Tarefa 6 – Curso EDH – Rita de Cassia Silva Menezes

Data

4 de agosto de 2020

Cursista

Rita de Cassia Silva Menezes

Função

Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I I

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

EMEI Cidade Ademar II

Rita de Cassia Silva Menezes – [email protected]

Educação em Direitos Humanos

Desafios do Contexto Atual

Diretoria Regional de Educação de Santo Amaro

Rita de Cassia Silva Menezes

RF: 8219265

 

Herança Cultural Afro-Brasileira

Nas Brincadeiras das Infâncias.

 

Justificativa

É na Educação Infantil que devemos valorizar a cultura negra e toda diversidade étnica e racial dentro da Unidade Educacional.  Através desta temática que ao invés de ser introduzido apenas em períodos estabelecidos, devemos nos apropriar de seus fundamentos e desenvolver propostas em todo ano letivo. Para tratar desta temática complexa, questão que deve estar nas escolas para mostrar sua importância e respeito às diferenças, pode ser abordada nas atividades lúdicas como brincadeiras, contação de histórias. Toda cultura que faz parte da infância, onde à formação da identidade acontece, devemos desenvolver propostas para a valorização da autoestima das crianças, de sua autoimagem criando modelos com representatividade e empoderamento confirmando essas expectativas e beneficiar todas as crianças no combate à discriminação nas escolas, desde os primeiros anos da Educação Infantil.

 

A quem o trabalho se destina

Crianças de 4/5anos.

 

Finalidade

A intenção desta proposta sequencial de atividades é de promover um trabalho educativo com intuito de desconstruir a reprodução dos padrões estereotipados, de preconceito ou superficialidade que a crianças muitas vezes são submetidas a conviver na educação referente às culturas dos povos indígena e afro-brasileiras. Para isso, as propostas devem vir de encontro com as reflexões sobre a importância das culturas, de se conhecer o repertório cultural para que as crianças tornem-se confiantes e sejam principalmente protagonistas. Através de histórias, brincadeiras, música, danças e tudo que agregue mais conhecimento e empoderamento, que sejam significativas e divertidas para ajudar na construção de um olhar positivo de si mesmas e do mundo, sempre de maneira leve e lúdica.

 

Objetivos

  • Estimular o respeito à diversidade, sem preconceito de qualquer natureza para uma convivência harmônica, valorizando as diferenças;
  • Apreciar e produzir manifestações culturais diversos, valorizando as identidades e culturas locais através de histórias e brincadeiras;
  • Considerar a perspectiva e os sentimentos do outro, colaborar com os demais e tomar decisões coletivas agindo com empatia, desenvolvendo a tolerância à frustração e promover a cultura da paz;
  • Ampliar e diversificar suas possibilidades de acesso a produções culturais e suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais, desenvolvendo seus conhecimentos, sua imaginação, criatividade, percepção, intuição e emoção;
  • Apresentar o universo literário à criança para despertar o gosto pela leitura, ao mesmo tempo em que auxilia na assimilação de valores sociais.

 

Materiais:

  • Vídeo da Comunidade Quilombola de Caçandoca;
  • Livros e/ou vídeos de histórias com a temática étnico-racial: como sugestão, os livros animados do Projeto A Cor da Cultura, entre outros títulos;
  • Cartelas com imagens e descrições de brinquedos ou brincadeiras de outras culturas (pode-se utilizar as imagens das produções da Comunidade Quilombola de Caçandoca, de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo) ou se inspirar nas produções culturais do projeto Território do Brincar e Mapa do Brincar;
  • Tecidos não transparentes e fáceis de manusear;
  • Palha de folhas de bananeira, palha de milho ou folhas de jornal ou revistas;
  • Peteca, aviãozinho e barquinho de papel e materiais de largo alcance naturais.

 

Duração

Durante todo o ano letivo.

 

Desenvolvimento:

Apreciação do vídeo de Comunidades Quilombolas e Roda de Conversa

Para iniciação das atividades propostas, será exibido o vídeo da cultura Quilombola da aldeia de Caçandoca e de outros quilombos para observarem os costumes, sua cultura e como vivem no quilombo. Este quilombo do vídeo proposto se localiza na região praiana do município de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. O acesso é feito por uma estrada de terra a partir da BR-101. Os quilombolas têm um modo de vida sustentável que garante a preservação das praias e de grande parte da Mata Atlântica. A banana é o principal produto vendido pela comunidade, além da produção para a venda, as famílias sobrevivem com uma agricultura para consumo próprio, complementada pela pesca e coleta de mariscos. Essas informações podem ser ditas durante a exibição do vídeo. Depois da apreciação do vídeo, será feito uma roda de conversa com as principais observações sobre o filme, deixando que se expressem relatando suas curiosidades, mas, sempre dando sugestões e informações, questionando e abordando seus modos de vida e toda sua cultura. A roda abre espaço para conhecer melhor as crianças e para entender as relações de preconceito e identidade. A roda é o lugar de propor combinados, discutir problemas e encontrar soluções.

 

Roda de Leitura e Desenho Espontâneo

O ambiente para a leitura da história será organizado em um local na área externa, ao ar livre, dispostos com tecidos e panos para ficar um ambiente mais acolhedor e agradável para a escuta da história. A contação de histórias merece lugar de destaque na educação infantil. Ela é o veículo com o qual as crianças podem entrar em contato com um universo de lendas e mitos e enriquecer o repertório. Textos e imagens que valorizam o respeito às diferenças são sempre muito bem-vindos. A escolha da história se dará a partir da curiosidade da turma ou votação para a escolha do livro, com a temática étnico-racial. Após a história, disponibilizar os diferentes materiais para que as crianças possam se expressar por meio da Arte: tintas naturais (produzidas por eles mesmos, com variados condimentos), papéis diversificados, gravetos, cola, tesoura, lãs coloridas, barbantes e argila.

