Tarefa 6 – Curso EDH – Maria Alice Teixeira Xavier Cardoso

Data

3 de agosto de 2020

Cursista

Maria Alice Teixeira Xavier Cardoso

Função

Professora

DRE / Unidade Educacional

Ipiranga

Escola

CEI Suzana campos tauil

PROJETO: EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA EM UMA ESCOLA PARA TODOS

O desafio da escola na atualidade é reconhecer que as diferenças e semelhanças são fundamentais para o conhecimento. É preciso aprender a respeitar para aprender a conviver com as diferenças. Em uma escola que se quer para todos a cultura das diferenças supõe a cultura da fraternidade, onde a singularidade, diversidade e a pluralidade formam um todo e podem conviver em uma verdadeira inclusão. Por ser um local de construção de identidades e subjetividades a escola não pode se omitir diante de situações (reproduzidas em muitas escolas e na nossa sociedade) de preconceito de raça, gênero, cor, religião, condições físicas e psicológicas, origem e classe social. As contribuições do “Respeitar É Preciso: Educação em Direitos Humanos” amplia o olhar, reflete sobre os modos de subjetivação, subordinação e exclusão e elucida os princípios e a função social da escola para a formação de uma sociedade mais humana e fraterna para todos. Neste sentido é preciso que a escola seja um espaço democrático e com práticas plurais e emancipatórias que valorizem a todos como sujeitos de direitos, cidadãos e produtores de conhecimentos, ou seja, uma educação fundamentada nos direitos humanos.

 

  • O QUE QUEREMOS?

A escola é o espaço onde são ensinadas as primeiras regras de convivência em sociedade. É o local onde ocorre as interações, socializações e compartilhamento de ideias, construção de cultura e da subjetividade do sujeito. Para exercer sua função social a escola deve ser um espaço democrático que acolha e respeite a pluralidade e a singularidade e reconheça e valorize a diversidade multicultural. A escola é, portanto, um espaço privilegiado onde temos a oportunidade de crescermos e tornarmos melhores e mais solidários ao convivermos com pessoas diferentes de nós quer seja pela sua etnia, cor, religião, condições físicas e psicológicas, classe social, gênero e sexualidade, crenças e valores. Por ter o seu papel fundamental na formação do cidadão a escola precisa ser um ambiente em que todos sejam parte importante deste processo e a inclusão de todos está pautada no reconhecimento das diferenças que nos distingue do outro onde a qualidade deva ser estratégia de democratização.

Diante de tantas problemáticas e demandas que vivemos hoje, a escola tem a difícil tarefa de ter que dar conta de questões que vão além da sua capacidade de educar, por isso é urgente e necessário sair dos seus muros, dialogar com a comunidade, com o entorno e se apoderar desta realidade que a cerca, buscar a mobilização e participação coletiva de todos os envolvidos para juntos construir um Projeto Político Pedagógico que dialogue com a realidade e contemple ações efetivas que promovam desenvolvimento social e uma educação igualitária de qualidade para todos.

 

  • PARA QUEM?

A Educação Infantil é o marco inicial na formação da subjetividade da criança, neste sentido cito a frase do Nelson Mandela, “as pessoas não nascem preconceituosas, elas aprendem, e se elas são ensinadas a odiar, elas podem aprender a amar”, como base de uma educação para a cidadania.

Uma escola para todos respeita as diferenças e peculiaridades de cada um, constrói um ambiente acolhedor onde todas as crianças possam desenvolver suas capacidades individuais, sua autoestima, autonomia, respeito e empatia para com o outro. A criança é o centro do planejamento das ações educativas, considerando-a como sujeito histórico e de direitos, produtora de cultura e que através das relações e interações que estabelecem, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade (DCNEI).  Nessa perspectiva, as ações educativas planejadas no cotidiano do Centro de Educação Infantil devem se pautar nos princípios éticos, estéticos e políticos.

