Tarefa 6 – Curso EDH – Silvia Maria da Silva Lima Lopes

Data

17 de julho de 2020

Cursista

Silvia Maria da Silva Lima Lopes

Função

Professora de educação infantil

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

CEI Jardim Colorado

 

                Professora: Silvia Maria da Silva Lima Lopes

                Unidade educacional – CEI Jardim Colorado

              Atividade do curso respeitar é preciso – Educação em Direitos Humanos

A DESIGUALDADE SOCIAL e o PRECONCEITO RACIAL

 

 Justificativa: estudando e refletindo sobre os conteúdos do curso em Direitos Humanos e a história da formação do povo brasileiro marcada pela desigualdade social e preconceito racial que gera tanta violência. Acreditamos que apesar de todos os problemas que a escola enfrenta hoje, ela uma instituição de proteção que merece destaque, pois abre as portas e acolhe a todos os alunos e famílias da melhor forma possível.

E os Direitos Humanos necessita ser trabalhados em todas as etapas da educação como assuntos e conteúdos interdisciplinares permanentes, tão importante e mais emergencial, que estudar e praticar os conteúdos de português e matemática. Porque a desigualdade social e o preconceito racial causam violência, problemas de saúde, preconceitos, que vai matando rapidamente as nossas crianças e adolescentes. Estudos tem mostrado os problemas que os alunos negros enfrentam  para permanecer na escola. Com taxas de evasão e repetência muito superior aos alunos de cor branca.

 

O trabalho destina a toda comunidade escolar (bebês, crianças, famílias, professores, gestores, apoio, limpeza, cozinha)

 

Finalidade: Como profissional de educação vejo a escola como espaço de apoio potencializador, positivo de segurança e proteção, desde que considere a integralidade das necessidades de todos. Para isso, é fundamental profissionais nas unidades educacionais qualificados e competentes, mas sobretudo, profissionais afetuosos, sensíveis, com escuta qualificada e abertos a lidar com os conflitos de maneira democrática, não violenta. Rompendo com o preconceito e a desigualdade social no ambiente escolar. Com profissionais comprometidos não só com conteúdo pedagógico de qualidade, mas também comprometido com os direitos humanos. Com uma educação integral (intelectual, socioemocional e comportamental), capaz de reformular, problematizar situações do cotidiano sempre que necessário para atender as necessidades de todos.

Objetivo: trabalhar e construir uma educação antirracista nas práticas sociais diárias, nas exposições pedagógicas (mural, com fotos, cartazes) e nas propostas e projetos pedagógicos, nos materiais pedagógicos. Valorizando e respeitando a diversidade humana (negro, branco, indígena), como algo que enriquece a vida intelectual, social e cultural de toda a humanidade. Porque a escola deve promover um ambiente onde se privilegia o diálogo, a diversidade, a colaboração, a não competição, e a capacidade de mediação dos conflitos inerentes à vida, formando um ambiente escolar  bom e agradável, que acolhe, ensina e cuida de forma atenciosa e respeitosa todos os seus bebês e crianças em suas diferentes necessidades, rompendo com a desigualdade social e  o preconceito racial.

Enfatizar a necessidade da formação da comunidade escolar, para que a mesma possa identificar e acolher de forma coerente as necessidades das crianças e bebês negros e não negros. Conforme a Lei 11.645/08 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sendo uma obrigação que deve ser cumprida por todos e que necessita de estudo constante e fortalecimento da formação docente para que possamos atuar em conformidade com os dispositivos legais.

Duração: Direitos humanos devem ser estudado, trabalhados, praticados e vivenciados diariamente no cotidiano das escolas a longo prazo, ou sempre que necessário estudar e refletir.

Trabalho no CEI, iniciei este ano neste local, e percebo que há muitas práticas boas e são vistas, praticadas e vivenciadas no cotidiano da minha escola, mas como dizem os sábios tudo o que está bom, pode ficar melhor ainda.

