Tarefa 6 – Curso EDH – Luciana de Assis Carvajal Alves

Data

1 de agosto de 2020

Cursista

Luciana de Assis Carvajal Alves

Função

Professora de Ed. Inf. É Ens. Fund. 1

DRE / Unidade Educacional

Penha

Escola

Emef Anália Franco Bastos

Tema Proposto:

“Re(conhecendo) nossa comunidade” – ampliar nossos olhares e discussões a cerca da nossa comunidade escolar (estudantes, responsáveis, comunidade do entorno escolar e educadores – e aqui chamamos de educadores todos que fazem parte da nossa unidade escolar).

 

Justificativa:

O distanciamento social ocorrido no ano de 2020 evidenciou urgências sociais e sendo assim, educacionais que necessitam da reflexão e de ações que auxiliem no desenvolvimento do olhar ao próximo como sujeitos de direitos (muitas vezes vamos esquecendo disso!) Queremos incluir cada vez mais toda a comunidade escolar em nossos fazeres e, para isso, precisamos nos re(conhecer).

Temos uma comunidade composta, em sua grande maioria, por imigrantes e no decorrer da apresentação da proposta, falarei mais sobre isso.

 

A quem o trabalho se destina:

Toda comunidade da EMEF Anália Franco Bastos (como mencionado anteriormente, estudantes, responsáveis, comunidade d comunidade do entorno escolar e educadores – e aqui chamamos de educadores todos que fazem parte da nossa unidade escolar).

 

Finalidade:

Conhecer melhor a comunidade em que trabalhamos. Como é o entorno da escola? Onde os estudantes e responsáveis vivem? Como se deslocam até a unidade escolar? E os funcionários, quem são?

Durante a pandemia, fomos percebendo que só conseguimos incluir e acolher se conhecermos a nossa comunidade. São tantas emergências durante o isolamento (fome, falta de emprego, preocupação com os fazeres escolares, falta de recursos, medo, morte, etc.) que entendemos que nos ouvir e ouvir quem faz parte da nossa escola e entorno poderia auxiliar nas emergências e aos poucos, consolidar um trabalho que pertencimento.

 

Objetivos/Resultados esperados:

Conhecer o entorno escolar e onde os estudantes e responsáveis vivem e convivem; Criar meios de comunicação (redes sociais, telefonemas, cartas, visitas, abertura da unidade escolar – seguindo protocolos – para que os estudantes e responsáveis possam tirar dúvidas, pedir ou disponibilizar ajuda, etc.); Criar um vínculo de comunicação entre estudantes, responsáveis e unidade escolar com o objetivo de conhecer melhor as realidades e formas de auxílio (essa parceria têm se feito de grande importância e pilar dos nossos fazeres); Abrir e disponibilizar cada vez mais espaço para o diálogo e reflexão sobre o momento que estamos passando e as urgências que já existiam na nossa unidade educacional mas que se tem feito mais explícita (comunidade composta em sua grande maioria por imigrantes e que necessitam do auxílio na comunicação; muitos na nossa comunidade não estão de forma regular no país e por isso temos o apoio da embaixada, mas sabemos que necessitamos ampliar a divulgação, acolhida e atendimento;  a falta de vínculo e pertencimento com a nossa unidade e assim a necessidade de ampliar o conhecimento, recursos e materiais que tornem o espaço mais representativo – assim como muito ouvimos durante o curso e que estamos levando a discussão para escola).

 

Duração:

Início da pandemia e distanciamento social até a abertura das unidades educacionais (mas que as discussões não terminem, apenas se modifiquem nas realidades apresentadas).

 

As atividades da sequência:

