Tarefa 6 – Curso EDH – Marina Balbina de Souza

Data

27 de julho de 2020

Cursista

Marina Balbina de Souza

Função

Professora de Educacao Infantil

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

CEI JOSÉ FERREIRA KEFFER VER

 

TEMA PROPOSTOModos De Subjetivação E Marcadores Sociais De Diferença

 

JUSTIFICATIVA:

Considero que os temas abordados nesse curso são de extrema importância e a escola como uma instituição que possui uma dimensão social não poderá se furtar de promover  profundas reflexões sobre o atual contexto social em que vivemos e a partir delas elaborar ações positivas que reflitam na formação do sujeito consciente, potente e transformador.

  A escolha do tema Modos de Subjetivação e Marcadores Sociais de Diferença se deu por entender que todos os demais assuntos discutidos no curso estão, de certa forma, representados aqui. Os Elementos Relacionados a Raça e Relações Étnico-raciais: branquitude e algumas questões étnico-raciais; Educação Inclusiva; Gênero e Sexualidade: transfobia e educação em direitos humanos; Relação Família e Escola e a Produção Social de Sofrimento estão intrinsicamente relacionados aos marcadores sociais de diferença.

Os relatos nos meios de comunicação sobre a violência na abordagem policial na cidade de São Paulo, os atos de intolerância no trânsito ou nas redes sociais, a falta de acesso a vida digna de determinados grupos sociais nos diz que é hora de agirmos contra essa conjuntura histórica de opressão em nosso universo social desconstruindo percepções falsas sobre o outro e trabalhando na construção de uma cultura mais justa e humana.

Sendo a subjetivação uma construção social e a subjetividade é algo que se constrói na interação social precisamos agir para além do discurso com procedimentos sociais potentes que possam contribuir positivamente para a construção de cidadãos mais conscientes voltados para a coletividade e a cidadania.

A escolha do público alvo também não foi por acaso.  A educação infantil é a primeira etapa da escolarização, início da formação da identidade e da construção de valores e princípios. Os estudos demonstram que a criança nasce sem preconceito, sem ideologias ou discriminações. É no contexto de suas interações que as diferenças são negativadas ou positivadas.  Por isso é tão importante ampliar o olhar dessa criança por meio de diversas formas de socialização despertando sentimentos de respeito e empatia em relação aos seus pares, percebendo que a história não tem apenas um lado, e dessa forma aprender a respeitar a diversidade e a coletividade como parte integrante da dimensão social e humana. A Educação Infantil pode ainda envolver a família, já que a criança costuma compartilhar o que aprendeu no espaço familiar.

 Os professores também fazem partem de grupo socialmente desvalorizado e desrespeitado, sofrendo com agressões e a indiferença do poder público e da sociedade. Tendo em vista que os professores (as) são responsáveis por possibilitar o acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade, entendo como urgente a necessidade de potencializar esse ator social para que sua prática educativa seja de fato uma ação transformadora. 

 

A QUEM O TRABALHO SE DESTINA: Famílias, Professores e Crianças bem pequenas (2 a 4 anos)

FINALIDADE: A presente sequência didática tem a pretensão de envolver toda a comunidade escolar considerando todos como membros de um único corpo valorizando a riqueza, a diversidade de cada um dos envolvidos. E sobremaneira, propor vivências experenciais com o próprio corpo às crianças pequenas estabelecendo uma rede de cuidados para fortalecer o processo social de subjetivação.  A partir do cuidado e da experiência com o próprio corpo, propiciar às crianças pequenas, tomar consciência dos contextos sociais de diferenciação desconstruindo imagens estereotipadas na perspectiva da empatia e na tolerância, interagindo, convivendo e respeitando as diferenças.

