Tarefa 6 – Curso EDH – PatríciaTeixeira da Silva

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

PatríciaTeixeira da Silva

Função

Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

EMEF Prof.° Mário Schonberg

Curso: Educação em Direitos Humanos – Desafios para o contexto atual

Tarefa para conclusão de curso

Aluna: Patrícia Teixeira da Silva

RG: 33.427.606-8

CPF: 303.261.238-14

RF: 844.968-6/1

 

 

  • Tema proposto: Diversidade e respeito aos direitos humanos.

 

  • Justificativa: ao assistir todas as aulas do curso, refleti sobre a necessidade de abordar esses temas com meus alunos de 1º ano, de forma a prevenir a construção de pensamentos e comportamentos preconceituosos e de desrespeito aos direitos humanos. A aula 5, por exemplo, com o tema gênero e sexualidade, transfobia e educação em direitos humanos, chamou minha atenção porque lembrei de um dos meus alunos. Um menino da turma costumava usar frequentemente a palavra “viado” como xingamento direcionado aos colegas. Quando questionei o motivo de usar esta palavra, o aluno me relatou que sua tia o chamava assim quando o via brincando. E a criança não soube me dizer o que tal palavra significava. Pensando sobre esse episódio, compreendi a necessidade de trabalhar esse tema desde o 1º ano, para que a conscientização sobre identidade de gênero comece desde cedo, de forma a prevenir a formação de preconceitos relacionados à sexualidade e à identidade de gênero. Mas considero todos os temas do curso importantes para a formação de uma consciência sobre os Direitos Humanos. Por isso, decidi passar por várias delas em minhas atividades.

  • A quem o trabalho se destina: esta sequência de atividades é destinada aos alunos do 1º ano C (faixa etária de 6 anos), da EMEF Prof.º Mário Schonberg.

 

  • Finalidade: através das reflexões provocadas durante a sequência de atividades propostas, tenho a intenção de levar os educandos e as educandas ao desenvolvimento do senso crítico, à problematização e desconstrução dos preconceitos de todo tipo, e à formação de uma consciência sobre os direitos humanos.

 

  • Objetivos/Resultados esperados: Pretendo, com essa sequência de atividades, promover uma consciência de direitos humanos entre as crianças da turma, resultando em uma convivência mais harmônica entre elas.

 

  • Duração: Esta sequência inicial foi planejada para ser aplicada durante 1 semana (5 dias úteis), mas trata-se de um projeto que será continuado por várias semanas, conforme avaliada a necessidade da turma.
  • Sequência de atividades:

 

  • Segunda-feira:
  • Roda de conversa: A professora mostrará imagens extraídas da internet, mostrando pessoas com diferentes alturas, tipos físicos, aparências variadas, estilos diferentes, estilos de cabelos e de roupas variados, etc., sendo que algumas pessoas parecerão mais masculinas, outras mais femininas, outras mais andrógenas, independentemente do sexo. E fará perguntas, pedindo que os estudantes descrevam as pessoas vistas nas imagens, dizendo como são. A professora também questionará se as crianças acham que aquelas pessoas são homens e mulheres, e o porquê. Em seguida, questionará como são as pessoas que essas crianças vêem nas ruas, ou seja, se elas são todas iguais ou diferentes. Questionará se elas têm os mesmos estilos de cabelos e roupas, se todas têm a mesma cor de pele, se têm a mesma cor de olhos, se todas são magras ou gordas, se todas têm a mesma altura, se são todas da mesma religião, se todas gostam das mesmas coisas, etc. Pretende-se, com essa roda de conversa, levar as crianças à reflexão sobre as diferenças entre as pessoas, de um modo geral, e sobre o fato de que é normal as pessoas serem diferentes, e de que todos querem ser respeitados por serem quem são.

 

  • Leitura de livro: Na sequência, a professora lerá para a turma o livro “O meu nome social é Dulce Maria”, da autora Rosângela Trajano. O livro conta a história de um menino que tinha alma de menina e, por isso, não queria ser chamado por um nome masculino. A escola em que ele estudava lhe deu o direito de usar seu nome social. E, assim, ele quis ser chamado de Dulce Maria. Após ler a história, a professora convidará a turma para uma nova roda de conversa, interpelando as crianças sobre o que acharam da história, o que entenderam, e se eles sabem o que é nome social, tirando suas dúvidas sobre isso. Em seguida, a professora pode fazer perguntas como, por exemplo: o que vocês acharam desse menino se sentir como uma menina? Existem meninos que se sentem como meninas? Existem meninas que se sentem como meninos? Como é isso? E pode lançar perguntas de provocação: ser menino ou menina tem a ver com as roupas? Tem a ver com as brincadeiras? Com os esportes favoritos? Com as cores favoritas? E a professora fará comparativos para desconstruir possíveis preconceitos, como citar a seleção brasileira feminina de futebol, por exemplo, e questionar: É só menino que gosta de futebol? E o diálogo se seguirá falando de cores de roupas, brinquedos e brincadeiras, sempre questionando as crianças se existe diferença entre eles para meninos e meninas. Os questionamentos serão feitos para fazer as crianças pensarem, desconstruindo tabus e preconceitos, e consolidando pensamentos positivos sobre respeito à diversidade e à identidade de gênero.

