Tarefa 6 – Curso EDH – Renata Quaresma de Ávila

Data

17 de julho de 2020

Cursista

Renata Quaresma de Ávila

Função

PROF DE ED. INF. E ENSINO FUND I

DRE / Unidade Educacional

Ipiranga

Escola

EMEI REGENTE FEIJÓ

RENATA QUARESMA DE ÁVILA
SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES PARA O CURSO DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

·       TEMA PROPOSTO:

Relações Etnico-Raciais NA EDUCAÇÃO iNFANTIL

·       JUSTIFICATIVA:

As Políticas Públicas voltadas para o povo negro vêm sendo incorporadas por diferentes países e setores da sociedade atual. Elas trazem inúmeros questionamentos a respeito do discurso e das práticas eurocêntricas, homogeneizadoras e monoculturais em relação aos processos sociais e educativos trazendo à tona questões relacionadas às relações étnico-raciais (BARBOSA, 2011).

Isso porque dentre outros países, o Brasil foi marcado por um regime escravocrata em que predominava as ideias e imposições eurocêntricas. Após um longo período baseado nesse regime, em que negros eram trazidos da África para trabalhar como escravos em condições extremamente precárias e a fim de minimizar os erros cometidos ao longo do tempo, a sociedade passou a repensar sobre as questões étnico-raciais (SILVA, 2007).

[…] A necessidade de diretrizes que orientem a formulação de projetos empenhados na valorização da história e cultura dos afro-brasileiros e dos africanos, assim como comprometidos com a educação das relações étnico-raciais positivas a que tais conteúdos devem conduzir (Parecer CNE n° 003/2004, p.1-2).

Questões como o racismo, a insubordinação e a discriminação, ainda ocorrem nos dias atuais e por isso existe a necessidade da Educação fazer o seu papel, discutindo temáticas referentes ao assunto a fim de cooperar para o conhecimento dos estudantes reconhecendo sua história social, cultural e política, sua origem, e aprendendo a valorizar a si e ao próximo desde a Educação Infantil.

·       A QUEM O TRABALHO SE DESTINA:

Essa é uma sequência criada, pensando em uma turma com 35 crianças na faixa de 4 a 5 anos em uma Escola de Educação Infantil no Bairro do Ipiranga em São Paulo.

·       FINALIDADE:

A escola, segundo Silva (2007), funciona como um espaço que favorece as interações entre os indivíduos mesmo que de origens e níveis socioeconômico diferentes. Ainda, é um ambiente propício para o ensino de regras para o convívio democrático e o respeito às diferenças.

Por fim, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais: “[…] aí a realidade plural de um país como o Brasil fornece subsídios para debates e discussões em torno das questões sociais” (PCNs, 2007, p. 23-24).

Essa sequência de atividades enfatiza questões de ordem identitária, das relações étnico-raciais na Educação Infantil.

·       OBJETIVOS:

– Levar as crianças a valorizarem o ser humano, ajudando-os na reflexão, quanto às semelhanças, diferenças étnicas e sociais e relações familiares.

– Apropriar de valores como o respeito a si mesmo e ao outro;

– Elevar a autoestima das crianças;

-Promover discussão sobre os valores humanos, da beleza negra e da diversidade

– Levar a criança a perceber, que suas heranças, desde seu cabelo até a cor de sua pele muitas vezes são herdadas de seus familiares;

– Respeitar as diferenças.

– Fazer com que as crianças percebam as similaridades e diferenças entre as culturas africana e afro-brasileira e suas relações.

DURAÇÃO:

Após o retorno das aulas, quando as escolas retornarem ao atendimento presencial às crianças e famílias, essa sequência será feita em 12 dias, com 5 atividades.

ATIVIDADES:

1- Leitura do livro e escuta das crianças em roda, pois, ela proporciona perceber a si e ao outro. O livro escolhido para iniciarmos a proposta foi “As tranças de Bintou” (2004), de Sylviane Anna Diouf, que narra a história de uma menina de origem negra, trazendo também elementos da cultura africana.

De acordo com a publicação do Ministério da Educação – Educação Infantil e as práticas promotoras de igualdade racial (BRASIL, MEC, 2012, p. 39), – “crianças pequenas gostam muito de ouvir histórias, sejam elas lidas ou contadas”. A partir disso, iremos contar a história como ponto de partida para a sequência, pois “quando lemos um livro de outra cultura […] podemos aprender muitas coisas sobre o modo de viver em outro lugar, sobre hábitos e costumes, aprendemos a apreciar e a valorizar outras paisagens” (BRASIL, MEC, 2012, p. 40).