OBJETIVOS/RESULTADOS ESPERADOS:

  • Promover uma educação voltada à coletividade/ Participação do corpo diretivo, das famílias, dos professores e das crianças;
  • Promover o respeito à diversidade/ Acolher a todos de forma respeitosa;
  • Perceber-se a si mesmo e ao outro /Enxergar-se a si mesmo como parte de um grupo;
  • identificar igualdades e diferenças mediante as interações estabelecidas/ Sentir-se valorizado e reconhecido.

DURAÇÃO: 06 Meses

AS ATIVIDADES QUE COMPORÃO A SEQUÊNCIA:

  • Gestão Acolhedora:

Público Alvo: Famílias, professores e crianças

Periodicidade: Diariamente

A gestão deverá se fazer presente para acolher as demandas e necessidades das famílias, sejam elas bi parentais, monoparentais, imigrantes, refugiadas ou façam parte de qualquer marcador social, por meio de escuta ativa, acompanhar a entrada e a saída das crianças, de modo a estabelecer um vínculo de confiança entre escola e família de tal forma que se sintam pertencentes aquele espaço e motivados a participar do coletivo escolar, contribuindo com sugestões, colaborando na elaboração do PPP e fortalecendo a comunidade escolar.

Abro um parêntese para relatar uma situação vivenciada por uma escola que trabalhei em que as famílias se sentiam pertencentes aquele espaço de tal forma que formaram uma comissão e foram na Diretoria Regional de Ensino reivindicar uma caixa de água que a escola necessitava e tiveram a reivindicação atendida. A mãe que liderou o grupo era boliviana, esse fato mostra o empoderamento dessa família e de todas as outras, a confiança no trabalho pedagógico daquela unidade e tinham espaço para falar, ouvir e se expressar.

 

  • Promover momentos de escuta das famílias

Público Alvo: Famílias e professores

Periodicidade: 1 vez no semestre

Convidar as famílias com antecedência para participar de reunião cujo objetivo é a escuta. Preparar um ambiente acolhedor e a equipe gestora motivar a participação de todos.

Nessa escola que já mencionei havia famílias de várias nacionalidades, dentre elas vou destacar Angola, Senegal, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e foi realizado um momento de escuta e compartilhamento de experiências e a vivência foi riquíssima. Ouvir daquelas famílias, relatos das suas experiências, as expectativas em relação ao trabalho ofertado na escola, as dificuldades enfrentadas, a barreira da língua e da cultura, como elas se sentiam em relação a escola fez toda diferença no fazer pedagógico daquele momento em diante. A relação de respeito de ambos os lados se fortaleceu.

 

  • Usar os momentos coletivos de formação dos profissionais para além da formação.

Público Alvo: Professores

Periodicidade: quinzenalmente

O Currículo da Cidade de São Paulo para a Educação Infantil propõe o acolhimento como princípio e método de trabalho e valor às ações pedagógicas.  No entanto, o profissional que está à frente dessa ação educativa também necessita ser valorizado e acolhido. Proponho que os horários coletivos de formação também sejam destinados a promover motivação diante de tantos desafios que se apresentam no chão da escola. Valorizar o profissional, acolhê-lo, escutá-lo, ou seja, cuidar do cuidador. Uma educação na perspectiva dos direitos humanos não pode deixar de ter um olhar carinhoso para com os professores que são os mediadores do conhecimento.

 

A partir deste item, todas as atividades serão destinadas às Crianças

  • Roda da conversa

Esta é uma atividade diária e consiste em realizar um diálogo franco e aberto com as crianças para conhecer o contexto em que estão inseridas, ouvir as demandas, os interesses e as necessidades delas, discutir os problemas, propor os projetos e encontrar soluções. Este é um espaço privilegiado para identificar as relações de preconceitos e resolver os conflitos que possam ocorrer.

  • Atividade Frente ao espelho

Promover situações contextualizadas com as crianças na frente do espelho para ela se perceba com um ser individual e potente fazendo menção as partes do corpo, a cor da pele, a textura do cabelo valorizando cada criança com sua característica pessoal para que ela consiga se perceber e identificar a sua individualidade no coletivo, sempre respeitando e valorizando a característica de cada um.

