Tarefa 6 – Curso EDH – Michele dos Santos Leite

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Michele dos Santos Leite

Função

Peif e Pei

DRE / Unidade Educacional

Jaçanã / Tremembé

Escola

Emei Lourenço Filho e Cei Maria Henriqueta Catite

SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO

INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

CURSO FORMATIVO:

EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

DESAFIOS DO CONTEXTO ATUAL

 Michele dos Santos Leite – RF: 7725264

Professora de Educação Infantil e Fundamental I na EMEI Professor Lourenço Filho DRE-JT)

Professora de Educação Infantil no CEI Maria Henriqueta Catite (DRE-JT)

 SÃO PAULO

2020

 

APRESENTAÇÃO

Esse trabalho de conclusão do curso “EDH: Desafios do contexto atual” realizado pelo Instituto Vladimir Herzog em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, apresenta um resumo das aprendizagens e discussões acerca da diversidade e das desigualdades praticadas dentro de uma cultura, onde o espaço escolar se torna cenário que expõe violência e desigualdade, mas também se torna local de luta, de respeito e valorização das características e diferenças inerentes a cada indivíduo.

As sociedades são marcadas e caracterizadas pela diversidade. Ainda que seus membros sejam muito parecidos, todos apresentam características singulares que os diferenciam uns dos outros. As diferenças de caráter cultural, físico, social, intelectual, de gênero, faixa etária, entre tantas, estão presentes em todas as formas de agrupamento humano e, quando respeitadas, abrem caminho para a inclusão, o respeito e a vida democrática. Entretanto, quando as diferenças são interpretadas de modo a criar disparidades entre pessoas e agrupamentos sociais, causando desequilíbrio no acesso e na garantia de direitos, o que se tem é o estabelecimento da desigualdade. E a desigualdade pode produzir discriminação, ou seja, exclusão, segregação e separação de indivíduos, pessoas e grupos considerados inferiores. (Caderno EDH-Diversidade e Discriminação, pág. 12)

 

TEMA PROPOSTO

  • Como trabalhar as questões étnico raciais na Educação Infantil.

 

JUSTIFICATIVA

Início essa justificativa com uma pergunta: O que aprendemos sobre os negros na escola?

Conhecemos uma história onde os negros foram subjugados e escravizados por causa da cor da pele, da sua origem, da sua cultura, da sua religião… Tantos motivos que justificou e validou a escravidão, posto que apenas uma raça, a branca, por ser ideal, por ser dominante e possuir um poder quase divino de superioridade. Essa história que aprendemos na escola foi contada por brancos, higienistas, racistas e que falam que em um ato de benevolência, uma princesa assina uma carta que confere o direito da liberdade de um povo como se essa não fosse um DIREITO nato a cada ser humano.

Essa história foi perpetuada, e hoje, o racismo simbólico e estrutural está presente dentro das relações humanas e se reflete na sociedade, no trabalho, nas manifestações culturais, religiosas e também no espaço escolar. Além disso, desconhecemos a verdadeira história de luta, de protagonismo, de uma raça que hoje se caracteriza como uma grande parte da população brasileira.

Como reparar esses anos de preconceito que insiste em se reproduzir e mudar essa narrativa?  E como a escola pode se tornar um espaço potencializador dessas discussões, agindo na formação de professores e alunos/cidadãos mais conscientes, valorizando as diferenças?

 

Ora, tal como apontam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, a escola tem o compromisso de reconhecer e valorizar a identidade, a cultura e a história dos negros brasileiros, assim como promover ações educativas de combate ao racismo e à discriminação racial. Apenas dessa forma é que poderemos promover a construção de uma sociedade menos desigual, menos injusta, menos preconceituosa e menos discriminatória. (Caderno EDH-Diversidade e Discriminação, pág. 21)

 

O Currículo da Cidade de São Paulo (2019), aponta os marcos legais resultantes de uma trajetória de lutas e mobilizações sociais e que contribuem para a construção de uma cultura igualitária. A questão racial é conteúdo obrigatório no currículo escolar. A Lei 10.639, de 2003, decretou a inclusão do ensino da História e da cultura afro-brasileiras no Ensino Fundamental e Médio. E a lei passou a valer para todos os níveis da Educação Básica com a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

 

PÚBLICO

Delimitar um público específico se torna difícil uma vez que ao trazer uma questão tão importante demanda um diálogo com todos da escola. Portanto, as ações partem da equipe gestora e envolve, professores, equipe de trabalho e apoio escolar, formadores do Núcleo étnico racial, pais, comunidade escolar e as crianças.

