Tarefa 6 – Curso EDH – Letícia Rocha Candelaria Souza

Data

29 de julho de 2020

Cursista

Letícia Rocha Candelaria Souza

Função

PEIF

DRE / Unidade Educacional

Guaianases

Escola

EMEI Rodrigues de Abreu

Projeto: Literatura Infantil e os marcadores sociais de diferença

 

Justificativa: Atuo em um CEI (Professora Maria Conceição Monteiro Ayres) em Guaianases e ano passado trabalhei com uma turma de Berçário Maior (BII). Nesse ano que passou, realizei com as minhas parceiras de sala, um projeto envolvendo a história “O cabelo de Lelê” em que confeccionamos uma peruca parecida com o cabelo de Lele e tiramos fotos das crianças, montamos um painel. Tivemos um retorno positivo, pois tanto as crianças quanto as famílias gostaram muito das fotos e da atividade. Neste ano, trabalhei com essa mesma turma novamente como Mini Grupo I (MGI) e antes da pandemia, levei as crianças para brincarem na área externa, onde tem uma pintura de algumas crianças, trabalhando a diversidade e inclusão. Uma das crianças olhou a imagem e disse “Olha o cabelo de Lelê”. Fiquei muito feliz ao ver que ela lembrou o que trabalhamos ano passado e essa atividade me remete a questões de valorização da identidade negra, representatividade, protagonismo e pensar nesses marcadores sociais de diferença. Hoje, para o retorno pós-pandemia faria algumas mudanças nesse projeto.

Faixa etária: 2 a 3 anos – MG I

Finalidade: Desenvolver uma perspectiva social e crítica para compreensão do corpo e da diferença, por intermédio de uma sequência de atividades visando à ideia de modos, subjetivação e marcadores sociais de diferença possibilitando a diversidade, o respeito de si mesmo e do outro ampliando reflexões sobre o território em que as crianças vivem e o seu repertório cultural.

Objetivo: Os objetivos estão alinhados aos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento da BNCC – EI que são: Conviver, brincar participar, explorar, participar e conhecer-se que estão em diálogo com a matriz de saberes proposta no Currículo da Cidade – Educação Infantil que visa formar cidadãos éticos, responsáveis e solidários que fortaleçam uma sociedade mais inclusiva, democrática, próspera e sustentável, sendo estes:

  • Pensamento científico, crítico, criativo;
  • Resolução de problemas;
  • Comunicação;
  • Autoconhecimento e autocuidado;
  • Autonomia e determinação;
  • Abertura à diversidade;
  • Responsabilidade e participação;
  • Empatia e colaboração;
  • Repertório cultural.

Além disso, pensando na questão dos marcadores sociais de diferença, a proposta é promover a valorização da cultura afrodescendente, conhecendo histórias com essa temática e fazendo relações com uma imagem positiva de si, auto-estima, conhecendo influências afrodescentes, percebendo semelhanças e diferenças e as respeitando, criando subsídios para que a temática continue sendo trabalhada nos anos seguintes.

Duração: O projeto será inspirado nas modalidades organizativas de Délia Lerner, sendo trabalhado inicialmente com uma sequência didática de 2 semanas e atividades permanentes neste período, atividades sequenciadas que encaminharão para o produto final do Projeto que será um portfólio com atividades realizadas no CEI e em casa com as famílias, tendo fotos e produções das crianças e família.

 

1º dia

– Roda de conversa com as crianças, escuta sensível de como foi o isolamento em casa, aspectos de higiene e saúde e iniciando uma conversa sobre quais histórias elas viram em casa que trabalhavam a questão racial, vídeos e atividades propostas pela escola também. Atenção neste tema ao falar com a criança utilizando a mesma linguagem dela, de modo que ela compreenda com facilidade.
 

2º dia

– Leitura do livro “O cabelo de Lelê” e resgate de memória de outras histórias que tratam dessa temática, resgate do projeto realizado no ano anterior tratando a questão do cabelo de como ele era e a proposta de atividade.
 