Com base na formação do curso Respeitar é Preciso, vou citar algumas atividades em Direitos Humanos que podem ser desenvolvidas, vistas, praticados e vivenciados no cotidiano escolar.

Atividade 1 Primeiro passo para o sucesso de boas práticas é a formação coletiva de toda comunidade escolar através do material respeitar é preciso, e os estudos sobre os Direitos Humanos. Com conhecimentos (leituras constante de forma crítica, de fatos reais que acontece em nossa família, comunidade escolar, no nosso bairro, cidade, país, mundo), de forma problematizadora, sensibilizadora, com disposição, envolvimento, coragem, responsabilidade para perceber com empatia( se colocando no lugar do outro, sentindo a dor do outro) que temos um problema grave, há séculos  e que não dar para esconder ou fingir que não existe. A realidade está estampada em todos os lugares do mundo. A desigualdade social e o racismo se manifestam e gera (violência, preconceitos, misérias e mazelas de todos os tipos, que mata as nossas crianças, adolescentes e jovens, adultos e idoso todos os dias).

Vivemos num país marcado pela desigualdade social e racismo. Moro na periferia e observo as crianças brincando sozinhas nas ruas, parques sem a companhia de um adulto. Totalmente em situação vulnerável, explorando os espaços. Percebo que a escola é a única oportunidade que eles têm de sonhar com um mundo melhor. Muitos não têm casa, falta alimentos, não tem referência familiar, A mulher fica grávida, o homem desaparece, a criança fica com a vó, ou uma vizinha qualquer.  A escola acaba sendo a única referência para a criança, como possibilidade de ampliar a construção de novos saberes, em muitos casos, o único espaço da comunidade que garante o Direito das Crianças em viverem as suas infâncias e de construírem a sua identidade, é a escola.

Com o período difícil, doloroso que estamos vivendo com a pandemia é possível perceber com muita clareza a desigualdade social, que até o “prefeito” da nossa cidade falou: “quem está morrendo é o povo da periferia que não tem uma alimentação saudável e nem acesso aos cuidados médicos adequados”. Muito triste, a periferia só é vista de forma negativa.

E a partir da formação continua da comunidade escolar como material educação em direitos humanos, com coragem, envolvimento, disposição, responsabilidade é que podemos investir em materiais ( livros, brinquedos e outros).Quando refiro a formação continua não necessariamente cursos fora do ambiente escolar para todos, pois sabemos que não é possível, mas organizar estudos internos .

2- Atividade: A escola que acolhe e recepciona todas as crianças, bebês, adolescentes e famílias de forma carinhosa e respeitosa desde o portão da escola. É muito positiva essa prática em que as famílias são recepcionadas desde o portão da escola com um bom dia, prestando informação sobre o cotidiano escolar, o dia letivo, ou dando alguma orientação necessária. Observo pelos relatos dos pais que a comunidade escolar valoriza muito esta postura e prática, quando principalmente o gestor da escola sai de sua sala, e vai acolher os pais. Pois passa segurança, carinho, respeito, responsabilidade e atenção a todos. Esta prática humanizadora promove uma educação inclusiva em que todos são bem vindos e acolhidos na escola, independente da classe social (se a família chega bem vestida e mora numa casa bonita, ou chega com vestes humildes e mora no barraco na comunidade)

Tenho dois filhos uma adolescente de 12 anos que estuda em escola pública da periferia, e um filho rapaz de 21 anos que estudou em escola pública, e atualmente faz faculdade, mas é bolsista.  Nunca paguei escola para os meus filhos. Observo que o acolhimento dos alunos pelos profissionais desde o portão da escola, e a postura pedagógica dos professores, são diferentes nas diversas instituições públicas. E isso, faz muita diferença e, traz impactos negativos ou positivos para a comunidade escolar e toda a sociedade. Por isso é  muito importante trabalhar essa  prática  para que seja vista, praticada pelos professores e a comunidade escolar, e jamais esquecida. A educação de qualidade começa no acolhimento do portão da escola.