 

  • Atividade de Português (escrita coletiva de lista de palavras): A professora ditará 5 palavras significativas extraídas da história que acabou de ler para as crianças, fazendo a escrita coletiva na lousa, com a participação oral das crianças. Em seguida, todos farão o registro no caderno. Na sequência, a professora formará duplas produtivas (caso a crise sanitária já esteja sob controle) ou continuará com o trabalho individual, e ditará mais 5 palavras, sempre dando tempo para as crianças escreverem e realizando intervenções com cada aluno ou dupla. A professora assistente (estagiária) deverá auxiliar nesse processo.

 

  • Lição de casa (questionário com perguntas pessoais): Como lição de casa, será proposto que as crianças respondam um questionário (com o auxílio de um responsável), com questões pessoais sobre suas características físicas, religião ou não-religião, gostos pessoais (frutas, cores, doces, salgados, esportes, brincadeiras e estilos musicais favoritos), e fazer um desenho de si mesmo. A atividade será apresentada aos colegas no dia seguinte.

 

 

 

  • Terça-feira:
  • Apresentando a lição de casa para a turma: Com o auxílio das professoras regente e assistente, cada criança apresentará a sua lição de casa para a turma. Cada aluno mostrará seu desenho e falará um pouco sobre si mesmo. Com base nessas apresentações, a professora retomará a roda de conversa e questionará se todos são iguais, se todos gostam das mesmas coisas, e assim por diante. A professora irá expor todos os trabalhos na lousa, lado a lado, e procurará utilizar os exemplos das próprias crianças para enfatizar as diferenças e trazer os alunos para a reflexão de que é normal ser diferente, de que não existem brincadeiras de menino e de menina, de que não existem cores de meninos e de meninas, de que não existem esportes de meninos e de meninas, e assim por diante.

 

  • Matemática (gráfico de colunas): com base nas respostas dadas pelas crianças na pesquisa, que estarão todas penduradas na lousa, a professora preencherá um gráfico de colunas em que deverão aparecer as brincadeiras do questionário, e a quantidade de meninos e meninas que gostam de cada uma. Com isso, pretende-se levar às crianças à reflexão de que meninos e meninas podem gostar das mesmas brincadeiras.

 

  • Leitura de história: A professora lerá a história “A menina e o jogo de bola”, de Rosângela Trajano. Esse livro conta a história de uma menina que adorava jogar bola com os meninos na rua, mas que sofria preconceito por isso, sendo considerada uma menina que queria ser menino. Na história, a personagem não se intimida com os julgamentos dos outros e não abre mão de sua brincadeira favorita. Após a leitura, a turma será convidada a opinar mais uma vez sobre o direito de termos nossas próprias escolhas e preferências.

 

  • Lição de casa (desenho da família): Como lição de casa, a professora pedirá às crianças que desenhem sua família, com todos os membros que moram na mesma casa.

 

 

  • Quarta-feira:
  • Apresentando a lição de casa para a turma: A aula começará com a apresentação dos trabalhos para a turma. Cada criança explicará como é sua família. A professora irá expondo os trabalhos na lousa e aproveitará para fazer perguntas sobre os mesmos, tais como: a família do Pedro é igual à família da Emily? Quantas pessoas têm na família da Emily? E na do Pedro? É igual? É diferente? E a professora vai dando destaque às famílias que têm apenas um cuidador, como uma mãe ou avó, por exemplo, que têm casais homossexuais (caso tenha), famílias grandes, famílias pequenas, e assim por diante. A professora fará perguntas como, por exemplo: as famílias são todas iguais? Se a criança mora só com o pai, é família? Se a criança mora só com a avó/tia/mãe/irmã/etc. é família? Se duas pessoas moram juntas e não têm filhos, é família? Se duas mulheres (ou dois homens) moram juntas(os) e têm uma criança, é família? E se não tiver criança? A reflexão será sobre as diferentes configurações de famílias, levando os educandos a chegar à conclusão de que não existem apenas famílias padronizadas com pai, mãe e filhos.

