Tarefa 6 – Curso EDH – Marlene de Araujo Nicastro

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

Marlene de Araujo Nicastro

Função

PEF I

DRE / Unidade Educacional

Freguesia do Ó / Brasilândia

Escola

CEU EMEI Paz

Jogos e brincadeiras africanas: Um resgate de infâncias.

Marlene de Araujo Nicastro
[email protected]
CEU EMEI Paz

  • INTRODUÇÃO

Este projeto surgiu a partir da formação de uma turma de Infantil II (alunos de 5 anos) e foi desenvolvido com o intuito de resgatar na educação infantil brincadeiras antigas, em especial aquelas de origem africana, onde as crianças pudessem brincar, cantar, dançar e se divertir aprendendo juntas. Concomitante a estas características, identificou-se também manifestações de preconceito por parte de algumas famílias que julgaram como sendo expressões de cunho religioso, a observar as músicas e movimentos e isso fez com que buscássemos atividades de intervenção para mostrar e demonstrar que nada havia de religioso e que muitas das brincadeiras que já brincamos e conhecemos são de origem africana. Desta forma, iniciou-se a organização de um projeto que, a partir da apresentação do continente africano sua influência em nossas características, no modo de vida e nos costumes brasileiros, deu origem ao projeto: Jogos e Brincadeiras africanas.

  • Palavras chave: jogo, brincadeira, África, diversidade
  • OBJETIVOS
  • Apresentar o continente africano (localização geográfica);
  • Destacar as características culturais de alguns dos povos africanos;
  • Abordar a questão da diversidade na constituição e características do Brasil, principalmente ao que se refere à música e a dança;
  • Proporcionar situações de interação, convivência e companheirismo.
  • MATÉRIAIS E MÉTODOS

Foram apresentados os mapas do continente africano e do Brasil, fizemos atividades de localização geográfica e contação de histórias, contos e lendas de origem africana com o objetivo de contextualizar a diversidade entre os países, enfatizando também as questões relacionadas às diferentes manifestações culturais de alguns povos africanos. Posteriormente, passamos a vivenciar com os alunos as diversas brincadeiras. Como principal referência bibliográfica, utilizamos os livros: ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Africanidades – Jogos, brincadeiras e cantigas de Márcia Honora e Antônio Jonas Dias Filho e também o livro de Rogério Andrade Barbosa, Histórias Africanas para contar e recontar.

  • RESULTADOS

Os alunos vivenciaram o projeto totalmente, estiveram envolvidos desde a realização das atividades iniciais, passando pela leitura de história, contos e lendas se estendendo ao momento da apresentação de uma brincadeira coletiva na Festa da Cultura Popular Brasileira que ocorreu na unidade escolar, momento em que puderam primeiramente se apresentar para as famílias e a comunidade e depois juntamente com a família participando da roda apresentaram-se para a comunidade presente no evento.

  • CONCLUSÕES

Percebeu-se que o projeto colaborou para que as crianças pudessem se expressar com liberdade e também colaborou para incutir nas famílias respeito à diversidade como característica fundamental dos seres humanos. Ainda, observou-se que manifestações de preconceito são oriundas da falta de informação e da intolerância com as diferenças.

  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Rogério Andrade. Histórias Africanas para contar e recontar. São Paulo. Editora do Brasil. 2001.

FILHO, Antônio Jonas Dias. HONORA, Márcia. Africanidades – Jogos, brincadeiras e cantigas. São Paulo. Ciranda Cultural. 2010.

____________Figura1:<http://www.livrariacultura.com.br/p/historias-africanas-para-contar-e-recontar-ensino-fundamental-i-4-ano-29142605>. Acesso: Abril/2016

____________Figura2:<http://pt.slideshare.net/nataliasouzaramos/jogos-brincadeiras-e-cantigas>. Acesso: Abril/2016.

 

 

 

 

Jogos e brincadeiras africanas: Um resgate de infâncias.

 

Considerações

O trabalho apresentado foi elaborado para o curso de aperfeiçoamento de Educação em Direitos Humanos /2015-2016 promovido pela Universidade Federal do ABC. Na ocasião, quando de sua elaboração, minhas dúvidas eram: qual o tema abordarei com minhas crianças tão pequenas? como torna-lo significativo? como envolver crianças e famílias? Passei então a observar a turma, fazer algumas anotações sobre as interações das crianças nos espaços, suas preferências, suas escolhas. Notei algumas ações e atitudes que me inquietaram, crianças que ficavam fora das brincadeiras, que não eram “escolhidas”, meninas que nunca eram penteadas, nunca eram as princesas.