Acredito e amei a fala do professor LUIZ, com relação a escola e família, pois o professor necessita reconfigurar os olhares de forma mais crítica e humanizadora para a história de vida de seus alunos, sem julgamentos. Nas minhas práticas pedagógicas sempre que percebo a mãe insegura com relação e escola, a gente dialoga com a mãe de forma empática,( se colocando no lugar dela também), comunica com a gestão para que a mãe possa entrar na sala, participar, vivenciar as experiências, tirar as dúvidas e sentir o ambiente escolar. Esta prática é maravilhosa e tem resultados positivos, pois se o professor desenvolve um bom trabalho, não há o que temer. Lembrando que é um direito da mãe conhecer a vida escolar dos filhos.

Entretanto, conforme sugere Cruz, é preciso também ‘descolonizar olhares e escutas’ (2004, p.91), considerando que tais condições evidenciam modos de vida singulares – mais distantes do padrão de vida da classe média e da sociabilidade centrada na família – e suscitam a necessidade de se pensar na multiplicidade das significações associadas ao habitar, ao viver e ao cotidiano, indo-se além da abordagem da questão social da precariedade e vulnerabilidade e dos processos psicológicos envolvidos.

3Atividade acolhimento da criança e da família na sala com a professora deve ocorrer diariamente de forma carinhosa e respeitosa escutando as vozes da infância e promovendo o protagonismo infantil (onde a professora planejou o ambiente com brinquedos, livros ou outros materiais para que os bebês e crianças possam brincar, interagir, divertir e se sentir felizes e seguros no ambiente escolar) Com uma proposta educativa inclusiva através de experiências coletivas, interações, brincadeiras, jogos, histórias, registros  com fotos em que todos sejam vistos e sintam representados de forma positiva em todos os espaços e ambientes. E a escola deve dialogar com as famílias passando segurança e sempre estabelecendo um vínculo de parceria escola/família. E o ambiente familiar também é potencializador de culturas e valores que enriquece o ser humano. Porque quando a criança chega à escola ela já traz consigo mesma uma história de vida, de sucesso ou não, em alguns casos.  Esta prática é enriquecedora para uma educação de qualidade. Porque caberá esta instituição não julgar, mas acolher, cuidar, educar com empatia e ampliar os seus saberes para que cada estudante se torne um cidadão autônomo crítico e protagonista de sua própria história.

Segundo o Currículo da Cidade de São Paulo pág. 94 “o brincar é um meio privilegiado de inclusão das crianças com ou sem deficiência, de diferentes classes sociais, etnias e gêneros. Ao brincar aprende-se a incluir, a não discriminar, a não excluir, desde que na própria brincadeira seja respeitado o tempo de cada um, bem como o conhecimento de cada criança participante. Além disso, é importante que seja combinada entre os participantes a melhor forma de tornar a brincadeira inclusiva, ou seja uma brincadeira em todos possam participar.”

Por isso o acolhimento dos bebês e das crianças é essencial na construção de sua identidade, é um compromisso. Cabe aos profissionais ter atenção aos espaços organizados para as vivências oferecidas, os tempos para elaborações, as críticas, as releituras e as materialidades para as criações e os questionamentos que os bebês e as crianças evidenciam sejam eles verbais ou gestuais. É preciso sustentar a possibilidade de que cada bebê criança que esteja nas Unidades Educacionais (UEs) seja convidado a reinventar e transformar o mundo.  (Currículo da Cidade de São Paulo -2019)

 Enfim, a escola precisa ter uma postura ética comprometida com o respeito e a justiça que rompe e desconstrói qualquer olhar discriminatório ou preconceituoso.  E para que as práticas funcione e tenha significado de verdade e possam sai dos papéis e ser praticados e vivenciados por todos, precisamos investir em formação com práticas sociais que comece no acolhimento dos estudantes no portão da escola e se mobiliza no universo escolar para que todos possam ser vistos, respeitados e valorizados na escola, e em toda sociedade com suas diferentes histórias de vida.