 

  • Leitura de história: Após a apresentação dos desenhos das famílias e da roda de conversa, a professora lerá para a turma o livro “É tudo família”, da autora Alexandra Maxeiner. Esse livro apresenta diferentes tipos de agrupamentos familiares, provando que não importam as configurações que tenham, pois todas são famílias.

 

  • Leitura de mais uma história: Em seguida, a professora lerá mais uma história, desta vez o livro “Tenho dois papais”, de Bela Bordeaux. Essa publicação narra a vida de um garotinho que tem dois pais, mostrando que sua vida é igual à vida de qualquer criança que faça parte de uma família tradicional. Após essa leitura, a professora convidará as crianças a fazer comentários, e estimulará o diálogo entre as crianças.

 

  • Português (interpretação de texto): A seguir, a professora fará um exercício de interpretação de texto com a turma, realizado coletivamente. Cada criança terá sua folhinha e a professora lerá as questões e alternativas. As respostas serão de múltipla escolha. A atividade será baseada no livro “Tenho dois papais”.
  • Lição de casa (desenhar se tem uma religião): Como tarefa de casa, a professora pedirá às crianças que desenhem se elas têm uma religião e qual é sua religião. Se a criança tiver uma religião, poderá desenhar algo que a representa, por exemplo, seus símbolos. Se alguém não tem religião, pode fazer um desenho de algo que ele(a) goste.

 

 

  • Quinta-feira:
  • Apresentando a lição de casa para a turma: As crianças apresentarão seus trabalhos e falarão sobre sua religião ou não religiosidade. A professora conduzirá uma roda de conversa com questões como, por exemplo: todo mundo têm religião? Todo mundo acredita em Deus? Pra acreditar em Deus, eu preciso ter uma religião? Todo mundo que acredita em Deus, acredita nele da mesma forma? Só existe uma religião? Quais religiões vocês conhecem? E a professora vai estimulando a conversa no sentido de levar os educandos a perceber que existem várias crenças diferentes, e que nem todo mundo quer ter uma religião ou mesmo acreditar em Deus. A conclusão a que se pretende chegar, com as crianças, é a de que todos têm o direito de acreditar ou não em Deus ou em qualquer religião, que não há problema algum com isso, e que devemos respeitar as opções dos outros do mesmo modo que desejamos ser respeitados.

 

  • Leitura de história: A leitura não será sobre religião, mas sobre ser diferente, de uma forma geral. A professora levará a história “Tudo bem ser diferente”, de Todd Parr. Esse livro aborda diversas temáticas, como adoção, separação dos pais, deficiência física, preconceito racial, entre outros. Após essa leitura, as crianças serão convidadas a opinar e partilhar suas histórias, pois muitos são filhos de pais separados, têm parentes com deficiência física (ou eles mesmos possuem), já sofreram algum tipo de preconceito racial ou já viram alguém passar por isso, etc. Também é possível trazer para discussão a questão religiosa, que costuma estar relacionada ao preconceito na atualidade. Essa reflexão tem o intuito de permitir que as pessoas se coloquem umas no lugar das outras, reconheçam que é normal ser diferente e percebam o quanto é absurdo discriminar as pessoas por serem diferentes de nós.

 

  • Português (Frases lacunadas): Após a conversa, a professora irá propor uma atividade de recorte. Cada criança receberá uma atividade com 4 frases extraídas do livro “Tudo bem ser diferente”, e com um banco de palavras para ser recortado. Cada frase terá uma lacuna para ser preenchida com uma palavra do banco de palavras. As frases serão ilustradas. A professora lerá as frases e procurará estimular as crianças a responderem observando as figuras e lembrando o que foi lido no texto. E também fará a leitura coletiva das palavras do banco, chamando a atenção para as letras já aprendidas, especialmente as vogais. As crianças responderão qual palavra completa a lacuna de cada frase, e a procurarão dentre as palavras recortadas. Em seguida, deverão colar no lugar certo. A atividade será realizada com duplas produtivas (se possível, devido à crise sanitária), ou individualmente, e com intervenções da professora.

 

  • A atividade de casa será fazer um autorretrato.

