Tarefa 6 – Curso EDH – Sandra Cristina Floresta

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Sandra Cristina Floresta

Função

Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

Emef alferes Tiradentes

TAREFA DO CURSO EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS – 2020

Sandra Cristina Floresta – RF 7775318  

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Tema proposto: COMBINADOS DA TURMA

 

Justificativa: 

A violência é um problema social e muito presente dentro do território escolar. Observa-se a falta de respeito mútuo entre os diferentes atores que ali habitam, os vários conflitos que acontecem por inúmeras razões e grandes desentendimentos ao longo de todo ano letivo.

Nesse sentido, pensando em como entendê-la e resolvê-la e de que modo isso poderia ser estruturado dentro do espaço da sala e particularmente em determinada turma de alunos, que ali estão incluídos, surge uma proposta numa perspectiva mais humanitária: os “Combinados da Turma”. Estratégia essa que permite refletir sobre questões como direitos humanos, educar/cuidar e respeito.  Por isso, foi colocado como proposta entre tantos combinados que se possa ter o “CUIDAR DO COLEGA”. Este ato pressupõe que antes de cuidar do outro, o sujeito não se negligenciou e assim poderá colaborar com o colega. Essa ação serve de base para todas as reflexões e análises dos conflitos que vão surgindo no decorrer do ano letivo. A concepção de Educar/Cuidar, que são ações indissociáveis, precisam se materializar no cotidiano escolar e estar presente no Projeto Político Pedagógico da unidade. 

A escolha desse tema ocorreu também por ser complexo e processual, necessitando, portanto, de várias intervenções ao longo do ano. Ele não visa apenas a realização de algumas atividades isoladas, o que se propõe com esse trabalho é uma práxis de construção coletiva, reflexiva e mudança comportamental. 

Segundo Leonardo Boff, apresentado em “Saber Cuidar: ética do humano” quando ele cita a fábula-mito Higino na qual apresenta o ato de cuidar como “é um à priori ontológico, está na origem da existência do ser humano… que jorra ininterruptamente em cada momento e circunstância. Cuidado é aquela força originante que continuamente faz surgir o ser humano. Sem ela, ele continuaria sendo apenas uma porção de argila como qualquer outra à margem do rio, ou um espírito angelical desencarnado e fora do tempo histórico”.

Para que esse cuidar seja realmente interiorizado, precisamos intervir nos modos de agir ao analisar coletivamente a contexto social e entendendo como são organizadas e estabelecidas as relações constitutivo do ser, a partir da subjetivação considerando as questões étnicas raciais, de branquitude, negritude, geracionais, capacidades e de gênero, assim também como a produção social do sofrimento. Pensar a subjetivação, jeito de ver, perceber e pensar o mundo a partir dos marcadores de diferenças, como efeito de um conjunto de procedimentos que são amparados por conjunturas históricas e que portanto podem ser modificadas.

A quem o trabalho se destina: 

A todos os atores sociais em que ali habitam e se relacionam, mas venho realizando esse projeto com os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

 

Finalidade:  

A intenção deste trabalho educativo é transformar o território escolar em um espaço de acolhimento da diferença e de produção da cidadania. Pensar um modo de fazer, uma estratégia na qual possa abranger a todos num projeto societário em que todos tenham o mesmo sentimento de pertencimento. Para isso, precisamos reconhecer e entender os processos identitários e de poder dentro e fora do território escolar.

A orientação curricular a partir de competências socioemocionais colabora para uma educação que valoriza o autoconhecimento, a colaboração e a resolução de problemas, tão importante para o desenvolvimento de projeto de vida dos alunos, assim, como  para a sociedade vigente. Essas competências incluem um conjunto de habilidades que podem ser aprendidas, praticadas e ensinadas. Perpassam todas as disciplinas pois são habilidades que desenvolve a empatia, a criatividade, autonomia, autocontrole gerando um ambiente favorável à aprendizagem e abertura a novas experiências.

