Tarefa 6 – Curso EDH – Patrícia de Araújo Greco

Data

31 de julho de 2020

Cursista

Patrícia de Araújo Greco

Função

PROFESSOR ENSINO FUNDAMENTAL II E MEDIO

DRE / Unidade Educacional

São Mateus

Escola

EMEF PROFESSOR ARLINDO CAETANO FILHO

CURSISTA – PATRICIA DE ARAUJO GRECO

RF 8085421

O trabalho que escolhi para enviar, foi um artigo realizado como trabalho de conclusão do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Especial na Perspectiva da Educação inclusiva, apresentado em Junho de 2015, proporcionado pela UNESP em parceria com o programa REDEFOR.

JUSTIFICATIVA

Na época, resolvi realizar minha pesquisa relacionada ao desenvolvimento de recursos pedagógicos para o ensino de Geografia (matéria que leciono) a alunos com deficiência auditiva, pois foi quando pela primeira vez, me deparei com todas as turmas de primeiro ano do ensino médio com alunos com deficiência auditiva e também alguns do ensino fundamental. No primeiro momento fiquei com medo, insegura, não sabia Libras e não sabia como me comunicar com eles. Pedi ajuda aos alunos colegas de classe que me explicaram como fazer. Fiquei indignada pois nenhum professor, coordenadores ou direção me falaram sobre os alunos. Mas eu entendi por que não falaram… porque, para estes, aqueles alunos não existiam. Não existiam como alunos, como seres aprendentes. Existiam como pessoas com limitações de aprendizagem que estavam ali para socializar.

Assim como apresentado na aula sobre Educação Especial, estes alunos estavam incluídos no sistema educacional como versa a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Artigo 24. Educação, bem como na Lei Brasileira de Inclusão da pessoa com deficiência – Lei 13.146/2015 porém, eram excluídos do processo de ensino/aprendizagem, visto que os professores regentes não tinham o conhecimento da Libras e tão pouco como lidar com estes alunos.

A escola que eu lecionava se localiza em Santo Andre/SP e contava com uma sala de recursos para alunos com deficiência auditiva, equipada com recursos da tecnologia assistiva, e que participavam de aulas com a professora especialista em Libras duas vezes por semana em aulas de uma hora no contra turno. Nestas aulas, estes alunos realizavam atividades que poucos professores mandavam, dando breves explicações a  professora intérprete que deveria explicar (como se ela fosse a professora de todas as matérias mais Libras). Atividades estas que não faziam sentido para eles. E não fazia sentido porque não tinham conhecimentos prévios, não tinham repertório, não tinham vivencia.

Quanto aos demais alunos, os ouvintes, pude perceber que acolheram muito bem os colegas com deficiência auditiva, aprenderam a se comunicar em Libras, ajudavam nas atividades de sala através da tradução; a interação era muito positiva.

Em entrevista com a professora especialista, descobri que muitas crianças e adolescentes com deficiência auditiva, bem como os deficientes visuais, não têm muito acesso a lazer e cultura; seus familiares não costumavam expô-los e tão pouco os deixava sair sozinhos com colegas. Esta atitude por parte dos pais, limita a oportunidade das crianças e adolescentes em adquirirem repertório e conhecimentos prévios sobre temas que serão estudados na escola. Por isso, ao realizar as aulas, levei muitas imagens, para que conseguissem entender, relacionar as palavras com as imagens e aprender, mesmo que nunca tivesse visto ou estado em determinado lugar. Nesta época começava a surgir grupos de jovens com deficiência auditiva que marcavam encontros em locais específicos, como shoppings e associações onde podiam socializar, trocar experiências.

Frente ao incomodo de perceber que eles não estavam entendendo a minha matéria, fui buscar ajuda com a professora especialista que me ensinou como proceder com eles na sala de aula e então pedi para participar das aulas deles no contra turno com ela. Vencidas as burocracias, consegui participar das aulas. Então passei a adaptar minhas aulas, levava o material e explicava, a professora especialista traduzia para Libras e assim se deu a aprendizagem deles em Geografia.

O trabalho durou aproximadamente dois meses, pois iniciei com uma pesquisa sobre o que eles achavam da escola, sobre as matérias, os professores, os colegas, e se aprendiam. Os estudantes relataram que as aulas são chatas e cansativas pois o professor fala muito rápido e eles não conseguem fazer a leitura labial por muito tempo. Por isso, ao realizar as aulas, levei muitas imagens, para que conseguissem entender, relacionar as palavras com as imagens, tornando assim a aprendizagem mais significativa.

Também entrevistei a professora especialista e algumas de suas respostas encontram-se no final da apresentação.

A sequencia didática apresentada se destina a alunos de qualquer faixa etária, que estejam alfabetizados em Libras e Língua Portuguesa.

A finalidade deste trabalho foi conseguir promover o ensino/aprendizagem de Geografia dos alunos com deficiência auditiva e, ainda, lhes dar acesso, incluí-los realmente neste processo educativo que infelizmente ainda é muito excludente em nosso país, apesar de toda a legislação que ampara o público alvo da educação especial. Pode-se observar que os alunos em questão não tinham impedimentos cognitivos, proporcionando-lhes participação plena e efetiva no processo de ensino/aprendizagem.

