Tarefa 6 – Curso EDH – Patrícia Martucci

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Patrícia Martucci

Função

Professor de educação infantil

DRE / Unidade Educacional

Guaianases

Escola

CEI Inconfidentes

Este projeto foi discutido e criado juntamente com professora Gabriela Baesso – RF 845.599.6  Conforme orientação da senhora Carol Baggio (via e-mail), nós duas iremos postar a atividade, cada uma em sua plataforma.

Sequência Didática

 

O tema proposto

Gênero e sexualidade: transfobia e educação em direitos humanos

 

Justificativa

Sabe-se que há muitos problemas envolvendo a igualdade de gênero, bem como discriminação e preconceito, além disso, tal assunto é historicamente deixado de lado no ambiente escolar. Contudo, o tema é de extrema importância, uma vez que o combate à discriminação de gêneros e orientação sexual promoveria a busca por igualdade de gênero.

Segundo Jesus,

 

Historicamente, a população transgênero (composta por travestis e pessoas transexuais) é estigmatizada, marginalizada e perseguida, devido à crença na sua anormalidade, decorrente do estereótipo de que o ―natural‖ é que o gênero atribuído ao nascimento seja aquele com o qual as pessoas se identificam e, portanto, espera-se que elas se comportem de acordo com o que se julga ser o ―adequado‖ para esse ou aquele gênero. (JESUS, 2013, p. 102).

A sociedade brasileira, por diversas vezes, protagoniza preconceitos e situações vexatórias, uma vez que muitos tem atitudes baseadas na falta de conhecimento. Este projeto abre a possibilidade de compreender sobre transfobia e educação em direitos humanos.

Hoje a nossa legislação apresenta como crime o tratamento desigual de qualquer cidadão brasileiro. Segundo a constituição de 1988:

 

“Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

 I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;”

 

Para que haja sucesso na construção de conhecimento acerca do assunto, é importante desmistificar a bagagem que muitos carregam erroneamente sobre assunto e assim poderemos construir uma sociedade justa e igualitária. 

 

  

A quem o trabalho se destina

Esta seqüência didática é direcionada para alunos do ensino fundamental II, com idades entre 11 e 14 anos.

 

Finalidade 

Este projeto tem a finalidade de trazer conhecimento sobre igualdade de gênero e a transfobia, a fim de resgatar a autoestima e combater a exclusão social.

Ao construir a igualdade de gênero na escola e impugnar o preconceito, estaremos evitando qualquer tipo de discriminação que possa ocorrer dentro e fora da escola. Para isso, se faz necessário trabalhar este tema, pois sabemos que a escola mantém há anos uma educação tradicional com padrões ultrapassados e estabelecidos pela sociedade.

A discussão com os jovens é importante, pois criará um ambiente igualitário, bem como alunos protagonistas de sua própria aprendizagem.

 

Objetivos/Resultados esperados:

O objetivo principal deste trabalho é conscientizar os discentes sobre a luta contra a discriminação.

Propagar a orientação e a prevenção contra a lesbofobia, transfobia, homofobia e desigualdade de gênero.

Estender o conhecimento sobre os direitos humanos de forma direta, a fim de vivenciar valores como a justiça e o respeito.

  

 

Duração : 

5 aulas de 45 min

 

As atividades que comporão a sequência:

 

Atividade 1: 

Roda de conversa sobre o tema “Gênero e sexualidade”

 

 Nesta atividade o grupo participará expondo suas idéias e opiniões sobre “gênero e sexualidade”, além de conversar e sanar dúvidas  a diferença entre os conceitos.

 

Conceitos:

  • Preconceito: é um pré-conceito uma opinião que se emite antecipadamente alimentada pelo estereótipo, é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. •Discriminação: ação de discriminar, tratar diferente, excluir, marginalizar. 
  • Estereótipo: é uma generalização de julgamentos subjetivos feitos a um grupo ou a um indivíduo. Pode ser atribuído valor negativo desqualificando-os e impondo-lhes um lugar inferior, ou simplesmente, reduzindo determinado grupo ou indivíduo a algumas características e, assim, definindo lugares específicos a serem ocupados. 
  • Gênero: é a construção social do sexo anatômico demarcando que homens e mulheres são produtos da realidade social e não decorrência da anatomia dos seus corpos. 
  • Sexismo: é o tratamento indigno e desigual que se dá a um determinado sexo, levando a crer que um sexo vale mais que o outro. Em geral, o termo refere-se à discriminação sofrida pelas mulheres pelo simples fato de não serem portadoras do mesmo sexo biológico que os homens. 
  • Homofobia: é um termo utilizado para identificar o ódio, aversão, a discriminação e, sobretudo a violência em relação aos homossexuais. Em sentido amplo, engloba gays, lésbicas, travestis e transexuais. Mas também se utilizam as palavras lesbofobia em relação às mulheres que se relacionam afetiva e sexualmente com outras mulheres, e transfobia, para se referir a discriminação em relação aos (às) transexuais e travestis. Não se trata de uma opinião pessoal porque as ideias preconceituosas e as atitudes discriminatórias são mantidas por gerações e, em cada tempo e lugar, estas se manifestam, por meio de piadas, brincadeiras, olhares, entonação da voz, etc.