Não dar para um professor ensinar a criança aprender sobre os direitos humanos se ele próprio não enxerga, não respeita a pessoa que limpa o chão que ele pisa, ou o pessoal da cozinheira que prepara as refeições.  Exemplo: quando trabalhei no estado o aluno Lucas era muito inteligente e observador, mas não aceitava bem os combinados do grupo como ( fazer as atividades, cuidar com carinho dos livros, não jogar lixos no chão, respeitar os amigos e funcionários da escola, não correr nas escadas) e queria chamar atenção o tempo todo, causava no intervalo com alunos de outro grupo, derramava água na sala sempre, parecia de proposito, e falava chama a faxineira para limpar professora, a situação se repetia e tive que tomar uma atitude, disse: Lucas ela tem nome e está aqui para auxiliar na limpeza da nossa escola, e tem muitas salas  para limpar e o trabalho dela é tão importante como nosso aqui. Não dar para medir a importância do ser humano pelo que ele faz, ou o valor que ele recebe no salário do mês. Todo ser humano, e todo trabalho é importante. Precisamos colaborar crianças. Então nós vamos pegar um pano e secar a sala hoje, e sempre que precisar. O problema acabou ali mesmo, através do diálogo, reflexão, ação (pegamos um pano e secamos juntos a água) e das palavras de ouro “não faça aos outros, o que não gostaria que fizesse com você.” E diariamente dialogava com os alunos sobre a importância de cuidar da limpeza e valorizar todas as pessoas. Explicando que em casa ou em outros lugares, vamos encontrar pessoas com diferentes profissões, que ganha mais ou menos dinheiro pelo seu trabalho. Mas isso nunca é motivo para alguém se sentir mais importante ou menos importante. Um exemplo vivo disso é todo ser humano que nasce vai morrer, sendo pobre ou rico. A lei da vida é clara.

Devemos valorizar e respeitar todos os profissionais de limpeza, tanto, quanto o trabalho dos professores, ou qualquer outro serviço. Lembrando as crianças que um professor não pode desenvolver suas práticas pedagógicas com brincadeiras e experiências e interações que eles adoram em um ambiente sujo. Então, é urgente enxergar, valorizar e respeitar o trabalho tão importante e necessário como o da limpeza, apoio e cozinha. E em nossa sociedade é considerado um povo invisível, que percebe a sua falta apenas quando as ruas enchem de lixos. Aí ouvimos as vozes políticas e de toda a sociedade o pessoal que faz a limpeza urbana entraram em greve em busca de condições mínimas de sobrevivência.

A avaliação deve ocorrer de forma contínua, no final de cada mês, observando, escutando, dialogando com a comunidade escolar. Observando os espaços pedagógicos verificando se as brincadeiras, interações e experiências e espaços são inclusivos, e se atende as necessidades de todos .Atentar se as práticas pedagógicas em que ( educar e cuidar são ações indissociáveis) estão sendo desenvolvidas de forma cuidadosa, atenciosa e carinhosa com todos os bebês e crianças.  Verificar como está o trabalho colaborativo de toda equipe escolar (se todos estão sendo respeitados e valorizados em suas diferentes funções.

Enfim, é com uma formação contínua a longo prazo, sobre tudo o que acontece e continua acontecendo em nossa escola, na nossa comunidade, no mundo sobre a desigualdade social e o racismo, é que podemos trabalhar, avaliar, decidir o que queremos para nosso presente e nosso futuro. Sabemos que é através da formação, reflexão, ação, avaliação contínua sobre as nossas práticas diárias é que podemos transformar o presente e sonhar com um mundo mais humano e fraterno para todos. O material de educação em Direitos Humanos necessita sai dos armários e ser praticados e vivenciados no cotidiano da escola e ultrapassar os muros dela. E nunca podemos esquecer que tudo o que fazemos, conta de forma positiva ou negativa para a humanidade.