Como uma criança poderia ficar fora de uma brincadeira? As brincadeiras, os brinquedos e os jogos fazem parte do cotidiano infantil, esses momentos proporcionam prazer e aprendizagem, por meio dessas atividades as crianças se divertem se socializam e aprendem. Sendo assim, o lúdico sempre está presente nas atividades colaborando com a formação da criança e sua identidade.  Então, decidi “intervir” usando o lúdico. As atividades lúdicas podem ser utilizadas para introduzir e aprofundar diversos conteúdos escolares, os jogos possibilitam que as crianças se apropriem de conceitos matemáticos brincando, além disso, o lúdico permite que as crianças conheçam brincadeiras antigas e de outras culturas, dentre essas podemos destacar a cultura africana. Desta forma o presente trabalho buscou resgatar, por meio das brincadeiras a ancestralidade africana e demonstrar para as crianças e seus familiares que a cultura africana está muito mais presente no dia-a-dia e a muito mais tempo do que se supõe.

Durante a vivência do projeto foi possível apresentar e vivenciar brinquedos e brincadeiras tradicionais e da cultura africana, as crianças puderam descobrir brincadeiras novas, outras não tão novas e fazer associações a brincadeiras que já conheciam como a brincadeira *Terra e Mar de origem de Moçambique e muito parecida com Vivo ou Morto muito “brincada” por elas e querida da maioria nesta faixa etária e se tornou a preferida da turma pois, gostaram muito de saltar e competir entre eles.

O projeto teve como finalidade promover a aprendizagem por meio do lúdico mas também, desmistificar a cultura africana, proporcionar conhecimento e acima de tudo promover respeito a essa cultura, buscou-se valorizar suas manifestações. A duração do projeto foi de quatro meses (de Abril até Julho quando ocorreu a Festa da Cultura Popular) mas, após o retorno do recesso escolar continuamos a brincar.

Após as aulas do curso Respeita é Preciso, em especial a Aula 2 – Raça e Relações étnico-raciais: branquitudes e algumas questões étnico-raciais com a professora Luciana Alves, o tema para mim tornou-se ainda mais significativo pois, problematizou  discursos e práticas que sustentam um sistema de dominação pautado nas relações étnico-raciais, tornando visível a construção social do preconceito racial desnaturalizando a condição social do branco, que goza de privilégios simbólicos, subjetivos e materiais. Refletindo sobre tais questões decidi resgatar este projeto, buscar aprimora-lo resignificando as relações. A afirmativa de que de que a brancura é encarada como um ideal ético, educacional, estético e econômico a ser alcançado pelos sujeitos, idealização construída com base na depreciação de outros grupos raciais, notadamente o negro me incomoda particularmente tendo trabalhado com um projeto voltado a valorização da cultura africana e com resultados significativos portanto, acredito ser importante retoma-lo. Buscar aprofunda-lo trazendo mais brincadeiras, histórias, lendas e contos de diferentes povos africanos buscando assim a reflexão e o proporcionando conhecimento da cultura africana e afro-brasileira muito importantes para que a comunidade escolar compreenda que independente de cor, raça, etnia, sexo e crença religiosa, os seres humanos participam do desenvolvimento social e do processo histórico. Nessa perspectiva, o trabalho atuará no ambiente escolar de forma a conscientizar sobre a discriminação da cultura africana e afro-brasileira, extinguir manifestações de desrespeito e gerar apreço as manifestações culturais promovendo igualdade de direito e o respeito às diferença bem como o repúdio a quaisquer formas de discriminação a homens e mulheres, direitos assegurados e defendidos pela Constituição Brasileira de 1988.

Anexo, segue banner apresentado para a conclusão do curso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Terra-Mar é um jogo para crianças de ambos os sexos. Não há número limite de participantes. Para este jogo não é necessário nenhum material, realiza-se ao ar livre e basta um traço desenhado no chão. Os jogadores dispõem-se em fila ao longo deste traço, sem o pisar. No início do jogo, define-se que um dos lados do traço é o Mar e o outro é a Terra. É escolhido um jogador para dar a voz de comando, que será: MAR ou TERRA. A esta ordem, os jogadores darão um salto para o lado correspondente. A voz de comando não obedece a qualquer sequência, o que quer dizer que a ordem Mar, por exemplo: pode ser dada repetidamente. Por outro lado, os jogadores podem ser enganados pelo “comandante” do jogo, quando este executar um movimento para o lado contrário ao da ordem que deu. Sempre que um jogador se enganar, saltando para o lado errado, ou ficando no mesmo lado, em vez de saltar, sai do jogo. O jogo termina, quando ficar apenas em jogo um participante, que será o vencedor.

Jogos e brincadeiras africanas: Um resgate de infâncias.