Tarefa 6 – Curso EDH – Rafael Fernando da Silva Santos Fitipaldi

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

Rafael Fernando da Silva Santos Fitipaldi

Função

Professor fund. II e Médio.

DRE / Unidade Educacional

Penha

Escola

Emef Padre Serafin Martinez Gutierrez

Nome: Rafael Fernando da Silva Santos Fitipaldi   RF: 8462259/1 DRE Penha.

O tema proposto – um olhar aos migrantes e refugiados.

 

As questões a serem trabalhadas: a desconstrução do termo estrangeiro; o respeito ao migrante e ao refugiado; a compreensão dos termos relacionados as migrações, as principais razões pelas quais elas ocorrem e um olhar acerca da realidade dos refugiados e as principais razões pelas quais as pessoas fogem de seu país de nascimento em direção a outros; as migrações como direitos humanos; uma sensibilização para o respeito as culturas diferentes e o olhar para a xenofobia e os impactos dela na vida de seres humanos.

 

Justificativa – Na EMEF de trabalho docente e, também, no bairro onde a EMEF está inserida, percebe-se discursos de ódio e atitudes de desprezo, de distanciamento e desdém com pessoas que vieram de outros países, sobretudo da Bolívia e de alguns países africanos, como Nigéria, Angola, etc.

Durante o ano letivo anterior, uma família de Angolanos matriculou seus filhos na EMEF e percebeu-se grande dificuldade destes em inserir-se no contexto escolar, sobretudo pelo choque cultural e também porque os demais alunos evitam conversar ou mesmo realizar os trabalhos em grupos com eles.

Eram alunos muito calados, que pouco interagiam nas aulas e que mantinham relações com somente dois ou três alunos que sentavam-se próximos de suas carteiras escolares. Era como esses alunos permanecessem em isolamento.

Constantemente, realizava-se uma tentativa de integração entre esses alunos e os demais da classe, mas sempre havia grandes resistências de ambos os lados.

Após, os alunos angolanos passaram a ser alvo de “piadas” xenófobas, seja por conta de seu sotaque, costumes, estrutura familiar, etc.

No decorrer do ano, os alunos angolanos sumiram das aulas. Tempos após fomos informados de que saíram as pressas com destino ao Canadá, mas não se obteve qualquer outra notícia de paradeiro, tampouco do bem-estar ou dos motivos pelos quais saíram do país.

Cogitou-se que chegaram da África por problemas políticos, mas não ostentavam a qualidade de refugiados, em que pese em aparente situação de refúgio e ocorreu algum outro problema político aqui no Brasil, vez que mudaram-se as pressas.

Mas essa questão de estranhamento dos alunos nativos do Brasil com os alunos angolanos e algumas posturas de preconceito permaneceram como algo não muito bem resolvido.

Temos após, durante uma aula sobre migrações, discursos de ódio contra bolivianos residentes no bairro chamaram a atenção, demonstrando que essa relação entre migrantes e refugiados precisa ser retomada de forma mais efetiva para que plante a cultura do respeito aos povos e suas respectivas culturas, e se estabeleça um olhar a pessoa enquanto ser humano, independente da nação de nascimento.

A quem o trabalho se destina: o trabalho pode ser destinado a todos os estudantes, tanto do fundamental I quanto do fundamental II, vez que nos primeiros anos do ensino fundamental também existem alunos provenientes de outras nações. Outrossim, as atividades também podem ser dirigidas aos professores e equipe gestora e de apoio, já que os discursos de preconceito também estão presentes em diversas falas e em diversos momentos durante as relações com os alunos provenientes de outros países.

Finalidade – A intenção principal é estabelecer a cultura do respeito a pessoa, o reconhecimento de que todos somos sujeitos de direitos independente da língua falada, da religião praticada, do país de nascimento, do gênero que se reconhece, da identidade sexual que se identifica, etc.