 

  • Sexta-feira:
  • Apresentando a lição de casa para a turma: Na sexta-feira, o foco da discussão será sobre diversidade étnica. Para iniciar a aula, as crianças serão chamadas para ficar em roda, e serão convidadas a observar a si mesmas e aos colegas. Caso a situação da crise de saúde impeça a formação da roda, as crianças serão convidadas a se observar de suas carteiras, observando seus colegas. Serão feitas perguntas como: todo mundo tem a mesma cor de pele? Todos aqui têm o cabelo igual? Têm a mesma cor de olhos? A mesma altura? Todo mundo tem o mesmo rostinho? Os desenhos das crianças serão colados na lousa e as crianças serão convidadas, mais uma vez, a observar as diferenças entre todos. Os educandos serão convidados a reconhecer suas diferenças e a perceber que é normal sermos todos diferentes. Poderão ser feitos questionamentos sobre se alguém na turma já sofreu preconceito, ou se viu alguém passar por isso. Convidar os alunos a partilhar suas experiências, dar opiniões e expressarem suas críticas aos preconceitos relacionados à etnia.

 

  • Leitura de história: Na sequência, a professora lerá o livro “Cada um com seu jeito, cada um é de um!”, da autora Lucimar Rosa Dias. Essa publicação fala da valorização étnica e do respeito às diferenças físicas, emocionais, entre outras. As crianças poderão tecer comentários relacionados à história.

 

  • Leitura de mais uma história: Em seguida, a professora lerá a história “O cabelo de Lelê”, da autora Valéria Belém. Essa obra trata das temáticas autoestima infantil e valorização da origem e da beleza africana. A partir dessa leitura, os educandos serão questionados se conhecem sua história, a origem de sua família, de sua etnia, se já perguntaram de onde vieram seus pais, avós e bisavós. Ficará como lição de casa fazer essa pesquisa em casas, consultando a família.

 

  • História e Geografia (o que é a África, onde fica e o povo africano no Brasil): A seguir, aproveitaremos a temática africana para apresentar o mapa do mundo e mostrar onde fica a África. A professora explicará que a África é um continente, e que isso quer dizer que existem diversos países dentro dela, citará os nomes de vários deles, falará um pouco da história africana e explicará que a origem dos povos negros é deste enorme continente. A professora falará um pouco sobre a cultura, sobre as religiões e até mostrará parte de uma música chamada Gambia, da cantora Sona Jobarteh, como exemplo de um dos muitos estilos musicais da região. A professora também falará que existem muitas histórias africanas, e que elas são muito interessantes, citando os nomes de alguns contos, como “A menina que virou coruja”, “A tromba do elefante”, “Criação do mundo”, entre outros. A professora mostrará o mapa do Brasil e explicará que nem sempre houve negros no Brasil. e perguntará se a turma sabe como os africanos vieram da África para cá. E contará, de forma simplificada, porém realista, a triste história da escravidão no Brasil. A conversa será adequada à faixa etária das crianças, mas sem omitir informações que elas precisam conhecer, para se conscientizarem de que os negros sofreram muito, foram muito explorados, maltratados, obrigados a trabalhar como escravos, passando fome e todo tipo de necessidade. Mas a conversa deve seguir para um rumo de valorização da cultura negra, mostrando imagens de sua cultura, sua produção, suas roupas, cabelos, penteados, e tudo que puder ser agregado para valorizar as origens desse povo tão importante para a formação da nossa cultura brasileira.

 

  • Considerações finais: Os estudos sobre a África certamente não poderão ser vistos todos em uma aula. Eles deverão ser constantes durante o ano letivo, sempre trazendo muitas informações para a turma. Nessa primeira semana, os comentários sobre a história da África serão introdutórios, mas o assunto não será encerrado aqui, e sim mantido de forma permanente. Além disso, como o tema dos direitos humanos se estende para todos os outros assuntos abordados durante o curso (como a educação inclusiva e o bullying, por exemplo), nas semanas seguintes estes assuntos poderão pautar nossas próximas atividades, para ampliar a construção dessa consciência nas crianças. A intenção é naturalizar essas discussões como temas presentes no cotidiano dos educandos, construindo com eles noções de respeito às diferenças e de liberdade de exercer sua própria identidade, sem culpas, sem preconceitos e sem tabus, com autoestima e realização pessoal. Todos os trabalhos das crianças serão guardados para serem expostos na amostra cultural da escola, juntamente com muitas outras atividades, trazendo para essa exposição a discussão sobre diversidade e respeito em todos os sentidos.

 

 

 

  • Avaliação: Nessa primeira semana de propostas voltadas à diversidade de uma forma geral, e ao respeito aos Direitos Humanos, avaliarei os resultados através de rodas de conversas com as crianças, sempre com perguntas que sirvam de provocações para que os alunos e as alunas manifestem suas opiniões, compartilhando seus saberes, experiências e conhecimentos. Através dessa troca, poderei identificar possíveis pontos que precisam ser trabalhados nas aulas seguintes, adequando e corrigindo o projeto para atender as necessidades da turma. E a questão étnico-racial será trabalhada de forma permanente durante todo o ano letivo, bem como outros temas.