Levaremos 3 aulas, incialmente para contar a história, ouvir as crianças e levantar elementos presentes no livro, elencar o que as crianças observaram em uma roda de conversa.

2- Após a exploração da história e de seus elementos, entre eles as cores e as estampas, vamos distribuir quadrados de tecido para as crianças com canetinhas, tintas, giz de cera para que criem suas próprias estampas e fazer uma toalha com quadrados de tecidos pintados pelas crianças, levando-se em conta todas as possibilidades de cores e estampas apreciadas no livro e segundo as  Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, 2009, quanto às propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil, que devem prever condições para o trabalho coletivo e para a organização de materiais, espaços e tempos que assegurem o reconhecimento, para a valorização, o respeito e a interação das crianças com as histórias e as culturas africanas, afro brasileiras, bem como o combate ao racismo e à discriminação. Esses quadrados serão unidos e com a toalha pronta faremos um piquenique étnico no espaço da escola.

Levaremos 2 aulas, para concluir todo o processo da pintura com todas as crianças.

3- O livro nos mostra personagens com suas roupas coloridas e com estampas. Usaremos tecido, que temos na escola, para construirmos nossas roupas semelhantes aos trajes usados pelos personagens do livro.

Tempo de escolha e confecção para as roupas para os 35 alunos da sala: 3 aulas.

4- Elencaremos os pratos típicos africanos, como peixes, batatas e bolinhos. E enviaremos o pedido as famílias que façam um prato para enviar para o piquenique e que tragam em um sábado, a ser combinado para que todos possam participar (crianças e famílias).

 

AVALIAÇÃO

A avaliação será processual e de acordo com a percepção do envolvimento de cada aluno na ação.

CONCLUSÃO

De acordo com a pesquisa qualitativa realizada, é preciso um olhar mais atento para a Educação, trazendo uma reflexão permanente a respeito das relações étnico-raciais, bem como o seu estudo e presença no Currículo da Educação Básica.  A escola deve repensar a sua postura tradicionalista a fim de reformular suas práticas pedagógicas a partir da perspectiva intercultural valorizando as questões étnico-raciais.

Isso porque enquanto instituição social, a escola está marcada por diferentes momentos históricos, diferentes sociedades e culturas. A escola reflete a sociedade em que vivemos, e por isso, deve viabilizar a apropriação de conhecimentos socialmente relevantes, fortalecendo as diversas identidades e contribuindo para a formação e o exercício da cidadania.

Assim, a Educação, deve ter o compromisso de valorizar e respeitar à cultura negra, fundamental para formar cidadãos que construam um país mais justo e igualitário.

REFERÊNCIAS

 

 

ABRAMOVAY, M.; Mary, G. Relações Raciais na Escola: Reprodução de Desigualdades em Nome da Igualdade. Brasília: UNESCO, INEP, Observatório de Violência nas Escolas, 2006. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001459/145993por.pdf Acesso em 15 abr 2020.

 

BARBOSA, L.M.A. (Org.). Relações Étnico-Raciais em Contexto Escolar: fundamentos, representações e ações. São Carlos: EdUFSCar, 2011. 71 p.

 

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL (1996), LDB – Lei 9.394/96. Estabelece Leis, Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Brasília, 2003.

 

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: MEC, 2013.

 

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Pluralidade cultural e orientação sexual. Brasília, MEC, vol. 10, 1997.

 

BRASIL. Educação Infantil e práticas promotoras de igualdade racial: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica, 2012.

 

_____. Indicadores da qualidade na Educação Infantil. Brasília: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica, 2009.

 

CANDAU, V.M. Formação continuada de professores/as: questões e buscas atuais. In: Educação: temas em debate/organização Vera Maria Candau, Susana Beatriz Sacavino. – 1. Ed. – Rio de Janeiro: 7 letras, 2015.

 

SILVA, Paulo Vinícius Baptista da. Desigualdades raciais em livros didáticos e literatura infanto-juvenil. In: COSTA, Hilton e SILVA, Paulo Vinicius Baptista da. (org.). Notas de História e cultura afro-brasileiras. Ponta Grossa: Editora UEPG/UFPR, 2007.

 

Verrangia, D.; Silva, P.B.G. Cidadania, relações étnico-raciais e educação: desafios e potencialidades do ensino de Ciências. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.36, n.3, p. 705-718, set./dez. 2010.

 

___________. Conselho Estadual de Educação. Parecer nº 234/06, de 05 de setembro de 2006. Estabelece a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica do Sistema Estadual de Ensino.

 

DIOUF, S. A. As tranças de Bintou. Cosac Naify, 2004