 

Atividade 2: 

Dinâmica:MUNDO DO HOMEM/MUNDO DA MULHER 

 

Objetivo: Discutir as relações de gênero. 

Materiais necessários: papel sulfite, papel pardo, cola, tesoura, revistas velhas, pilots. 

Atividade: O professor dividira o grupo em pequenos grupos. Entregará as folhas de papel sulfite e pedirá para que os alunos escrevam frases, desenhem ou recortem imagens que represente o mundo do homem e o da mulher.

A folha de papel pardo será dividida no intuito de criar um painel dividido entre o mundo feminino e o masculino.

Depois do tempo estipulado os grupos apresentam suas produções. É importante que o professor encaminhe a  discussão para as diferenças biológicas, culturais e sociais e o estabelecimento da hierarquia de gênero.

 

Atividade 3: 

Roda de conversa: Qual a sua opinião?

 

O professor entregará duas imagens de emoticons, uma simbolizando “não gosto” e outra de “Tudo bem pra mim!”

Os alunos sentarão em um grande circulo e o docente fará perguntas e o aluno levantará a plaquinha conforme a sua opinião. É indispensável que haja questionamento e ampliação do debate, com o intuito de espandir o debate, sanar possíveis dúvidas e ampliar o conhecimento sobre o assunto. 

 

Possíveis perguntas:

 

O que você acha destas situações? Pense!

1.Uma menina com aparência masculina é um problema? Por quê? 

  1. Um menino com aparência diferentes é um problema ? Por quê? 
  2. Como deve ser a aparência e o modo de agir de uma menina? Por quê?
  3. Como deve ser a aparência e o modo de agir de uma menina? Por quê?
  4. Se um estudante sofrer bullying por conta da sua aparência, o que a escola deve fazer?
  5. Você tem amigos que beijam pessoas do mesmo sexo? O que você acha disso?
  6. Qual o significado das palavras gay, lésbica, bissexual, transgênero e hétero? 
  7. Uma menina/mulher lésbica ou bissexual sempre parece masculina?
  8. E os meninos gay/ homossexual sempre parece efeminado e age como uma menina/mulher?
  9. Você já presencial uma situação de constrangimento ou preconceito com uma pessoa homossexual?

 

Atividade 4: 

Vídeo: O que é transfobia? – Identidade de gênero

 

Link do vídeo : https://www.youtube.com/watch?v=rKr2unb594A

 

O professor passará um vídeo curto sobre transfobia. 

Na sequência falará sobre o dia 17 de maio – Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia e a sua importância na sociedade.

 

Após o vídeo, o docente abrirá para perguntas e opiniões. Depois mostrará uma reportagem onde é falado sobre as 13 RAZÕES PARA EXISTIR UM DIA DE COMBATE À HOMOFOBIA E À TRANSFOBIA.

 

Link da reportagem: https://www.megacurioso.com.br/direito/98925-13-razoes-para-existir-um-dia-de-combate-a-homofobia-e-a-transfobia.htm

 

Síntese da reportagem :

 

1. A homossexualidade ainda é ilegal em 81 países, sendo que ao menos em 7 ela pode ser punida com a morte

Isso afeta diretamente 40% da população mundial

2. Apenas 17 países reconhecem o casamento homoafetivo, entre eles o Brasil. Outras 14 nações reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Algo muito longe de ser global, já que atualmente existem 193 países

3. O Brasil é o país onde mais se mata travestis e transgêneros, de acordo com a ONG International Transgender Europe

Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram 413 mortes – quatro vezes mais do que no México, que é o segundo colocado nesse ranking

4. O suicídio entre a população jovem LGBT é 4 vezes maior do que o índice visto em heterossexuais

Porém, as tentativas de suicídio são até 6 vezes maiores entre jovens LGBTs, gerando altos custos de internação e tratamento

5. Cerca de 25% dos trabalhadores da área da saúde já viram colegas fazendo comentários negativos contra gays ou lésbicas

