Tarefa 6 – Curso EDH – Monik de Cássia Sena de Almeida Morelo

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Monik de Cássia Sena de Almeida Morelo

Função

Prof. Ensino Fundamental II e Médio

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

EMEF PROF MÁRIO SCHONBERG

Monik de Cássia Sena de Almeida Morelo

Tarefa do Curso EDH – Desafios do Contexto Atual

Agosto/ 2020

A sequência didática que elaborei foi desenvolvida a partir das ideias trabalhadas na palestra da professora Luciana Alves, que abordou o assunto “raça e relações étnicos-raciais: branquitude e algumas questões étnicos raciais”. O tema foi de encontro com o nosso Projeto Político Pedagógico, que tem como proposta principal abordar os assuntos referentes aos Direitos Humanos. Estamos trabalhando esse tema pelo segundo ano consecutivo no nosso Projeto Político Pedagógico na escola, pois acreditamos ser de imenso valor para o desenvolvido humano dos nossos alunos, agregando atitudes positivas na formação de cada um deles, melhorando inclusive a convivência no ambiente escolar.

A formação dos professores com os coordenadores no mês de Julho foi dedicada ao tema racismo e preconceito, com leitura de muitos textos, compartilhamentos de vídeos e muitos debates, palestras e discussões sobre a realidade dos nossos alunos e da comunidade onde a nossa escola está localizada, buscando entender as necessidades desse público, principalmente nesse momento emergencial de pandemia. A pandemia evidenciou as profundas diferenças sociais e nos levou a reflexões mais profundas sobre as dificuldades que os nossos alunos e suas famílias estão vivendo nesse momento.

Um assunto que nos chamou a atenção foi como nossos alunos se enxergam dentro da sociedade. Isso me remeteu à uma fala da professora Luciana, que comentou sobre em qual momento a criança branca sente a necessidade de se enxergar branca e a criança preta é forçada a se ver muito cedo e de forma negativa porque a sociedade assim coloca como algo negativo ou ruim.  Diante dos conflitos que vivenciamos nas escolas, queremos entender e acolher as angústias dos nossos alunos, trabalhar questões de preconceitos, racismo e todos conflitos que encontramos no nosso ambiente escolar e levamos para nossas mediações de conflito, tentando resolver da melhor forma possível de forma individual e coletiva.

Um dos trabalhos foi realizar um questionário via plataforma Google, com o objetivo de identificar como as crianças se classificam de acordo com a cor da pele. Os resultados obtidos estão apresentados na tabela 1.

Vimos que, conforme aumenta a idade, os alunos se classificam mais com a característica de cor preta ou parda. Diante desses dados, como empoderar esses alunos, como ajudá-los a enfrentar tantos conflitos internos e enfrentar tantas dificuldades vivenciadas em nossa sociedade? Percebemos no nosso dia a dia que os conflitos entre nossos alunos estão geralmente relacionados ao preconceito e ao racismo. O meu objetivo e dos meus colegas é realizar mais trabalhos, mais ações que proporcionem mais momentos de escuta, de conversas, discussões e reflexões sobre as dúvidas, angústias e conflitos desses alunos. Como material didático vou utilizar vídeos, textos, imagens, músicas, poemas e livros que sempre leio no início das minhas aulas de Ciências dos mais variados assuntos. Para a elaboração deste trabalho, coloquei apenas algumas referências de vídeos, imagens e textos para apresentar a sequência didática.

A avaliação é um processo que deve ser realizado constantemente, verificando como está a evolução das discussões dos alunos, mudanças dos comportamentos no ambiente escolar, número de mediações que realizo em minhas turmas e números de mediações de conflito com a coordenação. Também poderei acompanhar como está o processo de desenvolvimento desses alunos e como se sentem em relação a si e a questão do auto-conhecimento e empoderamento. Serão realizados trabalhos ao longo dos meses como produção de vídeos, pintura nos muros, produção de textos, poemas, canções e outras expressões artística e todo esse material será exposto na escola e em eventos realizados pela escola como o Sarau  e a  Mostra Cultural da nossa escola para toda a nossa comunidade, vivenciando a experiência de acolhimento escolar, a escola como um lugar que o representa e o faz crescer como indivíduo e cidadão.

Como mencionado anteriormente, o trabalho educacional sobre Direitos Humanos será realizado ao longo do ano letivo e será trabalhado todos os anos, de diferentes maneiras, mas sempre será discutido em nossa escola pois é papel da escola formar pessoas conscientes e críticas, que busquem uma sociedade cada vez mais igualitária.

Essa sequência didática foi elaborada para os oitavos anos e o meu objetivo é que ao final do ano, os alunos sejam agentes transformadores dentro da escola e na comunidade, que se sintam empoderados como pessoas e que queiram buscar cada vez mais, melhorias para a realidade vivida, seja individualmente, seja coletivamente. Para isso, primeiramente vamos começar conhecendo a verdadeira História do nosso país, desconstruindo a visão eurocêntrica e entendendo as raízes africanas. Depois, reconhecendo a própria história, de seus familiares e as profundas cicatrizes que hoje vemos como diferenças sociais. Entender as heranças africanas e o quanto estão presentes em nosso dia a dia. O quanto o preconceito e o racismo também estão presentes muitas vezes de forma sutil e como podemos (e devemos) mudar isso. Por fim, desenvolver o pensamento crítico sobre questões urgentes vivenciadas pelos nossos alunos para que possam compreender a realidade e para que se tornem jovens participativos e ativos na transformação positiva da nossa sociedade.

