Tarefa 6 – Curso EDH – Patricia Maria da Silva Alves

Data

28 de julho de 2020

Cursista

Patricia Maria da Silva Alves

Função

Professor de educação infantil

DRE / Unidade Educacional

Ipiranga

Escola

Cei Santa Teresa

Projeto Curso Respeitar é Preciso

 

Tema : Raça e relações étnico raciais

Justificativa: Todos os temas abordados na formação são necessários e importantes para reflexão, e principalmente para que possamos promover uma ação mais justa nas relações sociais.

A escola sem dúvida é um lugar fundamental para que as relações de respeito se fortaleçam, infelizmente diferente do que temos hoje, elas não devem e nunca deveriam ser reforçadas. Para construirmos um coletivo baseado na empatia, respeito e solidariedade precisamos compreender que as diferenças fazem parte e que elas são marcos da nossa singularidade, enquanto sociedade somos um coletivo, mas enquanto individuo quem eu sou importa, minhas características, meus gostos, minhas crenças, origens, minha história, minha sexualidade, tudo isso representa o que sou, e aquilo que somos não desqualifica o que o outro é, desde que saibamos olhar, aceitar e respeitar a beleza da diversidade.

O tema escolhido foi raça e as relações étnicos raciais pois eles falam diretamente comigo, e tenho feito uma imersão para que eu possa a partir da minha história e da descoberta da minha própria identidade negra, agir de maneira mais consciente sobre isso, já que em 37 anos de vida, 17 na educação só agora consegui despertar e perceber o quanto o racismo é tão presente, o quanto dentro de minha própria história reconhecer  isso me fez falta, porque se não combatemos, de certo colaboramos com ele.

Público alvo do projeto: Crianças de educação infantil 0 a 3 anos.

Finalidade: Durante essa formação e em outras em que participei, me dei conta de um fato muito triste, que apesar do meu pensamento de senso comum, que racismo é um tema muito complexo, logo trabalha-lo em educação infantil seria muito difícil, as crianças não entenderiam, mas agora notei justamente o oposto, ao não problematizarmos esse tema desde a mais tenra idade, não oferecermos elementos de combate ao racismo estamos de certa maneira reforçando. A finalidade de trabalho é justamente essa, iniciar um trabalho desde o berçário, garantindo que as relações étnicos raciais façam parte desde sempre, mas de uma maneira positiva, que as diferenças sirvam para agregar, para que possamos conhecer e valorizar,  a compreensão de que a diversidade faz parte nos liberte dos padrões que vamos simplesmente reproduzindo, e que a escola possa se transformar no espaço em que todos e todas se sintam representados, respeitados e acolhidos.

Objetivos:

Reconhecer todos e todas que fazem parte da comunidade escolar, respeitando, valorizando e promovendo o conhecimento sobre sua história.

Promover um ambiente em que todos e todas se sintam representados.

Ouvir todas as vozes, para que a partir dessa escuta possamos construir um ambiente de respeito a diversidade.

Duração: Penso que um projeto como esse deve fazer parte do PPP da escola, ser contínuo, aprimorado sempre que necessário, mas fazer parte do currículo.

Atividades:

Identidade:

  • Livro Crianças do mundo: Iniciar socializando esse livro que mostra crianças de diversas partes do mundo e conversar com as crianças sobre semelhanças e diferenças.
  • Observação das crianças no espelho.
  • Mural de fotos.
  • Árvore da vida construída com as famílias, onde possam não apenas colocar quem são as pessoas que compõe a família, mas que possam contar a origem de cada família, sua história.
  • Criar um livro das famílias.
  • Caixa de memórias: Uma caixa onde as famílias possam colocar itens que falem sobre a história da família e suas origens.

Valorização:

  • Brincar de cabeleireiro: Oferecer inúmeras possibilidades para que essa brincadeira comtemple todos e todas, acessórios de cabelo que representem a diversidade: tiaras, tecidos, bandanas, bonés, chapéus. Montar um catálogo de possibilidades que cada um possa optar e se sentir representado.
  • Brincadeiras com tecidos: Usar esse tecido para contar um pouco das estampas, cores, vestimentas, podemos improvisar e criar roupas. Para isso é importante também trazer algumas imagens que ilustrem as diferenças culturais na forma de cada povo se vestir;
  • Músicas: Incluir nas rodas de música repertório que faça parte da cultura africana, trazer os instrumentos, inclui-los nas atividades musicais frequentes e contar a relação e importância que eles têm, a exemplo de um deles o tambor.
  • Brinquedos e brincadeiras: Escolher brinquedos em que todas as crianças se sintam representadas, bonecas brancas e negras, carrinhos para bonecas, mas também tecidos que possam ser usados para amarrar os “bebês” ao corpo, como é tão comum na África. Escolher brincadeiras em que as tradições afro estejam representadas.
  • Culinária: Nessa fase em que as crianças estão descobrindo o mundo, essa descoberta passa pelos sabores da alimentação, trazer para as crianças informações sobre os alimentos que consumimos e também a história dos hábitos alimentares que temos hoje, muitas vezes nos deparamos com crianças que apresentam resistência em comer a alimentação que é oferecida na escola, pesquisar sobre esses hábitos familiares pode inclusive nos ajudar a entender e auxiliar nesse processo.
  • Histórias: Esse é um ponto fundamental para qualquer projeto que tenha como objetivo a representatividade, dentro da cultura escolar acabamos fazendo as escolhas muito óbvias, inclusive sobre a literatura, e muitas vezes nem nos damos conta que grande parte do acervo não fala para todos, fala com os padrões na maior parte das vezes, ter criticidade ao selecionar os livros é necessário não apenas para falarmos sobre as relações étnico raciais na escola, mas como um todo, são tantos temas que podemos abranger com a literatura que se faz urgente um revisão melhor dos conteúdos que oferecemos.

O livro das origens, de José Arrabal (Paulinas, Coleção Mito & magia)

 

Bruna e a galinha d’Angola, de Gercilga de Almeida (Pallas)

A História do Rei Galanga, de Geranilde Costa (Expressão Gráfica e Editora)

Ifá, o Adivinho, de Reginaldo Prandi (Companhia das Letrinhas)

Minha mãe é negra sim! de Patrícia Santana (Mazza Edições)

Cada um com seu jeito, cada jeito é de um! de Lucimar Rosa Dias (Editora Alvorada)

Que Cor É a Minha Cor?, de Martha Rodrigues ( Mazza)

Meu Crespo É de Rainha, de Bell Hooks ( Boitatá)

A cor da Vida, de Semiramis Paterno (Editora Lê)

Betina, de Nilme Lino Gomes (Mazza Edições)

Flávia e o Bolo de Chocolate, de Miriam Leitão (Rocco)

 

Avaliação: Em educação infantil a avaliação acontece de maneira continua, pela escuta e observação, as crianças vão nos trazendo os elementos para que possamos construir um projeto que faça sentido, que fale com eles e para eles.

Penso que uma outra dinâmica para avaliarmos o projeto e tornarmos ele cada vez mais potente, é promover uma roda de conversa com as famílias, convida-las a nos contar suas percepções, o que as crianças tem levado de informações sobre o projeto, acredito que é essa é uma maneira democrática de construirmos uma escola que valoriza e reconhece todas as vozes e que atua para promover relações de respeito, empatia e combate fortemente o preconceito e discriminação.