  • É perceptível o crescimento das comunidades de migrantes e refugiados na nossa cidade de São Paulo e principalmente nas escolas municipais. A nossa constituição o ECA e todos os outros documentos de ordem federal, estadual e municipal garantem a todas estas crianças acima de 4 anos de idade a obrigatoriedade da efetivação da matricula e frequência na escola, mas apesar de ser internacionalmente reconhecido como um país acolhedor, os refugiados encontram muitas barreiras e os filhos desses imigrantes que frequentam as escolas da rede pública do município têm dificuldade de se integrar por causa da língua e das referências culturais, mas também porque, muitas vezes, são alvo de preconceito e de xenofobia. Além disso muitas famílias vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica, o que as tornam suscetíveis à exploração no trabalho escravo e Trabalho Infantil.
  • A constituição do povo brasileiro tem suas matrizes indígenas, europeias, africanas e asiáticas e essa miscigenação faz com que nosso país tenha uma grande riqueza cultural. A escola é um espaço social privilegiado onde deveríamos reconhecer, respeitar e valorizar estas manifestações. As crianças fazem parte e são produtoras de culturas. Podemos perceber em suas falas nas rodas de conversa, valores e princípios, trajes e costumes. Quando escutamos a criança e sua família, contamos histórias de diferentes origens, oferecemos brinquedos, brincadeiras, objetos, danças, músicas, instrumentos sonoros, bonecas e bonecos onde ela se reconheça estamos respeitando e valorizando a sua cultura e todos se sentem representados e valorizados.
  • A educação inclusiva pressupõe o reconhecimento e a valorização das diferenças e a lei Brasileira de Inclusão garante oferta de rede de serviços educacionais articulados com diversas áreas da saúde para atender às necessidades específicas da pessoa com deficiência intelectual e múltiplas, altas habilidades e TEA, mas as diretrizes educacionais específicas não preveem programas de intervenção e de apoio aos alunos com diagnósticos de transtornos de aprendizagem (Dislexia, Discalculia, Disortografia, TDAH). Para tanto, é necessário que haja uma ampla discussão em torno do tema, com políticas públicas educacionais, formação permanente  e planejamento pedagógico à fim de repensar e organizar estratégias e ações que possibilitem à todos e todas independente de suas condições de deficiência ou não,  a participação plena, o acesso a espaços inclusivos com recursos que ofereçam igualdade de oportunidades,  uma prática pedagógica flexível e acolhedora, reconhecendo e valorizando  as narrativas das crianças, suas histórias de vida, garantindo que sejam protagonistas no processos de construção coletiva e de ensino e aprendizagem. É preciso ensinar A olhar para as pessoas com deficiência e enxergar nelas um ser humano com as mesmas necessidades, desejos, dificuldades e anseios como qualquer um.

 

  • QUANDO FAREMOS?

Por ser um documento vivo, dinâmico e discutido coletivamente, o projeto político pedagógico está em constante processo de construção e reconstrução sendo, portanto, o percurso que define o registro das intenções, concepções e práticas pedagógicas com objetivo de garantir uma educação de qualidade a todos

 

  • COM QUEM FAREMOS?

É preciso pensar na escola como espaço privilegiado de encontro da diversidade cultural e em nosso fazer somos provocados a olharmos para todas elas e convidados a educar o olhar de nossas crianças, mostrando a elas a diversidade, sobretudo buscando que se reconheçam e sintam acolhidos e como parte de uma cultura para que possamos relacionar e estabelecer trocas que potencializem as diferenças e valorize a diversidade cultural da comunidade atendida. Uma escola que tenha como princípio uma gestão democrática a construção do PPP é pensado coletivamente com seus membros envolvidos (gestores, professores, crianças, funcionários e comunidade) tendo o diálogo como a tradução da sua intencionalidade e ressignificação das suas ações pedagógicas voltadas e pensadas como instrumento de transformação da realidade da comunidade atendida.

A escola tem sua função social e a construção do projeto político pedagógico tem um compromisso político, pois tem a responsabilidade, num contexto de flexibilidade de ações pedagógicas, em que o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação dos processos educativos revelem qualidade, respeito à equidade de direitos e especificidades das crianças. O projeto político pedagógico tem compromisso pedagógico, pois as propostas pedagógicas devem reconhecer a identidade da comunidade local e construir com o aluno um conhecimento significativo, que sirva como instrumento de compreensão e transformação de sua realidade dando oportunidade a todos envolvidos de se sentirem pertencentes.

 

  • COMO FAREMOS?