 

Registro Artístico: Auto Retrato

Antes do início da atividade do registro com a proposta do autorretrato, vale a pena apresentar revistas, jornais e livros com histórias afrodescendentes se possível, para que as crianças se reconheçam (ou não) no material exposto, além de perceberem que as diferenças é o que nos torna especiais, cada um tem seu jeito. Este é um bom momento para introduzir os aspectos físicos de cada um, pedindo que se observem, mencionando a cor dos olhos, cabelo e pele. Quais os tipos de cabelos de cada um, e o que os diferenciam uns dos outros, sempre elogiando e valorizando suas características e também os associando a outras pessoas.

Aproveitaremos este momento para finalizarmos essa atividade com a projeção da imagem na parede, na qual as crianças farão o autorretrato no espelho, depois professora segurará uma lanterna que ao refletir no espelho, a imagem da criança será projetada na parede, assim todos eles poderão observar as imagens produzidas pelos colegas e assim observarem e respeitarem as diferenças.

 

Brincando com o diferente

Após a conversa, organizar o espaço com diferentes brinquedos ou cartelas com imagens duplicadas de instrumentos musicais, artesanatos, roupas típicas das comemorações festivas, animais daquela região e brinquedos ou brincadeiras de diferentes culturas (indígenas, quilombolas, rurais, urbanas, ribeirinhas, sertanejas, litorâneas), construídos a partir de elementos naturais, como madeiras, galhos, folhas, plantas, sementes, pedras entre outros. Cada canto deve ter, ao menos, um brinquedo ou cartela por criança, que podem ficar dispostos em cima de banquinhos, mesinhas ou ser armazenados em cestos ou caixas com diferentes matérias para exploração. Em seguida, as crianças serão divididas em pequenos grupos, podendo ou não atuar individualmente. Ao final, elas devem retornar à roda com suas impressões a partir da exploração e produções que venham a realizar. Estas produções ou apenas sua identificação pela imagem de sua preferência, devem ser fotografadas para posteriormente ficarem expostas nas salas de referência fixadas na parede, penduradas em varal com prendedores ou até mesmo em bandejas ou caixas, caso sejam construídos pequenas esculturas.

 

Confecção de brinquedos com materiais de largo alcance

Antes de iniciar a confecção dos brinquedos, disponibilizar um momento para que apreciem os vídeos dos brinquedos construídos com materiais do cotidiano das crianças nas comunidades quilombolas, brincadeiras relacionadas aos elementos da natureza como o ar e o mar, presente na Comunidade Quilombola de Caçandoca, de Ubatuba. Relembrar e se possível disponibilizar os materiais naturais como folhas de milho ou bananeira secas, a palha, para a confecção da peteca, barquinhos, carrinhos e os aviões e bicudas de papel, que podem ser confeccionadas com folhas de ofício, jornal ou revista para a exploração das brincadeiras que tanto fascina nossas crianças. Brinquedos esses que trazem a contemplação, que remetem a uma ideia de leveza considerados brinquedos de elemento da natureza. Terminado sua confecção, levar a crianças para a área externa para explorarem os brinquedos, ao som de músicas africanas.

https://www.youtube.com/watch?v=wXEjjIUOCck

https://www.youtube.com/watch?v=aGVttic7Xgw&feature=emb_title

 

Observação

Algumas atividades podem ser repetidas várias vezes, pois as crianças aprendem também com repetições e elas gostam muito, uma vez que vão se apropriando do conhecimento e vencendo os desafios e adoram brincar.

 

Avaliação

A avaliação será contínua e é importante não comparar as aprendizagens, e sim observar as características de cada criança dentro do grupo. Ao brincar elas não manifestam seu prazer e seu interesse da mesma maneira. Nem todas exploram o espaço da mesma maneira, algumas preferem se mantiver atentas, apenas observando, o que não significa que não gostam. É importante reconhecer as manifestações de prazer e desprazer dos alunos diante da atividade e durante as rodas de apreciação das histórias, das músicas e das brincadeiras. Assim, os critérios de observação durante as atividades e brincadeiras, serão analisados se as crianças incorporaram as aprendizagens em seu repertório cultural, se cantam e brincam espontaneamente e pedem, em outros momentos do dia, para que o professor comente sobre o tema de seu interesse. Essas observações podem fazer parte dos registros do grupo e individuais para posterior relatório das aprendizagens das crianças.

 

 Referências

Artesãos da mata – Quilombo da Fazenda, Ubatuba (SP)

https://www.youtube.com/watch?v=ljgXHTcT4Sg

A Cor da Cultura – Quilombo

http://antigo.acordacultura.org.br/acao/programa/quilombo

Mapa do Brincar

https://mapadobrincar.folha.com.br/

O contexto da escolha dos livros – Livros animados – A Cor da Cultura

http://antigo.acordacultura.org.br/livros/content/o-contexto-da-escolha-dos-livros

Sugestões de livros – Livros animados – A Cor da Cultura

http://antigo.acordacultura.org.br/livros/content/sugest%C3%B5es-de-livros

Livreto Gongue – A Cor da Cultura

http://www.acordacultura.org.br/sites/default/files/kit/Livreto_cdgongue.pdf