  • Atividade Frente ao Espelho 2

O professor deverá fazer diversas caretas em frente ao espelho e estimular as crianças a fazerem também e denominar as expressões faciais dizendo: Quando estou feliz eu faço uma cara assim… Quando estou triste, fico assim… Quando estou com raiva… Quando estou com dor… Confiante… Fazer com os pequenos, na frente do espelho, várias expressões que denotam os sentimentos. Em seguida, fazer uma roda de conversa, estimulando as crianças a perceber em quais situações elas se sentem felizes ou tristes, aborrecidos ou com ira. E o que fazer para potencializar ou fragilizar tais sentimentos? Deixar as crianças livres para levantar hipóteses e apresentar soluções.

A finalidade desta experiência é estimular as crianças a falarem sobre seus sentimentos, sobre o que as incomodam e ajudá-las a gerenciar suas emoções.

  • Trabalhar com fotos das crianças

Fazer um painel com as fotos das crianças de modo que promova a identificação da individualidade de cada um, se perceba e reconheça as diferenças individuais. Promover a identidade e a autonomia da criança de forma crítica e consciente, de modo, que a criança aprenda desde muito cedo a se reconhecer como indivíduo, respeitar a diferenças, sejam elas étnicas, de crenças, gênero ou classe social.

  • Tocar e sentir os cabelos

Nos momentos de cuidados permitir que as crianças brinquem e manipulem os cabelos umas das outras para sentir a sensação do toque e das texturas e perceber que nem todo mundo é igual e que não há problema nenhum em ser diferente. Esta experiência promove a troca de carinho entre as crianças, rompe com as possíveis barreiras de preconceitos e abre caminho para aprender que não existe cabelo ruim, só estilos diferentes.

  • Brincando com o Próprio Corpo

Dividir a turma em duplas e entregar a cada criança um pedaço de papel Kraft aproximadamente do tamanho da criança. Pedir que uma se deite em cima do papel e a outra irá desenhar o contorno do corpo. Depois de terminado trocam-se os papéis e é a vez de quem já foi desenhado, desenhar o colega. Depois que todos os avatares tiverem prontos, pedir que completem as partes faltantes como olhos, boca, nariz, os cabelos. É outra forma da criança se identificar as características pessoais, sempre valorizando e respeitando a individualidade de cada criança.

  • Músicas

Variar o repertório musical de modo que valorize a cultura de cada criança. Principalmente se houve criança de outra nacionalidade. Ouvir músicas que se aproxime de seu contexto cultural permite que a criança se sinta pertencente aquele espaço, amplie seu repertório cultural e aprende a valorizar a cultura alheia.

  • Contação de História

Atualmente existe literatura infantil que aborda a temática do preconceito racial e da inclusão para que possa ser apresentada, discutida e problematizada com as crianças de modo a conscientizá-las que toda diferença deve ser respeitada e romper com as barreiras do preconceito. Sempre que problematizar uma situação, ouvir a solução apresentada pelas crianças e quando detectado a presença de discriminação ou preconceito apresentar diferentes modos de pensar e agir.

  • Brinquedos

A escola precisa se preocupar com os brinquedos que oferece às crianças. A presença de bonecos negros, brancos, orientais e de outras nacionalidades demonstram que a escola reconhece a diversidade brasileira. As crianças criam laços com os brinquedos e se reconhecem e se respeitam.

  • Coparticipação das famílias nas ações educativas

Envolver a participação dos pais na ação educativa como levar fotos da família, participar na criação de murais, acompanhar as produções das crianças expostas nas paredes da escola permite que a família também se sinta valorizada, respeitada e fazendo parte daquele espaço coletivo.

Avaliação: A avaliação será feita no decorrer do processo mediante a participação e o envolvimento dos atores nas ações, na identificação de mudanças de posturas e comportamentos.