filha tem muito orgulho dos seus cachinhos, nos proporcionando uma grande satisfação, porém conscientes de que nosso trabalho estava apenas começando.

 

 

 

O Projeto Cabelo bom é o que? E a aula de numero 2 da Professora e pesquisadora Luciana Alves – Raça e Relações Étnico –Raciais: Branquitude e algumas questões étnico –raciais.

 

Na primeira parte da aula da Professora Luciana ela fala sobre branquitude,e privilegio racial:”Quando nascemos nos ensinam a partir de um pertencimento racial,nos classificam e nos dizem a qual grupo pertencemos se somos negros ou brancos e assim vamos nos constituindo,no entanto,para quem é negro ,isso pode se tornar um grande sofrimento,a descoberta da negritude importa em muitas dimensões nem um pouco positivas,e lidar com o cabelo é um destes aspectos.’’Importante ressaltar que,a pronuncia da criança que rotula o cabelo da outra,esta reproduzindo um aprendizado fora do contexto educacional,mas que no entanto já foi assimilado por ela,que alias,sente-se superior e com um cabelo mais “bonito” portanto melhor do que da colega,e esta por sua vez,ainda não havia se reconhecido como negra,mas ao ser inferiorizada pela amiga sente tristeza e dor por não ter um cabelo bonito como daquela que o rotula.Ou seja ,a dominação da branquitude revela-se neste momento por classificar um cabelo,se bonito é porque pertence aos brancos e feio por pertencer ao negro.’’Brancos só se reconhecem enquanto brancos quando sugerem a negação racial’’(Luciana Alves).Outro momento interessante refere-se aos esclarecimentos que a Professora Luciana nos indaga sobre modelos e limitação da riqueza da diversidade humana.O que nós,enquanto professores estamos trazendo para nossas crianças?Brancas de Neve,Belas Adormecidas e todo esse universo estereotipado com peles claras,olhos azuis ,cabelos louros e lisos?O Cabelo bom preocupou-se com isso,trouxemos muitas historias,imagens,sobretudo imagens que a criança pudesse olhar e se reconhecer,personagens da literatura infantil africana que retratam a realidade social em que estamos inseridos.Chimamanda Ngozi Adichie nos alerta sobre o perigo da historia única.Muitos livros do acervo da Escola com personagens e historias infantis indígenas e africanas nunca haviam sido manuseadas pelas crianças,ou sequer os professores tinham conhecimento destes,compartilhá-los em uma Reunião Pedagógica foi fundamental para o desenvolvimento do Projeto.Outro ponto relacionado a aula 2,é quanto aos aspectos relacionais ou interativos discorrido pela Professora Luciana (Power Point) onde ela nos esclarece que nestes momentos podem surgir situações ou atitudes que requerem do professor intervenções de combate ao racismo,o professor precisa atuar como um aliado daquele (a) que esta vivenciando uma situação deste tipo.Este foi um dos grande motivos que nos impulsionaram no desenvolvimento do Projeto,escuta atenta,olhar sensível,consciência atuante,não silenciamento.Atitudes e ações que colaboram na desconstrução do racismo.

 

 

 

Referencias Bibliográficas

BRASIL,Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: Conselho Nacional de Educação/Ministério da Educação, 2004. Disponível em: http://portal.mec. gov.br/cne

—– Lei n. 10.639. Brasília, 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2003/l10.639.

CAVALLEIRO, Eliane dos S. Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2002

São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Orientações Curriculares: expectativas de aprendizagem para a educação étnico-racial na educação infantil, ensino fundamental e médio / Secretaria Municipal de Educação – São Paulo : SME / DOT, 2008

São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da cidade : Educação Infantil. – São Paulo : SME / COPED, 2019.