Estabelecer um debate acerca de que antes de seu migrante ou refugiado, o indivíduo ostenta a qualidade de ser humano e é dever de todo a humanidade a garantia e proteção de tais direitos. Outrossim, estabelecer uma consciência crítica de que as migrações e os pedidos de refúgios ocorrem, na maioria dos casos, por consequências advindas desde o imperialismo praticado por países europeus e que geram até hoje impactos nas relações socioeconômicos de diversos povos no mundo e também é responsável pela manutenção de conflitos armados, que coloca em risco a vida de seres humanos.

Outrossim, compreender também que a ganância capitalista, na disputa pelo poder, pelo domínio das riquezas naturais, a intolerância, a falta de respeito pelas diferenças religiosas, sexuais e étnicas. por exemplo, faz com que milhares de pessoas tenham que fugir de seus países de nascimento para que não sejam mortas.

A partir desses debates, estabelecer um olhar de maior respeito aos migrantes e refugiados, aceitando-os como integrantes efetivos de nossa sociedade, em que pese ocorrem diferenças culturais, que podem, inclusive, ser positivas.

Objetivos/Resultados esperados – Espera-se que com esse trabalho permita-se a construção de uma sensibilização e consciência acerca das razões que motivam os migrantes e refugiados a realizar deslocamentos de um país ao outro e que não chegam ao Brasil para roubar os empregos ou as riquezas do país.

Assim, espera-se que, com a sensibilização e consciência crítica, a comunidade escolar deixe de ter atitudes xenófobas com migrantes e refugiados, que, por ventura, voltem a estudar na escola ou mesmo residir no bairro.

Duração – As atividades poderiam realizar-se em 4 aulas de 45 minutos cada, podendo ser estendida caso houvesse a necessidade.

As atividades que comporão a sequência:

Aula 1 – sondagem dos conhecimentos prévios, com registros e depoimentos sobre a visão dos alunos/funcionários acerca dos migrantes e refugiados.

Tempestade de ideias sobre as primeiras palavras que vem a cabeça quando se ouvem as palavras migrações e refugiados.

Análise de como se enxergam as principais razões pelas quais ocorrem as migrações e as situações de refúgios.

Aula 2 – análise das sondagens e aula expositiva sobre os principais termos e conceitos acerca das migrações e situações de refúgios. Análises de mapas com os principais deslocamentos (principais lugares e partidas e chegadas), os principais entraves em diversos países e as situações de xenofobia existente.

Análise do vídeo: “Xenofobia um crime silencioso”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=a93gRuIwW80. Data de acesso 05.08.2020.

Roda de conversas sobre o vídeo.

Aula 3 – estudos de casos sobre quatro casos reais de refugiados em histórias contadas por crianças.

1ª A história de Ivine e o travesseiro:

https://www.youtube.com/watch?v=TC2HgC_ecjg

2ª A história de Omar:

https://www.youtube.com/watch?v=LlpWznZEWss

3ª A história de Mustafá

https://www.youtube.com/watch?v=U6ftM1ixWy8

4ª A história de Malak e o barco

https://www.youtube.com/watch?v=0wXDmJu840I

Roda de conversas sobre os impactos e impressões dos vídeos assistidos.

 

Aula 4 – Nova sondagem para percepção dos conhecimentos e visões dos alunos acerca das temáticas, com o objetivo de descobrir se as primeiras impressões/opiniões se mantiveram ou se foram alteradas. Nova aula expositiva sobre as temáticas, reforçando/retomando alguns conceitos e dúvidas. Estudos de casos trazidos pelos alunos acerca das realidades de seu bairro ou história/experiências de vida.

 

Avaliação – Com a observação da participação dos alunos durante as etapas das atividades, sobretudo nas rodas de conversas e suas percepções anteriores e atuais sobre as temáticas abordadas.

Ao final, um registro escrito sobre essas impressões, com a possiblidade da escrita de uma carta aos refugiados, com possiblidade de publicação nas redes sociais, ou mesmo envio a Instituições que trabalham com respectivo público.