Tarefa 6 – Curso EDH – RUTE FERREIRA ALBUQUERQUE OLIVEIRA

Data

27 de junho de 2020

Cursista

RUTE FERREIRA ALBUQUERQUE OLIVEIRA

Função

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

EMEF ALÍPIO CORREA NETO

Conteúdo

Aproximação das famílias e dos alunos nas decisões escolares por meio da discussão e reflexão sobre os direitos humanos nas Reuniões de País. Sinto esta necessidade na escola em que participo, portanto, desejei fazer este planejamento aqui. A tarefa consiste em elaborar uma sequência de atividades de Educação em Direitos Humanos, explicitando sua relação com a vida cotidiana da escola, e como as famílias e os estudantes podem contribuir de forma democrática para a construção da cultura de respeito mútuo. Esta proposta visa ampliar a participação das famílias e dos estudantes nas tomadas de decisões escolares, pautadas integralmente nos direitos humanos. Para tanto, faz-se necessário encontros entre todos os agentes da comunidade escolar, bem como, a elaboração conjunta de um protocolo de funcionamento.

 

Objetivos

  • Fortalecimento da relação Escola-Família.
  • Ampliação da participação das Famílias nas tomadas de decisões da vida escolar.
  • Transformação da Escola num espaço democrático.
  • Transformação da Escola num espaço crítico voltado para reflexão sobre os Direitos Humanos.

 

Anos

Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II e Ensino Médio.

 

Tempo estimado

6 encontros escolares com três horas/aula cada.

 

Duração: Embora a sequência tenha seis etapas, foram estipuladas dezoito horas/aula para a sua execução. Essa escolha foi feita sabendo que a construção dos conhecimentos pedidos em cada atividade pode levar mais de uma aula.

 

Desenvolvimento

 

1ª etapa – Relação Família e Escola

 

Nessa etapa inicial, convide as famílias, acompanhada dos alunos para uma assistir a palestra do professor doutor Luiz Fernando de Oliveira Saraiva acentuando as principais reflexões expostas, sendo elas:

  • A centralidade da família
  • Relações entre Estado e família
  • Relação Família e Escola

 

A partir do exposto no nos tópicos acima, a equipe escolar, as famílias e os estudantes são convidados a uma discussão conjunto, por meio de uma roda de conversa, onde a seguinte reflexão é proposta:

 

“Que relações Família – Escola gostaríamos de construir com nossos estudantes? O que queremos afirmar, o que queremos produzir com essas relações? Aos estudantes, como é percebida essa intersecção Família – Escola?”

 

Reserve um tempo para que os pais e alunos pensem e busquem argumentos.

Em seguida, analise coletivamente as respostas fornecidas e anote as principais conclusões. Se possível, defina um entendimento geral para o grupo e explicite-o ao grupo presente.

 

Sondagem: essa primeira atividade serve como uma sondagem inicial. Ela é interessante porque põe os estudantes e as famílias em contato com uma situação real em que precisam repensar os seus saberes.

 

Organização da turma: ao optar pelo trabalho coletivo, a intenção é fazer com que cada um acesse os conhecimentos que possui e busque solucionar a questão coletivamente, construindo um processo democrático e fortalecendo o diálogo desde o início. A proposta, que envolve todos, visa à socialização dos procedimentos para que, por meio do debate, os alunos, familiares e membros da equipe escolar presentes, cheguem a conclusões comuns.

 

2ª etapa – Raça e relações étnico-raciais: branquitude e algumas questões étnico-raciais

 

Proponha que as famílias e os alunos elaborem uma análise sobre como as relações raciais são discutidas pela escola e como essas relações impactam no desenvolvimento escolar e social dos estudantes.

 

Um erro muito frequente ocorre quando se obtém uma resposta nula, ou quando os estudantes e as famílias entendem que a abordagem racial não deve fazer parte das questões escolar. Esse equívoco pode ser uma fonte de discussão para a maior compreensão do papel da família e da escola nas questões relativas aos Direitos Humanos e, inclusive, pode-se utilizar este espaço para discutir a função da Escola como um espaço para emancipação dos indivíduos. Para estimular a discussão, traga essa opção de resposta aos participantes e analise-as coletivamente. É fundamental instalar no grupo a necessidade de elaborar um entendimento coletivo, com base nos Direitos Humanos.

 

Para efetivar a discussão, a Escola apresenta a palestra “Raça e relações étnico-raciais: branquitude e algumas questões étnico-raciais” da profa. Luciana Alves.

 

Encadeamento das etapas: preste atenção em como os desafios são colocados ao longo da sequência. Na primeira etapa, é proposto que os estudantes encontrem soluções para a questão “Que relações Família – Escola gostaríamos de construir com nossos estudantes?” Na segunda, são apresentadas análises para que as famílias e os alunos avaliem como as relações raciais contribuem para o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes, para que avancem um pouco mais e entendam que a questão racial está no centro da vida escolar e impactam diretamente as relações dos estudantes e de suas famílias com a sua vida escolar. Pensar as atividades de modo que, a cada nova etapa, um passo pequeno além é fundamental.