Avaliação

Foi realizada uma sequencia didática, onde levei imagens e expliquei a matéria, com a tradução para Libras feita pela professora especialista. Depois apliquei algumas atividades que também estão expostas neste trabalho. Deve ficar claro que a necessidade da avaliação se deu não somente para gerar uma nota, um conceito ao aluno, mas, também e principalmente para verificar se o material desenvolvido era eficiente e atingia as expectativas de aprendizagem, bem como esta parceria entre o professor regente e o especialista; parceria esta que não precisaria ser necessariamente com a presença do regente na aula em Libras; ela poderia ser estabelecida através da escuta da professora especialista pelos regentes e coordenadores, demonstrando as necessidades e especificidades destes alunos, buscando tornar as atividades mais prazerosas e significativas. Fica claro nas atividades que sim, o material elaborado atingiu o objetivo – fazer com que os alunos com deficiência auditiva apreendessem a matéria de Geografia.

Também pude observar seu efetivo aprendizado durante as explicações, pois eles faziam muitas perguntas conforme iam aprendendo, pude perceber em seu semblante um novo mundo se abrindo, seus olhinhos brilhavam com as descobertas, quando ensinei, por exemplo, sobre a formação da Terra e a deriva continental. Para esta aula, levei um pote de plástico de tamanho mediano, catchup e bolacha água e sal. Coloquei o catchup no pote e expliquei sobre o magma, sua composição e movimentos; depois coloquei as bolachas inteiras sobre o catchup e expliquei que elas representavam a crosta terrestre, como esta se formou, sua localização na Terra e características físicas; posteriormente quebrei as bolachas demonstrando que os movimentos realizados pelo magma rompem a crosta, formando as placas tectônicas e os continentes. Esta aula foi adaptada para os alunos do primeiro ano do ensino médio.

Depois desta experiência realizei cursos para aprender Libras oferecidas pela diretoria de ensino da minha região. Foi muito gratificante realizar este trabalho, ver o olhar deles de alegria ao entender o que nós ensinávamos (eu e a professora intérprete); vê-los reclamar que a aula acabava muito rápido e queriam que eu ensinasse mais, não queriam ir embora. Nosso relacionamento na sala de aula também melhorou bastante. Eles buscavam prestar atenção em mim durante as explicações através da leitura labial e eu, explicava mais devagar, olhando para eles. Quando acabava as explicações na sala de aula comum, me aproximava e com ajuda dos alunos ouvintes que sabiam Libras, tirava algumas dúvidas e nas aulas com a professora especialista concluía as aulas.

Trabalhar com estudante público da educação especial, para mim, é sensacional. Acredito que eu aprendo muito mais com eles, do que eles comigo. Eu não mudaria a forma com que o trabalho foi elaborado. O que me fez refletir sobre esse processo, foi que eu não estava prestando atenção devida nos meus alunos, pois só descobri que tinha alunos surdos na segunda ou terceira aula que entrei para dar aula. A partir de então, passei a observar mais a turma, suas características, especificidades, bem como perguntar antes aos coordenadores sobre as características das turmas, se havia alunos com algum tipo de deficiência e como proceder.

Abaixo  está o artigo e nos arquivos, as imagens das explicações e da atividade aplicada como avaliação.

INTRODUÇÃO

Quando um professor entra na sala de aula, imagina que seus alunos saibam ler e escrever com competências e habilidades desenvolvidas para aquele ano/série. Na maioria das vezes, não paramos para pensar se nesta turma haverá algum estudante com deficiência ou dificuldade de aprendizado. E, quando acontece e não estamos preparados para lidar com o desconhecido, ficamos sem saber como agir e passamos a nos questionar em como faremos para que este estudante aprenda esta ou aquela matéria.

OBJETIVOS

Este artigo tem como objetivo propor uma discussão e reflexão sobre o uso de materiais curriculares adaptados e direcionados as necessidades dos alunos com Deficiência Auditiva, atrelando a Língua Portuguesa, a Libras e a Geografia, através do letramento visual, trazendo para o concreto conceitos que muitas vezes são abstratos, contribuindo para que estes alunos tenham seu direito de aprendizagem garantido como versa a legislação vigente sobre.

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

o Universo da Pesquisa – E.E.PROFESSORA CARLINA CAÇAPAVA DE MELO

o Participantes – Dois alunos que frequentam a sala de recursos da referida escola no contra turno; a professora especialista em Libras e a professora pesquisadora.

o Instrumentos – Roteiro de observação.

o Procedimentos para a Coleta e Seleção de Dados – Adaptação dos conceitos de Geografia, Paisagem e Tipos de Paisagem através de textos e atividades bilíngues.

 

Trajetória Metodológica 1

Trajetória Metodológica 2

Trajetória Metodológica 3

Trajetória Metodológica 4

Trajetória Metodológica 5

Trajetória Metodológica 6

Atividade Avaliativa 1

Atividade avaliativa 2

Atividade avaliativa 3