Sempre início minhas aulas com a leitura de trechos de livros ou até mesmo de livros pequenos. Para o desenvolvimento deste trabalho, desta sequência, escolhi a coleção Black Power da Editora Mostarda para sensibilização e início do trabalho.

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

Aulas 1 e 2 (Fevereiro)

Constituição da população brasileira Miscigenação – Herança Africana – Vamos conhecer?

Tempo: 90 minutos (2 aulas)

Material: livro, computador, retroprojetor, lousa, giz.

Início da aula com a leitura do livro Martin – Martin Luther king (Editora Mostarda). Apresentarei uma animação do canal Enraizando que fala sobre a chegada dos africanos no Brasil, sobre a escravidão, sobre a abolição e como foi iniciada essa desigualdade social. Vou iniciar uma discussão sobre raça do ponto de vista da ciência e perguntarei o que eles pensam sobre o assunto. No início da aula vou escrever na lousa: “Quais são as nossas heranças Africanas?” e escreverei na lousa as respostas dos alunos. Ao final, vou pedir que pesquisem mais sobre o assunto. Na última aula do mês, os alunos farão uma exposição com painéis, demonstração de dança, roupas, contação de histórias e comida típica dessas heranças africanas.

Vídeo: Os Africanos – Raízes do Brasil #3 – Canal Enraizando. Disponível em: https://youtu.be/fGUFwFYx46s

Aula 3 – Março

Mês das Mulheres

Tempo: 45 minutos (1 aula)

Material: papel Kraft, fita adesiva, canetão.

No Início da aula, realizarei a leitura do livro Carolina – Carolina Maria de Jesus (Editora Mostrada). Serão fixados quatro painéis em papel Kraft em cada parede da sala de aula, com a imagem 1 com a seguinte pergunta: “O que essa figura representa para você?” e “Quais pensamento vem a sua mente ao olhar esta imagem?”. Os alunos devem refletir e em seguida, escrever com canetões o que representa nos painéis. Em seguida, seguiremos com uma discussão com o papel da mulher na sociedade brasileira.

Aula 4 – Março

Mês das Mulheres

Tempo: 45 minutos (1 aula)

Material: tesoura, tecido preto, tecido com diferentes estampas, cartolina, canetinhas.

Construção das BONECAS ABAYOMI: SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA, TRADIÇÃO E PODER FEMININO

No início da aula, realizarei a leitura do livro Rosa – Rosa Parks (Editora Mostrada). Em seguida, perguntarei aos alunos se alguém conhecer sobre a boneca Abayomi e em caso afirmativo, pedirei que compartilhe seu conhecimento. Lerei a lenda para turma e em seguida faremos as bonecas. Ao término da aula, trocaremos entre os colegas.

A lenda das Abayomis

Quando os negros vieram da África para o Brasil como escravos, atravessaram o Oceano Atlântico numa viagem muito difícil a bordo dos tumbeiros, navios de pequeno porte que realizavam o transporte de escravos. As crianças choravam assustadas, porque viam a dor e o desespero dos adultos. As mães negras, então, para acalentar suas crianças, rasgavam tiras de pano de suas saias e faziam bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção para as crianças brincarem. As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa “Encontro precioso”, em iorubá, uma das maiores etnias do continente africano, cuja população habita parte de Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim. Quando você dá uma boneca Abayomi para alguém, esse gesto significa que você está oferecendo o que tem de melhor para essa pessoa.

Disponível em: https://www.geledes.org.br/bonecas-abayomi-simbolo-de-resistencia-tradicao-e-poder-feminino/.

 

Aula 5 e 6 – Abril

Entendendo alguns conceitos

Tempo: 90 minutos (2 aulas)

Material: retroprojetor, computador.

Leitura do Livro Obama – Barack Obama. Em seguida, reprodução do vídeo “A ladainha da democracia racial” (Disponível em: https://youtu.be/KIZErDa1jIc) da historiadora e antropóloga Lili Schwarcz para provocar questionamentos sobre as diferenças sociais existentes no Brasil e suas origens e como podemos mudar isso e do vídeo Nuances | Laís Ribeiro do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias (Disponível em: https://youtu.be/S0yPd9sx4QU).

Na lousa escreverei:

“Existe diferença entre preconceito, racismo e discriminação?”

Em seguida, exibirei o vídeo Por uma infância sem racismo da Unicef (Disponível em: https://youtu.be/_aPYuKiKFMg) e as seguintes perguntas serão escritas na lousa:

Como podemos contribuir para um mundo mais justo?
Será que dentro da escola, agimos de forma justa uns com os outros?

Após debate, os alunos deverão apresentar apresentar no final do mês vídeos de 30 segundos onde devem expressar suas ideias de como podem colaborar na construção de um país com condições sociais mais justas para todos.

Aula 7 e 8 – Maio

O racismo sutil por trás das palavras.

Tempo: 90 minutos (2 aulas)

Material: cartolinas, canetinhas, papel cartão cores variadas, lápis de cor, giz de cera, cola.

Início da aula com a leitura do livro Mandela – Nelson Mandela (Editora Mostarda). Na primeira aula, vou propor aos alunos que pesquisem na internet sobre as expressões racistas que são utilizadas no cotidiano dos brasileiros quais podem ser utilizadas para substituir. Em seguida, poderão produzir painéis de forma criativa com os resultados encontrados. Esses trabalhos serão expostos pelo pátio da escola como um imenso dicionário aberto para todos os demais colegas da escola possam consultar livremente e melhorar seu vocabulário.

 

 

 

Tabela 1 - Estudantes EMEF Mario Schonberg

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