3º dia

– Apresentação do filme Kiriku e a feiticeira. Após a finalização da história conversar com as crianças em roda de conversa sobre a visão de heróis e quem são heróis para eles.
 

4º dia

– Leitura do livro “Betina” que trata a questão do cabelo, da auto-imagem e diferença. Em seguida propor uma conversa sobre cabelos. Como cada criança gosta de arrumar e cabelo.
5º dia – Realizar uma oficina de cabelos. Levar bonecas para escola com cabelos de diversas formas e propor que as crianças brinquem e arrumem esses cabelos inspiradas no cabelo de Lelê e no cabelo da Betina.
6° dia – Apresentar as bonecas do dia anterior com os cabelos arrumados de diversas maneiras, conversar com as crianças sobre os cabelos dos personagens do livro, como é o cabelo das pessoas que moram com as crianças, promover durante a conversa a valorização às diversas formas de cabelo aludindo a varias formas de ser, somos diferentes e isso nos faz únicos.
 

7º dia

– Proposta de uma reunião de pais para ouvi-los sobre este momento de pandemia e conversar sobre como a criança gosta de deixar seu cabelo, sobre a importância de se trabalhar o tema em casa também, respeitando e valorizando as diferenças. Se possível, pedir um registro fotográfico sobre como essas questões são trabalhadas em casa, seja a foto do cabelo ou alguma atividade. A intenção é ampliar essa discussão para casa também Considerando a importância da escuta das famílias, a reunião poderá não ocorrer somente em um dia específico, podendo atender as famílias individualmente, conforme a disponibilidade.
8º dia – Leitura do livro “Hair Love”, trazendo de volta essa temática para o trabalho diário na escola, uma vez que por serem crianças pequenas é importante que as atividades ocorram no ritmo da criança, voltando os conceitos sempre que necessário.
9º dia – Propor uma semana da leitura entregando livros com a temática etnicorracial para ser lida nos finais de semana com as famílias. Entregar uma agenda para essas famílias, interligadas ao projeto para que os familiares relatem como foi trabalhado esse tema em casa, impressões da criança, buscando também saber se as crianças associam com os conteúdos que foram trabalhados em sala.
10º dia – Trabalhar a contação dessas histórias pelas crianças, pois é importante na faixa etária da Educação Infantil, pedir também para recontarem a história.
11° dia – Exposição de alguns vídeos que tratam também da temática étnicorracial com contação histórias sobre a temática.
12º dia – Fazer roda de conversas com as crianças trabalhando o tema da subjetivação e marcadores sociais de diferença, na linguagem delas promovendo o respeito ao outro.
13º dia – Propor uma festa do cabelo com as crianças, organizar diversas perucas não apenas do cabelo de Lelê, mas também da Betina e outros ou pedir que os familiares/responsáveis arrumem o cabelo como as crianças mais gostam. Fazer registros fotográficos.
14º dia – Exposição de um lindo mural com a sequencia de atividades realizada desde o inicio, a participação das famílias e os registros significativos do decorrer do Projeto.

 

Observação: Lembrando que por serem crianças bem pequenas o Projeto poderá ser adaptado da melhor forma considerando o retorno das crianças e respeitando o tempo. Assim, o Projeto poderá se estender, a ideia é posteriormente continuar sendo trabalhado e não se restringir aos 14 dias. A solicitação de foto para os familiares/responsáveis não será obrigatória, apenas pra aqueles que conseguirem, mas o tema será trabalhado com todos, mesmo que não possam comparecer à reunião, conversando assim que possível.

Avaliação: Não terá caráter classificatório ou de medição, a intenção é envolver não somente as crianças, mas as famílias tratando o tema dos marcadores da diferença para uma educação que vise à inclusão, equidade, diversidade e abordagem de sua integralidade proporcionando o respeito mútuo e valorização das diferenças.

Importante: Segue em anexo o registro fotográfico da atividade realizada no ano passado como registro do que já realizamos com as crianças.

Registro do trabalho em 2019 - O cabelo de Lelê