E cerca de 20% já presenciaram alguma discriminação contra transexuais

6. Uma em cada seis pessoas LGBTs já vivenciou algum tipo de crime homofóbico nos últimos três anos

O número pode ser ainda maior, já que se estima que 2/3 das pessoas que sofreram algum tipo de discriminação sexual sequer relatam as agressões sofridas

7. Entre a população transgênera, 81% relatam assédio velado ou silencioso, como perseguições ou sussurros

Porém, 38% dizem já ter sofrido ameaças e agressões físicas

8. Uma em cada quatro pessoas LGBTs não relata sua condição em seu ambiente de trabalho

E cerca de 42% dos transgêneros temem viver permanentemente como eles se identificam por medo de represálias no trabalho

9. Quase 1/3 dos estudantes gays, lésbicas e transgêneros é ignorado por ser assim

E 96% relatam ouvir constantemente provocações homofóbicas nas escolas e universidades

10. Entre 2013 e 2014, nas Américas, metade dos crimes com caráter homofóbico foi contra transexuais e travestis

A cada dois dias morre um transgênero assassinado no mundo por conta de sua condição, segundo pesquisa realizada em 62 países

11. Nos estádios de futebol, 70% das pessoas já testemunharam algum tipo de homofobia nas arquibancas

E metade da população acredita que as associações de futebol ao redor do mundo não estão combatendo efetivamente a homofobia nos estádios

12. Acredita-se que 1 em cada 5 mulheres lésbicas ou bissexuais possui algum transtorno alimentar

Esse número é bem maior se comparado com a população em geral, em que 1 a cada 20 pessoas tem esse tipo de transtorno

13. A comunidade LGBT é 3 vezes mais propensa a desenvolver algum tipo de depressão

Isso eleva o número de gays, lésbicas e transgêneros que recorrem ao álcool, ao fumo e às drogas como válvula de escape.

 

Atividade 5: Oficina

Campanha a favor da  igualdade de gênero e contra a transfobia.

 

Material:  

  • material de papelaria em geral – sulfite, folhas coloridas, cartolina.
  • Canetão, canetas hidrográficas, lápis de cor
  • Cola
  • tesoura
  • Jornal/ revista para recorte

 

Este é o momento de colocar os ensinamentos em prática. 

Após amplo momento de discussão e vasta apresentação de conteúdo acerca do tema, os alunos irão pensar sobre uma campanha contra a transfobia.

Eles deverão criar um desenho/imagem e uma frase de impacto a favor da  igualdade de gênero e contra a transfobia.

Ao final, eles apresentarão ao grupo e afixarão em lugares visível na unidade escolar.

 

Avaliação 

A avaliação será através da participação de cada aluno de forma individual e coletiva e no desenvolvimento da aprendizagem durante e depois das atividades propostas.

 

Bibliografia 

 

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. 4º Ed. São Paulo: Saraiva 1990.

 

JESUS, Jaqueline Gomes de​. Transfobia e crimes de ódio: Assassinatos de pessoas transgênero como genocídio. In: MARANHÃO Fº, Eduardo Meinberg de Albuquerque (Org.). (In)Visibilidade Trans 2. História Agora, v.16, nº 2, pp.101-123, 2013. Disponível em: < https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/38611160/Transfobia_e_Crimes_de_Odio_Genocidio.pdf?response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DTransfobia_e_crimes_de_odio_Assassinatos.pdf&X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&X-Amz-Credential=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A%2F20191017%2Fus-east-1%2Fs3%2Faws4_request&X-Amz-Date=20191017T144624Z&X-Amz-Expires=3600&X-Amz-SignedHeaders=host&X-Amz-Signature=4cb97373fc45eed6335d4341ba979d55f4a8d9be3f61037f7add350c3dc3ead0 >.  Acesso em: 05 de ago. 2020

Opinião 10 : O que é transfobia? – identidade de gênero. Youtube, 2017. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=rKr2unb594A

 >  Acesso em: 06 de ago. 2020

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Diretrizes curriculares de gênero e diversidade sexual da secretaria de estado da educação do paraná. Curitiba/ PR : 2010.

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO. Oficina de idéias: Manual de dinâmicas. Rio de Janeiro/ RJ: 2003. 

DENCK, Diego. 13 razões para existir um dia de combate a homofobia e a transfobia. Mega Curioso. Disponível em: < 

https://www.megacurioso.com.br/direito/98925-13-razoes-para-existir-um-dia-de-combate-a-homofobia-e-a-transfobia.htm.> Acesso em: 06 de ago. 2020