 

  • FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS

A formação profissional contínua e democrática é fundamental, pois ela proporciona uma educação efetiva de qualidade a todos. Estas formações nos possibilitam obter informações, compreender, sensibilizar, respeitar e acima de tudo são ferramentas capazes de modificar comportamentos e ampliar as possibilidades de promover uma educação multicultural a partir de uma abordagem de educação em direitos humanos. Dentro da escola Os horários coletivos, reuniões pedagógicas e jornadas são momentos privilegiados para roda de conversa, troca de experiências e como oportunidades para aperfeiçoamento das práticas por meio de oficinas e palestras.

  • PARTICIPAÇÃO DAS FAMÍLIAS E COMUNIDADES

Por ser um instrumento de transformação social, as intencionalidades do PPP partem da realidade e de suas necessidades reais, por isso todas as ações devem ser partilhadas e validades pelo coletivo que o constituiu. A participação crítica e coletiva no planejamento e nas tomadas de decisão deve contemplar a presença de representantes dos diferentes segmentos dando o real sentido de pertencimento a todos os envolvidos no processo. Desenvolver a capacidade dos pais e filhos a serem participantes competentes dos serviços prestados, não sendo apenas clientes recebendo passivamente doses generosas de serviços educativos e sociais, mas parceiros iguais e ativos do desenvolvimento e na avaliação do trabalho que vem sendo desenvolvido com seu filho na instituição educativa.

Nesse processo se faz necessário o envolvimento dos pais que precisam se sentir acolhidos para efetivamente participar do conselho, das avaliações periódicas, das reuniões de pais, dos encontros sobre a infância, das festas e do cotidiano na escola. É preciso criar espaços de escuta para ouvir a história das famílias, seja na entrevista inicial, na adaptação das crianças procurando construir um vínculo seguro da criança com a escola e seus professores, nas reuniões de Pais e Educadores, com temas que provocam diálogo com os mesmos sobre as mais diversas questões e, principalmente no processo de avaliação da qualidade dos anos anteriores para debater os problemas e levantar possíveis soluções.

  • REDES DE APOIO, PROTEÇÃO E ATENDIMENTO

Redes de apoio e proteção efetivos que atenda às necessidades e demandas.  Parcerias e canais de comunicação com diferentes segmentos são fundamentais para um efetivo apoio suplementar que dê suporte ao professor para que possa atender as necessidades apresentadas no contexto escolar. Buscar sempre os serviços disponibilizados pela rede e estabelecer parcerias com os demais centros de referência, secretarias e serviços como CEFAI, NAAPA, DIPED, COPED, CET, COCEU, assistência social, associação de moradores, conselho tutelar, UBS dentre outros.

  • RECURSOS MATERIAIS / ESPAÇOS E TEMPOS

A apropriação dos espaços da escola, do entorno, bibliotecas, museus, praças, parques e territórios da cidade. A oferta de materiais variados e sempre acessíveis às crianças e a organização de ambientes de forma confortável são orientadoras das ações infantis favorecendo o desenvolvimento da autonomia nas suas escolhas e a participação nas vivências cotidianas sendo elementos propulsores de um ensino e aprendizagem de qualidade para todos.

 

  • COMO VERIFICAREMOS?

A avaliação deve considerar as manifestações das crianças e das famílias e equipe escolar em todo o processo de elaboração e execução das ações durante todo o ano. Deve ser utilizada como elemento essencial para mudanças, reformulações e ajustes no Projeto Pedagógico. As observações devem incidir na análise de todo o contexto das aprendizagens e avaliações dos registros cotidianos: espaço, materiais, atividade vivenciada, recursos utilizados, entre outros.

 

  • QUAIS REFERENCIAIS UTIIZAREMOS?

Ministério da Educação – MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei Federal 9394. Brasília, 1996

LIMA, L. Organização Escolar e democracia radical: Paulo Freire e a governação democrática da escola pública. São Paulo: Cortez, 2000.

Orientação Normativa nº 01/2015. Padrões Básicos de Qualidade na Educação Infantil Paulistana.

Currículo da Cidade – Educação Infantil. Secretaria Municipal de Educação – SME/ SP.

Currículo Integrador da Infância Paulistana – SME/SP.