 

Adaptação: se, nessa atividade, o educador notar que a turma está com dificuldades de perceber a regularidade e generalizar o procedimento adotado, pode propor exemplos do cotidiano escolar e retomar o que foi discutido na primeira etapa. Fazer essa análise ao longo da sequência e, se preciso, retomar os conteúdos da palestra anterior é imprescindível para que a discussão seja pautada na escola que queremos construir.

 

 

3ª etapa – Modos de subjetivação e marcadores sociais de diferença

 

As atividades são iniciadas com a apresentação da palestra Modos de subjetivação e marcadores sociais de diferença, da profa. Jaqueline Teixeira.

 

Desenvolver, em conjunto com as famílias e os alunos presentes, uma perspectiva que mostre a discriminação interseccional – é importante que sejam acolhidos os relatados e exemplos das experiências de mulheres racializadas e, a partir disso, intervir.

 

Após a palestra, proponha que as famílias e os estudantes promovam um protocolo de ação para instituições de direitos humanos no ambiente escolar.

 

A proposta deve conferir inteligibilidade e visibilidade à “subordinação interseccional” e é preciso adotar uma política de “fazer outras perguntas”, para verificar se as propostas contemplam as discussões sobre os direitos humanos, já previamente discutida neste e nas aulas anteriores. As perguntas-guia são:

  • Onde está os sexismo nisso?
  • Qual a dimensão de classe?
  • Onde está o heterossexisimo?
  • Onde está o racismo?
  • De que forma esse problema é matizado pelo regionalismo?
  • Pelas consequências históricas do colonialismo?
  • Há alguma estrutura de poder que permite que essas estruturas continuem?

 

O objetivo dessa proposta é a turma estender o recurso identificado nas palestras anteriores e as suas múltiplas implicações, além de definir os protocolos para que devem ser seguidos pela Escola em relação aos estudantes.

 

Encadeamento das etapas: a progressão do desafio continua aqui. Com a atividade proposta, avança-se mais um pouco e estende-se a compreensão e dimensão política dos direitos humanos, validando-as nas relações escolares de modo democrático.

 

4ª etapa – Educação inclusiva 

 

As atividades são iniciadas com a parte I e II da palestra Educação Inclusiva feita pela profa. Biancha Angelucci.

 

Após a palestra, peça que aos presentes que respondam a seguinte questão:

“Quem queremos e o que queremos que entre na escola?”

 

Organize a análise dessa questão de maneira similar à proposta para a 1ª etapa. Proponha que sejam exploradas ideias e estratégias para que o ambiente escolar seja o mais humano e acolhedor possível. Analise-as coletivamente para estabelecer algumas conclusões.

 

Encadeamento das etapas: para finalizar, a classe dá um passo além para entender que é possível utilizar tanto do poder estatal quanto do poder local para criamos uma escola acessível a todos, respeitando as diferenças e acolhendo a diversidade. Um local em que os transtornos mentais sejam substituídos por relações saudáveis e mutuamente inclusivas.

 

Organização da turma: opta-se agora pelo trabalho em grupo. A decisão se justifica porque os presentes já consolidaram individualmente os conhecimentos no decorrer da palestra e do debate e agora podem discutir e negociar hipóteses com os demais.

 

5ª etapa – Gênero e sexualidade: transfobia e educação em direitos humanos

 

As atividades são iniciadas com a palestra Gênero e sexualidade: transfobia e Educação em Direitos Humanos feita pela profa. Paula Beatriz de Souza Cruz

 

Seguindo a organização das atividades anteriores, levar os presentes a um debate sobre as ações que a escola deve organizar junto com a comunidade escolar a fim de elaborar um protocolo de auxílio a comunidade LGBTQI+.

 

Nesta palestra, a participação de um membro da comunidade LGBTQI+ seria altamente valorada, a fim de criarmos uma comissão escolar voltada para auxiliar os alunos que necessitam de auxílio para proceder com a cidadania, como, por exemplo, a inclusão do nome social em seus registros.

 

6ª etapa – Produção Social de Sofrimento

 

As atividades são iniciadas com a apresentação da palestra Produção Social de Sofrimento, do prof. Rinaldo Voltolini.

 

Nesta atividade, os presentes serão convidados para uma breve reflexão sobre as condições de vida em sociedade que podem levar ao sofrimento e que muitas vezes são ignorados pela urgência da realidade do mundo globalizado. Os presentes poderão sugerir ações e metas para serem alcançada pela escola.

 

Ao final do debate, será efetuada uma avaliação.

 

Avaliação

Proponha que as famílias e os estudantes façam uma análise dos conteúdos desenvolvidos ao longo dos seis encontros e de como as relações educacionais foram afetadas por meio de uma visão democrática, que valorizam os espaços escolares como espaços pautada no respeito mútuo e nos Direitos Humanos.

 

Fonte: Proposta adaptada do curso EDH – Desafios do contexto atual, idealizado pela área de educação do Instituto Vladimir Herzog, em conjunto com a Secretaria Municipal de Ensino de São Paulo