  • Com o início do distanciamento social, encontramos um primeiro problema: entrar em contato com os estudantes e responsáveis para entrega de materiais. Os contatos nem sempre são atualizados e percebemos o quanto a nossa comunidade muda de residência e de telefone. Fomos conversando no coletivo e pensando em formas de resolver e envolver o maior número possível de pessoas. Reforçamos a comunicação via redes sociais, criamos um Whatsapp Business, criamos grupos de trabalho para fazer a comunicação através de e-mail, telefone, cartas e atendimento na unidade escolar. Educadores criaram grupos no Whatsapp para manter um contato mais próximos com seus grupos. Criação e disponibilização de cartazes pela comunidade com informes importantes e formas de contato com a unidade escolar.
  • Muitos estudantes e responsáveis começaram a entrar em contato falando que como não estavam trabalhando, estavam passando por necessidades financeiras. Conversamos coletivamente e montamos cestas básicas para entregar na comunidade. Grupos da unidade educacional foram montados para as entregas. Neste momento, entendemos a urgência de nos conhecer e conhecer aqueles que nos cercam. Não tínhamos a dimensão de onde os estudantes moravam e como era o entorno (espaços de trabalho, lazer, assistência médica, etc.) Continuamos com grupos fazendo visitas e nos alimentando com informações para as nossas discussões e problematizações. Conseguimos a parceria com uma ONG que 1 vez por mês, nos doavam cestas básicas para fazermos as entregas. Alguns responsáveis também entraram em contato para ajudar outras famílias que estavam necessitando.
  • Recebimento do material disponível pela prefeitura e acesso a plataforma – como a prefeitura fez a entrega através dos Correios, muitos estudantes acabaram não recebendo e fomos levantando os motivos (mudança de endereço, moradias sem numeração, locais em que os entregadores “não entravam” e deixavam em outros espaços, etc.). Para que ninguém ficasse sem material, fomos disponibilizando pelas redes sociais e fazendo a impressão na escola para distribuirmos para os que vinham na unidade ou nas visitas dos educadores na comunidade. O ponto mais importante é que quando falamos de comunidade, olhamos para esses atendimentos (tanto de materiais quanto de cestas básicas) para além dos estudantes da nossa unidade escolar, mas para todos que fazem parte do entorno escolar.
  • Escuta da comunidade – através da conversa nos diferentes dispositivos (como mencionado anteriormente), buscamos ouvir e perceber (pois nem sempre as coisas são ditas) quais eram as necessidades. Como muitas famílias falam espanhol, fomos traduzindo e explicando as atividades e comunicados (posteriormente, a prefeitura disponibilizou o material em espanhol para o ciclo de alfabetização, o que auxiliou bastante). Criamos um grupo para mesurar problemas de falta de acesso e comunicação nas plataformas (falta de celular ou computador, falta de internet, horário de acesso – muitos responsáveis continuaram trabalhando nas confecções e voltavam tarde para casa e era o único horário disponível para auxiliar nas atividades ou disponibilizar o celular para os estudantes, não compreensão de como acessar, postar, ou como realizar atividades – buscamos criar textos, vídeos, entre outros materiais que fossem atendendo as especificidades de cada estudante que ia comunicando a escola e seus educadores (aqui a inclusão está sendo pensada para além dos alunos em atendimento especializado, mas para cada estudante de acordo com a sua necessidade. A cada nova escuta, pensamos e conversamos em como podemos fazer para atender se não todos, mas a maior parte da nossa comunidade (mesmo que as dificuldades sejam para além do pedagógico).
  • Aprendizagem, discussões e trabalho coletivo: com o distanciamento social, conseguimos com que a grande maioria dos educadores (e buscamos incluir cada vez mais minimamente comunicando os que não podem) passaram a fazer parte das discussões nos horários coletivos. Passamos a olhar para o nosso PPP e perceber assuntos importantes e que não estão especificados como a necessidade de maior representatividade (como já mencionei anteriormente). Com o curso EDH – Desafios do Contexto Atual, começamos a assistir as lives e a acessar os materiais da plataforma (como os cadernos do Respeitar é Preciso!, documentários, etc.). Essas discussões foram embasando os fazeres mencionados anteriormente, buscando incluir neste momento histórico ações de representatividade, reconhecimento e inclusão da nossa comunidade. Continuamos trazendo as problemáticas para as nossas reuniões e neste momento, queremos intensificar a leitura e o conhecimento dos cadernos “EDH para Todas as Idades” e “Respeito na Escola” para ampliar nossos olhares e fazeres que apóiem nossas ações com a nossa comunidade.

 

Avaliação:

Estamos caminhando nas nossas discussões e ações, mas o curso me ajudou a levar discussões para a escola de sensibilização com todos da nossa comunidade. O trabalho de andar pelo entorno escolar não havia existido até agora e passamos a entender a grande importância deste fazer. Passamos a ouvir com mais atenção aos alunos e responsáveis e a problematizar ações para além de críticas superficiais. Começamos a sentir a comunidade (tanto dos educadores que se uniram e se sentiram mais participativos nos coletivos quanto aos alunos e responsáveis) mais próxima e aberta a conversar. Temos muito a fazer (principalmente em nosso retorno, pois há a necessidade de tirar alguns projetos do “papel” ou da “fala bonita” para efetivamente ser problematizada e acontecer).

O que mais aprendi foi a olhar as pessoas como pessoas. Como esquecemos disso no dia a dia! Como rotulamos, não ouvimos ou menosprezamos as pessoas. Chamamos de “diferente” e a fala de “diferente de quem ou de quem” passou a fazer parte do meu olhar. Sou muito grata pela oportunidade do curso e de todas as discussões que ocorreram e que está nutrindo a minha unidade educacional.

Estamos realizando uma campanha de arrecadação de celulares para os estudantes que não possuem o dispositivo e por isso, não conseguem a realização das propostas e comunicação.

Criação do grupo de Whatsapp para contribuir com a comunicação.

Explicação de como entrar na plataforma do Google Sala de Aula

Vídeos disponíveis no Facebook da escola para auxiliar no cadastro e entrada na plataforma.