 

FINALIDADE

Esse projeto traz uma sequência de atividades para contemplar não somente a legislação, mas sobretudo promover uma discussão continua que enfatize práticas antirracistas na Educação Infantil possibilitando transformações conscientes de respeito a diversidade e a justiça. Implementando um processo no qual os Direitos Humanos seja um princípio soberano.

 

OBJETIVOS:

  • Garantir uma aprendizagem igualitária, valorizando cada indivíduo, e sobretudo combater processos discriminatórios;
  • Elevar o nível de consciência crítica dos envolvidos dentro desse processo de aprendizagem introduzindo a história de luta dos negros e afrodescendentes, possibilitando uma atuação consciente e responsável;
  • Efetivar uma pedagogia voltada para uma aprendizagem onde a criança tenha voz, e tenha sua identidade preservada, com acesso a ricas experiências, narrativas e modelos onde se reconheçam como protagonistas.
  • Garantir uma escuta democrática, de todos os envolvidos no processo.

 

 

TEMPO

O tempo envolve ações pontuais e continuas, mas a intenção é que o projeto se torne como identidade permanente da escola.

 

RECURSOS

Para enriquecer esse projeto haverá a necessidade de recursos materiais e humanos. Como:

  • Investir na contratação de formadores, especialistas, artistas, ou mesmo apoio do Núcleo étnico racial para a formação dos profissionais da escola.
  • Levantamento de Bibliografia (livros/filmes) tanto para a formação da equipe escolar como para a manipulação das crianças e famílias, e que contemplem a diversidade, e nesse caso também será necessário um olhar mais amplo que além de possibilitar a identidade e representação dos negros, traga a representação do indígena, do imigrante e da educação inclusiva.
  • Investimento em brinquedos, livros e materiais que contemple a diversidade, onde cada criança possa se reconhecer, tanto na cor da pele como também pelas preferencias e escolhas pessoais.
  • Investir no registro das ações, tanto para documentação como também acompanhamento da comunidade escolar, o que requer recursos tecnológicos, e audiovisuais.

 

ETAPAS (Sequência de atividades)

  • Projeto Político Pedagógico

Revisitar o PPP da escola, pois as discussões não podem ficar apenas na parte teórica, ela deve ser documentada. As ações e intenções devem estar claras para todos os envolvidos.

 

  • Questionário com as famílias

Para a construção do PPP é importante conhecer as famílias, como origem e realidade que pertencem, identificando seus contextos de vida poderemos antecipar ações que envolvam essas famílias nos projetos como também internacionalizar as ações de forma mais efetiva para contemplar a identidade de todos.

 

  • Formação dos professores e funcionários do apoio

Organizar formações e ações educativas com todos os envolvidos, desde gestão, corpo docente e funcionários de apoio.  Essa formação poderá contar com especialistas, artistas e referências dentro da temática étnico racial.

Essa fundamentação é necessária, pois a partir dela poderemos ampliar o nosso olhar e conhecimento, sobretudo na questão ética e solidária, assumindo responsabilidade em garantir a aprendizagem de forma igualitária

 

  • Levantamento de materiais

Precisaremos de materiais adequados para a formação e para a aplicação efetiva do projeto, principalmente para quem se destinará essas ações que são as crianças e suas famílias.

Para isso precisamos oferecer brinquedos, livros, bonecas, vídeos e músicas onde elas se reconheçam.

 

  • Aplicação e encaminhamentos

Planejamento de ações e experiências destinadas as crianças e famílias. Fomentando discussões onde a ideia que toda discriminação é inaceitável, mas também oferecendo situações de protagonismo, de fortalecimento da identidade, na construção conjunta de valores, na ação pontual e necessária quando se identificar uma situação de racismo ou qualquer forma de violência.  E a escuta atenta, dos anseios, curiosidades e conhecimentos que as crianças trazem para enriquecer esse processo de aprendizagem e construção.

 

AVALIAÇÃO

A avaliação será continua pautada em momentos de escuta dos envolvidos, análise do repertório construído, registro e documentação das ações.

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Caderno EDH: Diversidade e Discriminação, 3ª edição, São Paulo, 2010, disponível em: http://respeitarepreciso.org.br/cadernos-respeitar/diversidade-e-discriminacao/

Currículo da Cidade Educação Infantil, disponível em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2019/10/cc-educacao-infantil.pdf

 

 

 

 

https://drive.google.com/file/d/1GExuy6spi1KcA0NKm2o6Yhsu-2Fza_Lx/view?usp=sharing