O currículo escolar precisa estar centrado nos estudantes do século XXI na qual dialogue com as diferentes realidades e respeite as diferenças culturais. Com alunos mais atuantes, críticos, colaborativos e que respeitem e sejam capazes de cuidar de sua comunidade local respeitando suas diferenças ao ampliar sua visão de mundo, considerando o outro com suas crenças e diversidades culturais. 

 

Objetivos e resultados esperados: 

Deseja-se com esse trabalho aprimorar a construção da cultura do respeito mútuo, que o aluno seja capaz de compreender as diferenças individuais e valorizar essa diversidade do ser humano. Assim, como refletir e entender os marcadores sociais de desigualdades presentes em nosso cotidiano que seja capaz de discuti-los e se posicionar a certa dos diferentes papéis sociais e desenvolva seu senso crítico, incluindo a formação de valores.

 

Duração: 

É um trabalho permanente, por ser processual e contínuo, precisando se constantemente retomado, principalmente quando surgem os conflitos. 

 

Sequência didática:

  1. Discussão nos grupos de trabalho da unidade escolar sobre o tema Educar/Cuidar e Educação em Direitos Humanos.
  2. Materialização destes estudos no Projeto Político Pedagógico. Enfatizar o papel da escola na valorização e respeito à diversidade humana. Definir objetivos de aprendizagem e desenvolvimento relacionados ao resgate da identidade da comunidade e do educando.  
  3. Rodas de comentários na sala de aula com o educando sobre a importância de uma construção coletiva dos combinados da turma e acrescentar a importância da inclusão do  “Cuidar do colega”.
  4. Resgate da história vivida por cada um para o fortalecimento da identidade individual e do próprio grupo enquanto classe. Pois assim, passamos a olhar o outro diferente, respeitando suas vivências, além de valorizar a nossa própria história. 
  5. Organização de projetos voltados ao resgate de brincadeiras antigas e atuais. As referências culturais de infância estão relacionadas as brincadeiras coletivas dos locais que habitam e no convívio com o outro. Conhecer os valores e hábitos de várias culturas nos torna mais sensíveis e possibilita enxergar que não existe uma cultura superior à outra, mas diferentes. 
  6. Escolhas de atividades que tratem temáticas dos marcadores de diferenças. Exemplo de narrativas de matrizes africanas: “A Semente que Veio da África” escrito por Heloisa Pires Lima, Mário Lemos, Georges Gneka e ilustrado por Véronique Tadjo sobre a árvore Baobá. O livro contém um mito de origem, uma lenda e uma narrativa. Há também uma série de fotografias desta árvore na qual se percebe claramente suas dimensões. No final é apresentado um jogo com sementes muito comum das culturas africanas. Acredito que aprender e valorizar diferentes culturas, conhecer nossas ancestralidades, nos mova a respeitar e valorizar a do outro. Por isso, é fundamental trazer para sala de aula referências positivas de todas as culturas.                                              

 

Avaliação: 

Ter um olhar avaliativo acerca do trabalho realizado na escola, só é possível por meio do feedback de todos os envolvidos no processo educacional, para isso são utilizadas algumas autoavaliações. Nas quais exigem muito diálogo, comprometimento, além de respeito e ética entre todos os atores envolvidos.

Por isso, acredito que a autoavaliação seja um importante processo de aprendizagem porque ajuda tanto o aluno a pensar sobre como ele aprende como possibilita que o professor reflita como ele ensina norteando, assim, o planejamento. 

Esse tipo de instrumento avaliativo permite apontar os progressos, avanços e perceber as necessidades de cada um. 

É visível também o fortalecimento da autoestima de cada educando, pois estão cada vez mais seguros e confiante. Este tipo de trabalho colabora para o sucesso do aluno também na aprendizagem dos conteúdos em sala de aula ao garantir sua progressão nos estudos e mudança de atitude frente à escolarização.